Olá, sou Emily. Nasci na pequena cidade de Mystic City, no
Estado de Massachusetts. Muito cedo perdi meus pais em um trágico acidente de
barco nos arredores de minha cidade. O rio Mystic é um dos grandes atrativos
turísticos de lá, por isso meus pais abriram junto com um casal de amigos uma
agência de ecoturismo. De vez em quando fazíamos passeios em família,
principalmente numa data especial.
Era o 15º aniversário de casamento deles. Eu tinha 9 anos.
Lembro como ontem, pediram que minha vó, mãe de minha mãe, ficasse comigo
naquele dia, meu pai tinha planejado uma comemoração muito romântica e não
tinha lugar para crianças, ele falou piscando o olho para ela. Eu entendi. Era
um momento deles. Fora que amava ficar com minha vó, sempre me ensinava uma
receita nova. Quando era mais nova, ela trabalhou com um grande chef de cozinha
em Nova York. Sempre me contava história daquele tempo quando estávamos
cozinhando.
Estávamos na cozinha, preparando um lanche para comermos
enquanto assistíamos a um filme. Amamos comer e assistir filmes juntas. Os
melhores são os de terror. Sim, minha amada vó, ama filme de terror. Bem,
estamos fazendo uns sanduiches e suco, cantando, dançando e rindo, eu estava
chorando de ri das doideiras de minha vó, quando tocaram a campainha. Ela foi
atender e disse para eu continuar com os sanduiches. Quando ouço um grito vindo
da porta da rua, corro para ver o que tinha acontecido e encontro minha vó
sendo amparada por Ed, o xerife da cidade. Pode ver o desespero em seus olhos,
ela chorava e gritava. Quando me viu parada entre o hall de entrada e a sala de
visita, parece que o mundo congelou. O pavor, desespero, angústia deram lugar a
uma tristeza, uma certa dúvida.
Ela se desvencilha dos braços de Ed, se ajoelha e abre os
braços para que eu a abraçasse. Tive um pressentimento horrível naquela hora.
Algo de muito ruim havia acontecido. E era com meus pais.
— Minha florzinha!! – ela me abraça e sussurra em meio às
lágrimas.
— Vó, o que houve? – pergunto quase sem querer a resposta.
No fundo, pela dor que ela sentia e a presença do xerife, eu já sabia o que
podia ser.
— Venha, vamos nos sentar no sofá. Obrigada, Xerife, agora é
comigo. Depois ligo para você.
— Vó, o que aconteceu? Meus pais estão bem? – indaguei como
quem dissesse pode dizer estou preparada. Embora só tenha 9 anos, sou mais
madura que minhas amigas da mesma idade que eu.
— Houve um acidente no rio. – Um gemido escapa de minha boca
– O barco que seus pais estava naufragou, estão fazendo as buscas por
sobreviventes.
Foram dias na espera de notícias. Minha tia July, irmã de
meu pai, veio ajudar minha vó comigo. Ela ia todos os dias onde estavam sendo
realizadas as buscas. Nunca acharam os corpos deles. Até hoje, 10 anos depois,
a vovó ainda tem esperança deles aparecerem. Nunca deixei de esperar, mas
deixei de alimentar essa esperança.
Agora serei eu a partir. Estou no Aeroporto de Boston esperando por aquele
voo que irá me levar para uma nova vida, um novo sonho e quem sabe um novo
amor...
Parabéns!
ResponderExcluirObrigada. Dentro de instantes lanço a chegada de Emily na cidade que nunca dorme.
ExcluirAnsiosa pelo próximo capítulo!!
ResponderExcluirJá está no ar. Por favor, se identifiquem
ExcluirParabéns! Empolgada!
ResponderExcluirMuito obrigada!
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