Emily Campbell
Meu dia hoje foi angustiante. O medo de perder
meus anjinhos me rondou o tempo todo. “Não consigo entender o porquê dele
fazer isso. Não havia necessidade. Se estivesse pedindo a guarda compartilhada,
eu entenderia perfeitamente. Mas tirar meus filhos de mim?! Deus será que eu
não já sofri demais? Será que foi um erro ter contado a ele sobre os meninos?
Será que foi um erro ter vindo para cá? Deveria ter ficado num hotel e não
procurado Penny e Adam. Agora Adam também está sofrendo as consequências de
meus atos.” Nola entra em minha sala me tirando do transe.
— Emm, tem um tempo que lhe interfonam e você
não atende. Está tudo bem?
— Só estava pensando. Peça desculpas ao pessoal
por mim. O que foi?
— Derek na linha 5.
— Obrigada. – Pego o telefone. – Oi, Dê!
Desculpa a demora.
— Sei que deve estar muito ocupada. Tenho boas
notícias para você.
— Eu preciso disso hoje. Tá muito difícil.
— O que aconteceu?
— Minha boa notícia, primeiro.
— Sabe que a área onde você mora é muito
procurada e por isso, valorizada demais.
— Sei.
— Então. Temos duas propostas pela casa.
— Já? – Meu tom de voz soa meio triste.
— Já. Mas parece que não gostou da notícia.
— Estou repensando nessa opção.
— Qual?
— Vim morar aqui.
— O que houve?
— Aff! – respiro fundo para conter a lágrima
que está querendo brotar – Drew entrou com o pedido de guarda dos meninos.
— Compartilhada?
— Não. Ele quer a guarda unilateral. E jogou
meus problemas psicológicos como motivo que me incapacita de cuidar dos meus
filhos. – Não consigo segurar mais as lágrimas.
— Emm, não faz assim. Não se dê por vencida.
Sabemos que você é muito capaz de cuidar deles. Nenhum juiz irá tirar os
filhos, principalmente na idade deles, da mãe que esteve com eles a vida toda.
— Não sei.
— Você precisa mostrar estabilidade, não vai
desistir de nada. Vamos vender sua casa aqui e comprar uma linda casa aí.
Apresentar a esse juiz e a Drew que você é capaz sim de cuidar de seus filhos.
— Você tem razão. Faço isso a dois anos. Não
tem por que temer. – Respiro fundo, limpo as lágrimas. – Conte-me mais sobre as
propostas, como foi tão rápido assim?
— Bom ouvi essa animação. Falei com o corretor
que lhe vendeu a casa. E, acredite, ele tinha alguns compradores interessados
na área.
— Momento preciso.
— Isso. Ontem ele fez um open house reservado e
dois fizeram a proposta hoje.
— E quais são? Ficarei com a que pagar mais,
claro! – Sorrio
— Amo esse som. Bem, não sei se ficará com a
mais alta, pois a diferença é que um deles quer tudo, tirando suas roupas e
fotos pessoais.
— Essa é a que ofereceu mais.
— Isso. Só que a diferença entre os dois é
pouca. O primeiro casal ofereceu o valor pedido, U$ 1,850,000 e o outro
ofereceu U$ 1,900,000.
— A diferença é muito pouca para deixar as
coisas dos meninos aí. Diga que fico com a de U$ 1,850. Compro uma boa casa na
região onde eu quero aqui em Nova York, não tão boa nem com o terreno que tinha
aí, mas é uma casa e eles terão área para brincar. Recebeu a procuração?
— Recebi sim. Quando você vem?
— Infelizmente, não sei. Disse que ia semana
que vem, mas com a audiência marcada para próxima terça, não sei. Assim que
puder pego o primeiro voo para aí. Mas vai agilizando a venda para mim.
— Não se preocupe com nada. Tudo já deu certo.
Confie.
— Confio. Beijos. Bom falar com você. E
desligo.
Procuro retomar minha rotina. Mas a animação
pela compra da casa nova é maior que minha dedicação ao trabalho. Peço a Nola
que faça uma ligação para Ashley na A4+ Project.
— Ash, todo bom?
— Tudo. Sentimos muito pelo que Drew fez.
— Vamos deixar isso para Penny e o advogado
dele. Você tem um bom corretor para me indicar?
— Vai comprar uma casa, aqui?
— Só ia contar no fim de semana, mas depois do
que aconteceu hoje, preciso mostrar estabilidade para cuidar de meus filhos.
Então, sim ficarei em Nova York. Nossos babies conviverão e serão melhores
amigos. – E damos risadas.
Ela me dá o telefone do corretor amigo deles, o
mesmo que iria procurar um apartamento na época que Nana ficou doente. Ligo
para ele e explico o que preciso, porque o que eu quero, onde eu quero, não
tenho cacife para bancar.
— Alô, Sr. Atkinson. Sou Emily Campbell. Quem
me indicou o senhor foi Ashley Grant. Tudo bom?
— Tudo. Emily? Emily? Você não namorou com
Drew?
— Mais ou menos. Eu falei com o senhor...
— Por favor, pode me chamar de Philip.
— Ok. Falei com você a dois anos cancelando a
procura de um apartamento no Brooklyn.
— Isso. Está procurando um agora?
— Dessa vez quero comprar uma casa.
— Entendo. Podemos marcar uma reunião?
— Vamos fazer assim, digo o que procuro e você
verifica as opções. E me apresenta amanhã de manhã. Preciso estar com essa
compra em caminhada até semana que vem.
— Urgente assim?
— Não tem ideia.
— Então me diga. Vai querer no Brooklyn mesmo?
— Isso. No entorno do Prospect Park. Eu preciso
de uma casa com um terreno de tamanho razoável, tem que ter quintal e jardim,
no mínimo 4 quartos. Próximo a algum playground, tenho duas crianças de
2 anos.
— Orçamento?
— Tenho disponível, entre 1,850 milhões e 2
milhões.
— É um excelente orçamento para a região. Já pensei
em algumas que lhe atendem, passo em sua casa, amanhã, às 8:00? Pode ser?
— Pode sim. Mando o endereço por mensagem.
— Estamos acertados. Até amanhã.
— Até. – Desligo o telefone. Verifico a hora.
“Já são quase cinco horas e não fiz quase nada.
Desse jeito não surpreenderei os conselheiros e caçarão minha cabeça.”
Retomo minhas atividades. Quando meu telefone
toca. São mais de seis horas.
— Sabrina, aconteceu alguma coisa? – Ouço-os
chorando
— Srta. Campbell, houve sim.
— O que foi? – Perguntei, beirando o desespero.
— Eu estava com eles no parquinho aqui em
frente, quando vi o pai deles se aproximar, chamei-os para virmos embora, como
a senhora pediu. Trixie o viu e começou a chamá-lo, depois foi Bennie. Ele
pediu para dar um abraço nos filhos quase chorando.
— O que você fez?
— O que a Srta. mandou. Disse que não podia e
os trouxe para casa. E estão chorando e chamando-o. O que eu faço?
— Isso tem quanto tempo?
— Foi agora.
— Droga! Tente distrair eles. Estou indo para
casa. Vou falando com você pelo caminho. – Desligo o telefone. Pego o que está
em minha mesa, coloco em minha pasta, peço um carro pelo aplicativo. – Pessoal,
estou indo. Tive um imprevisto em casa.
— Tudo bem com os meninos? – Nola pergunta e
respondo negativamente com a cabeça.
O carro chega ao mesmo tempo que chego na
calçada. Entro e ligo para Penny.
— Mana, Drew esteve lá no parque e os meninos o
viram e estão desesperados.
Estou indo para casa.
— Já estou a caminho também. Estou com Adam,
quer que lhe pegue?
— Não precisa. Peguei um carro de aplicativo.
Nos encontramos em casa.
Levo entre 15 e 20 minutos para chegar lá.
Nesse tempo ligo duas vezes para Sabrina e eles continuam chorando e apontando
para a porta. O motorista para na frente do número 331 da rua 3, Penny está na
escadaria.
— Por que ainda não entrou? – Pergunto a ela,
que me responde apontando para o outro lado da rua – Ahh! – Sentado num banco
da praça, estão Adam e Drew. – O que fazem ali?
— Chegamos ele ainda estava sentado ali. Adam
foi conversar com ele.
— Vou ver meus filhos.
***
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