segunda-feira, 8 de junho de 2020

Livro 1: Calma Paixão - Capitulo XV


Um mês após de nossa chegada a Nova York, Nana recebe liberação médica para retomar suas atividades normais, então decide voltar para Mystic City, apesar de amar Nova York, mas depois de tanto tempo vivendo na calmaria de lá, não se acostumava mais com o agito da cidade que nunca dorme. Logo que chegamos, conversei com Penny e vi a possibilidade de ficar com Adam. Quando o corretor, amigo de Drew, ligou, eu dispensei seus serviços, pois iriamos ficar em nosso apartamento mesmo. Mas Nana decidiu que não precisava ninguém sair de casa, ficaria comigo no meu quarto. Para ela não ficar só, conseguimos trabalhar meio período de casa.

Agora, retomei a rotina. Trabalho o dia inteiro no escritório. Os únicos dias que posso respirar sossegada, sem sofrer, são as terças e quintas. Pois são os dias que não o vejo. Os demais dias, cada vez que ergo minha cabeça, e olho pelas paredes de vidro de meu escritório, eu o vejo. E isso me machuca muito. Mal trocamos uma palavra em nossas reuniões, muito mal ouço um cumprimento quando ele cruza por mim. Tenho evitado sair com o grupo. Viver assim está sendo muito doloroso. Mas vou levando. Assumi de longe a administração da agência. E tenho pensado na possibilidade de retorno à Mystic City.

Os dias vão passando lentamente, minha vida passou a ser do escritório para casa, de casa para o escritório. Fiquei sabendo por Penny que Drew está com alguém. Fico feliz por ele ter conseguido uma pessoa que o respeite e o veja como ele é. O que não fui capaz de fazer. Existem marcas que por mais que tentemos, não conseguimos apagar. Cicatrizes que não tem tatuagem que esconda. E eu estou cheia delas.

Hoje é aniversário de Adam, ele me disse que não aceitará desculpas, me quer em sua festa. Eu sei que Drew estará lá e levará a namorada. A noite chega, eu e Penny estamos nos arrumando. Separei minha roupa, um vestido justo simples, o modelo lembra muito os que uso para trabalho, e um sapato que combine. Vou tomar meu banho. Quando saio, encontro Penny na porta do quarto com o vestido nas mãos.

— Que porra é essa?!? Tá maluca?!?
— É o vestido que usarei. O que é que tem?
— Não vai usar isso, nem por cima do meu cadáver. – E joga o vestido amassado na cama.
— Porra, Penny! Amassou ele todo. Vou ter que passar.
— Mas não vai mesmo. Deixa eu ver uma coisa aqui no seu guarda-roupa. – Ela revira, revira e se vira para mim – Perfeitos! – E mostra um vestido longo preto com decote em V até quase o umbigo na frente, com manga rendada que vai até pouco abaixo do cotovelo e deixa as costas nuas num decote quadrado. Esse vestido valoriza muito meu corpo. Para calçar, uma sandália de tiras douradas, que me deixa com quase um e oitenta de altura. Me pergunto por que aquela sandália. Não que não combinasse, muito pelo contrário. Mas tenho outras mais baixas que combinam mais. – Agora as jóias. Anda veste logo, não posso me atrasar. Aqui. Vejamos o cabelo – E assim ela me produz toda.
— Penny, para que isso tudo. Só vou ficar, no máximo, uma hora. Para que me arrumar toda?
— Porque você é linda e tem que ser vista linda. E já que é sua despedida...
— Você não falou com ninguém, né? – Acena negativamente – Ótimo.
— Só não entendo, mas você é quem sabe.

Quando chegamos na casa de Adam, já havia muita gente. Os familiares dele. O pessoal do escritório. Passo o olho pela sala, em um reconhecimento panorâmico, lá estão Adam, Artie, Ash, uma mulher que não conheço e ele, mais lindo do que nunca, todo de preto, parece que combinamos, calça e blazer sob medida, pois tinham o caimento perfeito. Nossos olhos se encontraram, como não mais havia acontecido. A mulher fala alguma coisa, mas ele não responde, sua atenção está em mim. Penny me cutuca, saio do transe. Caminho até onde eles estão. Penny vai falar com os pais de Adam.

— Boa noite! – Faço um cumprimento geral – Adam, meu amigo, promessa é dívida e está paga. Feliz aniversário. – E dou-lhe um abraço bem apertado.
— Que bom que veio. Não seria a mesma coisa sem você aqui.
— Não faria falta. – Digo me afastando dele
— Não diga besteiras – Ash vem me abraçar. – Sabe muito bem que você faz falta, as três mosqueteiras não existem sem você.
— Vida, você sabe que são Os três mosqueteiros. – Artie me abraça.
— Os três mosqueteiros estão sempre completos. – Ela rebate – Nós é que sofremos o desfalque.
— Drew! – Direciono meu olhar para ele, buscando uma calma que não existe em meu corpo.
— Emm, como vai? – Ele me cumprimenta sem sair do lugar, mas sem tirar o olho de mim. Sinto a acompanhante dele me fuzilar com os olhos.
—Oi, sou Tiffany, a namorada de Drew. E você, é?
— Essa é Emily, nossa amiga e gerente geral da empresa. – Ele me apresenta.
—E não esqueça – Ashley começa a falar e eu gelo. – nossa salvadora. Graças a ela, nós retomamos o crescimento. – Respiro aliviada.

Um mal estar me atinge boa parte da noite, uma vontade de sair dali. Falta de ar. Não me sinto bem realmente. Decido ir até a varanda tomar um pouco de ar, apesar da temperatura está bastante baixa. O inverno se aproxima

— Você está muito bonita hoje.
— Ui! Que susto! Você precisa parar com isso. Muito obrigada.
— Mas essa roupa não é a ideal para ficar nesse frio.
— Já estou entrando.
— Por que eu cheguei?
— Não. Porque estou com frio e já deu minha hora.
— Já, Cinderela?
— Já. Boa noite, Drew. – E vou embora.

Na segunda-feira seguinte, executo minha rotina costumeira, reunião com as equipes, alguns telefonemas, avalio alguns projetos. Logo que cheguei pedi para que Gab mandasse uma mensagem para os sócios solicitando uma reunião de urgência, e as cinco horas, Gab me avisa que está na hora. Pego minhas coisas e, em especial, um envelope e me dirijo à sala de reuniões 1.

— Por que pediu essa reunião com a gente? – Artie não espera que eu entre.
— Aconteceu alguma coisa? Algo de errado com o projeto do Condomínio? – Ashley questiona
— Onde estão Adam e Andrew?
— Andrew?!? – Os dois se olham ao mesmo tempo que perguntam. – Já estão subindo, estão vindo do condomínio. – Artie avisa
— Ótimo. Vamos esperá-los então. – Minutos depois eles entram.
— Desculpem nosso atraso, mas o trânsito está infernal. – Desculpa-se Drew
— Alguém pode me dizer o que está acontecendo? Tivemos que largar tudo às pressas – Explica Adam
— Ainda não. Então, Emm, o que tem de errado com o projeto do condomínio?
— Ei! Não tem nada de errado com ele. – Adverte Drew
— Então o que é?!?
— Se vocês me permitirem. – Eles consentem. – Passei o dia tentando elaborar como dizer isso, mas não tem jeito, é preciso ser direta e arrancar de vez o curativo.
— Emily, você está nos assustando – fala Ashley
— Desculpa, não é minha intenção. Fiquem sabendo que isso foi muito bem pensado e não foi do dia para a noite. Mas está é nossa última reunião. – Os cinco na sala, incluindo Gab, se olham sem entender o que eu estava dizendo. – Esta – e empurro o envelope que segurava em minhas mãos – é minha carta de demissão. E essa decisão não está aberta à discussão.
— Penny sabia disso? – Adam me questiona, aceno com a cabeça – Por isso ela tem agido estranho quando falamos de você.
— Pedi para que não contasse.
— Podemos, ao menos, saber os motivos? – Artie indaga
— Certa vez, quando contei parte de minha história a alguém – E essa é a primeira vez que Drew olha para mim e eu para ele. – me perguntaram por que eu aceitei trabalhar na empresa de terceiros quando tinha a minha própria empresa. Pois já é hora de eu assumir minha herança. Irei administrar a minha empresa. Afinal, estudei administração por causa dela. Quero muito agradecer a todos a oportunidade, o carinho e tudo mais. Foi um grande aprendizado. Estou aqui para o que precisarem, é só chamar.
— Mas quem irá ficar em seu lugar? Vamos precisar contratar alguém. – Se pergunta Adam.
— Drew, droga! Fala alguma coisa! – Esbraveja Artie – Afinal a culpa é sua.
— A culpa é minha?!?! Como!?!?
— Ninguém tem culpa de nada. Ou seria minha culpa. Não vem ao caso. Respondendo a sua pergunta, Adam, eu indico Gabriel. Ele, embora ainda não tenha se formado, conhece muito bem do serviço, das rotinas, está mais que capacitado para ocupar meu lugar. Mas essa é uma decisão de vocês. Agora preciso ir. Torço muito pela empresa. Adeus.

Pego levanto-me e saio da sala de reuniões. Vou até meu escritório, não, meu antigo escritório coloco meus pertences numa caixa. E saio. Em casa, Penny me aguarda, abre seus braços e eu a abraço e choramos juntas, como fizemos várias vezes em nossas vidas.

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