Penny Davis
Depois de muita conversa, consigo tirar cinco dias de
folga. Como o feriado é numa quarta-feira, resolvo ficar oito dias por lá. Adam
teria que trabalhar dobrado para ficar conosco por esse período todo, mas iria
também. Para que ninguém desconfiasse, Adam inventou que um cliente meu havia
me presenteado com uma viagem romântica para um de seus resorts no feriado.
Então, tudo acertado para podermos viajar, ligo para Emily
para a informar do dia que poderíamos ir.
— Mana, que bom falar com você de novo. – Ela fala ao
atender a ligação. – Então, poderão vir?
— Conseguimos cinco dias. Podemos ir no fim de semana antes
do feriado.
— Que maravilha! Mandarei Nola providenciar as passagens,
mande as informações de vocês e mando as informações para você pelo e-mail e no
celular. Não esqueça de colocar muito biquini e protetor.
— Tá tirando onda comigo? Acha que esqueceria logo essas
duas coisas?
— Claro que não! – Responde dando risada.
— É bom ouvir você rindo. Como estão as coisas por aí? E
sua saúde?
— A mental? Está ótima. Não tive mais nenhum episódio de
esquecimento. Tem bem uns dois anos.
— Desde que ele foi preso?
— Isso. Acho que foi o desfecho para meu pesadelo.
— Fico muito feliz. Olha, conversamos melhor semana que
vem. Estou entrando no tribunal agora.
— Sucesso. Beijos... Ah! Penny...
— Oi?
— Me perdoa e te amo.
— Perdoar de que?
— De tudo.
— Também te amo. E quanto ao perdão, perdoar de tudo é
muita coisa, conversaremos melhor pessoalmente.
***
Emily Campbell
— Nola, por favor, venha cá. – Interfono para ela –
Providencie para mim duas passagens Nova York – Maui – Nova York, para o
próximo fim de semana e retorno para o fim de semana seguinte. Aqui estão os
dados e os guarde para mim.
— E hospedagem?
— Ficarão comigo.
— São clientes?
— Não. São meus amigos. E o valor debite em meu cartão
particular.
— Tem certeza que vai deixar seus amigos em sua casa com as
crianças?
— Esse é o proposito da visita deles. Conhecer os anjos.
— Já vou providenciar isso.
— Obrigada. – Ela
acena com a cabeça e sai.
Minha relação com Nola vai muito além da profissional.
Contei muito com sua ajuda quando minha vó foi embora, me deixando com os
gêmeos. Não contei muita coisa a ela sobre minha relação com o pai dos bebês.
Para ela, Drew foi um relacionamento relâmpago. Ela não sabe nada do que
aconteceu antes, nem o real motivo que me afastei de todos. Graças ao carinho
de Nana por ele, Nola sabe que ele não é um cretino que abandonou a funcionária
grávida.
A semana transcorreu como o esperado. Fechamos mais dois
contratos na Nova Zelândia e em Dubai. Conversei com investidores em Jeddah, na
Arábia Saudita, Pequim e Taiwan. E estamos bastante avançados nas negociações
com Seul. Nossos produtos estão conquistando a Ásia. O que me faz muito feliz.
Nossos colaboradores estão empenhados em nos tornar um sucesso no mundo.
Nola só consegui passagem para o domingo de manhã.
Chegariam aqui por volta das nove horas, sairiam de lá na madrugada. Estou
muito ansiosa e nervosa. Sei que a reação de Penny não será das melhores, ao
saber que a privei de conviver com meus filhos por dois anos, que quase perdi
um deles e ela não estava aqui para me ajudar. A reação de Adam é para mim uma
grande incógnita. Sei que vai querer falar imediatamente com Drew, ou tentará
me convencer a fazê-lo. Mas mal estou preparada para falar com os dois. Não
tenho a menor estrutura para isso.
Acho que Trixie pressentiu meu nervosismo e teve uma crise
respiratória que nos levou ao hospital no princípio da noite de sábado. Ela tem
crises respiratórias de vez em quando, segundo o pediatra deles, é em
consequência do parto dela. Mas sempre são leves. Resolvo em casa mesmo. Dessa
vez, precisamos ficar internados. Ela, eu e Bennie, já que não consegui
deixá-lo com ninguém. No início da manhã do domingo, ligo para Dereck para lhe
pedir um favor, não falo com ele desde o fim de semana passado, não lhe disse
que havia ligado para Penny e a convidado para vir.
— Oi...
— Oi. – Ele me atende. – Aconteceu alguma coisa?
— Estou no hospital com Trixie.
— O que houve? Ela está bem? – Ele se preocupa
— Agora está. Passamos a noite aqui. Queria lhe pedir um
favor.
— Quem está com Bennie?
— Ele está comigo. Quanto ao favor.
— Por que o levou para aí? Por que não me ligou ontem?
— Dereck, estou ligando agora, ontem não tive cabeça.
Preciso que me faça um favor, pode ser? – Digo um tanto quanto irritada
— Oh, desculpa. Diga. Faço o que estiver ao meu alcance.
— Penny e Adam estão chegando daqui a uma hora e meia no Kahului. Você poderia pegá-los e
deixá-los lá em casa?
— Claro. Tem mais
informações do voo?
— Passo para seu celular
junto com uma foto dos dois.
— Tudo bem.
— Rick
— Oi...
— Obrigada.
— Fico feliz que os convidou
para conhecer as crianças.
— Devemos ter alta dentro em
pouco e vamos direto para casa. Teremos o brunch todos juntos, combinado?
— Combinados. – Desligamos o
telefone.
Às 8:30 recebemos alta. O
pediatra de plantão mantem os remédios de costumes e pede que continue a
observação, qualquer alteração a leve novamente ao hospital. Chamo um taxi e
voltamos para casa. Quando chegamos, Trixie dorme em meu colo e Ben está
cochilando, deitado no banco. O acordo, pois não conseguiria carregar os dois e
a sacola. Ele caminha resmungando. Detesta ser acordado, igual a mim. Coloco-os
em suas caminhas e vou terminar o brunch.
Eram quase 10:00 quando os
três chegaram. Eu estava na varanda esperando quando vejo o carro de Rick se
aproximando. Penny mal espera ele estacionar, abre a porta e vem correndo até a
mim. E eu vou correndo até ela, nos encontramos no meio do caminho, e nos
abraçamos, chorando. Cena típica de cinema.
— Me perdoa, mana! Não
queria me afastar. – Peço perdão a ela
— Não precisa pedir perdão.
Só quero saber qual o real motivo para você ter feito isso. – Ela me afasta e
olha fixamente para a direção que eu vim. Olho para Adam que tinha o mesmo
olhar que ela para a mesma direção. Rick faz um gesto com a cabeça para que
olhasse para a casa.
Giro minha cabeça já
prevendo o que veria. Lá estava ela, cabelinho castanho claro, cheio de cachos,
olhos azuis da cor do céu. Linda minha anjinha! O destino me poupou de iniciar
a mais dura conversa que teria com Penny.
— An... An... Angie?!?! –
Adam pronuncia
— Vem, mamãe. – Chamo-a,
enquanto me dirijo até ela – Mamãe vai lhe apresentar a titia doida.
— Angie?!?! – Penny repete
— Não, Penny. Essa é
Beatrice. Minha Trixie.
— Não. Essa é Angela. Filha
de Ash e Artie. – Adam rebate ao se aproximar da gente.
— Adam, eu conheço minha
filha. – Rebato
— Nossa, ela é cara da filha
deles.
— Pera! – Penny solta um
grito e assusta Trixie que começa a chorar.
— Deixa que eu a levo para
dentro e a acalmo. Acho que tem muito que explicar. – Rick a pega de meus
braços e beija os lábios e entra.
— Vamos entrar. – Convido-os
– Eu explico durante o brunch
— Sim. Você tem muito o que
explicar, Emily. – Penny está furiosa. Entramos.
— Você teve uma filha? E
pela semelhança o pai é Drew. – Adam quebra o silêncio. Apenas aceno com a
cabeça.
— Ela tem o quê? Dois anos?
— Essa semana. Mas, na
ver...
— Você teve a coragem de me
esconder sua filha por dois anos? – Penny continua revoltada, está a um ponto
de começar a gritar.
— Penny, por favor, acabei
de chegar do hospital com ela, não grite.
— Não grite! – Ela está
gritando.
— Penny, controle sua voz,
por favor. – Torno a pedir.
— Amor, não vai adiantar
você gritar. Só vai assustar ainda mais a criança. – Adam pede. – Emm, por que
a escondeu de todos?
— Como estava dizendo, na
verdade – aponto para a saída dos quartos – Eu tive um casal. Esse é Benjamim,
meu pequeno anjo. – Rick vinha com ele no colo.
— Esse mocinho estava
aprontando no quarto dele, quando deixei Trixie no quarto dela. Dormiu
novamente.
— É o remédio. Vem, meu
anjo. Olha quem chegou.
— Tipeda! Tipeda! – Ele se
atira nos braços de Penny
— Isso, anjo. Tia Penny
doida.
— Foi assim que me
apresentou a seu filho, Penny doida?!
— Foi. Sempre vejo nossas
fotos e conto nossas histórias aos dois.
— Estou surpreso como eles
se parecem com os filhos de Artie. Melhor, ele é a cara de...
— Drew. Eu sei. – Completo.
– Trixie lembra muito ele também. Meus filhos não puxaram nada de mim, a não
ser os cachos.
— Mas por que você não nos
contou? Por que escondeu dele a gravidez? – Pego Ben do colo que Penny e o
coloco na cadeirinha dele, faço um pratinho para ele comer e me sento à mesa.
Respiro fundo e começo a contar...
— Quando Drew voltou para
Nova York...
— Acho melhor deixar vocês a
sós. Conversamos mais tarde – Rick se levanta
— Não. Fica. Você merece
ouvir, pelo menos, essa parte da história. – Seguro sua mão. – Então... ele me
deixou um bilhete... – Respiro novamente fundo. – Terminando o que havíamos
começado. Nele, ele me dizia que não podia permitir ser magoado, que havia
chegado no limite e que não iria mais insistir em me mostrar que era diferente,
que não dava mais para ser comparado. Realmente não lembro o que foi que eu
disse ou o chamei. Mas ficou claro para mim que não haveria volta. – Todos me
ouvem com atenção. Bennie brinca com a comida. – Filho, não faz assim.
— Vou colocá-lo no chão. –
Rick se oferece.
— Quando voltei para Nova
York com Nana, senti mal estar, tonturas. Lembrei que não nos cuidamos. Comprei
um teste de farmácia e deu positivo. Não haveria nenhuma chance de falar com
Drew sobre a gravidez. Conheço o caráter dele e os sentimentos dele por mim,
assim como vocês, ele iria assumir não só o bebê como a mim. E eu não queria
correr o risco de magoá-lo mais vezes. comparando-o com aquele monstro. Ainda
tinha a possibilidade, de quando Taylor soubesse que estava grávida de Drew, a
agressividade dele aumentar e atacar minha vó, a Drew e, principalmente, a mim,
já que neguei a ele o filho que tanto queria.
— Ele queria filhos com
você?
— Ele queria ser igual ao
pai. Eu que ainda tinha um pouco de juízo. Voltando. Pensei e refleti bastante.
Ficar na A4+ estava fora de cogitação, permanecer em Nova York também. Voltar
para Mystic City também. Recorri ao professor Burke. Ele já havia me indicado.
A ideia inicial era ficar com vocês até arrumar algo fora, mas ficou impossível
ver Drew todos os dias e não poder... – olho para Rick, que acena com a cabeça
– ficar com ele. Resolvi voltar com minha vó.
— Eu, nós estivemos lá na
ação de graças, não pensou em me contar? – Penny cobra
— Nana e seus pais insistiam
para que eu contasse. Nana quase fala na hora dos agradecimentos. Mas a
interrompi. Sabia que se um dos dois soubesse poderia, mesmo sem querer, contar
para ele.
— Quando ficou sabendo que
eram gêmeos? – Adam perguntou
— Depois que Taylor me
agrediu. – Olho novamente para Rick. Pude sentir a raiva em seu olhar
— Ele o quê?
— Mesmo com a ordem de
restrição, ele passou a me cercar, ele entrou na agência, e na semana seguinte
invadiu minha casa e me agrediu. Só pensava no bebê em meu ventre. Ele me
derrubou no chão, me socou e chutou, e tudo que eu fazia era proteger meu bebê.
No hospital o médico me disse que eram gêmeos.
— E você enfrentou isso tudo
sozinha? – Rick perguntou
— Os pais de Penny nos
salvaram. Acho que o cretino nunca apanhou como naquele dia. O tio deu tanto
murro nele. Tina, Scott e o promotor não tiveram pena. Pegou pena máxima,
fiquei sabendo. Eles conseguiram que eu não fosse depor. – Um grande silêncio
se ocupou da sala. Aquilo estava me sufocando. Parecia que havia tirado uma
tonelada de meu peito. Mas Penny ainda permanecia quieta. Seu rosto, não tinha
nenhuma expressão. Os olhos fixos em Bennie. Adam me olhava com carinho. E foi
ele o primeiro a falar.
— Minha amiga, entendo suas
razões. Mas não sei se foi a melhor decisão que você tomou. Drew é louco pelos
sobrinhos, sonha em ser pai. Acho que deveria ter contado.
— Ainda dá tempo. – Penny
fala
— Não. Drew continua sem
saber. Essa foi a minha decisão. E vocês vão respeitar.
— Sabe o que está nos
pedindo, Emm?
— Sei. E espero que entendam
meu ponto de vista. O que de bom pode vir agora? Ele querer retomar algo que
não existe mais? Ele querer assumir, e pagar uma pensão? Ele disputar a guarda?
Nada de bom. Ficamos como estamos.
— Mas... – Penny tenta
falar.
— Não. A decisão é minha.
Não precisamos de mais ninguém em nossas vidas. Sou completamente capaz de
provir minha família.
— Está sendo teimosa, Emm. –
Adam tenta argumentar. Mas Penny o detém.
— Amor, não. Ela está
decidida. Ela retirou a todos da vida dela e dos bebês. Fico grata por nos ter
permitido conhecê-los. Não vou insistir. Sua cabeça, sua guia. Mas essas
crianças vão lhe cobrar um dia, o pai que você os negou. Um pai carinhoso,
atencioso.
— Eles não sentirão falta
nem de carinho nem de atenção.
— Assim como você nunca
sentiu, né?
— Penny, você pegou pesado.
Senti falta dos meus pais mortos.
— E você vai dizer o que a
eles quando perguntarem pelo pai? – Ela estava sendo mais dura do que esperava.
— Sabe de uma coisa? Deixa para lá. Eu preciso que me diga o valor das
passagens, vou procurar um hotel para ficarmos. Não fico aqui nem mais um
minuto.
— Penny! – Essa reação me
pega de surpresa. – Eu convidei vocês, não vou aceitar seu dinheiro.
— Não quero nada seu. Para
mim, isso – e faz um círculo com a mão, mostrando a situação – foi demais para
mim. Paciência tem limite. E assim como a de Drew, a minha acabou. Você não
tinha o direito de esconder isso dele nem da gente. Muito menos, fazer meus
pais e Nana mentirem para mim. Adam, vamos.
— Penny, calma. Você está
agindo sob a emoção. Pare e pense. – Adam tenta contornar a situação.
— Se quiser ficar, fique. Eu
não fico mais. Espero que seja muito feliz com suas escolhas. – E sai. Adam vai
atrás dela. Pude ver quando ela parou no jardim, agachou. Com certeza, cedeu ao
choro. Olhei para Rick que me olhava com reprovação.
— Se posso lhe pedir mais um
favor. – Ele acena com a cabeça – Leva eles para o para ,Wailea
Beach Villas, por favor e entregue esse cartão na recepção. – Ele assente com a
cabeça. Ele ao leva para hotel. E eu fico em casa,
tentando assimilar tudo o que acontecera.
***
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