— Ora! Ora! Quer dizer que somos vizinhos? – Adam me
perguntou com um sorriso de canto de boca.
— Pois é! Ou somos vizinhos ou você está me seguindo. – Por
um segundo essa hipótese me assustou.
— Moro a duas quadras naquela direção. – E virou para a direita,
apontando a direção de onde morava.
— Hum, interessante! – Comento
— Hum-hum. – Penny pigarreia e lembro que ela está na mesa
comigo.
— Adam, está é minha amiga Penny. Penny, este é Adam.
— Muito prazer. – Ela o cumprimenta com uma voz toda derretida.
— Todo meu. – respondeu com uma voz rouca. Parece que o
cupido flechou esses dois.
— Já estamos acabando, mas se quiser sentar- se conosco, por
favor. – Convido-o
— Infelizmente, estou procurando alguém.
— Pena!! – Chorominga Penny.
— Fica para uma próxima. Sinto que nos cruzaremos muitas
vezes ainda. – Adam, usando uma voz sedutora e um sorriso cínico, comenta,
olhando para Penny.
— Então tá. Bom jantar. -
Me despeço
— Boa noite, meninas!!
— Até breve, Adam. – Penny toda melosa.
Terminamos nosso jantar, pagamos a conta e voltamos para
casa. Por instantes o assunto Adam esteve esquecido. Mas assim que entramos em
casa, Penny se joga no sofá e vai falando logo:
— Amiga, que amigo é aquele!!!!
— Bem bonito mesmo!!
— Onde, como e quando?
— O quê? – pergunto desentendida.
— Conheceu aquele deus!!
— Ah! Na Central Station, nos esbarramos quando estava indo
para a plataforma pegar o trem para vim para cá.
— Humm!! Então foi por isso que quase perco a entrevista!!
— Não! – respondo resignada. – Não. Me atrasei, atrasei não.
Demorei de chegar, porque vim bem devagar admirando os prédios do caminho.
— Sei! – Ela comenta duvidosa. – Diga logo. Rola interesse?
— Não! – respondo firme. – Sabe muito bem que quero
distância de homens.
— Pode parar. Tá certo que a maioria dos homens não presta.
Conheci uma meia dúzia deles. Mas nem todos são canalhas muito menos parecidos
com aquele traste.
— Vou deitar. A viagem foi cansativa e arrumar o quarto
quando cheguei me cansou ainda mais.
— Te encontrei dormindo... – Não ouço o restante, me dirijo
para meu quarto, e fecho a porta.
Troco de roupa, coloco uma playlist qualquer no celular para
tocar baixinho. “Eu sei que nem todo homem é como Taylor. Eu sei disso. Mas
o estrago que ele fez foi muito grande. Não consigo confiar. A primeira parte –
costumo dividir nosso namoro em duas partes, primeira parte: ginásio; segunda:
ensino médio - do nosso namoro foi ruim, mas não se compara à segunda. Essa só
existiu por insistência dele, contra vontade de minha vó e de Penny.
Quando voltei aos eixos, após o término, comecei a sair
mais com Penny e a turma dela do teatro. E de vez em quando, rolava de ficar
com Scott Peterson. Estava tudo muito bom, me divertia e estava começando a
acreditar em mim mesma novamente. Até que um dia, depois da aula, eu estava
voltando para casa a pé e sozinha, Taylor veio atrás de mim, que queria
conversar. Dei o fora nele, disse que ele tinha me cortado da vida dele
primeiro, e um monte de coisas. Mas quem disse que ele desistiu? Não. Nada!
Onde quer que eu estivesse ele aparecia. Parecia que tinha alguém contando meus
passos a ele. E mandava bilhetes durante as aulas, mandava presentes. Tentou de
todas as formas me reconquistar. Sempre que estávamos, eu e Scott, ele surgia.
Ficava nos encarando, provocando Scott. Escrevia nos bilhetes que nunca iria me
deixar, que Scott não era o cara certo para mim, que só ele podia cuidar de
mim. Ele infernizou tanto minha vida que Scott acabou o que ainda não havia
começado. E eu, besta, cedi às investidas de Taylor.
Acho que foi a primeira vez que Penny realmente brigou
comigo. Ficamos semanas sem nos falar. Foi difícil passar pelo que passei sem
falar com ela. Voltei com ele porque achei que havia mudado. Nos bilhetes que
me enviava era um outro Taylor. Todo amoroso e carinhoso. Mas com o passar do
tempo, ele começou a agir como um maníaco, a presença do pai o havia
transformado para pior. Lembro-me bem um
dia em que tínhamos combinado de ir para a festa na casa de um amigo dele, e
ele foi me buscar em casa. Coloquei uma saia jeans justa no meio da coxa, um
top branco, um bolero por cima e uma sandália de salto. Meu Deus! Achei que
estava linda! Que ele iria amar. Que nada! Quando sai pela porta, ele arregalou
os olhos e começou a gritar:
— ONDE VOCÊ PENSA QUE VAI? PARA UM BORDEL? VIROU
VAGABUNDA, FOI?
— Amor, o que é que tem essa roupa?
— NÃO TEM NADA. ESSE É O PROBLEMA. VOCÊ ESTÁ NUA. CADÊ A
IRRESPONSÁVEL DA SUA AVÓ QUE NÃO TOMA CONTA DAS ROUPAS QUE A NETA USA?
— Não fale de minha vó desse jeito. Ela é muito
responsável.
— TO VENDO O QUANTO. – E me pegou pelo punho me puxando
para dentro de casa e me arrastando para meu quarto.
— Taylor, você está me machucando.
— É PARA VOCÊ APRENDER. SE É QUE É CAPAZ DE APRENDER A
SER UMA MULHER DECENTE.
Entramos em meu quarto, ele me jogou na cama. Foi para
meu closet e começou a jogar minhas roupas no chão. Tirou quase tudo. Deixou
apenas os vestidos longos e folgados.
— Você estragou a noite. Vai ficar em casa e amanhã irá
comprar roupas novas e decente. VOCÊ ESTÁ ME OUVINDO? – Acho que todos da rua
puderam ouvi-lo do jeito que gritava. E eu aos prantos, apenas consenti
balançando a cabeça. – E lave essa cara e jogue essas coisas todas foras.
Mulher minha não pinta a cara. E foi embora levando minhas roupas.
Acordei com o sol entrando pela janela. Um novo dia! Um novo
recomeço! Fora isso que vim buscar em Nova York, um recomeço. Longe daquilo
tudo que vivi. Pego minha roupa e vou para o banheiro, tomo um banho quente e
vou tomar café. Percebo que Penny havia saído. Então, faço ovo com bacon para
mim, pegou uma xícara de café que ela havia feito e me sento no balcão da
cozinha. Começo a pensar no que fazer nesses dias que terei livre antes das
aulas começarem. Embora Nova York seja uma cidade cara, o Brooklyn era mais
barato que Manhattan, e estávamos numa situação financeira confortável, não
precisávamos trabalhar. Meus pais e os pais de Penny eram sócios em uma empresa
de ecoturismo na região, que, com o acidente, herdei. Minha parte dos lucros durante
todos esses anos foram investidos para meus estudos. Minha vó garantia o
sustendo da casa. E agora, com parte da universidade garantida, e uma mesada
para as despesas do apartamento e as minhas, não precisávamos nos preocupar em
procurar empregos. Terminei meu café, arrumei a cozinha e decidi ir ao mercado
perto para abastecer a despensa com coisas além do básico do básico. Algumas
guloseimas, alguns itens supérfluos, alguns de extrema necessidade.
Decidi que naqueles dias iria fazer o que todos que vão a
Nova York ou outra cidade qualquer que não conheçam fazem: fui fazer turismo.
Fui até a Ponte do Brooklyn, à Governor Island, visitei a Estátua da Liberdade,
vi o por do sol no Central Park, andei pela calçada do Dakota Building, visitei
o memorial do World Trade Center, vi a skyline de Manhathan da Lincon Island.
Realmente curtir meus últimos dias de férias.
Mas nem só de pontos turístico se resume Nova York. Fui ver
algumas exposições nos museus da cidade. Havia uma sobre homens pré-históricos
no Museu de Ciências Naturais de explodir a mente. Super rica em detalhes.
Fiquei deslumbrada. Sempre fui boa aluna em História no colégio. Ficava
fascinada ao saber das condições de vida de nossos antepassados. Muitas vezes
fui só, já que Penny conseguira o emprego, que ajudaria na faculdade. Outras
tantas, encontrei com Adam no caminho e ele decidia me acompanhar. Era sempre
bom quando isso acontecia, embora ele não conhecesse muito das histórias por
trás dos monumentos, acabava inventando uma história qualquer, que tornava o
passeio mais leve e interessante. Acabamos nos tornando grandes amigos.
***
Chegou setembro. E com ele o início do semestre letivo. Toda
aquela ansiedade e nervosismo do primeiro dia de aula chegam até a mim. Não sei
o que esperar do curso, de meus colegas, do campus, da vida.
***
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