quinta-feira, 9 de julho de 2020

Livro 2 - Frutos de uma Paixão - Capítulo XIV


Emily Campbell

Chego em casa, em torno do meio dia, preparo o almoço dos gêmeos e vou organizar as coisas relativa a minha decisão. Não existe mais motivo para não estar em Nova York, a não ser meu amor por Maui. Faço um facetime para Derek.
— Onde vocês estão? Estive em sua casa no sábado e no domingo.
— Precisei vir para Nova York a trabalho.
— Você está em Nova York?!
— Estou. E já apresentei os anjinhos ao pai e aos tios.
— Que bom, Emm. Acredito que foi difícil para você.
— Para falar a verdade não tive opção. Ele nos encontrou num parque ontem e percebeu a semelhança entre ele e Bennie. Não tive opção.
— E quando voltam?
— Aí é que está. Steph me propôs assumir a gerência geral da sede.
— E você aceitou.
— É a oportunidade de uma vida. Fora que não há mais motivo para me afastar tanto de minha família. Nem os meninos da família deles.
— E não tem mais ninguém ou nada que lhe prenda aqui. – Sinto um lamentar em sua voz e rosto.
— Oh, Dê! Não fica assim. Mas nós dois sabemos que não sou eu quem mora em seu coração.
— Nem eu no seu.
— Ufhh! – respiro fundo. – Pois é.
— Faça o que for preciso para ser feliz e deixar nossos anjos felizes.
— Preciso de um grande favor seu.
— Diga.
— Coloca minha casa a venda. Com todos os móveis. Devo voltar semana que vem para pegar o que não for ser vendido, finalizar algumas coisas pendentes na empresa e passar o posto para meu sucessor.
— Pode considerar feito. – Agradeço com a cabeça – Amo vocês três.
— Nós também amamos você. – E encerramos a ligação.

Às 7:00, estou com o jantar pronto. Fiz duas saladas, uma Cezear e outra Caprese, espaguete ao molho de queijo e limão siciliano e canelone de carne ao conhaque com molho de manjericão e para sobremesa zabaglione, o doce perfeito. Um típico jantar italiano. Deixo tudo pronto ou pré-pronto e vou arrumar Trixie e Bennie, dessa vez coloco os dois vestidos quase igual, visto-os com um conjunto marinheiro, ela de sainha e blusa branco, azul e vermelho, e ele de bermuda e blusa. Nos pés estão de tênis. Em seguida, vou me arrumar. Escolho uma calça jeans justa desgastada nas coxas e top tomara que caia e nos pés, um sapato bico fino com salto de altura média, joguei um colar artesanal que comprei em Oahu no pescoço e o brinco que faz par com o colar. Enquanto estou nos arrumando, Penny e Nola chegaram e foram se arrumar. As duas foram pegas de surpresa. Esqueci de avisá-las.
Estou um tanto nervosa hoje. Não sei se Drew virá. Queria muito que ele viesse. Não sei. Talvez possa ser um recomeço. Às 8:15, mais ou menos, o interfone toca. Adam chegou, permito sua entrada. Logo em seguida, chegam Artie, Ash e as crianças. Dessa vez não chamei Gabriel nem Lisa, apesar de morrer de saudades dos dois, hoje era para a família.
Já são quase 9:00 e a conversa está muito animada. As crianças já estão alimentadas e o sono está chegando. E pelo visto, Drew não quis passar tempo com os filhos.
— Eu simplesmente não acredito nesse cara. – Artie comenta revoltado
— Vamos dar um tempo a ele – Digo meio triste. – Afinal foi uma revelação que ele não esperava.
— Emm, nenhum de nós. – Penny rebate.
— Mas lembra sua reação? – Tento lembrá-la.
— Sim, mas eles não são meus filhos. – Ela volta
— Por isso, mesmo.
— Não, Emm. Não tem desculpas. Ele dessa vez pisou na bola.
— Dandão! – Diz Trixie despertando.
— É, minha anjinho! Tio Artie é grandão.
— Nan, mamã! Dandão! – Ela repete. O interfone toca novamente. Nola vai atender.
— É ele. – Ela informa.
— Deixa o babaca entrar. – Diz Penny. Minutos depois, ele entra e não está sozinho. – Não acredito que você a trouxe. – Sussurra quando ele passa.
— Boa noite para você, também querida! – Pelo visto ela também ouviu.
Olho para o rosto de todos, ninguém está feliz. Os meninos espantam seus sonos e correm para abraçar o pai.
— Dandão! – Trixie grita e Bennie a segue. – Dandão! Dandão mamã.
— É meus anjos, é o grandão. – Falo com os olhos marejados. Meus filhos amam o pai.
— Olá, anjos! Como estão? – Ele se abaixa e fala com eles – Hum, vejo que conheceram seus priminhos.
— Ti Du! – Angela corre para o tio. Que não tem mais braço para abraçar os sobrinhos.
— Vocês dois venham aqui, deixem seu pa... deixem Grandão falar com seus primos.
— Você deve ser Emma. – Percebo que troca meu nome de propósito. – Prazer, sou Rebbeca, namorada de Drew. – enche a boca ao falar namorada.
— Emily. O nome dela é... – Penny está quase voando nela quando a interrompo.
— Não tem problema, P. Emily e Emma são muito parecidos – digo com ironia. – Seja bem vinda. – Cumprimento-a
— Esses são seus filhos, querido? – Ele sentado no chão brincando com os quatro e assente com a cabeça. – Realmente são lindos.
— Sempre que ela fala, soa falso? – Pergunto baixinho a Penny, que diz que sim.
Deixo os meninos brincando mais um pouco Drew. Quando dá 10:00, já passou muito da hora deles dormirem, apesar de estarem animados com a brincadeira, eles começam a dar show.
— Chai! – briga Trixie toda vez que Becca se aproxima.
— Beatriece, o que é isso! – Reclamo com ela.
— Não tem problema. – Ela rebate com a voz mais falsa que uma nota de 3 dólares.
— Tem sim. Não os eduquei dessa forma. Acho melhor colocá-los na cama. Já passou da hora. Vamos?
— Não! – Os dois respondem unisónos. – Bintá Dandão.
— Brincar com o Grandão outro dia. É hora de dormir.
— Não! – Falam fazendo bico.
— Ótimo, mal conhecem o pai e já os perco para ele. Vamos. – Enquanto tento pegar Trixie no colo
— Eu levo Bennie. – Ele se oferece. E o carrega.
Vamos juntos para o quarto, coloco ela na cama e começo a tirar a roupa dela, enquanto ele tira a de Bennie. Estão tão cansados que estão dormindo sentados.
— Aqui está o pijaminha dele. – E entrego a roupa
— Precisamos resolver como eles vão me chamar.
— Acho Dandão muito lindo! – E sorrio para ele que devolve o sorriso
— É muito carinhoso mesmo, mas não é apropriado.
— Eu sei. Mas não corrigi porque não sabia o que você desejava.
— Se são meus filhos, tem que me chamar de pai, não acha?
— Acho. – E o encaro. Sua voz não mudou ao falar comigo, existe carinho nela.
— Então estamos combinados. – Assinto com a cabeça. E agora? – Os dois já estavam vestidos
— Normalmente, eles iriam escovar os dentes, mas já estão praticamente dormindo. Vamos colocá-los nas camas. – Acomodo Trixie na cama dela e ele coloca Bennie na outra. – Vamos. Devem estar famintos.
— E qual é o cardápio? Aquela massa caseira de sua vó? – Assinto novamente – Humm, estava com saudades. – Sorrio para ele.
— Vamos comer? – Pergunto ao chegar na sala.
— E os meninos?
— Dormiram sentados. Penny e Nola, me ajudam? – As duas me seguem para a cozinha. – Estou com um problema.
— Só um? – Penny fala ironicamente.
— Penny! É. Um problema: um dos pratos principais e sobremesa está contada. Fiz para sete pessoas e não oito. Não esperava a namorada.
— Você fez dois pratos principais. E a sobremesa, dá a de Drew para ela, pronto. – Diz Penny. – Ninguém mandou ele trazer a insuportável.
Colocamos as saladas na mesa, como no primeiro jantar que demos lá, no dia que comecei a trabalhar na A4, um grupo sentou na mesa, outro no sofá e eu fiquei no balcão da cozinha, assim controlava os pratos principais. Estou distraída comendo minha salada Caprese quando Drew senta ao meu lado.
— Então...
— Então... Sua namorada é muito bonita.
— É.
— Ela parece meio deslocada no meio da turma. Até Nola se enturmou e ela fica no canto.
— Penny não lhe disse que não se gostam? Ela e os outros.
— Não! Penny não me disse nada. – Minto
— Mentirosa! – Ele sempre foi capaz de ver quando estava mentindo.
— Querido, vem sentar comigo. – Ela o chama.
— Melhor você ir. – Aconselho – Então terminamos a entrada? Podemos partir para o próximo?
— Emm, nos surpreenda com seus sabores! – Ash solicita – O que teremos agora?
— Atendendo a pedidos, de Ash claro, espaguete ao molho de queijo e limão siciliano e canelone de carne ao conhaque com molho de manjericão.
— Humm!! – Todos emitem o som ao mesmo tempo
— Só tem massa? – A antipática pergunta – Eu não como carboidrato.
— Pena, para você. Melhor para a gente, sobra mais – Ash a corta.
— Poxa, não sabia! Na verdade, nem sabia que você vinha. Se soubesse teria feito outra opção. Se quiser faço uma omelete de queijo para você. – Falo irônica.
— Não precisa, querida! Já estou satisfeita. – Responde com deboche.
Coloco os pratos na mesa para que cada um se sirva. A mesma frescura na hora da sobremesa:
— Eu não como doce! – Ela diz.
— Que bom, só fiz sete mesmo. – Respondo sem esconder minha irritação.
— Ui!! – Ash e Penny gemem
— Meninas! – Drew repreende. Sirvo a sobremesa.
— Me diga uma coisa, Mi... – Fingindo uma intimidade inexistente
— Desculpe, mas não suporto esse apelido.
— Ah, desculpa. Não sabia.
— É, meus amigos sabem disso.
— Como ia dizendo. Quais são seus planos agora? Vai procurar emprego aqui ou no Havaí?
— Emprego?! Não preciso de emprego. Sou gerente regional da Fletcher Co, divisão Ásia e Oceania, com uma proposta de ser CEO aqui na sede.
— Mentira! Você vai voltar? – Artie celebra
— Eu não disse isso. Ainda não sei.
— Vai me separar de meus filhos de novo?
— Também não disse isso. Caso eu não aceite a promoção, minha casa está aberta para você em qualquer época do ano.
— Mas não será a mesma coisa. – Ele replica.
— Humm, quer dizer que ser mãe não lhe atrapalhou? Vai dizer que quando um fica doente com a babá, você não larga tudo e vai correndo. E que sua chefe gosta disso?
— Só você acha que uma mulher de carreira não pode ser uma mulher de família. – Penny comenta
— Querida. – No mesmo tom dela, nota de 3 dólares – Quando eu comecei a trabalhar eu estava grávida a 4 meses e Steph me contratou antes mesmo do prazo de experiência expirar. Meus filhos não ficam com uma babá em casa. Nossa empresa tem uma creche em suas dependências, estamos sempre em contato com nossos filhos. E eles não são meu ponto fraco. São minha fortaleza. É por eles que construí tudo que construir. E somente uma pessoa retrógrada pensa que filho atrapalha a mulher.
— Humm... – Ela começa a falar. – Acho que já é tarde. É melhor irmos, não querido?
— Você já vai, Drew? – Artie pergunta.
— Cara, hoje é segunda, né?
— Não, hoje já é terça. – Adam lembra que já passa da meia noite.
— Gente, como é tarde! Para a gente, - e aponto para Nola - ainda são sete da noite. “Jet lag”.
— É infelizmente, precisamos ir. Vamos repetir antes de voltarem, pode ser? – Ash propõe.
— Combinado. Próximo sábado. Mesmo horário. Aqui em casa. – Penny marca.
Todos acenam com a cabeça. E vamos nos despedindo. Becca vem até a mim para me abraçar, dou a mão a ela. Todos percebem. Drew chega logo em seguida, e me abraça.
— Dá uma chance a ela. Não é má pessoa.
— Desculpa, anjo. Mas não suporto falsidade e ela foi a noite toda falsa.
— Você me chamou de...
— Anjo. Afinal, você é meu anjo. Lembra: prometeu cuidar de mim independente. – Ele acena com a cabeça. – Pode vir quando quiser ver os meninos. Eles já amam você.
— E eu, a eles. – E me dá um beijo no rosto e sai.
Penny vem até a mim e me abraça.
— Nossa, que mulher insuportável!
— Ninguém entende como ele está com ela até hoje. – Dou com o ombro e vou recolher os pratos e copos. Depois de tudo arrumado, antes de irmos dormir, chamo as duas no sofá e converso com elas.
— Gente, eu menti mais cedo quando disse que não tinha decidido ainda.
— Eu sabia que estava mentindo. – Afirma Penny
— E qual foi sua decisão, Emm? – Nola questiona
— Você vai para onde eu for mesmo? -  Ela acena positivamente. – Mesmo decidindo voltar? Você abriria mão dessa oportunidade?
— Abriria sim. Não conheço ninguém aqui. Não ficaria sozinha.
— Oi?!?! E a gente? Eu, Adam? O pessoal que acabou de sair daqui?
— Não somos, digamos, amigos. Conheci agora. Não seria a mesma coisa.
— Então acho que tomei a decisão certa.
— Vamos voltar?
— Não. Vou lhe fazer companhia aqui. – Elas me abraçam dando pulinhos – Não posso mais separar os meninos do pai.
— Nem você dele. – Penny completa.
— Não começa com essa história de novo, Penny.
— O quê? Vai dizer que revê-lo não acendeu a velha chama?
— Percebi os olhares entre os dois.
— Vamos dormir, que o mal de vocês é sono e amanhã começa nossa nova missão. – E fomos dormir.

***

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