quarta-feira, 22 de julho de 2020

Livro 3 - Paixão Renovada - Capítulo 3


Emily Campbell

Termino de contar a história para os bebês. Tinha três anjos dormindo. Meus anjinhos estão dormindo agarrados ao pai. Meu anjo maior. Veio a minha memória a primeira vez que dormimos juntos. Depois de um lapso meu no restaurante quando saímos juntos para jantar. Simplesmente dormir. Tento tirar os meninos da cama e colocá-los nas caminhas, não consigo. Vamos ter que ficar os quatro na mesma cama.
— Dandão! Dandão!
— Shii! Deixem seu pai dormir.
— Dandão!
— Bom dia, anjinhos! Bom dia, Anjo! – Eles acabam acordando Drew — Ainda posso lhe chamar assim? – Ele me pergunta com aquela voz doce e rouca que mexe com todas as células do meu corpo.
— Quando estivermos só nós dois ou quatro. Não quero problema com sua namorada.
— Não terá problema com ela. Relaxe. Confie em mim. – Enquanto conversamos, os meninos estão pulando na cama.
— Sempre confiei. – Levanto da cama e começo a procurar a roupa para ir a reunião com Phillip e depois ir trabalhar. — Vou providenciar o café da gente. Pode tentar trocar a roupa deles?
— Tentar?!?! – Aceno com a cabeça enquanto me dirijo à cozinha.
Ligo a cafeteira, vou até a geladeira pego o bacon e os ovos para Drew e opto por um café da manhã bem havaiano com frutas, bagel, geleia e suco natural para Nola, eu e os meninos. Enquanto estou fazendo isso, ouço Drew lutando para trocar os meninos. “Coitado”. Sabia que seria uma luta perdida para ele. Resolvo ir socorrê-lo.
— Se você não for mais firme, eles não vão lhe escutar. – Alerto escorada na porta dando risada do desespero dele — Assim, oh! Agora chega. – Mudo meu tom de voz para um levemente mais severo. — Vamos Ben e Bea, tirando a roupa. Anda. Um. Dois. Três. – Eles já conhecem meu tom de voz, então rapidamente começam a tentar tirar os shorts do pijama.
— Comandar um batalhão de pedreiros e carpinteiros é muito mais fácil. – Começamos, juntos a trocá-los.
— Eles são ótimos, muito tranquilos, mas quando acordam, sai de baixo. – Comento. Quando terminamos olho para Drew, arrasado. — Relaxe. É só sua primeira manhã. Normalmente, deixo eles eliminarem um pouco a energia antes de começarmos nossa rotina.
— E qual é ela?
— Trocar a roupa. Arrumar a cama. Tomar café. Em Maui, depois do café íamos trabalhar.
— Eeeehhhhh!! Pabalha!
— Bóa mamã. Pabalhá!
— Não anjos. Vocês vão ficar com tia Sabrina e mamãe vai trabalhar.
— Bina não. Dandão. – Bennie comanda.
— Papai vai trabalhar também. Vocês vão brincar com Sabrina no parque.
— Eba!!! patí! – Se anima Trixie.
— Mas antes, vamos...
— Midinha!! – Trixie, a esfomeada matutina.
— Vamos o café tá pronto. – Saímos do quarto e nos batemos com Nola — Tá se sentindo melhor?
— Um pouco. Não sei o que é.
— Saudade do mar, do sol. Da sua ilha. – Respondo – E como não podemos ir até lá trouxe um pouco dela para nosso café da manhã.
— Oba! Frutas!
— Nola, querida. Sei que viver aqui é bem diferente de lá. Não se sinta pressionada a ficar só por minha causa. Viver em Nova York é muito difícil.
— Eu sei disso. Vamos ver como fico essas duas semanas.
— Drew para você tem ovo e bacon.
— Por que essa distinção?
— Não achei que iria querer algo tão saudável quanto nosso café.
— Vou comer de tudo – E dá aquele sorriso apaixonante.
— Olha o papá dos meus anjinhos! Quero ver quem vai comer tudo.
Ficamos sentados comendo e conversando. Ao terminar, Nola se levanta e vai terminar de se arrumar para o trabalho. Eu deixo Drew com os meninos e vou me vestir, em breve Phillip iria chegar para me mostrar as casas.
— Isso tudo é para ver Phillip? – Drew pergunta com um tom beirando o ciúmes.
— Isso tudo? É só uma roupa de trabalho. Me viu vestida assim várias vezes. - O telefone dele toca.
— Diga! – Ele atende de mal gosto. – Para que está me ligando tão cedo? ... Não, já tem um tempo que acordei... São os meninos brincando... Meus filhos... Ligou para saber onde eu estava?... Escuta, depois conversamos... Estou... Conversamos depois, ok? ... Tchau.
— Mais café? – ofereço sem querer me intrometer.
— Obrigado. Era...
— Eu sei. Não precisa me dizer nada. É melhor você ir. Vai se atrasar.
— Não tenho compromisso de trabalho agora pela manhã. Só nossos filhos. Gostaria de ver as casas com você, se não se importar.
— Só verei algumas opções aqui em casa mesmo. Marcarei outro momento para as visitas.
— Não me importo de ficar aqui com você, se você não se importar.
— Claro que não me importo. Os meninos vão gostar muito de ficar mais tempo com você. – Retiro as crianças da cadeirinha e os coloco no chão e ligo a TV.
— E a mãe deles não vai gostar? – Ele me pergunta com aquela voz rouca que tem o dom de me tirar o ar.
— A mãe deles não quer problemas.
— Já disse que não terá nenhum problema, anjo. – Um arrepio corre pela minha coluna quando ele chega perto de mim enquanto sussurra em meu ouvido.
— Tudo bem. Pode ficar. – Minha voz está derretendo.
Os meninos assistindo televisão, nós dois sentados à mesa, cada um com uma caneca de café na mão. Estamos conversando sobre um assunto qualquer. Quando uma lembrança me vem à cabeça.
— Drew. No bilhete que você me escreveu quando saiu de Mystic City. – Posso ver o arrependimento expressado em seu rosto.
— Um erro. – E olha em meus olhos e depois para os meninos. — Grande erro.
— Fizemos o que tínhamos que fazer. Seus motivos eu entendi, perfeitamente. O que não compreendi a frase, - E cito - “tenho uma mãe e tive uma irmã”, deu a entender que por elas não aceitava a violência. Mas não sabia que teve uma irmã. Posso saber o que aconteceu com ela? Qual a relação com meus problemas?
— Tinha esquecido que havia falado disso nele. Ela era um ano mais nova que eu e Artie. Sempre fomos muito unidos. Tínhamos um único grupo de amigos. Numa noite, estávamos curtindo num espaço que chamávamos de clube, nós com 15 anos e ela com 14. Ela quis ir embora, mas Artie e eu queríamos ficar mais um pouco. Tínhamos poucas regras e uma delas era: se tínhamos saído os três, tínhamos que chegar os três. Então pedimos que ela esperasse mais uma hora... – Ele para, respira, ergue o olhar para o nada e repete — só uma hora.
— Ela não esperou? – Minha pergunta é mais uma constatação do que um questionamento. Ele acena com a cabeça.
— Nunca chegou em casa. Na manhã seguinte, nossos pais nos acordaram preocupados pois ela tinha perdido o ensaio das chefes de torcida. Descobrimos mais tarde, que ela foi agredida, violentada e morta perto de onde estávamos, antes das 7 horas da noite. Nós passamos pelo corpo dela e não a vimos.
— Meu Deus, Drew! Sinto muito.
— Jamais poderia fazer com alguém o que fizeram com minha Angie.
— Por isso sua preocupação com segurança! – Ele acena com a cabeça.
Fica um clima estranho depois disso. Quero abraçá-lo, mas não sei se posso. Quero dizer algo, mas não sei o que. Ficamos assim algum tempo, apenas bebendo nossos cafés e escutando o barulho da TV. Nola passa por nós, se despede e vai trabalhar. Alguns instantes depois o interfone toca, me levanto para atendê-lo. É Sabrina chegando para cuidar dos meninos, permito sua entrada. Esqueci de dispensá-la pela manhã. Peço que ela os leve para o parque em frente quando o corretor chegar. O que não demora muito a ocorrer.
Ele e Drew trocam algumas palavras enquanto pego café e biscoitos para servir. Sento-me perto de Phillip, Drew fica na poltrona nos observando. E ele começa a nos mostrar as casas.
— Meu Deus! Casa por aqui é muito cara. Essa aqui é custa o que consegui por minha casa em Maui. O terreno lá tem mais de 8 mil metros quadrados. Com uma vista de tirar o folego. Fora a tranquilidade. Deixa eu ver se eu acho alguma foto em minha galeria. Aqui está.
— Realmente é uma senhora casa! – Phillip comenta
— Trocar esse espaço por qualquer outra coisa aqui, vai ser difícil para as crianças. – Drew completa.
— Não temos nada parecido em Nova York.
— Parem com isso, por favor. Não posso me arrepender. Já não tenho mais essa casa.
— Já vendeu? Colocou à venda quando? – Drew pergunta
— Na segunda. É um local muito procurado. Em menos de vinte e quatro horas recebi duas propostas. Meu corretor lá, disse que tinha vários clientes querendo casa na região.
— Você não estaria aberta para obra? – Drew me questiona
— Até estaria, mas estou com pressa.
— Você só quer casa? – Phillip questiona
— Meus filhos estão acostumados a ficar ao ar livre.
— Entendo. Vamos continuar olhando.
Ele me mostra uma variedade de casa, algumas com estilo vitoriano, outras colonial, mais algumas contemporâneas, mas o tamanho do terreno é o que está dificultando a escolha. Seleciono duas casas em Flashbush. Uma mais moderna, na Farragut Road e a outra na rua 26. Marcamos de fazer uma visita à tarde. Depois que ele vai embora, vou terminar de me arrumar para o trabalho. Drew disse que me dará uma carona. No caminho, vamos conversando sobre as casas.
— A casa da Farragut Road, está pronta para morar, precisa de um paisagismo no quintal do fundo, mas está perfeita. - Comentei
— Mas o terreno é muito pequeno para as crianças.
— Tem um ótimo parque a uma quadra da casa. E estaria a 40 minutos a pé do Prospect Park.
— E os meninos andariam 40 minutos?
— Temos carrinho para quê?
— A casa da rua 26 é muito maior.
— Mas precisa de muito mais reforma.
— E tá preocupada com a reforma por quê?
— Grana, meu querido. Tempo, quero me mudar o mais rápido possível. Não temos condições de dormir eu, Penny e os meninos no mesmo quarto.
— Com seu orçamento? Podemos praticamente demolir a casa e construir uma nova. – Olho incrédula para ele. — Sério. Com 750 mil, botamos no chão e erguemos outra. Do seu jeito. E não pagaria pelo projeto nem a mão de obra. Quer vantagem melhor?
— Lógico que pagarei pelo trabalho de vocês. Negócios são negócios.
— Acha que qualquer um da empresa cobraria algo de você? Acha mesmo? – Dou com o ombro. — Vamos fazer o seguinte, passo em seu escritório para irmos ver as casas. Analiso a da rua 26. Faço um projeto e lhe mostro, você escolhe qual das duas.
— Tá você resolveu o problema do dinheiro. Mas e o tempo? Realmente quero me mudar.
— Também podemos resolver fácil. Você pode alugar um apartamento ou... – E se cala.
— Ou...!?
— É melhor você alugar um apartamento. – Ele está sem jeito
— Anda Drew desembucha.
— Tenho espaço de sobra em meu apartamento. Três quartos vazios para ser exato. Vocês poderiam ir para lá. Assim eu teria mais tempo com os meninos.
— E sua namorada iria amar isso. Obrigada, mas não.
— Ela não tem que gostar ou não.
— Se realmente ficar com a casa da rua 26, alugo um apartamento.
— Você é quem sabe. Chegamos. – Ele estaciona o carro na frente do prédio.
— Muito obrigada. – Soltamos os cintos, ele se aproxima, segura meu queixo e toca meus lábios com os seus.
— É meu prazer. Mais tarde te ligo para saber que horas passo aqui para irmos. – Apenas aceno com a cabeça concordando.
“Continuam macios como antes!” Estou extasiada!

***

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