sábado, 13 de junho de 2020

Livro 2 - Frutos de uma paixão - Capítulo II


Emily Campbell

Saí de Nova York no início de novembro, indo direto para Mystic. Nana ainda estava conosco quando comecei me sentir estranha. Muito sonolenta. Muito mal-estar. Não era enjoo, não era tontura, não sabia explicar o que era. Era um mal-estar. Apenas minha vó soube o resultado dos exames. Minha permanência na A4+ Projects não era mais uma opção para mim. Depois de um fim de semana dos sonhos, acordei num pesadelo. Foram quarenta. Precisava sumir dali.

Antes de me demitir da A4+ procurei um antigo professor meu e pedi ajuda para consegui alguma posição no centro-oeste ou na costa oeste do país, bem longe de Nova York. Precisava me afastar de tudo. Expliquei minha situação e suspeitas. Então na segunda semana de novembro voltei para Mystic City. Tenho trabalhado na agência desde o dia que cheguei. Estudei os programas de passeio, tentei pensar no que poderíamos criar para atrair mais turistas. Fiz o que disse que iria fazer, assumir a gerência da PE Tourism. Mas esse não foi o único ou o principal motivo. Drew também não foi, ou foi em parte. Não havia procurado um médico para a confirmação. Mas já tinha certeza de que carregava em meu ventre uma lembrança eterna daqueles dias de outono que vivi, em que fui feliz.

— Minha filha, você está se matando na agência e esquecendo do principal. De sua saúde. Precisa ter uma confirmação de suas suspeitas. – Enquanto tomávamos café para irmos trabalhar, eu na agência e ela no restaurante.
— Eu sei vó, mas é que agora preciso nos preparar para o inverno. A demanda diminui muito. Precisamos criar opções de passeios e roteiros.
— Sim, mas você precisa pensar no que vai fazer se estiver mesmo esperando uma criança.
— Já pensei. Vou criar meu bebê.
— Sem o pai?
— Fui criada por você.
— E veja o que aconteceu.
— Você fez um excelente trabalho.
— Até você conhecer o calhorda.
— Não quero tocar nesse assunto.
— Drew deveria ter a opção de estar junto ou não do filho.
— É exatamente isso que não quero, vó. Que ele opte por estar junto de mim por causa do bebê.
— Você sabe muito bem que ele não estaria só – deu bastante ênfase nesse só – pelo bebê.
— Vó, bom dia! Já estou atrasada.
— Mocinha, a senhorita não vai escapar dessa conversa. Temos sete meses para discutir.
— BEIJOS, VÓ! – gritei da porta como fazia quando era adolescente.

E realmente ela não esqueceu do assunto. Esse era o tema predileto dela durante nossas refeições juntas. Para ela, eu tinha que avisar a ele caso se confirmasse, depois do exame. Mas não queria prendê-lo numa relação que ele não queria. Numa relação que lhe fazia mal. Gostava demais dele para fazê-lo sofrer por causa dos meus traumas.

Era uma quinta-feira, estava no escritório da agência, vendo algumas planilhas de custo, ouvindo uma rádio de Nova York, via internet, quando ouço os primeiros acordes de Give your heart a break, música que ele cantou para mim no karaokê. Relembrei daquele dia como se tivesse sido ontem. Nossa! Pela primeira vez senti aquela sensação de leveza. Meus instintos de proteção, baixaram a guarda. Pude por instantes pensar que poderíamos ser felizes juntos. Essa mesma sensação tive, em pé, ao lado do rio, com Penny de um lado segurando a minha mão e ele do outro, um pouco mais atrás, quando enfrentei pela primeira vez Taylor. Ele me fazia sentir forte e capaz.

— Emm! – um dos atendentes entra na sala e me trás de volta a realidade – Tem alguém procurando por você.
Será que Drew veio atrás de mim?! — Diga-lhe que já vou. Estou concluindo isso aqui. Em cinco minutos estarei lá. – Ele acena com a cabeça.

Na verdade, queria dar uma melhorada no visual, arrumar o cabelo e a roupa. Então refaço o rabo de cavalo que estava meio frouxo e conserto a blusa, dou uns beliscões na bochecha para ficar coradinha. Respiro fundo e saio com aquela esperança no coração. Mas qual foi minha decepção ao entrar na recepção da agência: Taylor. Na mesma hora, gelei e perdi a cor. Meu sangue todo desceu para os pés, as pernas fraquejaram.
— Vou deixá-los a sós. – Disse o atendente.
— Pode ficar aí. O Sr. Jones já está de saída.
— Mas não estou mesmo. Vá, saia logo. – Ordenou ao rapaz.
— Lembre-se de quem paga seu salário. – O rapaz acenou com a cabeça e ficou em sua mesa.
— Como eu disse, você já está de saída. – Juro que não sei de onde está vindo essa força e coragem.
— Ainda não fiz o que vim fazer.
— Você não tem nada o que fazer aqui. Existe uma ordem que diz que você não pode se aproximar de mim.
— E vai fazer o que? Balançar o papel na minha cara para ver se saio? Oh, Mi! Não seja ingênua! – Odeio esse apelido tanto quando odiava quando era mais nova. – Faço o que quero e ninguém pode me impedir.
— Acredito que eu tenha expedido uma ordem de afastamento contra você não tem dois meses, estou errado? – Desvio meu olhar para a porta da agência. Scott Peterson. – Acho melhor você se afastar dela, hoje vou deixar passar, mas da próxima vez estarei acompanhado da polícia.
— Ora, ora, ora! Se não é o juizinho Peterson! Acha que eu tenho medo de você e do seu martelinho de fresco?
— O mesmo babaca de anos atrás. Só que eu não sou mais. Agora por favor, ser retire.
— Não terminamos, Mi. Você vai voltar para minha cama. – Um arrepio e vontade de vomitar tomam conta de mim, seguro enquanto ele sai.

Quando ele bate a porta, corro para o banheiro e coloco para fora o café da ­manhã. Não sei se foi de medo ou pela gravidez, embora nunca tenha enjoado. Lavo minha boca, me organizo novamente, e vou até a recepção.

— Muito obrigada, Meritíssimo!
— Por favor, Emm! Somos amigos de longa data. Fora do tribunal, sou Scott.
— Obrigada, Scott. Não sei o que fazer para ele se afastar. Pensei que com a medida, ele acataria.
— Ele a tem procurado?
— Vive me rondando.
— Precisamos tomar uma providência.
— Não precisa. Não quero dar trabalho. Mas você não veio aqui para falar sobre Taylor Jones, não é?
— Não. Estou para tirar férias e queria organizar uma viagem.
— Claro. Vamos ver o que podemos fazer por você. – Começamos a detalhar seu roteiro: para quando seria, o período, para onde, quantas pessoas, quais atrações gostaria de visitar.

Quando Scott saiu, agradeci novamente, não só por hoje, mas pela concessão da medida. Ele disse que não era preciso, apenas tinha feito o trabalho dele. Durante a conversa, fiquei sabendo que Tina tinha entrado para a polícia e que agora era detetive. Deu-me seu telefone e disse que ligasse para ela caso precisasse. Na verdade, na falta de Penny, precisava de uma amiga. Então decidi que a noite ligaria para ela.

Depois do jantar liguei para Tina como planejado. Fazia muito tempo que não falava com ela. De vez em quando trocávamos e-mails, mas raramente. Realmente, mantive as amizades da adolescência distante de mim. Talvez agora possa recuperar. Combinamos de sair no sábado para conversar. Acertamos que ela passaria aqui em casa para me buscar, às sete da noite e decidiríamos para onde.

A sexta e o sábado foram tranquilos, o movimento da agência, como esperado, era pequeno, visto que a população de Mystic City, não era muito dada a fazer turismo. Estávamos ampliando nossos pacotes com parcerias em outras cidades turísticas do país. Mesmo assim a procura ainda era pequena. No horário marcado, Tina buzinou na porta de casa.

— Não vá beber nada alcoólico. Lembre-se que pode estar grávida. E por falar nisso, quando vai ao médico? E falar com Drew sobre o filho dele?
— Vou marcar semana que vem e nunca. Já disse a senhora. Tchau
— Divirta-se. – Dou-lhe um beijo no rosto e saiu.
Decidimos ir para Somerville, para não termos o desprazer de cruzar com ninguém indesejado. Ela me contou por que decidiu se tornar uma policial, como é a rotina na delegacia. Falei do meu período em Nova York.
— Não pretende voltar para lá?
— Realmente, não está em meus planos. Amo aquela cidade. É meu lugar no mundo. Mas não me vejo mais morando lá.
— Não compreendo.
— Digamos que Mystic City deixou marcas que não me permitem voltar para lá.
— E essas marcas têm nome e endereço. Taylor Jones­.
— Entre outras.
— Você nunca se recuperou?
— Lembra que bati a cabeça e fiquei internada?
— Lembro de todas as vezes que foi internada. Tínhamos vontade de ir até ele e dar uma surra no infeliz. Mas tinha algo que sempre nos impedia. Nunca entendi o porquê.
— Pois essa em específico deixou uma sequela. De vez em quando tenho lapsos de memória e esqueço o que aconteceu, minutos antes, durante e depois deles.
— Pera aí! Você apaga, desmaia?
— Não necessariamente. Posso estar aqui agora com você, ter um desses eventos, continuar falando, e amanhã não ter recordação alguma do que conversamos.
— Jesus! Isso é terrível.
— Pois é. Já ofendi pessoas sem ter noção do que estava falando. E as perdi. – Uma ponta de tristeza alcança minha voz.
— Não fique assim. Hoje é dia de alegria. – Levanta a garrafa de cerveja e eu minha taça de coquetel sem álcool – Às velhas amizades.
— A novas amizades antigas.
— Muito melhor! – E brindamos.

E foi uma noite maravilhosa. Por volta da meia-noite estávamos de volta, com outros encontros marcados. Vamos reunir a turma do teatro no próximo fim de semana, vamos aproveitar que Penny está vindo para o dia de Ação de Graças.

A semana transcorreu sem nenhuma novidade. Taylor continuava a me perseguir, porém sem se aproximar. Mantinha a distância determinada pela medida. Fica distante, apenas para me lembrar de sua presença desagradável. De vez em quando chegava um bilhete dele, me lembrando que a cama dele ainda me esperava. Cada vez que eu lia a frase “minha cama te espera” meu estômago embrulhava e eu vomitava. Era automático. Só em pensar aquelas mãos que tanto me fizeram mal tocando em mim novamente, gelava, enjoava, ficava enojada mesmo.

O final de semana chegou e com ele Penny e Adam, que conseguiram uma semana de folga então ficarão até o sábado após a Ação de Graças. Não contei a Penny sobre a visita e nem sobre os bilhetes, que mesmo contra minha vontade, mas por conselho de Tina e Scott, foram guardados. Sabia que ao tomar conhecimento disso, tanto ela quanto Adam iriam me arrastar para Nova York. E retornar para lá estava fora de qualquer cogitação. Eles aproveitaram os dias, que foram ensolarados e fizeram alguns de nossos roteiros, por pequenas cidades das redondezas, cujas belezas naturais não ficavam devendo em nada as de Mystic City.

No dia de Ação de Graças, nossas famílias se reuniram como fazíamos quando éramos crianças. Arrumamos a mesa perto da cerca de frente para o lago. Minha vó e eu fizemos alguns pratos e a tia outros. O tradicional peru foi preparado a três mãos. Enquanto preparávamos tudo, o tio e Adam assistiam o futebol na TV. Um típico dia de Ação de Graças. Na hora da ceia, na oração, cada um fez seu agradecimento:

— Sou agradecido por ter uma mulher maravilhosa, uma filha linda, uma sócia competente e uma família abençoada.
— Agradeço por minha empresa ter entrado os eixos, graças a sócia competente de vocês. Por minha namorada imperfeita – Penny arregala os olhos – mas perfeita para mim. Por meus amigos.
— Por ter minha neta perto de mim novamente e por meu bis...

— Agora é minha vez. – Cortei minha vó antes que ela falasse demais
— Emm, deixa Nana concluir. – Penny me chamou a atenção.
— Não querida, terminei sim. – Nana se tocou que ia falando demais.
— Tive a impressão de que ia falar mais alguma coisa. – Nana acenou negativamente com a cabeça.
— Posso, Penny?! – Ela dar com a mão – Gostaria muito de agradecer por tudo que conquistei nesses últimos anos. Em especial – inconscientemente toco em meu ventre – minha liberdade e o sentimento de estar livre. – Percebo o olhar de Penny sobre a minha mão e retiro-a imediatamente. – Penny, sua vez.
— Você está estranha. Depois conversamos. Agradeço, como todos os anos, aos pais maravilhosos que tenho, à linda e doce avó emprestada que ganhei, por Adam ter entrado em minha vida e dado sentido a ela e pela promoção que recebi antes de viajar. – E pegou todos de surpresa. – Agora sou sócia júnior do escritório.
— Meu Deus! Que maravilha, filha! – minha tia está com os olhos mareados
— Essa é minha menina! – celebra o tio, todo orgulhoso
— Mana, que bom!! Logo, logo será sócia sênior, e quem sabe sócia nominal.
— Um passo de cada vez, querida Emm! Um passo de cada vez!
— Estou muito orgulhosa de você, minha neta emprestada.

E brindamos à promoção de Penny, comemos e conversamos. Houve um certo estranhamento, quando recusei as bebidas alcóolicas que me foram ofertadas, mas arrumei uma desculpa e, aparentemente, aceitaram. Penny, Adam e eu fomos nos encontrar com a turma do teatro para um happy hour no centro da cidade. Quando menos esperava, quem estava lá, mantendo sua distância? Isso mesmo. Faço um sinal para Tina que Scott percebe e eles viram e olham. E passamos a ficar em alerta. Mas graças a Deus, nem Penny nem Adam perceberam sua presença e ele não se aproximou.

Na quarta-feira seguinte do dia de Ação de Graças, Penny já tinha retornado a Nova York com Adam, eu tinha trabalhado pela manhã e o turno seguinte seria do tio James. Esperava minha vó chegar para almoçarmos, já eram mais de uma hora, quando um estouro e o barulho de arrombamento me assustam e pulo do sofá. Grito quando o vejo entrar.

— Vá embora ou eu chamo a polícia.
— Acha que estou com medo daqueles guardinhas? – Ele está embriagado
— Deveria.
— Onde está o playboyzinho para te defender agora? Largou você? Bem feito! Caiu na lábia do playboyzinho. Homem não quer mulher metida a esperta, piranha.
— Taylor vá embora, por favor.
— Tá falando manso agora, cadela? É porque está sozinha comigo?
— Não. É porque não quero me alterar, por causa do... – Penso em falar que estou grávida, mas poderia causar uma reação pior dele - porque você está bêbado.
— Vamos para casa, agora.
— Taylor, eu estou em minha casa. Saia. – Começo a perder a calma
— Você vai morar comigo como eram nossos planos.
— Seus planos. SEUS PLANOS. MEUS PLANOS SEMPRE FORAM FUGIR DE VOCÊ. VIVER EM NOVA YORK. BEM LONGE DE VOCÊ – Perdi de vez a calma.

E é nesse momento que meu inferno começa. Ele avança sobre mim, tenta me agarrar, tropeça em um móvel, saio correndo em direção à porta. Ele me alcança primeiro, me segura pelos cabelos com uma mão, agarra um braço com a outra. Aperta o mais forte que ele pode.

— Está me machucando! – Grito com lágrimas nos olhos, mas me recuso deixá-las cair. Engulo-as.
— É assim que você gosta, cadela. – E aperta mais, enquanto me puxa para fora de casa.

Tropeço na escada na descida, ele solta meu cabelo e me dá um tapa no rosto. Daí ele me solta e começa a deferir murros e tapas em mim. Em minha cabeça só pensava em meu bebê. Ele não para, me empurra, caio no chão. Grito por socorro. Ele me manda calar e começa a me chutar, me encolho para proteger meu ventre. Ele ia alternando chutes e socos. E eu, em posição fetal, protegendo meu filho. De repente, ele para. Com muito sacrifício giro meu corpo dolorido na direção em que ele estava, e o vi no chão e tio James socando-o. Ouço sirenes. Alguém me abraça. Outra pessoa tira o tio de cima de Taylor. Não consigo ver mais nada.

— Meu bebê! Meu bebê!
— O que foi, querida! – Reconheço a voz de tia Sam
— Tia, meu bebê! – Sou colocada em uma maca. E tudo fica escuro.

No hospital, a consciência ia e vinha. Percebi a presença de minha vó e dos tios. O que estava acontecendo? Vejo médicos e enfermeiras ao meu redor. Ouço minha vó.

— Ela está grávida. Por favor, salvem meu bisneto.
— Ela está o quê?! – Sam pergunta assustada – Meu Deus! Espero que não tenhamos chegado muito tarde para socorrê-la.

 Os médicos me levam da emergência. Passo por uma série de exames. Volto para a mesma sala que estava antes. Ainda estou meio tonta da surra que levei. Acredito que desmaiei depois que me deixaram na sala. Acordei com minha vó perguntando ao médico como estávamos.

— Doutor? – Chamo – E meu bebê?
— Querida, você foi guerreira ao proteger seus bebês.
— Meus o quê?!
— Tem dois coraçõezinhos batendo forte dentro de você.
— Dois?! Eu vou ter gêmeos?!? Vó! Meu bebê não será sozinho. Terá a companhia de um irmão. - Falo com lágrimas nos olhos e a voz embargada.
— Ou irmã. Parabéns, minha neta. – As lágrimas vêm em nossos olhos. Os tios vêm me cumprimentar, então os peço:
— Penny não pode saber. Por favor não contém a ela.
— Por que não, filha? Ela ficará muito contente.
— E contará a Adam, que contará a... – Calo-me
— Não vai contar ao pai? – Aceno com a cabeça negando
— Está com essa ideia. Só quero ver quanto tempo esconderá de Penny.
— O que vai acontecer quando os bebês nascerem? Vai viver escondendo-os dela? Do pai pode até ser. Se ele nunca mais vier aqui, pode até ser que nunca fique sabendo, mas Penny, meu amor... Ela vai acabar descobrindo e ficará muito chateada com você. – tia Sam me alerta.
— Não quero pensar nisso agora. Preciso pensar em meus filhos e no que farei de agora em diante. À medida que a barriga crescer, Taylor ficará mais obcecado e agressivo.
— Acredito que não. – Tina entra na sala – Ele está preso, o promotor quer a cabeça dele. E agora que sabemos que você está grávida, vamos querer o fígado e os rins também. Acredito, melhor, tenho certeza de que da delegacia ele saia direto para a penitenciária. Vamos precisar daqueles bilhetes. Temos o testemunho do atendente da PE T de que ele desacatou a ordem judicial. O caso para ele está fedendo muito.
— Os bilhetes estão na agência. Em uma gaveta em minha mesa. Foi Penny quem deu entrada com o pedido da medida, mas não a quero envolvida.
— Filha, por quê? – Pergunta minha vó – Por que está excluindo-a de sua vida assim?
— Vó, não a estou excluindo de nada. Se ela tomar parte do processo, todos virão para Mystic City, e descobrirão da gravidez. NÃO QUERO QUE NINGUÉM EM NOVA YORK DESCUBRA SOBRE MEUS FILHOS – grito perdendo o controle de minhas emoções. Minha vó vem até a mim e me abraça.
— Shii! Shii! Tudo bem! Tudo bem! Não contaremos nada.
— Eu... não... quero... Drew... os bebês... – não consigo formular uma frase.
***

Os médicos me dão alta recomendando um mês de repouso. Passo a trabalhar de casa. Elaboro algumas propostas de parcerias e entro em contato com algumas cidades, onde o inverno não é tão rigoroso quanto o nosso. Faço parcerias com alguns guias locais, hotéis, atrações e crio alguns roteiros para começarmos a vender imediatamente. O período das festas de fim de ano chega e, não sei se feliz ou infelizmente, Penny não consegui vir. No início de janeiro, estou com quinze semana e não corro mais perigo nenhum de um aborto, quando recebo a ligação de meu professor.

Ele me diz que conseguiu uma posição em uma empresa de porte médio de uma amiga dele, como assistente dela, em Maui, no Havaí e me passa o contato dela. Ligo imediatamente. O salário era muito bom, um pouco abaixo do que recebia em Nova York e com minha participação nos lucros da agência aqui em Mystic City, conseguiria viver bem com meus filhos. Aviso a minha vó e aos tios. Acham loucura de minha parte, mas entendem. Reservo minha passagem e um hotel onde ficarei até conseguir um lugar para mim. Uma semana depois já estou em Maui trabalhando.

***

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