Drew Grant
Deixei o parque atordoado.
“Não acredito que Emily escondeu de mim meus
filhos! Como ela pode?!?!”
Ela presumiu uma ação que não seria dela. Perdi toda a
gravidez, não participei da escolha dos nomes. Não vi o parto. As primeiras
consultas, os primeiros passinhos, as primeiras palavras. Não participei de
dois anos dos meus filhos.
— Meus filhos! MEUS FILHOS! – Agora que me toque – Sou pai
de gêmeos. Serão dois meninos? Ou duas meninas? Será que é um casal, igual a
Artie? – pergunto em voz alta a mim mesmo.
Estaciono o carro na garagem do prédio e subo até o
apartamento. Quando saio do elevador, ela está parada na porta. Não estou com
cabeça para os ataques dela.
— Combinei algo com você hoje? – Perguntei enquanto abria a
porta.
— Estava com saudades de você também, baby! – Becca me
cumprimenta vindo me beijar
— Estou com uma tremenda dor de cabeça. Desculpa. –
Explico.
— Algum problema? – Ela se mostra preocupada
“Algum problema? Nenhum. Fora o fato de que
acabei de saber que tenho dois filhos, que me esconderam isso por dois anos.” –
Penso comigo mesmo — Coisas do trabalho, só isso.
— Venha, vou cuidar de você.
Ela se senta no sofá e me deito em seu colo e massageia
minhas têmporas. Pensei que a presença dela fosse me estressar mais ainda. Nos
últimos meses temos brigado muito. Ela não é uma pessoa fútil, mas tem horas
que as poucas atitudes fúteis dela tiram minha paciência. E hoje seria um
desses dias. Porém, hoje se dedicou a cuidar de mim, sem se queixar de
bobagens.
— Baby, preciso lhe
contar uma coisa.
— Diga.
— Sabe Emily?
— A ex-gerente a A4? – Aceno com a cabeça - Sei.
— Ela está em Nova York. A encontrei hoje no Prospect Park.
— Você foi atrás dela? – Fala enciumada
— Não! Foi me encontrar com Adam. Não sabia que ela estava
aqui.
— Entendo. O que aconteceu?
— Ela tem dois filhos.
— Humm! Parabéns a ela. – Diz com desdém. Becca não
acredita que mulher de carreira possa ser mãe. – Deve ter acabado com a
carreira.
— Pelo que entendi, não. Mas voltando aos filhos dela,
segundo ela, eu sou o pai.
— É o quê?! – Ela dá um salto do sofá. – Como você é o pai?
Me contou que só ficaram juntos um fim de semana. Como você é pai DOS filhos
dela?
— Devem ser gêmeos, né. Becca!
— Você tem certeza?
— Emily não teria por que mentir.
— Ela quer que você assuma? Claro. Deve ter perdido o
emprego e agora não tem como sustentar os filhos. Aí recorreu àquele que ela
sabe que tem bom coração com esse golpe.
— Você não a conhece. Não a julgue. – Defendo
— Você vai pedir o DNA, não vai?
— Olhei um deles, é a minha cara. Não preciso de DNA.
— Não seja ingênuo. Exija antes de qualquer coisa. Vou
falar com meus advogados para você.
— Por favor, se mantenha fora disso. – Ela dá com os
ombros.
***
Emily Campbell
Acordo na segunda decidida. Já que havia contado para ele
sobre os gêmeos, iria levá-los para conhecer o pai e os tios. Levanto-me,
separo a calça jeans e a jaquetinha preta que Bennie usou no voo para cá, uma
blusa verde, e o mocassim dele. E para Trixie, pego um conjunto de vestido verde
musgo com umas faixas de tecido com poás branco e alguns lacinhos e um trench
coat no tecido verde musgo com póas branco. Um sapatinho boneca branco. Na
cabeça uma faixa com um pequeno. Sentamos nós três para tomar café.
— Penny, me dá uma carona até a A4+?
— Vai lá?
— Vou aproveitar que hoje não vou ao escritório e vou levar
os anjos para conhecerem os tios e o pai.
— Que bom, Emm! – Celebra Nola
— Hoje vou para o tribunal agora pela manhã, Adam vai me
levar. Vai com a gente e de lá vão para a A4.
— É, pode ser. Fale com ele, por favor. – Ela acena com a
cabeça. – Me ajudam a arrumá-los?
— Nem precisava perguntar.
Terminamos nosso café, damos banho nos meninos e os
arrumamos. Depois que estão prontos, termino de me arrumar e é o tempo exato de
Adam chagar. Descemos os 4. Nola aproveita a carona de Adam que a deixa no
escritório antes de deixar Penny e seguimos para a sexta avenida com a rua 41.
Entramos no prédio, cumprimentamos os recepcionistas do prédio e subimos para o
35º andar. Os meninos estão muito fofos. Mini-Drew e a pequena Trixie. Observam
tudo. E conversam entre si num idioma que só eles entendem.
— Bom dia, meninas! – Cumprimento as recepcionistas da
construtora.
— Srta. Campbell, como vai? – Hillary me pergunta
— Emily. Vou bem e vocês?
— E esses dois anjinhos?
— Anjos, digam oi as meninas.
— Oi, nas! – Eles as cumprimentam.
— Meus filhos. – Informam.
— Lindos! – Pude perceber que elas perceberam as
semelhanças.
— Obrigada!
— Drew já chegou?
— Só Ash está aqui.
— Vamos até a sala dela?
— Prefiro que o primeiro a vê-los seja Drew.
— A sala dele está aberta. Ele já deve estar subindo. Já
deu entrada na garagem. – Tinha adotado um programa nos cartões de acesso ao
prédio que informava em nossa recepção a chegada dos funcionários.
— Quer companhia? – Adam se oferece.
— Realmente, não sei. – Respondo meio receosa
— Fico com vocês até ele entrar. Vamos. – E nos dirigimos
até a sala de Drew.
Estamos sentados no sofá que fica de costa para a entrada
da sala e os meninos caminhando pelo escritório. Dessa forma, não percebemos
quando ele entra na sala. As crianças são as primeiras a perceberem e correm
para meu colo.
— O que foi, anjos?
— Dande! – Trixie aponta para a porta. Olho para trás e o
vejo. Não me canso de admirar a beleza máscula dele.
— Oi, desculpa a invasão. – Fala
— Dandão! – Dessa vez é Trixie.
— É anjinha, ele é grandão. Vocês também vão ser grandões!
– Falo com a voz melosa com que sempre falo com eles.
— Vou deixá-los. – Adam se retira – Vai com calma, cara.
Tenta entender os motivos dela. – Ele assente com a cabeça.
— São eles? – Balanço a cabeça.
— Anjos, esse é Drew. Amigo do Tidam.
— Tidam?
— Tio Adam. – Ele sorri – Eles podem te dar um abraço? –
Ele permite com a cabeça. – Vão abraçar ele, abraço igual ao do Tidam. – Eles
pulam do sofá e correm para Drew. Lágrimas correm pelo meu rosto.
— Você os chama de anjos? Por causa de seu pai?
— Não. Por causa do pai deles. Eles foram os anjos que me
permitiram sobreviver à nossa separação, à última agressão de Taylor...
— A última o quê?
— Quando estava com três para quatro meses, Taylor invadiu
minha casa, me arrastou, socou e chutou.
— Emm, sinto muito! Devia estar com você. Eu prometi. – A
voz dele sai com um tom de culpa
— Você não teve culpa nenhuma. E aquela foi a última. Ele
foi preso. – A fisionomia dele muda.
Ficamos calados por alguns minutos. Ele abraçado aos filhos.
Os filhos abraçados a ele. E eu observando, os amores da minha vida juntos pela
primeira vez.
— Emm!! – Um grito na porta assusta a todos. Os meninos se
desvencilham dos braços de Drew e correm para mim.
— Mamã! – Gritam
— Shii. É só outra tia doida de vocês. Oi, Ash!
— Tia doida!? Quem são essas fofuras? Oh! – Ela reparou a
semelhança – Meu Deus! São a cara dos meus! A cara de vocês dois, Drew!
— São meus filhos, Ash! – Ele os apresenta, meio que sem
jeito.
— Oh, Jesus. Artie, chega aqui no Drew! – Ela grita
novamente e eles me apertam mais um pouco.
— Ash, eles não são acostumados com gritos. Você poderia
evitar? – Peço a ela
— Claro, claro. Drew você não nos contou. Qual o nome
deles?
— Fiquei sabendo ontem. Boa pergunta. Qual o nome.
— Oi, tio Artie. – Cumprimento Artie quando ele entra. –
Apresento a vocês Benjamim e Beatrice. ou Bennie e Trixie. Anjinhos, esses são
tia Ash e tio Artie.
— Dandão bem! – Trixie percebe a altura de Artie
— Idal! – Bennie repara na semelhança entre o pai e o tio.
— Eles são gêmeos como você e Trixie, anjo. – Explico.
— Precisamos conversar, não acha, Emily? – Drew pontua e
aceno com a cabeça. – Vocês poderiam levar os dois para dar uma volta, para
sala de vocês, alguma coisa. – Eles acenam com a cabeça.
— Por favor, fiquem na sala de um de vocês. Não quero
alarde agora. – Eles concordam com a cabeça. E saem.
Drew se dirige até a poltrona em frente ao sofá em que me
encontro.
— Então, Emily. Por que agora?
Pelo que entendi ontem, você não queria que eu soubesse para um sentimento de
culpa não nos unisse novamente, certo?
— E não estava errada. Você se
sentiu culpado porque não me protegeu de Taylor.
— Não posso negar que essa
seria uma hipótese. Mas eu gostava de verdade de você, não lhe ocorreu que esse
fosse um motivo possível?
— Depois do que escreveu, do
que Nana me disse que falei para você e não me lembrava, e não lembro até hoje,
esse motivo não existia. Não mais. Eu pensava que se eu lhe contasse, você iria
querer ficar comigo e em algum momento poderia ter um lapso e lhe ofender. E
não queria isso. Para mim, a solução foi ir embora.
— E me privar, não... nos
privar, a mim e aos meninos de uma convivência?
— Não pense que isso não me
corroeu. Depois do parto, Nana praticamente me cortou da vida dela por sua
causa. A cada novidade deles me doía você não estar comigo. Cada vez que um
deles me lançava um sorriso de canto, idêntico ao seu, me matava um pouquinho.
Eles poderiam não ter puxado a você. Não queria você ao meu lado por causa
deles para não lhe magoar, mas fui castigada, de uma forma maravilhosa. Mas
Deus deu um jeito de me lembrar a cada dia da minha decisão.
— E quanto a minha pergunta.
Por que agora? O que você quer de mim?
— Nada. Só queria corrigir um
erro meu. Quero que você faça parte da vida deles.
— Como? Com vocês morando do
outro lado do país?
— Como lhe disse recebi uma
proposta para trabalhar no escritório daqui. E estava refletindo em aceitar ou
não e se aceitasse teria que abrir o jogo com todo mundo. O destino se
apressou.
— Quer dizer que se “o destino”
– faz aspas – não se apressasse eu não ficaria sabendo?
— Não posso afirmar isso.
— Pelo menos não por agora. –
Dou com os ombros.
— An... – respiro – Drew,
assim como não posso afirmar sua posição no passado, não posso lhe afirmar se
um dia lhe diria por livre e espontânea vontade. Tudo o que posso lhe dizer é
que sim, no meu íntimo, desejava que você os conhecesse. Quando permitiria
isso? Não posso dizer. – O telefone da mesa toca.
— Oi... Ash quer falar com
você. – E me passa o telefone.
— Não. Tudo bem. Ele tem
problema respiratório. Já vou levar o remédio. – Desligo o aparelho – Vou
aproveitar e vou embora. Estamos no apartamento de Penny, onde morava. Você é
mais do que bem vindo para ficar com os meninos. A partir de amanhã eles
estarão com uma babá indicada por Ash, mas você está autorizado a vê-lo.
— O que ela tem? – Ele se
preocupa
— Depois lhe explico. Preciso
dar o remédio antes que piore. Passe lá. Eles vão adorar.
— Verei. Tchau.
— Tchau. - Vou para a sala de
Ash. Chegando lá, pego o remédio na bolsa e a seguro no colo enquanto sento
numa poltrona.
— Shiii! Shii! Mamãe tá
aqui... – Seguro-a e aperto a bombinha em sua boca. – Já vai passar. Já vai
passar. Bennie, você se comportou. – Ele acena com a cabeça.
— Queria que os meus fossem
assim. Calmos. – Ela fala
— Penny me disse que são bem
agitados.
— Mas o que ela tem?
— Quase a perdi no parto. O
cordão era curto e ela se enrolou nele na hora do parto, durante o
monitoramento minha médica percebeu e fizemos uma cesária de urgência. A
frequência cardíaca dela baixou abruptamente assim como sua respiração.
— Meu Deus, Emm! Não imagino o
susto!
— Não gosto de lembrar. E ela
ficou com essas crises respiratórias esporádicas como sequelas. Agradeço a Deus
que ela não ficou com sequelas neurológicas, pelo menos, não aparente. Até
agora o desenvolvimento dela é igual ao de Bennie.
— Vai dar tudo certo.
— Olha, vou ficar
provavelmente até próximo domingo. Venham jantar conosco hoje, na casa de
Penny.
— Faz aquele macarrão? – Aceno
com a cabeça. – Combinado. Posso levar os meus?
— Deve. Faz uma chamada para
Drew por favor?
— Claro. – Pega o telefone e
disca o ramal dele – Emm, quer falar com você.
— Drew, resolvi agora dar um
jantar lá no apartamento de Penny hoje. Venha. Será muito bom... Entendo, mas
faça um esforço. Pelos anjinhos. Ok.
— Ele recusou.
— Disse que tinha planos, mas
ia tentar.
— Espero que ele não troque os
filhos pela insuportável.
— Penny me falou dela. Não
deve ser tão insuportável assim.
— Não. Insuportável, estou
sendo boazinha. – Rebate
— Bom, deixa eu ir. Ainda vou conversar com a
babá que você indicou.
— Era para você!!! – Aceno com
a cabeça, agradeço, seguro Bennie numa mão, já que estou com Trixie no colo e
nos despedimos.
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