terça-feira, 30 de junho de 2020

Livro 2 - Frutos de uma paixão - Capítulo VIII



Penny Davis

Quando Adam me disse que Drew queria que fossemos à casa dele, a princípio odiei a ideia. Sabia que aquela outra iria estar lá, disse logo que não e que ele inventasse uma desculpa. Mas pela cara dele, ele queria ir, e disse que ela não iria, embora soubesse que correria o risco de ela aparecer, concordei em irmos.

Às sete horas estávamos estacionando próximo ao apartamento dele. Um duplex na cobertura no Upper Side, ao entrar vemos uma ampla sala de visita, com um grande sofá em L, de frente para uma lareira, que servia como ponto de destaque, a parede em que se encontra é revestida de piso brilhante preto, contrastando com as paredes brancas. A parede que dá para a fachada do prédio era de janela do chão ao teto, com o pé direito bem alto. À esquerda de quem entrava estava a sala de jantar sendo seguida por uma cozinha moderna em conceito aberto. Do lado direito, onde fica a lareira, tinha um corredor que dava acesso à sala da família, que ele fizera uma espécie de sala de TV e jogos, do outro lado um banheiro, ao seu lado o escritório dele, ao fundo ele montou uma academia. Nunca fui ao segundo andar, mas Adam disse que além do quarto dele, que fica acima da sala de jantar e da cozinha, tem mais três quartos. Do lado de fora ainda tem uma área aberta com piscina, churrasqueira e algumas mesas.

Drew abre a porta e entramos, Artie e Ash já estavam lá, sentados no sofá. Entregamos as cervejas e nos sentamos no sofá. Existe uma certa expectativa, ou seria ansiedade, no ar. Acredito que todos estávamos esperando que ela aparecesse, saindo de algum lugar.

— Vamos escolher os sabores? – Ele pergunta todo animado – Que caras são essas?
— Sou eu quem fala mesmo, então vai. – Fui anunciando – Onde ela está?
— Ela?! – Drew questiona balançando as mãos de um lado para outro.
— Você sabe. Rebbeca. Onde ela está?
— Espero que em casa. Ou em algum outro lugar que não seja aqui. Eu disse só queria me reunir com vocês, para uma boa conversa fiada. – Ele responde
— Então ela não vem? – Ash pergunta aliviada. – Graças a Deus!
— Ashley! – Artie a repreende.
— Relaxa, mano! Sei que nenhum de vocês gosta dela, assim como ela não gosta de vocês. E sinceramente, estou começando a me questionar.
— Antes tarde do que nunca, cara! – Adam dá um tapa nas costas dele.
— Sabores... – Ash fala. Escolhemos os sabores, cada um escolheu um. Pelo visto a noite seria longa.

Começamos a noite na sala mesmo, falamos sobre futebol, música, shows que estariam acontecendo na cidade, planos para o 4 de julho. Ash contou as últimas dos gêmeos. Eles acharam umas fotos da gente em Mystic City, e disseram o nome de todos, mas o de Emily, Angie apontou e disse “Titi” e abraçou. Nem Ash nem Artie haviam mostrado essas fotos para eles. Eles ficaram surpresos com a reação dela. Assim como nós. Pude perceber a alteração na fisionomia de Drew. Nesse momento, tocam a campainha.

— As pizzas chegaram! – Ele diz aliviado, pois percebeu que eu iria falar algo.
— Estranho! Não interfonaram da portaria?! – Adam constatou. Drew se levanta e abri a porta. Para espanto de todos, o entregador... Melhor, a entregadora era conhecida.
— Por isso, não interfonaram. – Ash falou baixo
— Boa noite! – Ela disse entregando as cinco pizzas a Drew. – Ora, ora, ora! Uma reunião entre amigos e eu não fui chamada! Estou decepcionada, querido!
— Como você disse: reunião entre amigos – Respondi, reforçando esse “amigos”, e Adam me puxava o braço.
— Penny, por favor.
— O que você está fazendo aqui? – Drew perguntou de forma seca
— Queria lhe fazer uma surpresa. Mas acho que eu é quem foi surpreendida. – Meu telefone toca. Vejo quem é e mostro a Adam. Saímos da sala para a varanda.

***

Drew Davis

— Pois é. Eu lhe disse que queria ficar só hoje.
— Mas você não está só, querido! – ela fala enquanto caminha para o sofá
— Você tem razão. Mudei de ideia. E chamei meus amigos para ficarem comigo.
— E eu não sou sua amiga?
— E você tem amigos? – Ash perguntou
— Ashley, não se mete. – Artie advertiu
— Não sou eu quem está se metendo.
— Tenho, querida – soou mais falso que nota de três dólares. – Acho que tenho mais do que você.
— E por que não aproveita a noite dos amigos, e vai ficar com eles? Pelo visto, eles lhe suportam. – Ashley continua enfrentando Becca.
— Você vai permitir que ela fale assim comigo?
— Vem cá. – E a levo para a cozinha. – Escuta. Só queria ter uma noite com eles, certo? Fazia muito tempo que não nos reuníamos. Você não gosta deles e vice-versa. Será que poderia entender isso e ir embora?
— Você quer que eu vá embora?
— Preferia que vocês se dessem bem, mas não posso ter tudo. Hoje quero muito ficar com eles. É difícil de você entender? – Procuro minha voz mais doce, embora estivesse fervendo de raiva por ela ter aparecido sem ser convidada.
— Mas a culpa não é minha, meu amor! Essa tal de Penny que fez minha caveira pro Adam e para sua cunhada, que fez a de seu irmão. Ela colocou todos contra mim. – Fala com uma voz melosa, mexendo nos botões de minha camisa.
— É, Penny é realmente uma pessoa difícil. – Concordo com ela para ver se ela vai embora. – Mas Adam é como um irmão para mim. E ele a ama. – Toco seus lábios com os meus – E gosto de estar com ele.
— Só vou se prometer ficarmos juntos amanhã. – Continua com a voz melosa.
— Passo em sua casa no final da tarde. Preciso revisar um projeto para uma reunião na segunda logo cedo – Informo logo antes dela reclamar. Falou em trabalho, ela fica quieta.
— Então estamos combinados. – E se dirige até a porta. – Tchau Ash e Artie, manda beijos para seus filhotes e diz para os dois lá fora que deixei um abraço bem apertado no Adam. – Ela se despede provocando.

***

Penny Davis

Quando atravessamos a porta, atendo a chamada de vídeo dela.

— Emm?! Aconteceu alguma coisa?
— Não posso ter saudades de minha amiga?
— E ainda somos?
— Penny, o que é isso? – Adam reclama
— Oi, Adam. Saudades suas também! Deixa para lá, eu mereço. Espero que ainda sejamos.
— O que houve? Esteve chorando. – Percebo em seu rosto.
— Arrependimento.
— De...?
— Tanta coisa, mana! Mas o mais importante é o de ter me afastado de vocês dois.
— E por que fez isso? – Adam perguntou. – Não entendi essa sua reação.
— Os motivos mais óbvios foram a distância e o trabalho. Mas teve outro ainda mais importante.
— E não vai nos dizer qual é, né? – Pergunto
— Preciso e tenho que dizer. Mas não quero que seja por telefone.
— Está pensando em vim para cá?
— Na verdade, estava pensando em vocês virem para Maui.
— Nós?! No Havaí? – Minha voz oscila entre alegria e surpresa.
— Sim. No feriado. Pago a passagem dos dois. E ficam aqui em casa.
— Mama! Mama! – Ouço uma voz de bebê.
— O que foi isso?
— Ah! Isso... – ela está escondendo algo, a expressão dela a denuncia – foi a TV. Então vocês virão?
— Não sei. Precisamos ver com o trabalho.
— Venham. Tirem férias. 10 dias no Havaí, com tudo pago. Passagem, hospedagem com a melhor vista de Maui, passeios. Tudo incluído. Mas por favor, Adam, por favor mesmo, não contem para os outros.
— Por quê? – Adam pergunta
— Quando vierem para cá entenderão.
— Quanto suspense! – Adam diz
— Te ligamos para dar a resposta. Escuta. Estamos no Drew, quer falar com o pessoal?
— Quem tá aí? – Ela sai de onde está e vai a uma espécie de varanda.
— Além de nós dois, Artie e Ash, e o dono do apartamento. – Diz Adam
— E a mocreia da namorada dele.
— Mana, estou com uma ligeira impressão de que você não gosta dela.
— Ninguém gosta. – Respondo.
— Quero falar com Artie e Ash. Deixa Drew com a namorada.
— Pelo visto ela já foi. – Diz Adam que espiou pelo vidro. E entramos.
— Pessoal, nossa turma está completa. – Digo enquanto viro o telefone.
— Oi, pessoal! Que bom ver todos! – Ela os cumprimenta.
— Amiga, quanta saudades! Quando você vem aqui?
— Não sei mesmo. Parece que terei uma reunião aí em agosto, mas não é certeza. Se for realmente marcado, aproveito a viagem e tiro uns dias de férias.
— Maravilhoso! Assim você conhece os gêmeos. – Artie celebra
— Oi, Emm! – A voz de Drew soa tão cheia de carinho, como eu não o ouço a muitos anos.
— Oi, An... Drew! Como você está?
— Estou levando. E você?
— Bi bi bi – ouço novamente um grito infantil
— Tá assistindo programa infantil? – Questiono.
— Não, é um seriado que tem um bebê. Gente foi muito bom falar com vocês. Mas preciso ir. Ah! Estou bem sim, Drew. Morrendo de saudades de todos. Beijos.
— Tchau. – Todos se despedem uníssono. – E ela desliga a ligação.
Saímos da casa de Drew, por volta da meia noite. Aquelas vozes de crianças não saíram da minha cabeça. Nem que me tirassem da sociedade, agora eu irei para Maui. Quero saber o que todos estão nos escondendo esses anos todos.

***

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