segunda-feira, 27 de julho de 2020

Livro 3 - Paixão Renovada - Capítulo 8


Já tem 10 dias que estou em Maui e tenho ainda muito o que fazer por aqui. Alguns clientes não estão contentes com a mudança. Muitos deles conquistei depois de muita conversa. Principalmente aqueles que eram resistentes a uma mulher no comando. E agora estão se negando a negociar com Cooper. “Isso aqui vai levar mais tempo que pensei. Como vou falar isso para Drew? É claro que minha querida sogra irá dizer que estou tirando os filhos dele!”. Acordo e adormeço com isso na cabeça. Drew já está percebendo que tem algo de estranho comigo. Digo sempre que é saudades dele. Mas sei que finge que acredita.
Hoje é quarta-feira, só tenho três reuniões agendadas com clientes da Austrália e dos Emirados, serão três reuniões difíceis e me tomarão o dia todo. Os grupos dos Emirados foram daqueles que conquistei com muito suor. E agora preciso convencê-los que nosso trabalho continuará com a mesma qualidade. Que não é porque mudamos a gestão que nosso serviço cairá.
No final da tarde, sou informada que tem uma situação quase fora do controle na fábrica. Não quero interferir, pois Cooper precisa aprender a lidar com isso, contudo só querem falar comigo. De todos os problemas, o que não queria mesmo me envolver é o com o dos funcionários da fábrica. Já sabia que estavam criando caso com algumas regras impostas pelo pessoal do RH. Com certeza Cooper não havia se esforçado o suficiente para resolver, ficando do lado da empresa. Chamo-o em minha sala, enquanto converso com o líder deles ao telefone.
— Entendo a posição de vocês. Mas não é parando a produção que vocês vão resolver isso.
— E o que você sugere, Campbell?
— Sugiro que por hoje e amanhã finalizem as tarefas, estamos quase no final do turno. E ficamos marcados de nos encontrar amanhã nesse horário, depois que eu estudar a situação.
— Você está achando que sou idiota, Campbell?
— Kaleo quando foi que faltei com minha palavra com vocês? Essas regras não passaram por mim, quem avaliou foi Cooper, preciso ficar a par das coisas.
— Amanhã no final da tarde?
— Sem falta. Estamos agendados. Até amanhã. – Desligo o telefone.
— Chamou Emily? – Havia deixado ordem para que Cooper entrasse assim que chegasse.
— Qual o problema com o pessoal da fábrica?
— Eles que não querem atender as novas regras. – E ficamos discutindo essa situação. Tentando ver o que podia ser feito.
— Amanhã faremos uma reunião com o RH para depois acertarmos com chão de fábrica. Só não podemos ser intransigentes. Não foi assim que aumentamos nossos números. Sem o chão de fábrica, não fazemos nada. – Ele concorda com a cabeça
Meu telefone toca. É Drew. Peço que ele se retire e atendo.
— Oi, anjo!
— Furou comigo?
— Que horas são?
— Aqui já são mais de meia noite.
— Amor, e você ainda está acordado?
— Preciso, ao menos, falar com você todos os dias. Tenho saudades.
— Me desculpa, anjo. Mas o negócio aqui está complicado.
— Ainda está no escritório? E os meninos?
— Estão com Sabrina na creche.
— E vocês vão como para casa?
— De carro.
— Vão direto?
— Acho que vou passar num dinner para jantarmos. Amor...
— Diga.
— Eu... Eu...
— Emily o que aconteceu?
— Deus, é difícil!
— Não me diga que você não vai voltar com nossos meninos.
— Não! Vou voltar... Só não sei quando.
— Como assim?
— As coisas aqui estão muito complicadas. Não tenho como voltar esse fim de semana, de novo.
— Só pode estar brincando!
— Vem para cá.
— Não sei se consigo.
— Vem no vôo de sexta e fica para o fim de semana. E você leva os meninos e Sabrina de volta.
— Vou tentar. E te aviso.
— Vou pegar os meninos e levá-los para jantar.
— Te amo.
— Desculpa, viu?
— Coisas do trabalho.
— Te amo muito.
— Também amo você. Me liga amanhã antes de ir pro trabalho? Quero ver meus anjos.
— Ligo assim que eu acordar. Beijos.
Desligo o telefone, interfono para Nola e antes de dispensar todos peço que entre em contato com a creche e peça para que Sabrina suba com as crianças. Enquanto espero por eles, vou arrumando minha mesa e guardando o material para trabalhar em casa depois que os bebês dormirem. Cinco minutos depois ouço a vozinha de minha doce anjinha Trixie conversando com Sabrina e o irmão. A conversa estava animada.
— Sabrina, desculpa a demora. Podemos ir.
— Nem percebemos, não foi, amores?
— Mamãe! – Bennie corre para os meus braços.
— Meu anjo! Mamãe sentiu saudade! – Abraço meu filho — Vamos passear?
— Mamãe! – Agora é a vez de Trixie me agarrar.
— Vem, minha anjinha. Mamãe ama muito vocês. Vamos passear e jantar.
Sabrina os coloca no carrinho enquanto pego minhas coisas e vamos em direção aos elevadores. Saímos do Wakea Business Center passamos no Marcos’s Grill & Deli para jantarmos, não estava muito a fim de ir para a cozinha muito menos lavar pratos hoje. Pedi para os meninos uma Pasta Primavera, para mim uma salada Marco’s Cobb e Sabrina quis um sanduiche quente de pastrami, mas preferiu comer em casa. Ao terminarmos nosso jantar fomos direto. Por sorte os meninos acabaram dormindo no caminho, embora não estivéssemos muito longe de casa, a menos de vinte minutos, mas estavam muito cansados.
Combinei com Sabrina que desse banho nos meninos antes de sairmos do escritório sempre, para nos poupar tempo em casa. Então, hoje foi um daqueles dias que eles já estavam de banho tomado e tinham jantado, seria só colocá-los em suas camas, trocar a roupa e cuidar de nossas vidas.
Às 6:00 meus despertadores me acordaram. Não sei que horas fui dormir, minha cama mal tinha espaço para meu corpo, toda papelada das novas regras proposta para o chão de fábrica estava espalhada nela, junto com meu notebook. E os dois acharam um espaço para pular e me acordar.
— Filhos, cuidado com meu notebook. Bom dia para vocês também. Vamos falar com papai? Ele deve estar almoçando. – Pego meu telefone e enquanto faço o facetime com ele, os meninos pulam e gritam:
— Papai! Papai!
— Bom dia, anjo! – Cumprimento-o assim que atende, com uma voz bem melosa
— Bom dia, anjo! Acordaram animados, não?
— Não me diga! Vocês vão derrubar meu notebook, parem. – Reclamo com os dois, que se sentam imediatamente. – Falem com seu pai. – E entrego o celular para eles, e começo a recolher meus papeis e computador. Deixo-os conversando, e vou me arrumar um pouco mais. Dou um jeito rápido no cabelo, uns beliscões nas bochechas.
— Passem para mamãe. – Ouço-o falando com os meninos e pego o celular.
— Oi, meu amor!
— Dormiu bem? – Balanço a cabeça indicando que dormi mais ou menos – O que foi?
— Uma confusão entre o pessoal da fábrica, o RH e a gerência regional. Isso vai me dar muita dor de cabeça.
— O gerente não foi sua indicação?
— Ele mesmo. Entendo a posição dele. Não quer se indispor com o conselho por ser novato. Mas já conversei com ele, o problema não está nele, está no gestor do RH. Ele é meio intransigente.
— Você contornará isso. Não tenho boas notícias.
— Não conseguirá vir amanhã. – Falo com tristeza.
— Não, é sobre a casa.
— O que foi dessa vez?
— Encontramos amianto nas paredes da cozinha, dos quartos do primeiro andar e em todo o terceiro.
— Como assim?
— Esses cômodos não foram recentemente renovados, então ainda possuem amianto de reformas anteriores. E isso elevará mais o custo da obra.
— Resolva, você tem carta branca para qualquer coisa com relação à obra. Faça o que for melhor para a segurança dos meninos. Só isso?
— Não. Tem algumas paredes estruturais que para fazer o que você pediu e deixar o conceito todo aberto precisarão ser trocadas por vigas...
— Acabei de dizer que você tem carta branca, Drew. Não quero ter dor de cabeça. Resolva como achar melhor e que eu tenha o que lhe pedi. Já que dinheiro não é o problema, não foi assim que você me convenceu a comprar essa casa velha? – Falei com certa irritação
— Ei, calma! Posso ter carta branca, mas a casa é sua e o dinheiro também. Preciso lhe consultar antes de tomar decisões.
— Não, precisa não. Confio em sua capacidade profissional. Sei que não fará nada que colocará em risco a vida de nossos filhos. Aliás nem você nem ninguém envolvido. E isso é o que importa.
— Ok, não falo mais. Depois não venha reclamar e colocar a culpa em mim ou no pessoal. – Reviro os olhos. – Não faça isso.
— O quê?
— Não revire os olhos.
— A tá. Reviro quando quiser. – E reviro de novo e faço bico.
— Quero ver você revirar esses olhos amanhã.
— Você vem? – Ele balança a cabeça – Que bom! – Comemoro. – Qual o horário do voo?
— O mesmo que vocês foram.
— Chega aqui por volta das 11:15. Dá tempo de ir ao escritório e pegar você.
— Não fica muito puxado?
— Estarei a seis minutos do aeroporto. Quando você pousar manda mensagem que vamos lhe pegar, combinado?
— Combinado. Até amanhã. Amo vocês.
— Amamos você. – Desligo e vou organizar as coisas para irmos para o trabalho.
A primeira providência que tomo ao entrar no escritório é refazer a agenda da sexta, para ter a tarde livre. Então o que puder ser feito hoje antes da reunião com a comissão da fábrica e do RH, farei. O almoço será no escritório mesmo. Não terei folga. Enquanto faço as coisas do trabalho, Nola entra em contato com um restaurante para um luau em minha casa amanhã. Quero apresentar Drew às pessoas importantes em nossas vidas em Maui.
Passei o dia tão ocupada que não percebi que o fim de tarde se aproximara, não almocei, e já estava na hora da reunião. Para evitar qualquer mal-estar durante a conversa, peço que um dos assistentes providenciem, além de café, chá e água que sempre ficam à nossa disposição, um sanduiche para mim. Ao entrar na sala, já estão presentes todos os envolvidos e a tensão pode ser cortada com uma faca. Peço explicações ao representante do RH do porquê das novas medidas e o que pode ser esperado dessas alterações. Ouço-as atentamente, fazendo algumas anotações. Em seguida, ouço as reivindicações dos operários, fazendo também algumas anotações. O que mais me impressiona é que os argumentos de um lado e do outro visam o mesmo objetivo. Após ouvi-los, analiso minhas anotações em silencio, peço que me escutem.
— Sinceramente, não vejo onde essas alterações possam modificar nossa produtividade, nem positiva nem negativamente como as duas partes alegam. Por tanto, proponho agora que nos sentemos e modifiquemos essas medidas para que todos saiam satisfeitos daqui.
— Mas Campbell, se não contribui positivamente, para que alterar?
— Kaleo, como estão não contribuem, mas vejo pontos que podem fortalecer essa filial junto ao conselho e nossos clientes. Eu entendo que com as novas alterações na gestão da companhia como um todo, não podemos perder nosso lugar de destaque.
— Você está falando como gerente regional ou geral?
— Posso ser a gerente geral, mas meu coração é da filial havaiana, sabem disso. Então quero manter nossos números sempre altos.
E a reunião adentra a noite. “Ainda bem que mandei Sabrina levar os meninos para casa no horário habitual porque isso aqui vai entrar a noite.” Pensei comigo enquanto observava o RH e a comissão discutirem o sexo dos anjos. Incentivei que Cooper intervisse sempre que fosse necessário. Três horas de reunião depois conseguimos entrar em um acordo sobre as novas medidas que seriam implementadas já na segunda-feira. Depois que todos saem, ficamos somente eu e Cooper a discutir minhas impressões sobre a participação dele. Chego em casa por volta das 9:30 da noite, a tempo da história de dormir. Depois que eles dormem, vou para a sala para ligar pedindo algo para que eu e Sabrina possamos jantar.
— Não precisa pedir. Fiz uma salada e alguns sanduiches para você jantar. Presumir que não teria almoçado hoje e chegaria com fome.
— Sabe que não precisava, né? – Ela acena com a cabeça. – Você voltará com Drew para Nova York. – Informo a ela.
— E os meninos?
— Irão junto. – Vou falando com ela, enquanto sento-me à mesa para jantar. — Mas quero deixar claro que, embora eu fique aqui e você vá para a casa de Drew com eles, as regras que prevalecem são as minhas. Meus filhos, minhas regras. Todos os horários deles devem ser cumpridos à risca.
— Não se preocupe, Emily. Sei do que está falando. Mas sabe que terei problemas, não sabe?
— Qualquer coisa, você me liga. Que eu me entendo com quem quer que seja. E não estou falando só da mãe, isso serve também para Drew, Penny, Ash ou qualquer outra pessoa. Quebra de minhas regras, só com ordem minhas.
— Tudo bem. Não se preocupe com isso. Quanto aos horários do parque deles?
— Em um horário você vai à brinquedoteca do prédio e no outro, vou deixar com você o telefone de um conhecido que faz ubber e ele leva vocês a algum parque. Não precisa ser só ao Central Park. E vamos dando um jeito. Espero que seja só essa semana.
— Tudo bem. Vai precisar de mim para mais alguma coisa?
— Pode ir dormir. Obrigada novamente pelo jantar. – Termino, organizo algumas coisas para o dia seguinte e vou dormir.
Minha ansiedade estava tão grande que não consegui dormir direito. Minha manhã foi super agitada, também. A começar, parecia que os meninos estavam adivinhando que algo estava para acontecer. Não queriam se afastar de mim de forma alguma, foi um sacrifício para arrumá-los, depois para deixá-los na creche, precisei ir algumas vezes para lá para acalmá-los.
Ainda tive alguns problemas com dois fornecedores chineses e alguns funcionários da fábrica não estavam concordando com as modificações nas medidas que fizemos ontem. E é lá que estou quando a mensagem chega.
“O avião acabou de pousar.”
Tenho mais ou menos 10 minutos para encerrar essa discussão, pegar os meninos e estar no portão de desembarque. Não dará tempo. Mando uma mensagem para Sabrina.
“Arrume os meninos e me encontre no estacionamento.”
Sabia que ela estava esperando a mensagem. E volto-me aos operários.
— Sempre fui bastante clara. Vocês escolheram uma comissão para decidir por vocês e eles fizeram. Sempre fomos abertos a ouvir as reclamações e as sugestões de todos. Essa é uma política dessa filial, e sempre deu certo. Mas agora vocês estão abusando dessa prerrogativa. Sua comissão escolheu os pontos a serem mudados. Está decidido. Segunda-feira as modificações entram em vigor, e o que posso dizer? Aqueles que não se sentirem confortáveis com essas mudanças, são livres para pedirem suas demissões.
— Você está nos demitindo? É assim que se importam conosco? – Gritou um dos funcionários insatisfeitos.
— Não. Não estou demitindo ninguém. Estou deixando claro que vocês, somente vocês, nesse exato momento, decidirão o que fazer com seus empregos. Não querem seguir as novas regras, estão insatisfeito com a empresa, o melhor para quem está se sentindo assim, é pedir demissão. Não seremos reféns de vocês. E estamos conversados. – Olho para Kaleo e digo – Resolva isso, eu realmente cansei de tentar contornar a situação. Segunda, concordando ou não, satisfeitos ou não, terão que cumprir o que acordamos ontem. E o não cumprimento terá consequências. – Viro-me para Cooper. — E quanto a você, assuma sua posição de gerente regional e resolva esse problema da melhor maneira possível para todos. Estou saindo e só volto na segunda. – E me retiro.
Estava muito irritada com tudo aquilo. Não posso ficar resolvendo os problemas do Cooper porque ele não está confortável com a posição. Também não estava confortável quando assumi o cargo aqui e também não estou confortável com a minha atual posição. Mas assumi a responsabilidade e vou fazer o meu melhor. Quando chego no estacionamento, Sabrina já estava com os meninos e eles correndo pelo espaço. Olho para o relógio e vejo que estou em cima da hora. Mando uma mensagem para ele “Nos espere na porta de saída do aeroporto. Acabei me atrasando.” Entramos no carro e nos dirigimos para o aeroporto.
Como combinado ele estava na porta nos esperando. Que visão maravilhosa. O homem da minha vida ali nos aguardando. Quando os meninos o veem começam a gritar dentro do carro, bater palmas e a pular em suas cadeirinhas. Estaciono o carro, Sabrina os solta, abro a porta e os deixo sair e correm para o pai. Vou andando até eles e o abraço. É nesses braços que me sinto em paz. Meu porto seguro. Nesse abraço eu relaxo de vez.
— Oi, meu anjo! – Com uma voz muito melosa porém aliviada.
— Oi, meu anjo! – Retribui — Que voz é essa?
— Coisas do trabalho. Só venho tendo chateações.
— Fica assim não.
— Vai passar. Você está aqui. Agora vamos almoçar. Esses meninos devem estar mortos de fome.
Entramos no carro e nos dirigimos ao Brigit & Bernard’s Garden Cafe, restaurante aconchegante próximo ao complexo da Fletcher & Co. Os meninos estavam muito excitados com a presença do pai em nossa cidade. Depois do almoço voltamos para casa.
— Vamos tirar um cochilo? – Pergunto já sabendo que a resposta seria não. – Na cama da mamãe com o papai, que tal?
— Não. – Continuam respondendo.
— Ajuda aí. – Peço a ele. - Se não dormirem agora, vão dormir muito cedo e acordarão a todos da casa no meio da madrugada.
— Vamos tirar um cochilo todos juntos. – Drew se anima carregando os dois.
— Sabrina, enquanto eles cochilam pode ir arrumando as coisinhas deles que irão com vocês domingo. – Ela acena com a cabeça e se dirige ao quarto de Bennie para começar a arrumação.
Enquanto nós vamos para o quarto. Eu e Drew deitamos na beira da cama, cada um de um lado com os dois no meio. Começo a contar uma história para os meninos. Que logo dormem, assim como Drew, 15 horas de vôo, com o tempo de espera em Honolulu não é fácil. Principalmente para um homem do tamanho dele. Saio do quarto com cuidado para não acordá-los. Vou para o quarto de Trixie arrumar as coisinhas dela para a viagem, quando ouço meu telefone tocando. Olho no visor e vejo que é da empresa, atendo e Nola me informa que um cliente austríaco quer falar comigo. Largo tudo e vou para o escritório e faço uma vídeo chamada com ele. Passamos bem duas horas acertando alguns pontos de nosso contrato.  Em seguida, aproveito que Drew ainda está dormindo, e fico resolvendo algumas pendências da filial com Nola e Cooper através de vídeo chamada. Quando Drew acorda, ele vem até o escritório.
— Hum, tá trabalhando?
— Esperem um pouco – coloco minha chamada no mudo – Já termino. Fique a vontade, a casa é sua. – falo com ele.
— Não é sua mais, mas ficarei à vontade sim. – Pisca o olho, solta um beijo e sai. Ligo novamente o microfone e dou prosseguimento à reunião. – Onde estávamos? – Nossa conversa não demora muito. – Estou esperando vocês mais tarde. – Desligamos.
Saio pela casa procurando por ele. Nesse momento a campainha toca. O pessoal do restaurante que chegou para arrumar o luau. Deixo-os entrar e continuo a procurá-lo. Encontro-o na varanda superior olhando a vista.
Vou me aproximando bem lentamente, me abaixo por trás da poltrona em que está sentado, toco-lhe o pescoço com meus lábios. Sinto ele se arrepiar todo.
— Gostando da vista? - Pergunto-lhe entre um beijo e outro
— Até que é bonita, mas está faltando algo. – Paro de beijá-lo e ergo-me abraçando-o o pescoço.
— O quê está faltando? – Ele me agarra e me puxa para seu colo. — Ui! – Solto um grito e olho para dentro do quarto
— Assim vai acordá-los e não poderei curtir você. – E me beija. — Você estava faltando.
— A culpa é sua, não mandei me puxar desse jeito. E agora? Como está a vista?
— Perfeita. – Me beija novamente. — Quem era a porta?
— O pessoal do restaurante. – Ele me olha com uma expressão questionadora. — Teremos um luau essa noite. Para você conhecer as pessoas que nos ajudaram esses anos.
— Humm! Preferia ficar a noite só com você. Mas tudo bem. Aquele cara vem?
— Que cara? – sei de quem ele está falando, mas quero provocar um pouco – Foram tantos caras que me ajudaram!
— Deixa de brincadeira! – fala meio enfezado — Sabe muito bem de quem estou falando.
— Já disse para parar de ciúmes besta. Sim, ele vem com a namorada. – Ele sorri. — Mas é muito bobo! – E beijo-lhe e ficamos ali sentados, nos curtindo. Até que nossos terremotos acordam e o arrancam de mim.
A noite chega. A casa vai enchendo de pessoas. Eu estou com vestido florido tomara que caia, cabelos soltos, sandália rasteira e uma maquiagem leve. Vestimos Ben com a bermuda cargo e blusa de botão florida aberta, nos pés uma sandália típica. A roupinha de Trixie se parece com a minha, só que tem alcinhas finas no ombro. Drew se vestiu como o típico novayorquino, calça comprida, camiseta, blusa de botão aberta e sapato tipo mocassim.
— Hm-humm! Você não está indo para uma festa no Upper Side nem no Village. Vamos mudar isso. – Vou até a mala dele e tiro a bermuda cargo que ele trouxe, deixo ele usando a camiseta e pego um chinelo.
— Não vou calçar chinelo na festa.
— É um luau. Senão quiser usar o chinelo, calce o tênis ou vá descalço, mas não use esse mocassim. Que por sinal não deveria nem ter vindo. – Ele revira os olhos — E não revire os olhos para mim. – Imito a expressão que ele me fez ao telefone ontem.
De roupa mais adequada ao local, descemos para nos juntar aos demais. Quando avisto Rick, puxo Drew até ele e os apresento.
— Anjo, esse foi meu anjo da guarda nesses dois anos aqui. Dê esse é Drew.
— Muito bom te conhecer. Fiquei muito feliz ao saber que Emm havia lhe contado tudo.
— Obrigado por tudo que fez por meus filhos e por ela.
— Não tem o que agradecer. O que fiz qualquer pessoa faria. – E vira-se para mim — Emm, essa é Casey. Casey, Emily.
— Muito prazer. – Cumprimento.
E ficamos conversando o grupo todo. Na área externa da casa foi posta uma mesa redonda onde ficamos sentado, não era um grupo grande. Mas quase todas as pessoas mais importantes da minha vida estavam ali. Espero que um dia possa reunir todos realmente.
Nosso fim de semana foi maravilhoso. Passeamos muito. Tomamos banho de mar, visitamos pontos turísticos da região. Mas como tudo que é bom termina, o domingo chegou. Decidimos passar a tarde em Honolulu, eu dormiria lá e voltaria na segunda para Maui. Dizer tchau a Drew foi difícil, mas me despedir de meus bebês foi cruel demais tanto para mim quanto para eles. Antes de embarcarem conversei novamente com Sabrina, dessa vez a frente dele.
— Lembre-se nossas regras permanecem, não importa que lhe digam o contrário. São minhas regras. E qualquer um que queira descumpri-las me ligue na hora, eu resolvo.
— Não se preocupe. Iremos obedecer direitinho.
— Por que isso, anjo? Claro que suas regras irão ser obedecidas.
— Quero deixar isso bem claro para você. Não vou admitir ser desrespeitada mesmo longe deles. Estão indo com você porque não quero afastá-los.
— Sei disso. Suas regras são nossas regras. Ok? – Aceno com a cabeça. Chamam o voo deles.
— Logo mamãe estará com vocês, viu meus anjos? Vão ver tia Pê, tio Dam, tio Tu, tia Shi, e os vovôs. Sejam boas crianças. Obedeçam ao papai e a tia Sabrina. Mamãe ama muito vocês. – Eu os abraço com os olhos inundados de lágrimas. Sabrina os pega pelas mãos e vai em direção ao embarque.
— Ei, não estou tomando nossos filhos de você. Logo estará com eles novamente.
— Por mais que eu saiba disso, tem algo apertando meu peito. Um peso muito grande.
— É porque você nunca se separou deles. Tenho certeza que até o próximo fim de semana estará conosco em casa. – Ele me abraça e não seguro o choro. — Ei, se for para você sofrer desse jeito é melhor que eles fiquem.
— Não. Eles vão. Eu aguento. – Enxugo minhas lágrimas – Só peço que eles não sofram.
— Cuidarei para que não sintam tanto. Infelizmente, preciso ir. Amamos você. Ligo quando aterrissarmos. – Apenas aceno com a cabeça. Ele parte.
— Amo vocês! – Grito antes de entrarem. E fico olhando até desaparecerem pelo corredor. “Ao menos não foram chorando.” – Digo para mim mesma, como forma de consolo.
Quando volto para Maui, vou direto para a empresa, dispenso Nola do serviço da manhã e peço que ela vá em minha casa e organize minhas coisas. Ligo para o hotel que temos convênio e reservo uma suíte, onde ficarei durante essa semana. Preciso sair da casa. A semana é agitada. Na quarta-feira, recebo uma mensagem perturbadora, vinda de Nova York. Fico apavorada.

***

domingo, 26 de julho de 2020

Livro 3 - Paixão Renovada - Capítulo 7


Emily Campbell

Quinze horas de voo. Como previsto, os meninos quando acordaram fizeram a bagunça matinal diária. Fiquei morta de vergonha dos demais passageiros por causa da bagunça que estavam fazendo. Mas conseguimos controlá-los na maior parte do voo. Mas, ao aterrissarmos, tivemos que nos dividir. Nola foi pegar as bagagens que foram despachadas e nós fomos com os meninos limpá-los. Depois que os limpamos fomos encontrar Nola no portão de chegada. Derek deveria estar nos esperando.
— Ti D! – Os meninos gritam quando o enxergam
— Anjinhos! Aloha, meninas!
— Aloha, Rick! – Nola o cumprimenta
— Aloha, Dê! – Eu o cumprimento – Essa é Sabrina, me ajuda com os meninos.
— Pensei que quem fosse cuidar deles fosse um havaiano. – Lembrando da piada que contei no dia que nos conhecemos.
— Não encontramos tantos havaianos assim em Nova York. Tive que apelar para uma haole. – Damos risadas
— Pehea ka maikaʻi i ka home! – Celebra Nola por estar de volta a sua terra.
— Com certeza, Nola. Eu me sinto em casa aqui.
Trinta minutos depois estávamos chegando em casa.
— Amores, olha onde estamos! – Mostrei a eles
— Minha taginha!! Eba!! – Bennie celebra
— Abi, abi! – Ordena Trixie – lada eu!
Bastou tirá-los do carro para saírem correndo, eu gravo a reação deles para mandar para o pai. Sabrina se desespera.
— Ei, calma crianças! Vocês vão cair!
— Bóa, Bina. Bóa! – Trixie a chama
— Sabrina deixe-os correr à vontade. Estão acostumados. – Enquanto Nola e Derek levam nossas bagagens para dentro, vou atrás dos três. — Ei, vamos tirar esses sapatos?
Eles voltam para nós duas, tiramos os sapatos dele, dou meu celular para ela e peço que nos filme. Deito no chão e eles veem para cima de mim. Estamos rindo alto, felizes, livres. Como não nos sentimos a semanas.
— Emily – E me mostra a tela do celular.
— Crianças, é o papai. – Levanto-me e pego o celular e atendo o facetime. – Oi, anjo. Acho que fiquei lhe devendo né?
— Porra, Emily. Sabe como fico preocupado. Ainda mais depois do que me disse.
— Ficou preocupado depois que disse que te amo?
— Não. Que vai embora.
— Drew, eu não disse que ia embora. – Digo na maior calma, - Disse que iria voltar para o Brooklyn.
— Dá no mesmo. Que gritaria é essa? O que está acontecendo com Sabrina?
— São seus filhos deixando Sabrina doida. Veja! – Giro a câmera para mostrar os meninos brincando na grama.
— Eles estão deitados na grama e descalços?! – Reconheço a voz de Molly e giro a câmera novamente para mim.
— Oi, Molly. Anjo, acabamos de chegar em casa. Vou arrumar as coisas aqui, ver o que tem para eles lancharem e de noite te ligo, pode ser?
— Emm, filha, esses meninos descalços nesse chão sujo... – olho para ele
— Por favor, me ligue mesmo?
— Ligo sim. Não se preocupe, ok? – Ele acena com a cabeça. – Te amamos.
— Também amo vocês. – Desligo o celular.
Entro, deixando os meninos com Sabrina. Derek é meu anjo havaiano. Providenciou frutas, vegetais, cereais. Fez um pequeno mercado. A casa estava limpa e arrumada. Faço o lanche dos meninos. Hoje o dia será todo confuso por causa do jat leg, mas conseguiremos.

***
Drew Grant

— Meu filho, você deveria ter ido. Ou eu. Você viu a falta de juízo de Emily?
— Não vi nada demais, mãe.
— Como não viu? Os meninos brincando descalços naquela grama suja?
— Mãe, você e meu pai nos levavam para obras, lembra disso?
— Não quando vocês eram bebês. Eles têm o corpo frágil. Especialmente, a pequena Trixie.
— Mãe, eles não têm o corpo frágil e aquela era a casa deles, estão acostumados a correr por ali. Emily não é nenhuma irresponsável. Sempre cuidou dos gêmeos sozinha.
— Porque ela decidiu os afastar da gente. Assumindo que é irresponsável sim.
— Mãe!
— Molly, querida. Para de pegar no pé de minha nora. Ela está fazendo um grande trabalho com meus netos.
— São meus netos também. E lembra que no dia que nós os conhecemos, Trixie foi parar no hospital por dias porque a “responsável” esqueceu o remédio da filha.
— Mãe, pela última vez, ela não esqueceu. Rebbeca que pegou.
— Isso é o que diz a babá da outra irresponsável da Ashley.
— Pronto! – Meu pai jogou as mãos para cima – Agora sobrou para Ashley. Minhas noras estão encrencadas. – Ele e eu damos risadas.
— O problema dos homens dessa família é que ficam bobos e cegos quando apaixonados.
— Nisso devo concordar com você, minha linda! Desde que lhe conheci e me apaixonei, fiquei bobo, cego, surdo e burro. – E a abraça. – Mas nesse caso, você precisa deixar suas noras cuidarem das crias delas.
— Faço...
— Para o bem dos meus netos! – Eu e meu pai completamos a frase dela.
Minha mãe é uma pessoa maravilhosa, não por ser minha mãe. Mas é. Contudo é super protetora e acha que só ela sabe fazer as coisas. E com relação à criação de crianças, ela se acha a super mãe. Mas tenho que concordar com Emily, minha mãe tem interferido muito com eles dois. E o pior é que eu tenho permitido.
Vou para meu escritório ver algumas anotações sobre uma obra que estamos fazendo. Estudo as possibilidades de algumas alterações nas estruturas de uma casa dos anos 1920. Os proprietários querem um conceito aberto envolvendo a cozinha, sala de jantar e a sala da família. Mas querem manter uma parede separando a sala de visita do restante da casa. Esses estudos me levam tanto tempo que não percebo que anoiteceu. Só me dou conta disso quando meu pai vem me chamar para jantar. Mas antes converso com ele.
— Pai, antes de irmos podemos conversar um pouco?
— Sempre meu filho. O que foi?
— Esse comportamento da mamãe.
— É só o jeito dela demonstrar o amor dela pelos netos.
— O problema é que Emm está chateada. A mamãe tem passado por cima das ordens dela com Sabrina. Eu mesmo já presenciei isso algumas vezes.
— Entendo.
— Emily me disse que quando voltarem de Maui, eles vão para o Brooklyn.
— Para ser sincero, acho que minha nora tem toda razão. Sua mãe não vai parar, é maior que ela.
— Mas eu não quero ficar longe deles.
— Ei, o jantar está esfriando. – Minha mãe aparece na porta do escritório.
— Estamos indo, querida! – Meu pai a responde. – Filho, o único jeito de você não se separar deles, é vocês morarem junto. Mas não sei se é a solução.
— Não, pai. Ainda não é a hora. Precisamos nos acertar realmente, antes disso.
— Então... É melhor que ela volte para o Brooklyn até que retornemos para Pensacola. Vamos jantar.
— Estive pensando em nossa conversa anterior. – Ela comenta enquanto comemos.
— Sobre o quê?
— A criação dos meus netos.
— Mãe, suas noras são capazes disso. Fica na sua.
— Não. Não acho que sejam capazes. Vejas os filhos de Artie, não têm limite nenhum. Angie com aquela carinha doce, mas o gênio terrível, comanda pai e mãe e Raph vai pelo mesmo caminho. Emily, bem essa não preciso dizer nada. Está decidido, vamos vender nossa casa em Pensacola e nos mudar para Nova York. – Ela conta a decisão dela como se fosse uma ideia genial
— Está decidido?! – Meu pai se assusta
— Cof-cof – Eu me engasgo com um pedaço da carne. – Como é?
— Sim, filho! Não é maravilhoso? Assim, as duas demitem as babás, onde já se viu meus netos com uma babá, e eu fico com os quatro.
— Você está precisando de um emprego, isso sim, Molly. Onde já se viu. Mas não venho morar aqui de forma alguma.

Não consigo mais jantar, então peço licença da mesa e deixo os dois conversando sobre o assunto e vou para meu quarto esperar a ligação de Emm.

***
Emily Campbell

Depois de ajudar a arrumar nossas bagagens Derek foi levar Nola para a casa dela. Sugeri que ficasse conosco esses dias, mas ela estava morrendo de saudades do cantinho dela, apesar de ter amado Nova York, decidiu que não conseguiria viver longe da ilha. Agradeci a Derek pela ajuda em tudo e acertamos de almoçarmos juntos antes de voltarmos para a costa lesta. Fui para a cozinha preparei o almoço dos meninos, tinha um abacaxi na fruteira, então o cortei ao meio, retirei a polpa e lavei bem lavada a casca. Piquei alguns vegetais e parte da polpa dele e fiz uma salada bem fresquinha. Aproveitei um peixe fresco que encontrei na geladeira e o fiz ao molho de manga, arroz havaiano e uma salada de frutas. Aproveitei a manga e o abacaxi e fiz dois tipos de suco.
Colocamos os meninos em suas cadeirinhas e servimos o almoço deles e os nossos. Um almoço típico havaiano para dar boas vindas a Sabrina. Depois do almoço, Sabrina foi colocar os gêmeos para dormir, enquanto eu arrumava a cozinha. O sono começa a bater. Estamos todos fora do horário. “Se são três horas da tarde aqui, em Nova York são entorno de nove da noite, é melhor ligar agora para que ele durma bem.” Enquanto faço a ligação, me dirijo até o quarto dos meninos e peço que Sabrina acerte um alarme para dentro de duas horas, para que os meninos comecem a se adaptar com o fuso horário.
— Oi, meu anjo! Tudo bom? – O cumprimento. – Fale logo com os meninos que estão indo tirar o cochilo depois do almoço. Meninos olha que está no telefone... – Mostro o telefone para eles.
— Papa Dandão! – E os dois começam a falar ao mesmo tempo contanto tudo o que fizeram desde que chegamos. Pude perceber a confusão na fisionomia dele, que perguntava admirado “Foi, papai? O que mais?”
— Digam tchau pro papai. Amanhã vocês conversam mais.
— Amo vocês, meus filhos! – Eles imitam Drew soltando beijos. Saio do quarto para que eles durmam.
— Recebeu o vídeo?
— Recebi sim. Eles estão se sentindo livres.
— Nós estamos, anjo. Nós estamos.
— Aqui você se sente presa?
— Não. Mas aqui ficamos mais ao ar livre. Normalmente, depois do trabalho, antes do jantar, sentava aqui nessa varanda e eles ficavam correndo pelo jardim. Isso não fazemos aí. Não temos espaço. Era ritual vermos o por do sol e depois jantar. Disso eu sinto falta.
— Entendo. Como foi a viagem?
— Que parte? A que eles dois dormiram, a que eles quase destroem o avião, a que eles aprontaram no aeroporto de Honolulu, ou a que Bennie pintou a irmã com o número 2?
— Ele não fez isso – Respondo positivamente com a cabeça – Não acredito. Ainda bem que eram três contra dois. – Ele dá risada
— Quero ver esse riso quando viajarmos com eles. Na volta, vamos para Mistic de carro. Quero ver você ri.
— Ei, podemos conversar sobre algo chato?
— O que aconteceu com a obra?
— Não é sobre a obra.
— Esse é o único assunto chato que quero falar.
— Amor, não quero que você volte para o Brooklyn.
— Drew, quando a obra estiver pronta, não vou mudar de qualquer jeito?
— Talvez.
— Amor, talvez não. Eu vou morar na minha casa. Você viu como eles precisam daquele espaço. Eles sentem falta.
— Eu sei. Mas não quero ficar longe de vocês.
— Lá vem a cara de gato de botas. Dessa vez, nem ela vai me fazer mudar de ideia. Eu preciso de meu espaço.
— Mas o apartamento do Brooklyn é pequeno.
— Mas serão só seis semanas. Depois vamos para nossa casa. – Ele continua com a cara de gato de botas. – Tá bom, Grant. Você venceu. Fico com você até a casa ficar pronta.
— Outra coisa chata.
— Sério, Grant?! Tô cansada, tô com sono e você quer falar de coisa chata? – Ele acena com a cabeça – Fala logo. O que é dessa vez?
— Conversei com minha mãe.
— Sobre?
— O que me disse antes de viajar.
— Ótimo, agora além de ser aquela que afastou o filho dos netos, serei a nora reclamona. Valeu, Grant!
— Para de me chamar de Grant. Não falei que você se queixou, depois da nossa chamada ela começou a falar das crianças de pés no chão e correndo. Eu disse que eles estavam acostumados a ficar daquele jeito...
— Mas ela não aceitou, né?
— Isso. Meu pai me apoiou. Mas ela não entendeu e tomou uma decisão.
— Qual decisão, Andrew? – Não estou gostando do rumo dessa conversa
— Ela disse que vão vir morar aqui...
— Retiro o que disse. Vou para o Brooklyn.
— Deixe-me terminar. Deixei meu pai cuidando disso. Ele não vem morar aqui de jeito nenhum. A ideia dela é você e Ash dispensarem os serviços das babás e ela cuidar das crianças.
— Rá! É sua mãe, mas nem a pau. Ouviu. Nem a pau. – Falei brigando
— Ei, estou do seu lado, tá? Ela não vai criar nossos filhos. Isso eu lhe garanto.
— Espero. Olha que visão mais linda! – E mostro a vista para ele.
Passamos a conversar sobre assuntos mais amenos. Vendo o sol se pôr, a noite cair. Quando ouço a gritaria no interior da casa. Os meninos acordaram. Passamos mais de duas horas conversando. Ele precisa ir dormir e eu procurar o que fazer para não dormir cedo demais. Então, nos despedimos. Acertamos de nos falar todos os dias, por volta das cinco da tarde no Havaí, para vermos juntos o por do sol. Encerramos a ligação e vou preparar o jantar dos meninos. Depois teremos que cansá-los bastante para que durmam no horário certo.

***