Emily
Campbell
Tenho falado com Penny e Adam praticamente todos os dias.
Quando não são eles que ligam para falar principalmente com as crianças é um
deles que pede para falar com os tios. Estão desenvolvendo uma relação a longa distância
bastante forte.
Minha relação com Rick realmente mudou de status. Voltamos
a ser apenas amigos. Segundo ele, não havia condições de continuar comigo
escondendo algo tão importante quanto a paternidade de alguém. Ele não queria
que fizessem como ele, por isso não seria conivente. Claro que, quando eu digo,
amigos, quero dizer meros conhecidos, ainda recorro a ele quando o assunto são
meus filhos, porém é a última opção.
Tudo o que tenho feito em meus momentos sozinha, quando
eles estão dormindo e posso curtir minha varanda e uma taça de vinho, é
refletir sobre tudo o que aconteceu comigo desde que deixei minha cidade. Saí
de lá como uma jovem adulta, frágil, violada e violentada por aquele que seria
o amor de sua vida. Fecha para novas experiências amorosas. Cheia de problemas
psicológicos. Que ao longo dos anos, numa cidade que exige de você nada menos
que fortaleza e segurança. Conquistei a confiança de professores, colegas, me
realizei profissionalmente. Mesmo não querendo, encontrei um amor, que até hoje
bate forte em meu peito, pari duas crianças lindas e adoráveis. Mudei para o
outro lado do país e estou conquistando a Ásia.
Com certeza, não sou mais aquela Emily Campbell de Mystic
City. E assim como eu mudei muito, Drew também mudou. Realmente não acredito
que se hoje ele soubesse dos meninos, fosse querer ficar comigo por causa
deles. Também não iria querer ficar comigo para reatar uma relação que mal
havia começado. Deveria realmente rever essa minha decisão.
Hoje é sexta-feira, 15 de setembro e estou no escritório
esperando uma reunião com a sede da empresa. Steph disse que precisávamos
conversar urgentemente. Em Nova York é fim de tarde, lembro do por do sol da
janela de meu escritório na A4+, tinha uma vista espetacular, da minha janela
eu via o Bryant Park, o Empire State Building e bem ao fundo podia ver o rio
East. Muitas vezes desci para almoçar no Bryant para pensar. A Central Station
estava a poucas quadras do escritório. O telefone toca me tirando de minhas
lembranças.
— Emily, a vídeo conferência está no ar.
— Obrigada, Nola. Pode ir almoçar.
— Ok.
— Oi, Steph. Como vão as coisas por aí?
— Emily, minha querida. Por aqui está tudo bem. Preciso de
uma coisa sua. – Sua fisionomia era preocupada.
— Tudo o que estiver ao meu alcance. – Comunico
— Bem, pode ser que esteja e pode ser que não esteja ao seu
alcance.
— Diga e veremos.
— Preciso de você aqui na primeira hora amanhã.
— Como assim?
— Preciso de você numa reunião aqui. Algo urgente aconteceu
e sua presença é indispensável.
— Mas para estar aí às 8:00 da manhã, horário daí, tenho
que sair hoje a noite.
— O jatinho da companhia está a sua disposição para isso.
— Mas tenho os meninos. Vou e volto amanhã mesmo?
— Receio que não. Teria que trazer os meninos, porque vamos
precisar de você aqui por alguns dias.
— Você sabe de minha complicação em Nova York.
— Por isso, que estou receosa com essa reunião.
— Tá. Calma. Se preciso estar aí, estarei aí. Darei um
jeito.
— Deixe alguém de sua confiança no comando e traga Nola.
Precisará de sua mão direita aqui também.
— Ok, nos arrumaremos e amanhã de manhã nos veremos.
Preciso resolver algumas coisas antes de partir. Até amanhã. – interfono para
Nola. – Chegue aqui na sala, por favor.
— Estou indo. – Rapidamente Nola entra. – Diga.
— Sente-se. Aconteceu alguma coisa séria e Steph nos que
amanhã no início da tarde na sede.
— Como assim, amanhã no início da tarde!? Lá já são...
— Eu sei. Precisaremos organizar tudo por aqui, para
ficarmos uma semana longe. Preciso falar com Cooper, ele deve assumir minhas
funções esses dias.
— Irei chamá-lo imediatamente. – Pega o telefone em minha
mesa, e disca para o ramal de nosso diretor financeiro – A Srta. Campbell está
precisando falar com o senhor agora na sala dela.
— Quais as pendências para essa semana. Liste para mim,
vamos ver o que podemos resolver em uma hora. Passar o restante para Cooper e
seguiremos para nossas casas nos arrumar. Vou verificar onde poderemos ficar
nós 4, terei que levar os meninos. – 10 minutos depois, Cooper chega.
— Chamou, Emm.
— Chamei, sim, Vince. Sente-se.
— Aconteceu alguma coisa?
— Acabei de ser convocada para uma reunião de urgência na
sede amanhã de manhã e parece que ficarei por lá próxima semana.
— E sabe a pauta?
— Não sei de nada. Só o que lhe informei. E que preciso
deixar alguém de confiança em meu lugar nesses dias. E você sabe que confio em
suas habilidades.
— Agradeço a confiança. Pode contar comigo. E qualquer
coisa terei Nola para me auxiliar.
— Humm! Nola foi convocada também. – Digo meio que sem
graça
— Então o negócio é sério. Mas tem suas assistentes que
estão a par das rotinas.
— Sim.
— Licença. Aqui a lista do que é imprescindível que você
resolva e do que o Sr. Cooper pode assumir. – Nola entrega e começamos nossa
reunião de ajuste de agenda e expectativas.
No final da tarde, passo na creche e vou para casa. Ligo
para Penny no caminho.
— Mana, preciso de um favor enorme seu e do Adam.
— Tudo o que precisar.
— Estou indo com minha assistente para aí agora a noite.
— E os anjos?
— Vão junto. Não tenho com quem deixar aqui.
— Oba!
— Penny, é sério. Preciso de um lugar para ficar uma semana
e de uma babá de confiança para ficar com eles nos dias que irei trabalhar.
— O lugar é fácil. Nosso apartamento. Você fica no meu
quarto com os meninos e Nola no seu e eu passo a semana no Adam. O complicado é
a babá. Mas verei com Ash
— PENNY!! – grito
— Mana, eu sei. Invento alguma desculpa envolvendo alguém
de Mystic ou da faculdade. Que horas vocês chegam amanhã?
— Devemos estar pousando entre 10:30 e 11:00, horário
local.
— Estaremos lhe esperando. Em qual aeroporto?
— Acredito que no La Guardia. Mas lhe confirmo quando
embarcarmos.
— Certo.
— Penny, preciso que fiquem com eles amanhã se não consegui
a babá.
— Amanhã eles são meus. Contratarei a babá para a semana.
Não se preocupe.
— Claro que me preocupo. São meus anjos. Até amanhã.
— Até amanhã. – Desligo o telefone.
Quando chego em casa são 4:00 da tarde. Arrumo a mala de
roupa dos meninos, uma para os brinquedos, outra com os acessórios deles. “Ainda
bem que é voo particular, porque senão só de excesso pagaria uma outra
passagem!” Penso alto. Os meninos estão brincando no chão enquanto faço
isso. Vou para meu quarto e separo dois conjuntos de terno, um com calça e
outro com saia, um preto e outro marrom claro, algumas blusas para usar com
eles, dois vestidos, algumas peças para ficar em casa, preparo minha necesserie
com maquiagem e produtos de higiene pessoal. Coloco minha roupa para a reunião
em uma bolsa de viagem menor, junto com alguns brinquedos para eles durante o
voo. Não terei tempo de me arrumar quando chegar lá. Quando termino de arrumar
tudo, são 6:00 e ainda preciso alimentar os meninos e arrumá-los e a mim. Ligo
para uma empresa de taxi, enquanto as crianças comem. Meia hora depois, o
estamos no taxi a caminho do aeroporto de Maui. O voo decola às 7:20.
Esse é o primeiro voo dos meninos, mesmo meio agitada, tiro
um monte de fotos. Eles estão tão lindos. Vesti Bennie com uma calça jeans,
blusa xadrez de botão, uma camiseta branca por dentro da calça, uma jaquetinha
de couro preta combinando com a calça. Nos pés um sapatinho no estilo mocassim
e meias brancas. Trixie também estava de calça, mas a dela era legging, azul bebê,
um sapatinho tipo boneca amarelinho bem clarinho, um vestidinho na altura da
coxa xadrez azul, branco e amarelo, com babados na barra e nas mangas e um
casaquinho amarelinho, como toda mocinha ela carregava sua bolsinha que cruzava
seu tronco na mesma estampa do vestido. No meio do voo, depois de toda
agitação, eles jantam e capotam.
Antes do pouso troco minha roupa, troco a calça legging que
viajei por uma calça jeans clássica, a camiseta que estava usando, coloco por
dentro, por cima jogo um blazer preto, prendo o cabelo em uma trança embutida
frouxa, calço um scarpin, faço uma maquiagem discreta, acrescento brincos,
colares e pulseiras. Estou em meu modo gerente geral. Às 11:10 pousamos. Quando
saímos da sala de desembarque, encontramos Penny e Adam nos aguardando. Abraço
os dois e deixo os meninos com eles e vou ajudar Nola com a bagagem.
— Nossa! Vieram de mudança? – Adam ironiza
— Pensei em deixar os meninos com vocês para criarem. Essa
bagagem toda é deles.
— Jesus!! – Penny se espanta. – Que horas é sua reunião?
— Início da tarde.
— Estão com fome? – Acenamos com a cabeça – Almoçamos,
deixamos vocês duas no escritório e vamos para minha casa. – Adam faz o
roteiro.
— Depois da reunião vamos pegamos o trem para o Brooklyn.
Entramos no prédio onde se localiza o escritório da
Fletcher Co. A reunião era com a diretoria da sede. Não conseguia entender o
que estava acontecendo para que minha presença fosse indispensável lá. Durante
quase 3 horas só falamos da situação da sede e de forma geral da empresa e
expectativas para ela. De quando em quando Nola olhava para mim e eu olhava
para ela. Estávamos atentas a tudo, escrevendo o que achávamos importante.
— Bem, Emily, deve estar se perguntando porque exigi a
presença das duas aqui nessa reunião se só falamos da sede. Nossa situação hoje
é a seguinte. Meu vice-presidente administrativo resolveu se aposentar. – Gelo
com a direção dessa conversa – E junto com ele, sua assistente. – Olho para
Nola. – De todas as filiais, a mais produtiva é a havaiana. Por isso, as trouxe
para aqui. Primeiro quis situar vocês duas das condições da empresa, para
depois fazer a proposta. Eu quero vocês duas na gestão da sede a partir de terça-feira.
— Desculpa, acho que ouvi você falando que nos quer aqui, a
partir de terça?! – Nola é quem fala
— Não posso mudar assim, Steph, de repente! – Digo – Temos
uma vida inteira lá. Mudança. Tem meus filhos... Tem ... – perco a fala.
— Não estou dizendo que se não estiverem dispostas a
assumir esses cargos aqui, perderão o emprego de vocês. Estejam livres para
recusar. Mas é uma grande oportunidade para vocês, serão minhas número 2 e 3.
— Preciso pensar. – Informo – Analisar os riscos.
— Vou ser sincera com você, Steph. Minha resposta vai
depender dela. Se ela ficar, eu fico. Tenho vontade de conhecer a vida no
continente. Mas se ela voltar, volto com ela.
— Que massa, d. Nola! Tenho que decidir por nós 4?!
— De qualquer forma, vou precisar de vocês essa semana para
tapar o buraco deixado por Robert.
— Ele já saiu?
— Ontem, na hora do almoço. – Ela informa com cara de
decepção. – Não me deixou alternativa do que mexer peões.
— Quem ficaria em meu lugar em Maui?
— Quem você indicasse. Alguém que já esteja a par dos
negócios de lá. Temos especificidades que só quem está por dentro poderia
manter a filial nos eixos.
— Até terça lhe dou a resposta, pode ser. – E damos por
encerrada a reunião.
Decido ir de taxi para o Brooklyn para dar a oportunidade
de Nola ver um pouco mais da cidade. Não vamos conversando muito. Está de volta
à cidade está mexendo comigo. Eu estou sentindo um turbilhão de emoções. E
agora a possibilidade de voltar para esse lugar.
No caminho, ligo para Penny dizendo que estamos chegando em
casa. E eles se dirigem para nosso apartamento. Ao entrar fico surpresa ao
perceber ela havia preparado os quartos, principalmente, o dela para receber os
meninos.
— E aí? Como foi a reunião? Qual foi a urgência? – Penny
entra intempestiva. – Você vai ser transferida para cá?
— Como você... – Nola se admira
— Ela nada, Nola. É a vontade dela. Que nós três venhamos
morar aqui. – Explico. – Na verdade, para ser sincera, preferia não comentar
sobre a reunião até tomar uma decisão por mim. Mas sim, tem a ver com mudança.
Você se satisfaz com essa informação, até terça-feira?
— É pouco, mas como é por pouco tempo, aceito. – Abraço-a
com todo carinho do meu coração. – Amei o que fez no seu quarto. Muito obrigada
mesmo.
— Meus sobrinhos não podiam dormir com você na mesma cama.
— O que vamos fazer amanhã? – Adam pergunta
— Vocês não tinham programação? – Questiono
— Desmarcamos.
— Não. Remarquem. Eu fico com Nola e os meninos. De boa.
— Já disse, que desmarcamos. Vamos fazer o quê?
— Não sei. Pensei em passearmos pelo zoológico do Brooklyn,
Parque da Ponte do Brooklyn, no Prospect Park, talvez em Coney Island. Ficar
por aqui mesmo.
— Combinado. Amanhã cedo estaremos aqui. Vamos jantar?
E assim é meu primeiro dia de volta a Nova York. Agora
preciso decidir se é para sempre ou por uma semana.
***
Nenhum comentário:
Postar um comentário