A pequena Trixie teve alta e a pedido dos avós,
passamos a semana no apartamento de Drew. Ele resolveu a situação com Rebbeca,
embora ela não tenha assumido nada, ao menos está avisada que sabemos o que ela
fez. As ideias de Ash e Drew e alguns palpites de Dave no projeto, me
convenceram a optar pela casa da Rua 26, os meninos teriam mais espaços.
Fechamos o negócio assim que o valor da venda da casa de Maui entrou em minha
conta. E começaram as obras.
Pelas negociações em Maui eu só teria mais
quinze dias para retirar meus pertences pessoais da casa, portanto precisava
voltar. Além de ter que passar a administração da filial havaiana para Cooper
definitivamente. Os conselheiros já começavam a aceitar a minha administração.
E uma das minhas primeiras medidas, autorizadas por eles, foi a implementação
das creches na sede e filiais, sob o argumento que melhorava o desempenho tanto
das funcionárias quanto dos funcionários que tinham filhos pequenos. “Os
números nunca mentem. – Argumentei – Depois que implementamos no Havaí nossa
produtividade deu um salto.”
***
— Mas anjo, eu preciso ir. – Desde que decidir
voltar ao Havaí, temos todo dia a mesma conversa.
— Os meninos não precisam. – Ele era conta a
ideia de levar as crianças comigo. – Eles vão lhe atrapalhar.
— Drew não vou deixar meus filhos aqui e ficar
uma semana longe deles.
— E vai me deixar longe dos três? Não é justo.
– Já o havia convencido de não ir junto.
— Drew, estou cansada dessa discussão diária.
Não vou deixar nenhum dos dois aqui e pronto. Vamos amanhã e voltamos no
sábado. Você estará ocupado a semana toda na obra de nossa casa. Não vai nem
sentir o tempo passar. – estamos no sofá da sala da família vendo os meninos
brincarem com alguns presentes que os avós e o pai haviam dado. Alguns é pouco,
acho que eles ganharam mais presentes essa semana aqui com eles do que em dois
anos de vida.
— Não gosto da ideia de você sozinha no Havaí.
– Sinto uma pontada de ciúmes na fala dele.
— Sozinha ou sem você e perto de Derek? –
Investigo
— Não tem nada a ver com esse cara. – Disfarça
com desdém.
— Não é esse cara. - Defendo-o me divertindo –
Ele foi um grande apoio para mim, principalmente no nascimento dos gêmeos.
— É emocionante como você o defende! Bem capaz
de resolver desfazer os negócios das casas para ficar por lá.
— É bem capaz mesmo. Só por causa dele, vou
abrir mão de minha carreira, da cidade que amo. – Digo ironicamente – É uma boa
sugestão essa, sabia?
— É, é uma boa sugestão mesmo. – Diz se
levantando e indo em direção à porta.
— Quando você vai parar de ser bobo? Poderia
largar tudo isso que disse – me levanto e vou em direção a ele. – Isso tudo é
supérfluo para mim. Mas jamais poderia largar o homem que amo e meus filhos. –
E o abraço. – Deixa de ciúmes bobo que meu lance com Derek acabou muito antes
de voltar para cá. Nem ele tinha lugar no meu coração como eu também não tinha
lugar no dele. – E o beijo.
Ele se afasta, respira fundo e volta para onde
os meninos estão. Senta junto deles e começa a brincar enquanto fala:
— É. Sua história pode ter acabado antes de
vocês voltarem para Nova York. Mas ele viveu situações com vocês as quais fui
privado e gostaria de tê-las vivido. – A tristeza em sua voz me corta o
coração.
— Vou morrer lhe pedindo perdão por isso. Sei
que a culpa foi minha. Mas você viverá outras situações com eles. Não adianta
ficar remoendo isso.
— Talvez. - Ele dá com os ombros. – Talvez.
— Oh, vocês estão aqui. – Molly entra na sala.
– Que caras são essas?
— Nada, mãe. Meu pai está onde?
— Lá fora. Aproveitando a vista. – E Drew vai até
o pai. – Algum problema entre vocês?
— Ele que não consegue me perdoar por ter
escondido minha gravidez.
— É bastante compreensível, não acha?
— Eu não o culpo, Molly. Sei que minhas escolhas
foram equivocadas. Mas o que eu posso fazer agora?
— Sim, você tem razão. Posso fazer uma
pergunta?
— Claro.
— Por que você escondeu de meu filho sua gravidez?
— Estava me perguntando quando me questionariam
sobre isso.
— Não me leve a mal...
— Não, Molly. Está tudo bem. É seu filho e são
seus netos. Tem o direito de saber. Entenda que não fui leviana em minhas
escolhas. Tive medo. Muito medo de magoar Drew ainda mais. – E conto-lhe toda a
história. E vejo o horror em seus olhos e feições. – Deus que insensível de
minha parte, desculpa Molly. Drew me contou sobre Angie.
— Não se desculpe. Como iria saber as razões
que te levaram a sua decisão se não contasse tudo? Mas e esses lapsos, ainda os
tem?
— Desde que engravidei não tive mais. Minha
médica acha que eu tê-lo enfrentado, ele ter ido preso me ajudou a não ter mais
episódios de esquecimento.
— Fico feliz. Arthur e ele fizeram uma espécie
de pacto de não falar sobre aquilo.
— Aquilo o quê? – ele pergunta ao entrar
— Sua irmã.
— Mãe... A senhora sabe...
— Vocês não tiveram culpa.
— Fomos negligentes. Se tivéssemos saído com
ela...
— Se ela tivesse obedecido uma das poucas regras
que tínhamos...
— Ninguém teve culpa, essa é a verdade. - Digo
– Assim como eu também não tive.
— É o que temos dito aos dois. O que mais me
revolta, é que o maldito saiu livre. E nós perdemos nossa menina. – Molly fala
com uma grande dor.
— E lá vai mais um fim de semana que não vou
para Mystic ver Nana. – Tento mudar o assunto
— Por que mais um?
— Pensei em ir esse fim de semana, mas não poderei,
por causa de Maui e só voltarei de lá no próximo, se der.- Drew me olha com uma
cara feia - Ela vai ficar chateada por estar tão perto e não ir lá.
— Acho melhor ela vir para cá do que você ir
para lá. – Drew opina
— Filho, deixa ela ir ver a família dela lá.
Com certeza tem os amigos dela.
— Molly, ele não me proíbe de nada. – Alerto –
Quando eu voltar, iremos, ele goste ou não.
— Não foi isso o que eu quis dizer, minha
filha. Me desculpe se me expressei mal.
— Tudo bem. Vou terminar de arrumar as coisas
dos meninos.
Vou para o quarto dos meninos. Termino de
arrumar a malinha dos dois, não vou levar muita coisa, somente duas malas de
mão, já que nossas coisas estão lá. Termino e fico no quarto até a hora do
jantar. Não gostei da forma como Molly falou sobre Drew me dar ordens. “Ela
acha que sou fraca? Que baixo a cabeça para as ordens masculinas só pelo que
passei?” Quando me avisam que o jantar está servido, respiro fundo e desço
sem a menor vontade de ficar entre eles. Mas não vou fazer desfeita. Não hoje.
Terminarei o dia como comecei.
— Estava sentindo sua falta. – Drew me beija
quando me junto aos demais.
— Acabei cochilando depois que terminei de
arrumar as coisas. Não sabia que vocês vinham jantar aqui. – Fui em direção a
Artie e Ash.
— Viemos nos despedir de vocês. — Artie
responde
— Obrigada, mas não vou embora. Semana que vem
estaremos aqui.
— Emily, o jantar dos meninos está pronto, quer
que eu dê? – Sabrina me pergunta.
— Não, pode deixar que eu mesma dou hoje. Pode
ir descansar. Na hora de partirmos lhe chamo. Boa noite.
— Boa noite a todos. – Se despede e se retira.
— Posso dizer que não lhe vi hoje, minha nora.
– Dave comigo fala com a mesma doçura de Drew e Artie.
— Preparativos para a viagem, meu sogro. – Amo
esse jeito que nos tratamos.
— Não acredito que levará meus netos para tão
longe da gente.
— Só por uma semana, só por uma semana.
O jantar transcorre sem nada diferente.
Conversamos, falamos do Havaí, de como é viver lá. Eles nos contaram histórias
dos meninos quando pequenos. Pelo que entendi, os dois nunca contaram a ninguém
sobre o que aconteceu com a irmã. Alguns mais íntimos, como Adam e Ash, sabiam
que tiveram três filhos, mas como ela havia morrido, nunca contaram. Realmente
não é algo que se saia contando assim.
Aproveito que vou colocar os meninos para
dormir, contra a vontade deles e dos avós, que insistem em pedir para que
passem da hora de dormir, e me despeço de todos. Realmente, estou louca para
que minha casa fique pronta. Se não fosse demorar 8 semanas, ficaria no Havaí
até ela ficar pronta. Assim paravam de interferir na educação dos meus filhos.
— Você está chateada. – Ash me seguiu e eu não
percebi. — Brigou com Drew?
— Fora o ciúmes descabido dele com relação a
minha viagem e a Derek, não. O que está me chateando são os pais dele,
principalmente...— Molly – dizemos uníssona — Que insiste em me desautorizar na
frente dos meninos.
— Sei bem o que está passando. Dei graças a
Deus que quiseram ficar com Drew. Lá em casa, ela interfere até nos
encaminhamentos da casa.
— Não que não goste dela, pelo amor de Deus.
Ela é ótima, mas... eu sou a mãe deles. Cuidei dos dois literalmente sozinha
por 2 anos.
— Releve. Amanhã estará em Maui por uma semana,
quando voltar ficará apenas com eles alguns dias só.
— Verdade. – Respiro fundo e termino de
arrumá-los.
— Bem, vou deixá-la em paz para colocar nossos
anjos para dormir. Manda notícias, ok? – Aceno com a cabeça. – Boa viagem. –
Solto um beijo para ela enquanto sai.
Faço a leitura da história do dia. Espero que
durmam, apesar do cansaço e do sono, eles estão muito agitados e demoram para
dormir. Tive que ler três histórias. Pego os casacos deles e deixo próximos das
malas. Eles irão viajar de pijaminhas mesmo, com o casaco comprido por cima,
não irei acordá-los para os trocar. Dariam o maior trabalho durante o voo. Vou
para o quarto de Drew.
Ele está no notebook trabalhando em algum
projeto quando entro. Eu falo com ele que não me responde. Vou para o banheiro.
Tomo um banho bem demorado e relaxante. Fico decepcionada quando vejo que ele
não veio tomar banho comigo. Saio do chuveiro, me enxugo, visto minha camisola,
escovo os dentes, penteio os cabelos e os prendo em uma trança para não ter
problema ao me levantar para viajar. Saio do banheiro e ele ainda está com a
cara no notebook.
— Vai demorar muito ainda? – Ele apenas acena
com a cabeça. – Boa noite. – Vou dar-lhe um beijo, mas ele não vira o rosto,
beijo-lhe, então, a bochecha.
Acordo bem antes do horário para me arrumar.
Drew dorme ao meu lado. Olho-o dormindo. Lindo, sereno. Levanto-me e vou até a
varanda de seu quarto. “Não consigo imaginar mais o que seria de minha vida
sem ele. Foi o maior presente de Deus. Ele e meus filhos. Mas essa
interferência de Molly na criação dos meus filhos, já deu para mim. ‘Não deixa
eles brincarem assim, podem se machucar.’ Drew não era tão chato para comida na
idade dos meninos, filha. Ele comia de tudo”. Meus filhos comem de tudo. Só
porque Bennie não quis comer um troço que ela fez, que nem eu consegui comer.
Preciso resolver isso. Não vou aguentar mais um dia.”
— Ui! Que susto! Já disse para parar com isso!
– Ele me abraça me tirando dos meus pensamentos.
— Eu lhe chamei duas vezes. Você não respondeu.
Estava me traindo nos pensamentos?
— Começou com as besteiras. – Retruquei mal humorada
— Estava pensando em Bennie. Mas me desculpe.
Não quis ofender. – Diz me largando.
— Vai se fazer de ofendido?!
— Sério, anjo, vai começar uma discussão? A uma
hora dessa e com você preste a viajar?
— Não fui eu quem começou. Entrei no quarto e você
não me viu. Tomei banho e você nem se mexeu. Fui lhe dar um beijo, e o que você
fez? Nada. Continuou com a cara enfurnada na tela do notebook. Às vésperas de
uma viagem minha.
— É pelo visto, teremos uma discussão hoje.
— Não Drew. Não teremos discussão nenhuma. Está
no meu horário. Vou me vestir.
— Pode esperando um momento. O que está
acontecendo aqui? Não vai sair assim.
— Não está acontecendo nada. Só fiquei
chateada. Pensei que fossemos nos despedir ontem antes de dormirmos. Mas você
preferiu ficar trabalhando.
— Em sua casa, anjo. Estava vendo uma solução
para as pilastras da cozinha.
— Isso não podia esperar?
— Por que você não me chamou?
— Por que eu não lhe chamei? É! Eu devia ter
chamado. Minha culpa. Agora vou trocar de roupa. E arrumar os meninos. Licença.
— Emily, não disse que a culpa era sua.
— Andrew, vamos deixar para lá. Quando voltar
conversamos. Estou em cima da hora.
Vou para o closet troco de roupa, visto algo
bem confortável, afinal será quinze horas de voo. “Quinze horas de voo, chateada,
com duas crianças que estarão entediadas. Vai ser um excelente voo.” –
Penso comigo mesma enquanto visto minha roupa. Ele entra no closet e se troca.
— Não precisa nos levar. Pegamos um taxi.
— Até parece que deixaria vocês pegarem um taxi
no meio da madrugada em sã consciência. Acho que me conhece melhor que isso.
— Vou chamar Nola e Sabrina e vestir os meninos
e poderemos sair.
— Não vai comer nada? – Nego com a cabeça.
Elas já estavam prontas quando cheguei na porta
do quarto em que dormiram. Sabrina já estava vestindo o casaco neles. Achei
ótimo, estávamos adiantadas e os pais de Drew ainda dormia. Pegamos as bagagens
encontramos Drew na escada ele pega as malas de minhas mãos e descemos juntos.
Quando penso que estamos saindo.
— Vocês não vão comer nada?
— Isso é um péssimo costume dessa família. –
Sussurro para mim mesma. E recebo um olhar de desaprovação de Drew. — Não,
Molly, estamos no horário, e no voo servirão café da manhã.
— E os meninos?
— Estão dormindo ainda. – Sabrina comunica.
— Nem você, filho? – Olho para ele com o mesmo
olhar de desaprovação.
— Como quando voltar, mãe. Estamos no horário
mesmo, não quero que percam o voo.
— Pena! Acordei para fazer alguma coisa para
vocês comerem antes de saírem. E me despedir de meus netos.
— Claro que sim! – Pensei novamente alto –
Quero dizer, muito atencioso de sua parte, Molly, infelizmente, acordei
atrasada. “Não, estou mentindo. Acordei revoltada com sua intromissão na
criação de meus filhos e com seu filho que não quis se despedir adequadamente
de mim e comecei uma discussão com ele do nada” – Dessa vez pensei comigo
mesma. — Drew come tudo quando ele voltar. Vamos anjo, não quero perder o voo.
Saímos. O caminho até o aeroporto La Guardia é
feito no maior silêncio supostamente para não acordar os meninos. Quando
chegamos ao aeroporto, após ele estacionar, vamos até o guichê da Hawaiian
Airlines fazer o check in. Drew providencia tudo. Nola e Sabrina estão com os
meninos no colo e vão andando em nossa frente.
— Ei, o que está acontecendo?
— Nada. – Respondo.
— Vai continuar assim? Vai viajar sem falar
comigo? Sem me dizer o que realmente está lhe irritando?
— Vamos conversar quando eu voltar? Pode ser?
— Vai começar a esconder as coisas de novo de
mim?
— Não estou escondendo nada, Drew. Só estou cansada
de tudo ser uma discussão entre nós dois. Esses últimos 3 dias, nós dois só
discutimos, até pela cor da água brigamos. Só quero viajar, resolver o que
tiver que resolver e voltar para resolver o que está pendente aqui.
— E o que está pendente aqui?
— Você não vai fazer o que lhe pedi. – Ele
acena com a cabeça. – Decidi que quando eu voltar de Maui, volto para o
Brooklyn, até minha casa ficar pronta.
— Como assim? O combinado era ficarem comigo
até a casa ficar pronta. Para os meninos terem mais espaço e por causa de meus
pais. – Faço cara de “Aí está o problema” – O que tem de errado com meus pais?
— Com seus pais não, com sua mãe. – E faz cara
de “o que tem ela?” – Ela fica me desautorizando na frente dos meninos e de
Sabrina, interferindo no que comem, quando comem, o que devem vestir, em tudo.
— Mas é porque ela tem experiência, Emm.
— Passei dois anos criando meus filhos sozinha
e fiz um excelente trabalho até agora, não acha?
— Atenção passageiros com destino a Maui, ... –
Chamam meu voo.
— Chegou minha hora. Conversamos depois. Assim
que aterrissarmos ligo para você. – Beijo-lhe a boca. – Te amo.
— Oi?
— Te amo.
— Também te amo. – E me beija apaixonadamente.
– Desculpa por ontem.
— Você compensa quando voltar. Tchau. – Entro
na sala VIP da empresa aérea.
***
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