segunda-feira, 6 de julho de 2020

Livro 2 - Frutos de uma Paixão - Capítulo XII


Emily Campbell

São sete horas da manhã e os gêmeos estão com a corda toda. Acordei com eles pulando na cama que dormi.
— Tidam, mamã. Tidam! – Trixie fala enquanto pulava em cima da cama. E Bennie corria pelo quarto.
— Anjinho, deita com a mamãe. Vem. – Chamo ele
— Mamã! – Ele me chama com as mãozinhas.

Oito horas decido me levantar. Troco a roupa deles, visto um conjuntinho de short e blusa nos dois, sendo que o dele é amarelinho e branco e o dela verdinho e branco. Vamos os três para a sala, deixo os dois assistindo TV com o volume baixinho para não acordar Nola. Eu me dirijo para a cozinha e preparo o café para a gente. Decido por panquecas de frutas vermelhas para todos enquanto a cafeteira passa o café para mim e Nola e para eles faço suco de maçã. Quando tudo fica pronto, preparo os pratinhos deles com um disco de panqueca cortadinha, entrego a cada um com um garfinho e eles comem apoiados na mesinha de centro e assistem um desenho animado. Do lado, deposito os copinhos com o suco. Sento na bancada com meu prato de panquecas e minha caneca de café. Estou comendo e pensando quando Nola levanta.
— Bom dia! – Ela se dirige aos meninos e beija a cabecinha de cada um e vem até a mim.
— Dormiu bem? – Pergunto
— Deitei e acordei hoje.
— Que bom! Esses dois estão desde as 6:00 pinoteando no quarto. Naquele armário tem caneca. O café tá na cafeteira e tem panqueca. Sirva-se e sente-se.
Enquanto comemos, vamos conversando sobre a reunião de ontem e nossas perspectivas.
— Tanto para mim quanto para você é uma excelente oportunidade, Nola. Se fosse em outra circunstância, não pensava duas vezes. Ontem mesmo teria aceitado.
— O que lhe impede de aceitar? – Ela me questiona
— Drew é amigo e sócio de Adam.
— Humm! Você corre o risco de se bater com ele.
— Isso. Se eu ficar, ele pode vir a descobrir sobre eles.
— E continua não querendo contar a verdade.
— Tenho pensado nessa possibilidade.
— E o que lhe impede? – Ouço barulho de chave girando.
— Olha, Trixei, Tidam chegou. – Ela se levanta correndo e se agarra na perna dele. – Acordei com ela pulando na cama e gritando “Tidam”. Amiga, conseguiu uma rival.
— Com ela divido. – Sorrimos. – Bom dia Nola. Oi, meu anjinho! – Bennie a abraça
— Bom dia! – Nola os cumprimenta.
— Tem café e panqueca. – Informo.
Eles se juntam a mim e Nola na bancada. Comemos e conversamos um pouco, esperando a hora para sairmos. Nossa primeira parada é o zoológico do Brooklyn. Bennie se apaixonou pela foca e Trixie pelo pavão. Quando passamos pela jaula do leão, ele rugiu e acabou assustando os dois. Para acalmá-los foi um sufoco. Saímos do por volta da uma hora para almoçar. Fomos num restaurante que costumávamos frequentar quando eu morava aqui.

Eram três horas quando chegamos no Prospect Park. Adam e Penny tomaram conta do carrinho dos meninos e foram em nossa frente, vira e mexia, ela os tirava dele e tiravam fotos juntos. Eu venho um pouco atrás conversando com Nola sobre a vida em Nova York. Tenho para mim que se eu decidir continuar na filial havaiana, ela me abandona. Está apaixonada pela cidade. Chamam Nola para tirar fotos com os bebês e eu fico mais afastada observando a alegria de Penny em estar com os sobrinhos. Lembro que não falei com Nana. Resolvo ligar para ela.
— Vó, como vai?
— Estou bem e vocês?
— Estamos em Nova York.
— Estão onde?
— Estamos em Nova York. Vim a trabalho vou ficar pelo menos essa semana.
— E o pai deles?
— Vó não começa.
— Vai passar a semana com Adam e Penny e vai se esconder dele?
— Estou avaliando isso ainda. Mas tenho uma notícia para lhe dar. Recebi uma proposta para voltar para cá.
— E vai aceitar?
— Estou avaliando. Para vim para cá preciso decidir com relação a Drew. – Adam me chama. – Vó preciso desligar. Ligo para a senhora quando chegar em casa ou tomar minha decisão.
— Filha, seu medo não tem mais fundamento.
— Eu sei vó. Te amo. – Ela se despede e desligamos. – Oi, Adam. – Digo me aproximando deles.
— Lembra que disse que tínhamos um compromisso? – Assinto com a cabeça. – Pois era com Drew. E ele acabou de me ligar.
— Vai dizer que ele está vindo para cá. – Ele nega com a cabeça.
— Ele já está aqui.
— Adam você fez de propósito.
— Juro que não.
— Nola, pega os meninos, nós vamos voltar.
— Amiga, acho que já é tarde. – Penny aponta para uma pessoa que vinha se aproximando.
Olho para trás e minhas pernas estremecem: — Vamos Nola.
— Já vai? – Ele lança aquele sorriso mostrando aqueles dentes lindos.
— Já. Estou cansada.
— Nem sabia que estava aqui. Você nem para nos dizer, Adam?
— Eu pedi que não avisassem. Vim só para uma reunião. – Nola se aproxima com os bebês. Faço um sinal para que não se aproxime.
— Não vá. Vamos conversar um pouco.
— Cara você disse que queria falar algo comigo. O que foi? – Adam o puxa para o lado.
Penny e Nola se aproximam: — Amiga, aproveita. Conta tudo. – Penny me aconselha.
— É ele?! Auwe! He kãne nani!1 Bennie lembra muito ele mesmo!
— Sim, parece mesmo!
— O que foi que você disse?
— Ah! Desculpa. Auwe é uau, he kãne nani é que homem bonito.
— Ele não é só bonito. Ele é tudo de bom que podemos esperar de um ser humano. Então, Emm. Aproveita.
— É, Emm. Conta para ele. Mesmo que decida não ficar. Ele merece saber. Ele fala com você de uma forma tão delicada! – Ela se admira.
— Hoje não.
— Está sendo teimosa.
— Essa é uma característica marcante dela. – Ele se aproxima. – Quem são esses bebês? – E se aproxima do carrinho. Lanço um olhar severo sobre as duas. – Eles se...
— Drew, vamos conversar. – Decido, estava encurralada. – Vamos até ali.
— Vamos levar os meninos para uma volta. – Aceno com a cabeça.
Andamos até um banco e nos sentamos.
— Como estão as coisas? – Pergunto
— Estão bem. A construtora está indo de vento em polpa graça a você, Gabriel manteve suas direções.
 — Fico muito feliz.
 — E você? O que faz aqui?
— Vim para uma reunião, e recebi uma proposta de promoção e retornar para cá.
— Que bom! E os bebês? São seus? Eles me lembraram...
— Não sei como falar então, como diria Adam, é melhor arrancar o curativo de uma vez.
— Do que você está falando?
— Quando saí daqui eu estava grávida. Os bebês são nossos.
— Como é?!
— É isso. Voltei para Mystic City porque estava grávida e você tinha dito que não queria mais ser magoado.
— Então decidiu ter meus filhos longe de mim? Sem me dizer nada?
— Se eu tivesse escrito aquele bilhete para você, teria feito o mesmo. Não queria que você se sentisse obrigado a ficar com a gente, só por causa da gravidez.
— Isso não cabia a você decidir.
— Não vou dizer que estava certa. Mas não me arrependo da minha decisão.
— E o que fez você mudar de ideia?
— Você aparecer aqui.
— Se não, voltaria para o Havaí sem me contar?
— Existia essa possibilidade. Sei que errei, peço desculpa. – Ele se levanta, sem me dizer nenhuma palavra e vai embora.
Eu fico sentada no mesmo lugar. Sinto as lágrimas começarem a molhar meu rosto. Fico ali esperando e chorando. Demora um pouco para os outros voltarem.
— Amiga? Tudo bem? Cadê Drew?
— Foi embora.
— Ele lhe deixou sozinha?! Você lembra de tudo? – Adam se preocupa
— Preferia ter tido um lapso. O jeito que ele me olhou me arrasou.
— Que bom que passou por essa situação sem nenhum episódio. – Penny celebra
— Ela disse que não tem mais isso desde a gravidez. – Nola comunica
— Adam, tá ligando para quem? – Pergunto
— Vou brigar com ele. Como ele lhe deixa assim?
— Adam! Deveria estar preocupado com ele, não comigo. Eu estou bem. Ele foi quem saiu andando pelo parque. Atordoado.
— Cara, você tá bem? ... Desde julho... Ela me pediu e não cabia a mim... Se acalma, cara... Você tem razão. – E desliga o telefone. – Não devia ter ligado. E eu sabia que isso sobraria para mim.
— Desculpa. Por isso que não queria contar a vocês em primeiro lugar.
— Seu erro foi não ter contado quando descobriu. Mas agora é tarde. Vamos dar tempo para ele processar a novidade. – Penny me condena
Voltamos para casa. Dou banho em Bennie, enquanto Penny dá em Trixie. Depois sirvo o jantar deles dois, coloco-os para dormir. Nola prepara nosso jantar. Depois que comemos, Adam se despede, Penny decide dormir conosco. Ficamos conversando até quase meia noite, quando o sono nos vence. Amanhã será um dia complicado. Preciso decidir o que fazer.

***

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