Por volta das três horas, April me avisa que
Drew está lá embaixo me esperando. Então, arrumo minhas coisas, assino alguns
documentos, dou as últimas instruções para meus assistentes e saio. As duas
casas são incríveis. Drew está super empolgado com a possível reforma da casa na
rua 26. Estou muito tentada a ficar com a casa da Farragut Road, embora muito
menor que a da rua 26, com o terreno imensamente menor que o meu em Maui, e
mais cara, ela está pronta para mudança.
Ash me ligou na sexta-feira dizendo que a sogra
iria dar um almoço no sábado na casa de Drew e queria, queria não, exigia minha
presença e a dos gêmeos. Perguntei por que não seria na casa dela, tudo que ela
me disse foi: “Coisas de Molly”. Assim nosso jantar fora cancelado. Por
tanto, estou agora num carro de aplicativo com os dois a caminho do número 176
da rua 82 leste, no Upper East Side. Dizer que estou nervosa, é pouco.
Não trouxe muitas roupas arrumada para os
meninos. Trouxe mais roupinhas para ficarem em casa e brincarem à vontade. Mas
essa ocasião pedia que nos arrumássemos um pouquinho mais. Então vesti Bennie
com uma calça jeans clássica, uma camisa de botão listrada azul e branca, de
mangas compridas dobradas até o cotovelo, suspensórios, tênis e meias brancas.
O cabelo passei um produto para dar um brilho molhado e um ar desarrumado,
estava um homenzinho. Já Trixie vesti com um macacão de algodão marmorizado em
tons de vermelho pastel, de amarrar nos ombros, com uma pequena tiara
enfeitadas com laços minúsculos no mesmo tecido do macacão. Calcei o sapatinho
boneca dela, e para completar o look uma bolsinha vermelha. Já eu também estou
com um macacão pouco abaixo dos joelhos, ombro a ombro e alças amarradas no
ombro, listrado em dois tons de marrom claro, joguei um colar por cima, deixei
meu cabelo solto. No rosto uma maquiagem muito natural, com um gloss na cor da minha
boca, sandálias baixas no estilo gladiador. Fui de uma forma bem confortável
por causa dos meninos. Não dispensei Sabrina, não sabia como seria esse almoço.
Se não houver necessidade, a dispenso. Precisava estar preparada.
Quando chegamos na Avenida Lexington liguei
para Drew. Ele havia me pedido que ligasse para que ele pudesse nos buscar no
carro. Quando estacionamos, lá está ele, no passeio. “Um dia ainda irei me
acostumar com a beleza desse homem. Preciso!” Ele está vestindo uma calça
jeans branca com a bainha dobrada, uma camisa de botão com listras azuis e
brancas - “Parece que combinamos. Ele e Ben estão vestidos com o mesmo modelo
de blusa” – Penso. Para completar, um tênis branco. Ele se aproxima do
carro, abre a porta, eu saio e ele me beija o rosto. “Jesus! Esse perfume!”,
pego Bennie e ele pega Trixie, e ajuda Sabrina a sair do carro com as sacolas.
— Bom dia, senhoritas! – Nos cumprimenta.
— Bom dia, Sr. Grant! – Sabrina o cumprimenta.
Ela parece encantada com ele.
— Papai! – Trixie agarra o pescoço dele que me
olha surpreso.
— Precisavam aprender, né? – Respondo a
pergunta velada. – Mas ainda vai rolar o Dandão. Não se preocupe.
— Vamos subir? – Aceno com a cabeça – O que
foi?
— Nada.
— Imagino quando for alguma coisa. O que foi?
— Estou nervosa, só isso.
— Anjo, são apenas meus pais. Avós dos meninos.
— E se não gostarem de... – Ele me olha,
entendeu o que queria dizer – dos meninos?
— Eles irão amar vocês três. Vamos. Estão nos
esperando. Artie já chegou. – E nos dirigimos ao elevador.
Quando a porta do elevador abre na cobertura e
dá para o foyer, congelo. Uma sensação horrível me abate.
— Deixe de bobagem. Parece que está indo para a
forca.
— Drew, não é bobagem. Estou com um mal pressentimento.
E se sua namorada...
— Não vem. Não a chamei. Minha mãe só queria a
família.
— Então vamos fazer o seguinte, já que é só a
família, os meninos ficam com você e Sabrina lhe ajuda e eu vou embora. Não
devo estar aqui. Não sou Ohana. – Ele me olha como se não entendesse — Não sou
família. – Ele esfrega passa a mão do queixo em direção ao nariz, um claro
sinal que achava o que disse um absurdo.
— O que você está dizendo?! Claro que você é da
família. É a mãe dos meus filhos e a mulher que... – Olho para ele que se cala.
— Continue. – Digo
— A mulher que me deu a maior alegria do mundo.
– Sinto que não era isso que ele iria dizer.
— Se está dizendo... Precisamos resolver isso.
– Falo apontando com o dedo de mim para ele e dele para mim.
— Precisamos. Vamos entrar que d. Molly deve
estar abrindo um buraco no meu piso. – Ele abre a porta e entramos. Uau! É tudo
o que vem em minha cabeça. A sala é enorme!
— Mãe. Pai. Esses são seus netos. Essa é
Trixie, e aquele Bennie. E essas são Emily e Sabrina, que ajuda a Emm com os
meninos.
— Meu Deus! São lindos! Também com esses pais,
não tinham como sair diferente.
— Agradeço os elogios, Sra. Grant. Mas meus
anjinhos não têm nada de mim. São o pai todinhos – Falo meio sem jeito
— Como assim, não tem?!? Esses cachos são seus.
Todos meus filhos nasceram com cabelos lisos. – Ela se aproxima e coloca a mão
escondendo a boca e meio que sussurra – Puxaram a família do pai. Posso?
— Vai, amor, com a vovó. – Bennie se joga.
Parece que sempre conviveu com ela.
— Prazer, Emily. Sou Dave. O culpado dos
cabelos lisos dos meus filhos. – Pisca um dos olhos e sorri. Acabo de descobrir
de quem Drew puxou aquele sorriso sedutor.
— Receio que não só é culpado pelo cabelo. O
sorriso também é muito parecido. – Comento
— Mais calma? – Drew me pergunta no meu ouvido
— Um pouco. Mas ainda tem algo me incomodando.
— Vamos lá pra fora. Talvez fique mais calma. Sabrina,
pode colocar as sacolas dos meninos na sala de tv – e aponta para a primeira
porta do corredor à nossa esquerda - e depois nos encontre lá fora.
Na varanda, estavam Artie e Ash com os gêmeos e
sua babá. Drew coloca Bennie no chão e sai correndo para brincar com os primos.
— Quer beber algo? – Aceno com a cabeça – O
que?
— Surpreenda-me!
— E aí? Vocês dois se acertaram? – Ash me
interroga
— Sobre a ação? Já.
— Não. Sobre vocês.
— E o que tem para acertar, Ash?
— O que tem?!? Tudo! Afinal, o amor de vocês é visível.
— Ash por favor. Não retoma essa cruzada. Nosso
tempo já passou.
— Será? – E olha para Drew, que está no bar,
nos olhando – Ele não está olhando daquele jeito para mim. E para ser sincera,
nunca olho daquele jeito para a purgante.
— Já... Não... Não sei. Ah! Ash. Não enche.
— Ótimo minha parceira chegou. – E aponta para
Adam e Penny entrando.
— Aqui. Mojito.
— Obrigada.
— Bom dia para todos. – Penny nos cumprimenta. –
Então se acertaram?
— Ainda não. – Ash responde.
Adam vai falar com Dave e Molly que estão
brincando com os netos.
Olho o relógio e aviso a Sabrina.
— Sabrina, o remédio de Trixie. Está na hora. –
Ela acena para mim e vai pegar o remédio para ministrar. Vejo Molly vindo em
minha direção.
— O que ela tem, Emily?
— Tive uma complicação no parto deles e Trixie
ficou com um pequeno problema respiratório devido ao cordão umbilical.
— Molly, ela quase perdeu nossa Trixie.
— Amo quando você diz nossa Trixie, Ash.
— Mas ela é nossa. Assim como Bennie é nosso. E
os meus são seus também.
— Benjamim e Beatrice. Bonitos nomes. Posso
perguntar o porquê de ter os escolhidos.
— Por causa dos pais dela. – Drew, que está
sentado no braço da poltrona que estou sentada, se apressou a responder. Olhei
admirada. – Nana me contou quando estávamos em Mystic City.
— Mas esse não foi o único motivo. Foi o
significado deles. – Olho para Penny, que assente com a cabeça
— Meus sogros! Que alegria em os rever! – Essa
voz me embrulha o estômago. Olho ao redor, a fisionomia de desaprovação pela
presença dela é geral, inclusive na de Dave, Molly e Drew, que olha para mim
logo em seguida. – Bom dia!
— Impressionante como ela tem o dom de aparecer
sem ser convidada. – Ash comenta sem se importar com o volume.
— Querida, essa é a casa de MEU namorado,
apareço quando eu quero. Não preciso de convite.
— Não quando é uma reunião de família.
— Se é de família, o que ela está fazendo aqui?
Afinal, até a semana passada, ninguém sabia da existência dos filhos de Drew,
que ela fez questão de esconder.
— Bom dia para você também, Rebeca. Faça-me um
favor, deixe a mim e meus filhos fora de suas conversas, sim? – Tento aparentar
uma calma que não existe. E faço menção de me levantar, mas sou detida pela mão
de Drew em meu ombro.
— Ora, ora, ora.
— Rebbeca, chega. – Drew põe um fim a conversa
de forma dura. – Já que veio sem ser chamada comporte-se e não fale mais de
meus filhos. Já conversamos sobre isso.
— Ash, não provoca, por favor. – Molly a pede.
Ash concorda com a cabeça. — Sim, qual foi a razão de escolher esses nomes? – Pondo
um fim à discussão.
— É, anjo, - olho para ele, que continuou
sentado ao meu lado, manteve a mão em meu ombro, – se não foi por causa de seus
pais, foi por quê?
— Benjamim significa filho da felicidade. –
Digo isso olhando nos olhos de Drew – E Beatrice, a que traz felicidade. – Ele
não tira os olhos do meu. — Afinal, eles foram gerados, embora tenha sido um
período muito difícil, no fim de semana mais feliz que tive até eles nascerem.
– Ele acena com a cabeça e se levanta.
— Filho, o que houve? – A mãe não entende por que
ele se levantou daquele jeito.
Tenho vontade de ir atrás dele. Sei bem o que
ele está pensando. Não queria trazer tristeza ao seu coração. Sei que ele, hoje,
acha que foi precipitado a decisão que ele tomou. Se não tivesse ido embora
daquele jeito poderíamos estar juntos até hoje. Quando ensaio me levantar, a
purgante, como Penny e Ash passaram a chamá-la, foi atrás dele. Respiro fundo.
— Viu, temos que juntar esses dois novamente,
Penny.
— Nunca concordei tanto com você.
— Já sei como fazer os dois ficarem a sós
agora.
— Ash, por favor. Não faça nada. - Peço
— Sua casa. Já fizemos o projeto. Phillip nos
enviou a planta baixa dela.
— A casa ainda não é minha e não sei se vou
ficar com ela.
— Isso não vem ao caso. Vamos. – E me puxa.
Entramos na sala onde uma discussão um tanto
acalorada entre os dois se desenvolve. Ela quando nos vê chegando, o agarra e
ele a afasta.
— Desculpa. Não queríamos interromper. – A voz
de Ash soa mais falsa que nota de 3 dólares. — Estamos indo ver o projeto da
casa dela. Você pode vir conosco?
— Já estou indo. Vou terminar algo aqui. – E
nos dirigimos ao escritório dele.
Enquanto andávamos em direção do corredor que
daria no escritório pude ouvir que ele estava terminando com ela. Olhei para
Ash, que olhou para mim, mas não disse nada, apenas sorriu. O escritório era a
última sala do corredor. Ash abre a porta para que entremos.
— Esqueci! O computador dele tem senha. Vou chama-lo.
— Ash, por favor. Fica aqui. – Ela acena com a
mão e bate a porta. — Ash! – Grito. Mas era tarde demais.
Num estilo clean, moderno, em tons de cinza e
amarelo. A primeira coisa que vemos ao entrar é sua mesa em L, com o tampo de
vidro e as pernas metálicas. Na parte do L encostada na parede havia um
computador com um grande monitor, na outra praticamente a superfície estava
praticamente vazia, à frente duas poltronas, em estilo moderno. Na parede atrás
de sua cadeira, tem quatro quadros de fotografia de grandes obras da engenharia.
Na parede da porta, estava uma grande estante completa por livros. Paralelo à
sua mesa, havia um grande sofá branco, de costas para as grandes janelas, que
nos presenteavam com uma linda vista ao fundo do Central Park. Não resisto e me
dirijo até ela e ficou apreciando a paisagem.
— Linda vista!
— Ui! Você não perdeu essa mania? – Ele nega
com a cabeça. – Sim. Muito linda essa vista. – Ele se aproxima de mim, cola seu
corpo ao meu e sussurra em meu ouvido:
— Acho que não estamos falando da mesma vista,
mas tudo bem.
— Vamos ver seu projeto? – Ele coça a cabeça e
fica de frente para mim.
— Ainda não está pronto.
— Mas Ash disse que... Filha da... – Ele me
abraça e me beija. Tento resistir. Mas acabo cedendo. Estava morrendo de
saudades de seus beijos. E nos entregamos a paixão. Um beijo longo, intenso,
saudoso. Quando estamos quase sem folego, ele nos vira, dá alguns passos de
costas, ainda me abraçando e recosta no sofá, me vira e ficamos os dois a ver o
Central Park. Ficamos assim por um tempo. De vez em quando ele me beija o
pescoço. Por mim ficava assim para sempre.
— Não quero ser chata. Por mim ficávamos assim
para sempre. Mas precisamos ser práticos. O que aconteceu com a purgante, ops!
Desculpa. Com Rebbeca.
— Foi embora.
— Drew, tô falando sério.
— Eu também. Foi embora. Da casa e da minha
vida. Tenho que reconquistar uma mulher muito especial.
— É muito especial? O quão especial ela é? –
Pergunto num tom brincalhão
— Muito, muito especial. Ela me proporcionou o
fim de semana mais feliz da minha vida até hoje. – Giro para ficar de frente
para ele.
— Oh, Drew! – E o beijo novamente. – Quero ser
feliz com você.
— Seremos. – Batem na porta. – Entre.
— Desculpa, incomodar. – É Sabrina. – Mas tem
algo errado com Trixie
— O que foi?
— Não sei explicar. Ela estava brincando e
começou a ter dificuldade de respirar.
— Você deu o remédio a ela? – Ela nega com a
cabeça. – Pegue na bolsa dela, a bombinha. Onde ela está?
— Na sala, com a avó, a srta. Penny e a outra
morena.
— Leve para lá a bombinha, rápido. – Saio
correndo para a sala, sendo seguida por Drew
— É a mesma que ela teve no escritório?
— Espero que sim. Filha? Mamãe tá aqui. Shiii!
– Pego-a em meu colo a abraço de frente para mim e começo a respirar
profundamente – Igual mamãe. Vamos. Para dentro. Para fora. Para dentro. Para
fora.
— Emm, não achei.
— Mas eu coloquei. Nunca saio sem. Vê na minha.
– A respiração dela está piorando - Rápido. Vamos, anjo. Respira com a mamãe.
Para dentro. Para fora. – Sabrina retorna, faz que não com a cabeça. Olho para
Drew e depois para Penny. Estou desesperada.
— Emm, o que quer fazer? – Penny me pergunta,
aceno negativamente com a cabeça.
— Vamos providenciar outra bombinha. Qual é o
nome? Ligo para a farmácia. – Drew propõe.
— Minha agenda. Vamos, filha. – E continuo a
respirar pausadamente, e ela tá piorando. Olho para os lados. – Bennie. Cadê
Bennie?
— Calma, filha. Tá lá fora com Dave, Artie,
Adam e os gêmeos.
— Não está adiantando. Meu Deus! Eu tenho
certeza que coloquei na bolsa.
— Emm, olha para mim. Você está fora do
compasso da respiração. – Penny me alerta – Se ficar agitada, não vai adiantar.
Me dê ela. Eu faço. – Com resistência a entrego e corro para a bolsa das crianças.
Vasculho ela toda.
— Senhora. – A babá de Ash me chama. – Desculpa
falar, mas eu vi a namorada de Drew mexendo nessas sacolas pouco antes dela
sair.
— Você o quê? – Não posso acreditar.
— Ela estava mexendo e retirou algo de dentro.
Não pensei que fosse o remédio da pequena.
— Andrew! Você ouviu isso? Eu vou matar essa
infeliz. Juro a você. – Estou gritando de desespero
— Calma. – Ele fala sem acreditar - Tem
certeza?
— Tenho. Estava entrando para pegar água para
Raph quando a vi.
— Gente, isso agora não vai adiantar. Ela não
está melhorando. – Penny nos alerta
— Preciso levá-la para um hospital.
— Vamos. – Ele pega minhas coisas, enquanto
pego Trixie do colo de Penny.
— Fica com Bennie? – Peço a ela.
— Não. Eu vou com vocês. – Ela responde.
— Vá em paz. Bennie está em família. – Ash me
consola e eu aceno com a cabeça e saímos.
***
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