“— Ei! Vamos para o lago hoje depois da aula? –
Sugeriu Tina.
— É uma boa. – Penny concordou
— Vamos sim. Estou querendo muito um banho. –
Se animou Peter
— Para mim, não vai dar. – Recusei o convite
— Taylor não deixa! – Jake desdenhou
— Não é nada disso. – Tentei disfarçar – Nana
pediu para eu ir ao mercado para ela.
— Emm, não precisa contar mentiras. Sabemos
quem é seu namorado. – Reprovou Penny.
— Não. É verdade. Minha vó pediu para
comprar... açúcar e leite.
— Tá bom. Vamos mesmo? – continuou Tina.
No final da aula, como todas as sextas-feiras
desde que iniciaram as aulas do 2º ano, vou direto do colégio para a casa de
Taylor. Ele havia me convencido a passar os finais de semana com ele e os pais.
Disse que era para ficarmos mais próximos.
— Taylor! Cheguei.
— Oi, minha linda! Ele não chegou ainda. Tá com
fome?
— Olá, Sra. Jones. Acho melhor esperar por ele.
Evitaremos confusões.
— Concordo com você. Ele igualzinho ao pai.
Sempre quis que todos o esperássemos para as refeições.
— Acho bonito isso. Todos reunidos à mesa. –
Falei sem muita convicção, enquanto Sra. Jones concorda comigo, também sem
muita convicção.
Sento-me à mesa e começo a fazer minhas lições
enquanto espero ele chegar. Duas horas depois, ele entra em casa, batendo a
porta e esbravejando. Automaticamente, paro o que estou fazendo, jogo tudo na
mochila, completo a mesa com meu prato e talheres e corro para a sala para
recebê-lo.
— Ora, ora! Olha quem está aqui! Pensei que
tinha ido com os vagabundos dos seus amiguinhos para o lago!
— Claro que não! Prefiro estar aqui com você.
— Você me tira por idiota, é? Eu bem sei que
prefere aquela turminha do que estar aqui. Principalmente com o otário do
Peterson. Vai lá. Pode ir. – Ele soa embriagado, deve ter ido beber depois do
trabalho.
— Não existe mais nada entre Scott e eu, e você
sabe muito bem. Ele se quer fala comigo.
— Não faz mais que a obrigação dele. E ai de
você conversar, melhor, cumprimentar aquele babaca.
— Vamos almoçar? Já passou da hora. – A Sra.
Jones tenta amenizar a conversa
— Eu faço a hora, nessa porra! Eu que trago o
dinheiro para casa, eu que mando. Ouviram bem? Vamos comer na hora que eu
quiser.
— Certo, meu filho! Só achei que deveria estar
com fome.
— Você não deve pensar. Mulher não serve para
pensar.”
Vir para Nova York foi libertador em muitos
sentidos. Venho amadurecendo aos poucos. A cada ano que passa, sinto-se mais
forte e mais segura de mim. Conheci muitas pessoas na faculdade. Criamos grupos
de estudos. Participei de festas de fraternidade. Experimentei coisas que meus
amigos fizeram na adolescência, enquanto eu estava trancada em casa. Na casa
dele.
De todas as amizades que fiz desde que cheguei
aqui, a mais especial foi a de Adam. No meu primeiro ano aqui, nos vimos muitas
vezes. Fizemos muitos passeios, nós três, eu, Penny e Adam. Enquanto nossa
amizade ia crescendo, quanto mais saímos juntos, ia percebendo que nem todos os
homens eram iguais. Adam era um cavalheiro, super atencioso às nossas
necessidades, especialmente com as de Penny. Certo dia, quando saímos para ir
ao cinema, só ele e eu, Penny precisava preparar uma argumentação para um caso,
após a sessão, tomei coragem e perguntei aqui sobre o que estava me incomodando
a algum tempo.
— Adam, você não mentiria para mim, mentiria?
— Claro que não. Sabe que odeio mentiras.
— Então, que é a sua com a Penny?
— Como assim? – Percebi um certo desconforto
nele
— Sim. O que você sente por Penélope?
— Para ser sincero...
— Sim...
— Você não vai ficar chateada?
— Não venha me dizer que você a detesta, porque
eu sei que não é verdade.
— Não! Eu gosto muito dela.
— Então por que não pede logo ela em namoro?
— Por sua causa.
— Oi?! Minha causa? O que eu tenho a ver com
isso?
— Ela é sua amiga. E você...
— Sou sua amiga também e quero vocês dois
felizes.
— Quer dizer, que você não está interessada em
mim?
— Adam! Você sabe que só quero saber de meus
estudos, me formar e arrumar um excelente emprego. Não quero saber de namoro.
Deus me livre de distrações!
— Juro que achei que você gostava de mim.
— E gosto. Mas não romanticamente. Vai lá e pede.
Garanto que terá uma excelente surpresa.
— Jura?? – Concordo com a cabeça.
Esse foi meu primeiro, e único, caso como
cupido. E deu muito certo. Estão juntos a três anos. E cada dia mais
apaixonados um que outro. Embora não entenda como, nunca vi duas pessoas tão
diferentes! Ele brincalhão e perturbador, ela é moleca, mas é séria, um tanto
contraditório, mas ela é assim. Vendo a relação deles, me faz refletir sobre a
minha com Taylor. Atitudes e vestuário dela, que eram motivos para nossas
discussões, passam desapercebidas por ele, muitas vezes ele a elogiava. Eu
nunca recebi um elogio do outro. Muito pelo contrário, ele sempre me humilhava,
me destratava, me diminui. É muito bom conviver com Adam. Tenho aprendido muito
com ele.
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