Emily
Campbell
Termino de contar a história para os bebês.
Tinha três anjos dormindo. Meus anjinhos estão dormindo agarrados ao pai. Meu
anjo maior. Veio a minha memória a primeira vez que dormimos juntos. Depois de
um lapso meu no restaurante quando saímos juntos para jantar. Simplesmente
dormir. Tento tirar os meninos da cama e colocá-los nas caminhas, não consigo.
Vamos ter que ficar os quatro na mesma cama.
— Dandão! Dandão!
— Shii! Deixem seu pai dormir.
— Dandão!
— Bom dia, anjinhos! Bom dia, Anjo! – Eles
acabam acordando Drew — Ainda posso lhe chamar assim? – Ele me pergunta com
aquela voz doce e rouca que mexe com todas as células do meu corpo.
— Quando estivermos só nós dois ou quatro. Não quero
problema com sua namorada.
— Não terá problema com ela. Relaxe. Confie em
mim. – Enquanto conversamos, os meninos estão pulando na cama.
— Sempre confiei. – Levanto da cama e começo a
procurar a roupa para ir a reunião com Phillip e depois ir trabalhar. — Vou
providenciar o café da gente. Pode tentar trocar a roupa deles?
— Tentar?!?! – Aceno com a cabeça enquanto me
dirijo à cozinha.
Ligo a cafeteira, vou até a geladeira pego o
bacon e os ovos para Drew e opto por um café da manhã bem havaiano com frutas,
bagel, geleia e suco natural para Nola, eu e os meninos. Enquanto estou fazendo
isso, ouço Drew lutando para trocar os meninos. “Coitado”. Sabia que seria
uma luta perdida para ele. Resolvo ir socorrê-lo.
— Se você não for mais firme, eles não vão lhe
escutar. – Alerto escorada na porta dando risada do desespero dele — Assim, oh!
Agora chega. – Mudo meu tom de voz para um levemente mais severo. — Vamos Ben e
Bea, tirando a roupa. Anda. Um. Dois. Três. – Eles já conhecem meu tom de voz,
então rapidamente começam a tentar tirar os shorts do pijama.
— Comandar um batalhão de pedreiros e
carpinteiros é muito mais fácil. – Começamos, juntos a trocá-los.
— Eles são ótimos, muito tranquilos, mas quando
acordam, sai de baixo. – Comento. Quando terminamos olho para Drew, arrasado. —
Relaxe. É só sua primeira manhã. Normalmente, deixo eles eliminarem um pouco a
energia antes de começarmos nossa rotina.
— E qual é ela?
— Trocar a roupa. Arrumar a cama. Tomar café. Em
Maui, depois do café íamos trabalhar.
— Eeeehhhhh!! Pabalha!
— Bóa mamã. Pabalhá!
— Não anjos. Vocês vão ficar com tia Sabrina e
mamãe vai trabalhar.
— Bina não. Dandão. – Bennie comanda.
— Papai vai trabalhar também. Vocês vão brincar
com Sabrina no parque.
— Eba!!! patí! – Se anima Trixie.
— Mas antes, vamos...
— Midinha!! – Trixie, a esfomeada matutina.
— Vamos o café tá pronto. – Saímos do quarto e
nos batemos com Nola — Tá se sentindo melhor?
— Um pouco. Não sei o que é.
— Saudade do mar, do sol. Da sua ilha. –
Respondo – E como não podemos ir até lá trouxe um pouco dela para nosso café da
manhã.
— Oba! Frutas!
— Nola, querida. Sei que viver aqui é bem
diferente de lá. Não se sinta pressionada a ficar só por minha causa. Viver em
Nova York é muito difícil.
— Eu sei disso. Vamos ver como fico essas duas
semanas.
— Drew para você tem ovo e bacon.
— Por que essa distinção?
— Não achei que iria querer algo tão saudável
quanto nosso café.
— Vou comer de tudo – E dá aquele sorriso
apaixonante.
— Olha o papá dos meus anjinhos! Quero ver quem
vai comer tudo.
Ficamos sentados comendo e conversando. Ao
terminar, Nola se levanta e vai terminar de se arrumar para o trabalho. Eu
deixo Drew com os meninos e vou me vestir, em breve Phillip iria chegar para me
mostrar as casas.
— Isso tudo é para ver Phillip? – Drew pergunta
com um tom beirando o ciúmes.
— Isso tudo? É só uma roupa de trabalho. Me viu
vestida assim várias vezes. - O telefone dele toca.
— Diga! – Ele atende de mal gosto. – Para que
está me ligando tão cedo? ... Não, já tem um tempo que acordei... São os
meninos brincando... Meus filhos... Ligou para saber onde eu estava?... Escuta,
depois conversamos... Estou... Conversamos depois, ok? ... Tchau.
— Mais café? – ofereço sem querer me
intrometer.
— Obrigado. Era...
— Eu sei. Não precisa me dizer nada. É melhor
você ir. Vai se atrasar.
— Não tenho compromisso de trabalho agora pela
manhã. Só nossos filhos. Gostaria de ver as casas com você, se não se importar.
— Só verei algumas opções aqui em casa mesmo.
Marcarei outro momento para as visitas.
— Não me importo de ficar aqui com você, se
você não se importar.
— Claro que não me importo. Os meninos vão
gostar muito de ficar mais tempo com você. – Retiro as crianças da cadeirinha e
os coloco no chão e ligo a TV.
— E a mãe deles não vai gostar? – Ele me
pergunta com aquela voz rouca que tem o dom de me tirar o ar.
— A mãe deles não quer problemas.
— Já disse que não terá nenhum problema, anjo.
– Um arrepio corre pela minha coluna quando ele chega perto de mim enquanto
sussurra em meu ouvido.
— Tudo bem. Pode ficar. – Minha voz está
derretendo.
Os meninos assistindo televisão, nós dois
sentados à mesa, cada um com uma caneca de café na mão. Estamos conversando
sobre um assunto qualquer. Quando uma lembrança me vem à cabeça.
— Drew. No bilhete que você me escreveu quando
saiu de Mystic City. – Posso ver o arrependimento expressado em seu rosto.
— Um erro. – E olha em meus olhos e depois para
os meninos. — Grande erro.
— Fizemos o que tínhamos que fazer. Seus
motivos eu entendi, perfeitamente. O que não compreendi a frase, - E cito -
“tenho uma mãe e tive uma irmã”, deu a entender que por elas não aceitava a
violência. Mas não sabia que teve uma irmã. Posso saber o que aconteceu com
ela? Qual a relação com meus problemas?
— Tinha esquecido que havia falado disso nele.
Ela era um ano mais nova que eu e Artie. Sempre fomos muito unidos. Tínhamos um
único grupo de amigos. Numa noite, estávamos curtindo num espaço que chamávamos
de clube, nós com 15 anos e ela com 14. Ela quis ir embora, mas Artie e eu
queríamos ficar mais um pouco. Tínhamos poucas regras e uma delas era: se
tínhamos saído os três, tínhamos que chegar os três. Então pedimos que ela
esperasse mais uma hora... – Ele para, respira, ergue o olhar para o nada e
repete — só uma hora.
— Ela não esperou? – Minha pergunta é mais uma
constatação do que um questionamento. Ele acena com a cabeça.
— Nunca chegou em casa. Na manhã seguinte,
nossos pais nos acordaram preocupados pois ela tinha perdido o ensaio das
chefes de torcida. Descobrimos mais tarde, que ela foi agredida, violentada e
morta perto de onde estávamos, antes das 7 horas da noite. Nós passamos pelo
corpo dela e não a vimos.
— Meu Deus, Drew! Sinto muito.
— Jamais poderia fazer com alguém o que fizeram
com minha Angie.
— Por isso sua preocupação com segurança! – Ele
acena com a cabeça.
Fica um clima estranho depois disso. Quero
abraçá-lo, mas não sei se posso. Quero dizer algo, mas não sei o que. Ficamos
assim algum tempo, apenas bebendo nossos cafés e escutando o barulho da TV.
Nola passa por nós, se despede e vai trabalhar. Alguns instantes depois o
interfone toca, me levanto para atendê-lo. É Sabrina chegando para cuidar dos
meninos, permito sua entrada. Esqueci de dispensá-la pela manhã. Peço que ela
os leve para o parque em frente quando o corretor chegar. O que não demora
muito a ocorrer.
Ele e Drew trocam algumas palavras enquanto
pego café e biscoitos para servir. Sento-me perto de Phillip, Drew fica na
poltrona nos observando. E ele começa a nos mostrar as casas.
— Meu Deus! Casa por aqui é muito cara. Essa
aqui é custa o que consegui por minha casa em Maui. O terreno lá tem mais de 8
mil metros quadrados. Com uma vista de tirar o folego. Fora a tranquilidade.
Deixa eu ver se eu acho alguma foto em minha galeria. Aqui está.
— Realmente é uma senhora casa! – Phillip
comenta
— Trocar esse espaço por qualquer outra coisa
aqui, vai ser difícil para as crianças. – Drew completa.
— Não temos nada parecido em Nova York.
— Parem com isso, por favor. Não posso me
arrepender. Já não tenho mais essa casa.
— Já vendeu? Colocou à venda quando? – Drew
pergunta
— Na segunda. É um local muito procurado. Em
menos de vinte e quatro horas recebi duas propostas. Meu corretor lá, disse que
tinha vários clientes querendo casa na região.
— Você não estaria aberta para obra? – Drew me
questiona
— Até estaria, mas estou com pressa.
— Você só quer casa? – Phillip questiona
— Meus filhos estão acostumados a ficar ao ar
livre.
— Entendo. Vamos continuar olhando.
Ele me mostra uma variedade de casa, algumas
com estilo vitoriano, outras colonial, mais algumas contemporâneas, mas o
tamanho do terreno é o que está dificultando a escolha. Seleciono duas casas em
Flashbush. Uma mais moderna, na Farragut Road e a outra na rua 26. Marcamos de
fazer uma visita à tarde. Depois que ele vai embora, vou terminar de me arrumar
para o trabalho. Drew disse que me dará uma carona. No caminho, vamos
conversando sobre as casas.
— A casa da Farragut Road, está pronta para
morar, precisa de um paisagismo no quintal do fundo, mas está perfeita. -
Comentei
— Mas o terreno é muito pequeno para as
crianças.
— Tem um ótimo parque a uma quadra da casa. E
estaria a 40 minutos a pé do Prospect Park.
— E os meninos andariam 40 minutos?
— Temos carrinho para quê?
— A casa da rua 26 é muito maior.
— Mas precisa de muito mais reforma.
— E tá preocupada com a reforma por quê?
— Grana, meu querido. Tempo, quero me mudar o
mais rápido possível. Não temos condições de dormir eu, Penny e os meninos no
mesmo quarto.
— Com seu orçamento? Podemos praticamente
demolir a casa e construir uma nova. – Olho incrédula para ele. — Sério. Com
750 mil, botamos no chão e erguemos outra. Do seu jeito. E não pagaria pelo
projeto nem a mão de obra. Quer vantagem melhor?
— Lógico que pagarei pelo trabalho de vocês. Negócios
são negócios.
— Acha que qualquer um da empresa cobraria algo
de você? Acha mesmo? – Dou com o ombro. — Vamos fazer o seguinte, passo em seu
escritório para irmos ver as casas. Analiso a da rua 26. Faço um projeto e lhe
mostro, você escolhe qual das duas.
— Tá você resolveu o problema do dinheiro. Mas
e o tempo? Realmente quero me mudar.
— Também podemos resolver fácil. Você pode
alugar um apartamento ou... – E se cala.
— Ou...!?
— É melhor você alugar um apartamento. – Ele
está sem jeito
— Anda Drew desembucha.
— Tenho espaço de sobra em meu apartamento.
Três quartos vazios para ser exato. Vocês poderiam ir para lá. Assim eu teria
mais tempo com os meninos.
— E sua namorada iria amar isso. Obrigada, mas
não.
— Ela não tem que gostar ou não.
— Se realmente ficar com a casa da rua 26,
alugo um apartamento.
— Você é quem sabe. Chegamos. – Ele estaciona o
carro na frente do prédio.
— Muito obrigada. – Soltamos os cintos, ele se
aproxima, segura meu queixo e toca meus lábios com os seus.
— É meu prazer. Mais tarde te ligo para saber
que horas passo aqui para irmos. – Apenas aceno com a cabeça concordando.
“Continuam macios como antes!” Estou
extasiada!
***
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