sexta-feira, 3 de julho de 2020

Livro 2 - Frutos de uma Paixão - Capíttulo XI


Emily Campbell

Tenho falado com Penny e Adam praticamente todos os dias. Quando não são eles que ligam para falar principalmente com as crianças é um deles que pede para falar com os tios. Estão desenvolvendo uma relação a longa distância bastante forte.

Minha relação com Rick realmente mudou de status. Voltamos a ser apenas amigos. Segundo ele, não havia condições de continuar comigo escondendo algo tão importante quanto a paternidade de alguém. Ele não queria que fizessem como ele, por isso não seria conivente. Claro que, quando eu digo, amigos, quero dizer meros conhecidos, ainda recorro a ele quando o assunto são meus filhos, porém é a última opção.

Tudo o que tenho feito em meus momentos sozinha, quando eles estão dormindo e posso curtir minha varanda e uma taça de vinho, é refletir sobre tudo o que aconteceu comigo desde que deixei minha cidade. Saí de lá como uma jovem adulta, frágil, violada e violentada por aquele que seria o amor de sua vida. Fecha para novas experiências amorosas. Cheia de problemas psicológicos. Que ao longo dos anos, numa cidade que exige de você nada menos que fortaleza e segurança. Conquistei a confiança de professores, colegas, me realizei profissionalmente. Mesmo não querendo, encontrei um amor, que até hoje bate forte em meu peito, pari duas crianças lindas e adoráveis. Mudei para o outro lado do país e estou conquistando a Ásia.

Com certeza, não sou mais aquela Emily Campbell de Mystic City. E assim como eu mudei muito, Drew também mudou. Realmente não acredito que se hoje ele soubesse dos meninos, fosse querer ficar comigo por causa deles. Também não iria querer ficar comigo para reatar uma relação que mal havia começado. Deveria realmente rever essa minha decisão.

Hoje é sexta-feira, 15 de setembro e estou no escritório esperando uma reunião com a sede da empresa. Steph disse que precisávamos conversar urgentemente. Em Nova York é fim de tarde, lembro do por do sol da janela de meu escritório na A4+, tinha uma vista espetacular, da minha janela eu via o Bryant Park, o Empire State Building e bem ao fundo podia ver o rio East. Muitas vezes desci para almoçar no Bryant para pensar. A Central Station estava a poucas quadras do escritório. O telefone toca me tirando de minhas lembranças.

— Emily, a vídeo conferência está no ar.
— Obrigada, Nola. Pode ir almoçar.
— Ok.
— Oi, Steph. Como vão as coisas por aí?
— Emily, minha querida. Por aqui está tudo bem. Preciso de uma coisa sua. – Sua fisionomia era preocupada.
— Tudo o que estiver ao meu alcance. – Comunico
— Bem, pode ser que esteja e pode ser que não esteja ao seu alcance.
— Diga e veremos.
— Preciso de você aqui na primeira hora amanhã.
— Como assim?
— Preciso de você numa reunião aqui. Algo urgente aconteceu e sua presença é indispensável.
— Mas para estar aí às 8:00 da manhã, horário daí, tenho que sair hoje a noite.
— O jatinho da companhia está a sua disposição para isso.
— Mas tenho os meninos. Vou e volto amanhã mesmo?
— Receio que não. Teria que trazer os meninos, porque vamos precisar de você aqui por alguns dias.
— Você sabe de minha complicação em Nova York.
— Por isso, que estou receosa com essa reunião.
— Tá. Calma. Se preciso estar aí, estarei aí. Darei um jeito.
— Deixe alguém de sua confiança no comando e traga Nola. Precisará de sua mão direita aqui também.
— Ok, nos arrumaremos e amanhã de manhã nos veremos. Preciso resolver algumas coisas antes de partir. Até amanhã. – interfono para Nola. – Chegue aqui na sala, por favor.
— Estou indo. – Rapidamente Nola entra. – Diga.
— Sente-se. Aconteceu alguma coisa séria e Steph nos que amanhã no início da tarde na sede.
— Como assim, amanhã no início da tarde!? Lá já são...
— Eu sei. Precisaremos organizar tudo por aqui, para ficarmos uma semana longe. Preciso falar com Cooper, ele deve assumir minhas funções esses dias.
— Irei chamá-lo imediatamente. – Pega o telefone em minha mesa, e disca para o ramal de nosso diretor financeiro – A Srta. Campbell está precisando falar com o senhor agora na sala dela.
— Quais as pendências para essa semana. Liste para mim, vamos ver o que podemos resolver em uma hora. Passar o restante para Cooper e seguiremos para nossas casas nos arrumar. Vou verificar onde poderemos ficar nós 4, terei que levar os meninos. – 10 minutos depois, Cooper chega.
— Chamou, Emm.
— Chamei, sim, Vince. Sente-se.
— Aconteceu alguma coisa?
— Acabei de ser convocada para uma reunião de urgência na sede amanhã de manhã e parece que ficarei por lá próxima semana.
— E sabe a pauta?
— Não sei de nada. Só o que lhe informei. E que preciso deixar alguém de confiança em meu lugar nesses dias. E você sabe que confio em suas habilidades.
— Agradeço a confiança. Pode contar comigo. E qualquer coisa terei Nola para me auxiliar.
— Humm! Nola foi convocada também. – Digo meio que sem graça
— Então o negócio é sério. Mas tem suas assistentes que estão a par das rotinas.
— Sim.
— Licença. Aqui a lista do que é imprescindível que você resolva e do que o Sr. Cooper pode assumir. – Nola entrega e começamos nossa reunião de ajuste de agenda e expectativas.

No final da tarde, passo na creche e vou para casa. Ligo para Penny no caminho.

— Mana, preciso de um favor enorme seu e do Adam.
— Tudo o que precisar.
— Estou indo com minha assistente para aí agora a noite.
— E os anjos?
— Vão junto. Não tenho com quem deixar aqui.
— Oba!
— Penny, é sério. Preciso de um lugar para ficar uma semana e de uma babá de confiança para ficar com eles nos dias que irei trabalhar.
— O lugar é fácil. Nosso apartamento. Você fica no meu quarto com os meninos e Nola no seu e eu passo a semana no Adam. O complicado é a babá. Mas verei com Ash
— PENNY!! – grito
— Mana, eu sei. Invento alguma desculpa envolvendo alguém de Mystic ou da faculdade. Que horas vocês chegam amanhã?
— Devemos estar pousando entre 10:30 e 11:00, horário local.
— Estaremos lhe esperando. Em qual aeroporto?
— Acredito que no La Guardia. Mas lhe confirmo quando embarcarmos.
— Certo.
— Penny, preciso que fiquem com eles amanhã se não consegui a babá.
— Amanhã eles são meus. Contratarei a babá para a semana. Não se preocupe.
— Claro que me preocupo. São meus anjos. Até amanhã.
— Até amanhã. – Desligo o telefone.

Quando chego em casa são 4:00 da tarde. Arrumo a mala de roupa dos meninos, uma para os brinquedos, outra com os acessórios deles. “Ainda bem que é voo particular, porque senão só de excesso pagaria uma outra passagem!” Penso alto. Os meninos estão brincando no chão enquanto faço isso. Vou para meu quarto e separo dois conjuntos de terno, um com calça e outro com saia, um preto e outro marrom claro, algumas blusas para usar com eles, dois vestidos, algumas peças para ficar em casa, preparo minha necesserie com maquiagem e produtos de higiene pessoal. Coloco minha roupa para a reunião em uma bolsa de viagem menor, junto com alguns brinquedos para eles durante o voo. Não terei tempo de me arrumar quando chegar lá. Quando termino de arrumar tudo, são 6:00 e ainda preciso alimentar os meninos e arrumá-los e a mim. Ligo para uma empresa de taxi, enquanto as crianças comem. Meia hora depois, o estamos no taxi a caminho do aeroporto de Maui. O voo decola às 7:20.

Esse é o primeiro voo dos meninos, mesmo meio agitada, tiro um monte de fotos. Eles estão tão lindos. Vesti Bennie com uma calça jeans, blusa xadrez de botão, uma camiseta branca por dentro da calça, uma jaquetinha de couro preta combinando com a calça. Nos pés um sapatinho no estilo mocassim e meias brancas. Trixie também estava de calça, mas a dela era legging, azul bebê, um sapatinho tipo boneca amarelinho bem clarinho, um vestidinho na altura da coxa xadrez azul, branco e amarelo, com babados na barra e nas mangas e um casaquinho amarelinho, como toda mocinha ela carregava sua bolsinha que cruzava seu tronco na mesma estampa do vestido. No meio do voo, depois de toda agitação, eles jantam e capotam.

Antes do pouso troco minha roupa, troco a calça legging que viajei por uma calça jeans clássica, a camiseta que estava usando, coloco por dentro, por cima jogo um blazer preto, prendo o cabelo em uma trança embutida frouxa, calço um scarpin, faço uma maquiagem discreta, acrescento brincos, colares e pulseiras. Estou em meu modo gerente geral. Às 11:10 pousamos. Quando saímos da sala de desembarque, encontramos Penny e Adam nos aguardando. Abraço os dois e deixo os meninos com eles e vou ajudar Nola com a bagagem.

— Nossa! Vieram de mudança? – Adam ironiza
— Pensei em deixar os meninos com vocês para criarem. Essa bagagem toda é deles.
— Jesus!! – Penny se espanta. – Que horas é sua reunião?
— Início da tarde.
— Estão com fome? – Acenamos com a cabeça – Almoçamos, deixamos vocês duas no escritório e vamos para minha casa. – Adam faz o roteiro.
— Depois da reunião vamos pegamos o trem para o Brooklyn.

Entramos no prédio onde se localiza o escritório da Fletcher Co. A reunião era com a diretoria da sede. Não conseguia entender o que estava acontecendo para que minha presença fosse indispensável lá. Durante quase 3 horas só falamos da situação da sede e de forma geral da empresa e expectativas para ela. De quando em quando Nola olhava para mim e eu olhava para ela. Estávamos atentas a tudo, escrevendo o que achávamos importante.

— Bem, Emily, deve estar se perguntando porque exigi a presença das duas aqui nessa reunião se só falamos da sede. Nossa situação hoje é a seguinte. Meu vice-presidente administrativo resolveu se aposentar. – Gelo com a direção dessa conversa – E junto com ele, sua assistente. – Olho para Nola. – De todas as filiais, a mais produtiva é a havaiana. Por isso, as trouxe para aqui. Primeiro quis situar vocês duas das condições da empresa, para depois fazer a proposta. Eu quero vocês duas na gestão da sede a partir de terça-feira.
— Desculpa, acho que ouvi você falando que nos quer aqui, a partir de terça?! – Nola é quem fala
— Não posso mudar assim, Steph, de repente! – Digo – Temos uma vida inteira lá. Mudança. Tem meus filhos... Tem ... – perco a fala.
— Não estou dizendo que se não estiverem dispostas a assumir esses cargos aqui, perderão o emprego de vocês. Estejam livres para recusar. Mas é uma grande oportunidade para vocês, serão minhas número 2 e 3.
— Preciso pensar. – Informo – Analisar os riscos.
— Vou ser sincera com você, Steph. Minha resposta vai depender dela. Se ela ficar, eu fico. Tenho vontade de conhecer a vida no continente. Mas se ela voltar, volto com ela.
— Que massa, d. Nola! Tenho que decidir por nós 4?!
— De qualquer forma, vou precisar de vocês essa semana para tapar o buraco deixado por Robert.
— Ele já saiu?
— Ontem, na hora do almoço. – Ela informa com cara de decepção. – Não me deixou alternativa do que mexer peões.
— Quem ficaria em meu lugar em Maui?
— Quem você indicasse. Alguém que já esteja a par dos negócios de lá. Temos especificidades que só quem está por dentro poderia manter a filial nos eixos.
— Até terça lhe dou a resposta, pode ser. – E damos por encerrada a reunião.

Decido ir de taxi para o Brooklyn para dar a oportunidade de Nola ver um pouco mais da cidade. Não vamos conversando muito. Está de volta à cidade está mexendo comigo. Eu estou sentindo um turbilhão de emoções. E agora a possibilidade de voltar para esse lugar.

No caminho, ligo para Penny dizendo que estamos chegando em casa. E eles se dirigem para nosso apartamento. Ao entrar fico surpresa ao perceber ela havia preparado os quartos, principalmente, o dela para receber os meninos.

— E aí? Como foi a reunião? Qual foi a urgência? – Penny entra intempestiva. – Você vai ser transferida para cá? 
— Como você... – Nola se admira
— Ela nada, Nola. É a vontade dela. Que nós três venhamos morar aqui. – Explico. – Na verdade, para ser sincera, preferia não comentar sobre a reunião até tomar uma decisão por mim. Mas sim, tem a ver com mudança. Você se satisfaz com essa informação, até terça-feira?
— É pouco, mas como é por pouco tempo, aceito. – Abraço-a com todo carinho do meu coração. – Amei o que fez no seu quarto. Muito obrigada mesmo.
— Meus sobrinhos não podiam dormir com você na mesma cama.
— O que vamos fazer amanhã? – Adam pergunta
— Vocês não tinham programação? – Questiono
— Desmarcamos.
— Não. Remarquem. Eu fico com Nola e os meninos. De boa.
— Já disse, que desmarcamos. Vamos fazer o quê?
— Não sei. Pensei em passearmos pelo zoológico do Brooklyn, Parque da Ponte do Brooklyn, no Prospect Park, talvez em Coney Island. Ficar por aqui mesmo.
— Combinado. Amanhã cedo estaremos aqui. Vamos jantar?

E assim é meu primeiro dia de volta a Nova York. Agora preciso decidir se é para sempre ou por uma semana.

***

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