Penny Davis
Estou em meu escritório quando
minha assistente entra com um envelope entregue por um oficial de justiça. Um
processo da vara de família. Fico em choque quando abro e descubro quem são o
requerente e o réu. Leio toda a peça.
— Sarah. Cancele todas as
minhas reuniões desta manhã. Estou indo resolver uma situação. – Solicito
enquanto saio. Vou direto para o escritório da A4+. Hoje é quarta-feira, ele
está no escritório. — Onde está Drew, pergunto a uma das recepcionistas.
— Os quatro estão em reunião
com Gabriel, na sala 1. – Agradeço e me dirijo até a sala.
Num rompante abro a porta,
percebo o susto no rosto de todos.
— Você só pode estar
brincando!
— Bom dia, Penny! – Adam se
levanta – Isso é jeito de entrar numa reunião.
— Agora não, Evans! Em Drew?
Isso é brincadeira, não é?
— O que houve, Penny? – Jogo o
envelope na mesa – O que é isso? – Ash pergunta novamente.
— Processo de pedido de
guarda.
— Processo de guarda? Você
está processando Emily pela guarda das crianças?! – Artie pergunta.
— Não. Estou pedindo o
reconhecimento de paternidade.
— Você acha que eu passei na
faculdade de Direito sem saber ler? Ou que sou estúpida?
— Drew, aqui está escrito
pedido de guarda unilateral. Você ficou louco? – Artie pergunta
— Epa! Eu não pedi isso. Pedi
o reconhecimento de paternidade, para colocar meu nome na certidão dos dois e
ter meus direitos reconhecidos.
— Acho que em algum lugar a
comunicação entre você e seu advogado se perdeu. E por que não me pediu para
fazer isso?!?!
— Becca disse...
— Tinha que ter o dedo da
cretina – Bato em minha perna, jogo as mãos para cima
— ... que como você era amiga
e advogada dela não seria aconselhável.
— E em momento algum você
pensou em me consultar?
— Não. Ela sugeriu isso no
sábado e na segunda já estávamos conversando com o advogado dela.
— Ela foi bem rapidinha, hein?
– Ash pergunta. – Drew, você sabe o que Emm passou no parto deles? Você sabe
que ela quase perdeu Trixie? E você vai fazê-la passar de novo por esse susto?
— Ela não vai passar por nada.
Você declarou guerra à pessoa errada, Drew. Não procure minha cliente nem seus
filhos. Estou entrando agora com um pedido de restrição. Logo agora que ela
viria morar aqui. Decepção. – Giro em meu eixo e saio da mesma forma que
entrei.
Preciso falar com Emm. Meu
Deus, para que insistir que ela falasse com esse cretino sobre a paternidade! Ela
vai ficar destruída. Pego um taxi e passo o endereço do escritório da Fletcher
Co. No percurso vou lendo a peça mais detalhadamente. Não acredito que ele foi
capaz de contar essas coisas para o advogado usá-lo contra ela.
— Por favor, Penny Davis para
falar com Emily Campbell. – Eu me apresento na recepção
— A senhora tem hora marcada?
— Não. Por favor, me anuncie,
é urgente. Sou advogada dela.
— Um momento. Alô? Oi, tem uma
senhora Davis querendo falar com a Srta. Campbell. Certo. Por favor me
acompanhe. – E a recepcionista me guia até o escritório de Emily. Na antessala
encontro Nola, sentada em sua mesa com mais duas outras assistentes.
— Penny, o que houve? – Nola
me pergunta
— Preciso falar com ela
urgente.
— Está em uma reunião com o
conselho administrativo. Pode demorar.
— Não importa, espero.
— Vou avisá-la que está aqui.
– Aceno com a cabeça e fico no aguardo.
O escritório é um tanto
tradicional. Muito diferente do meu ou do dela na A4+. Muita madeira escura, móveis
pesados. Na parede um tom amarelo mostarda na parte superior e na inferior
painéis de madeira no mesmo tom dos móveis.
Emily Campbell
Estou no meio de uma reunião
com o conselho administrativo da Fletcher por meio de vídeo conferência.
Estamos discutindo meu papel como CEO e do meu substituto na filial havaiana.
Nola entra e me entrega um bilhete:
Penny
está na antessala. Disse que é urgente
Faço um sinal discreto com a
cabeça. E escrevo:
Avisa que termino em 10 minutos e a chamo.
Ela acena com a cabeça e se
retira. A reunião dura mais que o previsto. O conselho está relutante com as
últimas alterações promovidas por Stephanny.
Eles nos acham novos demais
para assumirmos os cargos.
— Desculpem, mas fomos nós
quem promoveu a maior quebra de metas de todas as filiais. Nossos números
superaram todas as expectativas da sede em todas as áreas. Nossos funcionários
foram os que menos faltaram nesses dois anos que estamos no comando, como
assinamos o maior número de contratos, prospectamos os maiores números de
clientes novos, fidelizamos esses novos e os antigos que ameaçavam nos deixar.
Todos os contratos firmados foram cumpridos antes do prazo. Nossos funcionários
estão mais que satisfeitos em seus cargos. Acredito que números e índices não
mentem e comprovam nossa capacidade de gerir.
— Ninguém está duvidando do
que vocês fizeram no Havaí. Mas nós estamos falando de gerir uma empresa a
nível mundial. – Diz um dos conselheiros
— Essa filial é responsável
por 15% das negociações totais da Fletcher Co. – Alega outro conselheiro.
— E esses 15% nos deram mais
retorno, proporcional, do que os outros 85%. – Contrapõe Steph. – Eu entendo
perfeitamente o receio de vocês. Mas jamais poria minha empresa em risco. Emily
é perfeitamente capaz de nos conduzir para atingir os mesmos números em todas
as nossas unidades.
— Steph, você está apostando
muito alto nessa promoção. Estamos falando da saúde da companhia.
— Eu sei disso. E não
brincaria com algo tão sério.
— Senhores e Senhoras, estamos
andando em círculos. Minha função é analisar os riscos, e sinceramente, eu sou
a melhor opção de vocês na atual situação. Entre todos os gerentes de filial
capazes de assumir esse cargo, a com melhores números sou eu. Nola é a melhor
assistente da empresa, ela conhece todos os tramites e todas as engrenagens da
Fletcher Co e Cooper, esteve comigo em todas as negociações com os asiáticos,
australianos e neozelandeses mais difíceis. Conhece a saúde financeira de nossa
filial como ninguém. Acredito que os senhores precisam nos deixar fazer o que
sabemos fazer melhor: ganhar dinheiro para os senhores. – Steph me olha
admirada.
— Vocês são os conselheiros,
porém a última palavra é minha. E essas promoções estão autorizadas. Já
perdemos nossa manhã nesse rodeio todo.
Vamos dar um voto de confiança para eles. – Eles se calam e concordam e
damos por encerrada a reunião. – Emm, sabia que você era a pessoa certa para
calar a boca desse povo. Faça o que sabe fazer melhor e me deixe orgulhosa.
Tchau.
— Não se preocupe. Vamos
ganhar dinheiro. Tchau. – Desligo a chamada e peço para Nola mandar Penny
entrar. — O que houve? Nola disse que era urgente?
— Minha amiga não trago boa
notícias. Mas antes de mais nada, me desculpa. Se soubesse, não teria insistido
tanto.
— Insistido em quê?
— Em contar para Drew dos
meninos.
— O que houve? – Ela me
entrega um envelope
— Drew entrou com uma ação
pedindo a guarda unilateral.
— Oi?! – pisco os olhos
diversas vezes. Abro e fecho a boca. – Unilateral? Isso quer dizer que...
— Ele quer ficar com os meninos
e você teria direito a visitas.
— Você está brincando comigo,
não é?
— Infelizmente, não. E na peça
do processo ele está revelando detalhes de sua vida.
— Tipo?
— Seus lapsos.
— Mentira! Ele não foi capaz
disso! – Pego o telefone – Nola, ligue para a A4+ Project, quero falar com
Andrew.
— Com quem?
— Só diga que sou eu querendo
falar com Andrew Grant. Por favor! Agora.
— Já estive lá. Ele afirma que
só autorizou o pedido de reconhecimento de paternidade. Não quero defendê-lo,
porque ele agiu por minhas costas, mas acho que isso tem o dedo podre da
namorada.
— E como ela ficou sabendo de
meus problemas psicológicos? – Ela dá com os ombros.
— Vou dar entrada com um
pedido de restrição contra ele. Não poderá chegar perto de você nem dos
meninos.
— Penny, não posso perder meus
filhos.
— E não perderá. Ligue para
casa e proíba a entrada dele no prédio.
Pego o celular e ligo para a
babá.
— Srta. Campbell, está tudo
bem por aqui. Eles lancharam o suco que a Srta. deixou a pouco tempo e estão
agora brincando.
— Ótimo. Preste atenção ao que
vou lhe dizer. Deixei com você uma lista de nomes e fotos de quem poderá ter
acesso a casa durante o dia.
— Deixou sim.
— Pois esqueça essa lista.
Ninguém entra em casa, sem que eu, Penny ou Nola estejamos aí.
— Nem o pai deles?
— Principalmente o pai deles,
fui clara?
— Sim, Srta. Não entram na
casa só?
— Não. Ninguém chega perto
deles. – o telefone da minha mesa toca – Preciso desligar. – Diga Nola.
— Ele não estava no
escritório. Ele...
— Continue tentando. – Estou quase
gritando – Ache-o Nola, você é mais competente que isso.
— Mas eu já achei... Espere...
— Preciso falar com você. –
Ele entra em meu escritório.
— Não pude evitar.
— Grant eu disse para não
procurar minha cliente.
— Não enche, Davis. Minha
conversa é com a mãe de meus filhos.
— Agora sou a mãe de seus
filhos?!? Não tenho mais nada a falar com você. Qualquer coisa que queira me
dizer, peça a seu advogado que entre em contato com a minha. Nola, por favor,
chame a segurança.
— Não precisa disso. Podemos
conversar. Eu não tive nada a ver com isso.
— Não me tire por burra,
Andrew. Você sabe que eu não sou. Como seu advogado saberia detalhes de minha
vida se você não tivesse contado!?
— Eu não autorizei essa ação.
Eu só pedi o reconhecimento. Juro.
— Senhor, por favor, nos acompanhe.
— Vai ser assim, Anjo?
— Não me chame assim. Você não
tem mais esse direito. Você me prometeu nunca me magoar. E quebrou sua promessa
– Estou chorando. – Afinal de contas eu não estava tão errada assim, quando lhe
comparei com o outro. Fala mansa no início depois... – engulo o choro – isso.
— Drew, por favor. Vá embora.
Nos encontramos no tribunal. – Penny solicita e ele sai, sendo acompanhado
pelos seguranças. – Calma minha amiga, vou até o final do mundo para manter
nossos anjinhos com você.
***
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