quarta-feira, 20 de maio de 2020

Livro 1: Calma Paixão - Capitulo III: Novas Amizades

Ao longo de minha vida, pessoas entraram, amizades foram feitas, porém a maioria se foi. Meu relacionamento com Taylor foi muito destrutivo para mim, enquanto pessoa e namorada. Por causa dele, me afastei de todos meus amigos de infância e na adolescência acabei por fazer pouquíssimas. E estas foram feitas durante o período em que estivemos separados e que fiz questão de manter. Mas foram tão poucas que conto nos dedos de uma mão.

“— Ei! Vamos para o lago hoje depois da aula? – Sugeriu Tina.
— É uma boa. – Penny concordou
­— Vamos sim. Estou querendo muito um banho. – Se animou Peter
— Para mim, não vai dar. – Recusei o convite
— Taylor não deixa! – Jake desdenhou
— Não é nada disso. – Tentei disfarçar – Nana pediu para eu ir ao mercado para ela.
— Emm, não precisa contar mentiras. Sabemos quem é seu namorado. – Reprovou Penny.
— Não. É verdade. Minha vó pediu para comprar... açúcar e leite.
— Tá bom. Vamos mesmo? – continuou Tina.
No final da aula, como todas as sextas-feiras desde que iniciaram as aulas do 2º ano, vou direto do colégio para a casa de Taylor. Ele havia me convencido a passar os finais de semana com ele e os pais. Disse que era para ficarmos mais próximos.
— Taylor! Cheguei.
— Oi, minha linda! Ele não chegou ainda. Tá com fome?
— Olá, Sra. Jones. Acho melhor esperar por ele. Evitaremos confusões.
— Concordo com você. Ele igualzinho ao pai. Sempre quis que todos o esperássemos para as refeições.
— Acho bonito isso. Todos reunidos à mesa. – Falei sem muita convicção, enquanto Sra. Jones concorda comigo, também sem muita convicção.

Sento-me à mesa e começo a fazer minhas lições enquanto espero ele chegar. Duas horas depois, ele entra em casa, batendo a porta e esbravejando. Automaticamente, paro o que estou fazendo, jogo tudo na mochila, completo a mesa com meu prato e talheres e corro para a sala para recebê-lo.
— Ora, ora! Olha quem está aqui! Pensei que tinha ido com os vagabundos dos seus amiguinhos para o lago!
— Claro que não! Prefiro estar aqui com você.
— Você me tira por idiota, é? Eu bem sei que prefere aquela turminha do que estar aqui. Principalmente com o otário do Peterson. Vai lá. Pode ir. – Ele soa embriagado, deve ter ido beber depois do trabalho.
— Não existe mais nada entre Scott e eu, e você sabe muito bem. Ele se quer fala comigo.
— Não faz mais que a obrigação dele. E ai de você conversar, melhor, cumprimentar aquele babaca.
— Vamos almoçar? Já passou da hora. – A Sra. Jones tenta amenizar a conversa
— Eu faço a hora, nessa porra! Eu que trago o dinheiro para casa, eu que mando. Ouviram bem? Vamos comer na hora que eu quiser.
— Certo, meu filho! Só achei que deveria estar com fome.
— Você não deve pensar. Mulher não serve para pensar.”

Vir para Nova York foi libertador em muitos sentidos. Venho amadurecendo aos poucos. A cada ano que passa, sinto-se mais forte e mais segura de mim. Conheci muitas pessoas na faculdade. Criamos grupos de estudos. Participei de festas de fraternidade. Experimentei coisas que meus amigos fizeram na adolescência, enquanto eu estava trancada em casa. Na casa dele.

De todas as amizades que fiz desde que cheguei aqui, a mais especial foi a de Adam. No meu primeiro ano aqui, nos vimos muitas vezes. Fizemos muitos passeios, nós três, eu, Penny e Adam. Enquanto nossa amizade ia crescendo, quanto mais saímos juntos, ia percebendo que nem todos os homens eram iguais. Adam era um cavalheiro, super atencioso às nossas necessidades, especialmente com as de Penny. Certo dia, quando saímos para ir ao cinema, só ele e eu, Penny precisava preparar uma argumentação para um caso, após a sessão, tomei coragem e perguntei aqui sobre o que estava me incomodando a algum tempo.

— Adam, você não mentiria para mim, mentiria?
— Claro que não. Sabe que odeio mentiras.
— Então, que é a sua com a Penny?
— Como assim? – Percebi um certo desconforto nele
— Sim. O que você sente por Penélope?
— Para ser sincero...
— Sim...
— Você não vai ficar chateada?
— Não venha me dizer que você a detesta, porque eu sei que não é verdade.
— Não! Eu gosto muito dela.
— Então por que não pede logo ela em namoro?
— Por sua causa.
— Oi?! Minha causa? O que eu tenho a ver com isso?
— Ela é sua amiga. E você...
— Sou sua amiga também e quero vocês dois felizes.
— Quer dizer, que você não está interessada em mim?
— Adam! Você sabe que só quero saber de meus estudos, me formar e arrumar um excelente emprego. Não quero saber de namoro. Deus me livre de distrações!
— Juro que achei que você gostava de mim.
— E gosto. Mas não romanticamente. Vai lá e pede. Garanto que terá uma excelente surpresa.
— Jura?? – Concordo com a cabeça.

Esse foi meu primeiro, e único, caso como cupido. E deu muito certo. Estão juntos a três anos. E cada dia mais apaixonados um que outro. Embora não entenda como, nunca vi duas pessoas tão diferentes! Ele brincalhão e perturbador, ela é moleca, mas é séria, um tanto contraditório, mas ela é assim. Vendo a relação deles, me faz refletir sobre a minha com Taylor. Atitudes e vestuário dela, que eram motivos para nossas discussões, passam desapercebidas por ele, muitas vezes ele a elogiava. Eu nunca recebi um elogio do outro. Muito pelo contrário, ele sempre me humilhava, me destratava, me diminui. É muito bom conviver com Adam. Tenho aprendido muito com ele.

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