Emily
Campbell
Quinze horas de voo. Como previsto, os meninos
quando acordaram fizeram a bagunça matinal diária. Fiquei morta de vergonha dos
demais passageiros por causa da bagunça que estavam fazendo. Mas conseguimos
controlá-los na maior parte do voo. Mas, ao aterrissarmos, tivemos que nos
dividir. Nola foi pegar as bagagens que foram despachadas e nós fomos com os
meninos limpá-los. Depois que os limpamos fomos encontrar Nola no portão de
chegada. Derek deveria estar nos esperando.
— Ti D! – Os meninos gritam quando o enxergam
— Anjinhos! Aloha, meninas!
— Aloha, Rick! – Nola o cumprimenta
— Aloha, Dê! – Eu o cumprimento – Essa é
Sabrina, me ajuda com os meninos.
— Pensei que quem fosse cuidar deles fosse um
havaiano. – Lembrando da piada que contei no dia que nos conhecemos.
— Não encontramos tantos havaianos assim em
Nova York. Tive que apelar para uma haole. – Damos risadas
— Pehea ka maikaʻi i ka home! – Celebra Nola
por estar de volta a sua terra.
— Com certeza, Nola. Eu me sinto em casa aqui.
Trinta minutos depois estávamos chegando em
casa.
— Amores, olha onde estamos! – Mostrei a eles
— Minha taginha!! Eba!! – Bennie celebra
— Abi, abi! – Ordena Trixie – lada eu!
Bastou tirá-los do carro para saírem correndo,
eu gravo a reação deles para mandar para o pai. Sabrina se desespera.
— Ei, calma crianças! Vocês vão cair!
— Bóa, Bina. Bóa! – Trixie a chama
— Sabrina deixe-os correr à vontade. Estão
acostumados. – Enquanto Nola e Derek levam nossas bagagens para dentro, vou
atrás dos três. — Ei, vamos tirar esses sapatos?
Eles voltam para nós duas, tiramos os sapatos
dele, dou meu celular para ela e peço que nos filme. Deito no chão e eles veem
para cima de mim. Estamos rindo alto, felizes, livres. Como não nos sentimos a semanas.
— Emily – E me mostra a tela do celular.
— Crianças, é o papai. – Levanto-me e pego o
celular e atendo o facetime. – Oi, anjo. Acho que fiquei lhe devendo né?
— Porra, Emily. Sabe como fico preocupado.
Ainda mais depois do que me disse.
— Ficou preocupado depois que disse que te amo?
— Não. Que vai embora.
— Drew, eu não disse que ia embora. – Digo na
maior calma, - Disse que iria voltar para o Brooklyn.
— Dá no mesmo. Que gritaria é essa? O que está
acontecendo com Sabrina?
— São seus filhos deixando Sabrina doida. Veja!
– Giro a câmera para mostrar os meninos brincando na grama.
— Eles estão deitados na grama e descalços?! –
Reconheço a voz de Molly e giro a câmera novamente para mim.
— Oi, Molly. Anjo, acabamos de chegar em casa.
Vou arrumar as coisas aqui, ver o que tem para eles lancharem e de noite te
ligo, pode ser?
— Emm, filha, esses meninos descalços nesse
chão sujo... – olho para ele
— Por favor, me ligue mesmo?
— Ligo sim. Não se preocupe, ok? – Ele acena
com a cabeça. – Te amamos.
— Também amo vocês. – Desligo o celular.
Entro, deixando os meninos com Sabrina. Derek é
meu anjo havaiano. Providenciou frutas, vegetais, cereais. Fez um pequeno mercado.
A casa estava limpa e arrumada. Faço o lanche dos meninos. Hoje o dia será todo
confuso por causa do jat leg, mas conseguiremos.
***
Drew Grant
— Meu filho, você deveria ter ido. Ou eu. Você
viu a falta de juízo de Emily?
— Não vi nada demais, mãe.
— Como não viu? Os meninos brincando descalços naquela
grama suja?
— Mãe, você e meu pai nos levavam para obras,
lembra disso?
— Não quando vocês eram bebês. Eles têm o corpo
frágil. Especialmente, a pequena Trixie.
— Mãe, eles não têm o corpo frágil e aquela era
a casa deles, estão acostumados a correr por ali. Emily não é nenhuma
irresponsável. Sempre cuidou dos gêmeos sozinha.
— Porque ela decidiu os afastar da gente.
Assumindo que é irresponsável sim.
— Mãe!
— Molly, querida. Para de pegar no pé de minha
nora. Ela está fazendo um grande trabalho com meus netos.
— São meus netos também. E lembra que no dia
que nós os conhecemos, Trixie foi parar no hospital por dias porque a
“responsável” esqueceu o remédio da filha.
— Mãe, pela última vez, ela não esqueceu.
Rebbeca que pegou.
— Isso é o que diz a babá da outra
irresponsável da Ashley.
— Pronto! – Meu pai jogou as mãos para cima –
Agora sobrou para Ashley. Minhas noras estão encrencadas. – Ele e eu damos
risadas.
— O problema dos homens dessa família é que
ficam bobos e cegos quando apaixonados.
— Nisso devo concordar com você, minha linda!
Desde que lhe conheci e me apaixonei, fiquei bobo, cego, surdo e burro. – E a
abraça. – Mas nesse caso, você precisa deixar suas noras cuidarem das crias
delas.
— Faço...
— Para o bem dos meus netos! – Eu e meu pai completamos
a frase dela.
Minha mãe é uma pessoa maravilhosa, não por ser
minha mãe. Mas é. Contudo é super protetora e acha que só ela sabe fazer as
coisas. E com relação à criação de crianças, ela se acha a super mãe. Mas tenho
que concordar com Emily, minha mãe tem interferido muito com eles dois. E o
pior é que eu tenho permitido.
Vou para meu escritório ver algumas anotações
sobre uma obra que estamos fazendo. Estudo as possibilidades de algumas
alterações nas estruturas de uma casa dos anos 1920. Os proprietários querem um
conceito aberto envolvendo a cozinha, sala de jantar e a sala da família. Mas
querem manter uma parede separando a sala de visita do restante da casa. Esses
estudos me levam tanto tempo que não percebo que anoiteceu. Só me dou conta disso
quando meu pai vem me chamar para jantar. Mas antes converso com ele.
— Pai, antes de irmos podemos conversar um
pouco?
— Sempre meu filho. O que foi?
— Esse comportamento da mamãe.
— É só o jeito dela demonstrar o amor dela
pelos netos.
— O problema é que Emm está chateada. A mamãe
tem passado por cima das ordens dela com Sabrina. Eu mesmo já presenciei isso
algumas vezes.
— Entendo.
— Emily me disse que quando voltarem de Maui,
eles vão para o Brooklyn.
— Para ser sincero, acho que minha nora tem toda
razão. Sua mãe não vai parar, é maior que ela.
— Mas eu não quero ficar longe deles.
— Ei, o jantar está esfriando. – Minha mãe
aparece na porta do escritório.
— Estamos indo, querida! – Meu pai a responde.
– Filho, o único jeito de você não se separar deles, é vocês morarem junto. Mas
não sei se é a solução.
— Não, pai. Ainda não é a hora. Precisamos nos
acertar realmente, antes disso.
— Então... É melhor que ela volte para o
Brooklyn até que retornemos para Pensacola. Vamos jantar.
— Estive pensando em nossa conversa anterior. –
Ela comenta enquanto comemos.
— Sobre o quê?
— A criação dos meus netos.
— Mãe, suas noras são capazes disso. Fica na
sua.
— Não. Não acho que sejam capazes. Vejas os
filhos de Artie, não têm limite nenhum. Angie com aquela carinha doce, mas o
gênio terrível, comanda pai e mãe e Raph vai pelo mesmo caminho. Emily, bem
essa não preciso dizer nada. Está decidido, vamos vender nossa casa em
Pensacola e nos mudar para Nova York. – Ela conta a decisão dela como se fosse
uma ideia genial
— Está decidido?! – Meu pai se assusta
— Cof-cof – Eu me engasgo com um pedaço da
carne. – Como é?
— Sim, filho! Não é maravilhoso? Assim, as duas
demitem as babás, onde já se viu meus netos com uma babá, e eu fico com os quatro.
— Você está precisando de um emprego, isso sim,
Molly. Onde já se viu. Mas não venho morar aqui de forma alguma.
Não consigo mais jantar, então peço licença da
mesa e deixo os dois conversando sobre o assunto e vou para meu quarto esperar
a ligação de Emm.
***
Emily Campbell
Depois de ajudar a arrumar nossas bagagens
Derek foi levar Nola para a casa dela. Sugeri que ficasse conosco esses dias,
mas ela estava morrendo de saudades do cantinho dela, apesar de ter amado Nova
York, decidiu que não conseguiria viver longe da ilha. Agradeci a Derek pela
ajuda em tudo e acertamos de almoçarmos juntos antes de voltarmos para a costa
lesta. Fui para a cozinha preparei o almoço dos meninos, tinha um abacaxi na
fruteira, então o cortei ao meio, retirei a polpa e lavei bem lavada a casca.
Piquei alguns vegetais e parte da polpa dele e fiz uma salada bem fresquinha.
Aproveitei um peixe fresco que encontrei na geladeira e o fiz ao molho de
manga, arroz havaiano e uma salada de frutas. Aproveitei a manga e o abacaxi e
fiz dois tipos de suco.
Colocamos os meninos em suas cadeirinhas e
servimos o almoço deles e os nossos. Um almoço típico havaiano para dar boas
vindas a Sabrina. Depois do almoço, Sabrina foi colocar os gêmeos para dormir,
enquanto eu arrumava a cozinha. O sono começa a bater. Estamos todos fora do
horário. “Se são três horas da tarde aqui, em Nova York são entorno de nove
da noite, é melhor ligar agora para que ele durma bem.” Enquanto faço a
ligação, me dirijo até o quarto dos meninos e peço que Sabrina acerte um alarme
para dentro de duas horas, para que os meninos comecem a se adaptar com o fuso
horário.
— Oi, meu anjo! Tudo bom? – O cumprimento. –
Fale logo com os meninos que estão indo tirar o cochilo depois do almoço.
Meninos olha que está no telefone... – Mostro o telefone para eles.
— Papa Dandão! – E os dois começam a falar ao
mesmo tempo contanto tudo o que fizeram desde que chegamos. Pude perceber a
confusão na fisionomia dele, que perguntava admirado “Foi, papai? O que
mais?”
— Digam tchau pro papai. Amanhã vocês conversam
mais.
— Amo vocês, meus filhos! – Eles imitam Drew
soltando beijos. Saio do quarto para que eles durmam.
— Recebeu o vídeo?
— Recebi sim. Eles estão se sentindo livres.
— Nós estamos, anjo. Nós estamos.
— Aqui você se sente presa?
— Não. Mas aqui ficamos mais ao ar livre.
Normalmente, depois do trabalho, antes do jantar, sentava aqui nessa varanda e
eles ficavam correndo pelo jardim. Isso não fazemos aí. Não temos espaço. Era
ritual vermos o por do sol e depois jantar. Disso eu sinto falta.
— Entendo. Como foi a viagem?
— Que parte? A que eles dois dormiram, a que
eles quase destroem o avião, a que eles aprontaram no aeroporto de Honolulu, ou
a que Bennie pintou a irmã com o número 2?
— Ele não fez isso – Respondo positivamente com
a cabeça – Não acredito. Ainda bem que eram três contra dois. – Ele dá risada
— Quero ver esse riso quando viajarmos com
eles. Na volta, vamos para Mistic de carro. Quero ver você ri.
— Ei, podemos conversar sobre algo chato?
— O que aconteceu com a obra?
— Não é sobre a obra.
— Esse é o único assunto chato que quero falar.
— Amor, não quero que você volte para o
Brooklyn.
— Drew, quando a obra estiver pronta, não vou
mudar de qualquer jeito?
— Talvez.
— Amor, talvez não. Eu vou morar na minha casa.
Você viu como eles precisam daquele espaço. Eles sentem falta.
— Eu sei. Mas não quero ficar longe de vocês.
— Lá vem a cara de gato de botas. Dessa vez,
nem ela vai me fazer mudar de ideia. Eu preciso de meu espaço.
— Mas o apartamento do Brooklyn é pequeno.
— Mas serão só seis semanas. Depois vamos para
nossa casa. – Ele continua com a cara de gato de botas. – Tá bom, Grant. Você
venceu. Fico com você até a casa ficar pronta.
— Outra coisa chata.
— Sério, Grant?! Tô cansada, tô com sono e você
quer falar de coisa chata? – Ele acena com a cabeça – Fala logo. O que é dessa
vez?
— Conversei com minha mãe.
— Sobre?
— O que me disse antes de viajar.
— Ótimo, agora além de ser aquela que afastou o
filho dos netos, serei a nora reclamona. Valeu, Grant!
— Para de me chamar de Grant. Não falei que
você se queixou, depois da nossa chamada ela começou a falar das crianças de
pés no chão e correndo. Eu disse que eles estavam acostumados a ficar daquele
jeito...
— Mas ela não aceitou, né?
— Isso. Meu pai me apoiou. Mas ela não entendeu
e tomou uma decisão.
— Qual decisão, Andrew? – Não estou gostando do
rumo dessa conversa
— Ela disse que vão vir morar aqui...
— Retiro o que disse. Vou para o Brooklyn.
— Deixe-me terminar. Deixei meu pai cuidando
disso. Ele não vem morar aqui de jeito nenhum. A ideia dela é você e Ash
dispensarem os serviços das babás e ela cuidar das crianças.
— Rá! É sua mãe, mas nem a pau. Ouviu. Nem a
pau. – Falei brigando
— Ei, estou do seu lado, tá? Ela não vai criar
nossos filhos. Isso eu lhe garanto.
— Espero. Olha que visão mais linda! – E mostro
a vista para ele.
Passamos a conversar sobre assuntos mais
amenos. Vendo o sol se pôr, a noite cair. Quando ouço a gritaria no interior da
casa. Os meninos acordaram. Passamos mais de duas horas conversando. Ele
precisa ir dormir e eu procurar o que fazer para não dormir cedo demais. Então,
nos despedimos. Acertamos de nos falar todos os dias, por volta das cinco da
tarde no Havaí, para vermos juntos o por do sol. Encerramos a ligação e vou
preparar o jantar dos meninos. Depois teremos que cansá-los bastante para que
durmam no horário certo.
***
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