Penny Davis
Quando Adam me disse que Drew
queria que fossemos à casa dele, a princípio odiei a ideia. Sabia que aquela
outra iria estar lá, disse logo que não e que ele inventasse uma desculpa. Mas
pela cara dele, ele queria ir, e disse que ela não iria, embora soubesse que
correria o risco de ela aparecer, concordei em irmos.
Às sete horas estávamos
estacionando próximo ao apartamento dele. Um duplex na cobertura no Upper Side,
ao entrar vemos uma ampla sala de visita, com um grande sofá em L, de frente
para uma lareira, que servia como ponto de destaque, a parede em que se
encontra é revestida de piso brilhante preto, contrastando com as paredes
brancas. A parede que dá para a fachada do prédio era de janela do chão ao
teto, com o pé direito bem alto. À esquerda de quem entrava estava a sala de
jantar sendo seguida por uma cozinha moderna em conceito aberto. Do lado
direito, onde fica a lareira, tinha um corredor que dava acesso à sala da
família, que ele fizera uma espécie de sala de TV e jogos, do outro lado um banheiro,
ao seu lado o escritório dele, ao fundo ele montou uma academia. Nunca fui ao
segundo andar, mas Adam disse que além do quarto dele, que fica acima da sala
de jantar e da cozinha, tem mais três quartos. Do lado de fora ainda tem uma
área aberta com piscina, churrasqueira e algumas mesas.
Drew abre a porta e entramos,
Artie e Ash já estavam lá, sentados no sofá. Entregamos as cervejas e nos
sentamos no sofá. Existe uma certa expectativa, ou seria ansiedade, no ar.
Acredito que todos estávamos esperando que ela aparecesse, saindo de algum
lugar.
— Vamos escolher os sabores? –
Ele pergunta todo animado – Que caras são essas?
— Sou eu quem fala mesmo,
então vai. – Fui anunciando – Onde ela está?
— Ela?! – Drew questiona
balançando as mãos de um lado para outro.
— Você sabe. Rebbeca. Onde ela
está?
— Espero que em casa. Ou em
algum outro lugar que não seja aqui. Eu disse só queria me reunir com vocês,
para uma boa conversa fiada. – Ele responde
— Então ela não vem? – Ash
pergunta aliviada. – Graças a Deus!
— Ashley! – Artie a repreende.
— Relaxa, mano! Sei que nenhum
de vocês gosta dela, assim como ela não gosta de vocês. E sinceramente, estou
começando a me questionar.
— Antes tarde do que nunca,
cara! – Adam dá um tapa nas costas dele.
— Sabores... – Ash fala.
Escolhemos os sabores, cada um escolheu um. Pelo visto a noite seria longa.
Começamos a noite na sala
mesmo, falamos sobre futebol, música, shows que estariam acontecendo na cidade,
planos para o 4 de julho. Ash contou as últimas dos gêmeos. Eles acharam umas
fotos da gente em Mystic City, e disseram o nome de todos, mas o de Emily,
Angie apontou e disse “Titi” e abraçou. Nem Ash nem Artie haviam
mostrado essas fotos para eles. Eles ficaram surpresos com a reação dela. Assim
como nós. Pude perceber a alteração na fisionomia de Drew. Nesse momento, tocam
a campainha.
— As pizzas chegaram! – Ele
diz aliviado, pois percebeu que eu iria falar algo.
— Estranho! Não interfonaram
da portaria?! – Adam constatou. Drew se levanta e abri a porta. Para espanto de
todos, o entregador... Melhor, a entregadora era conhecida.
— Por isso, não interfonaram.
– Ash falou baixo
— Boa noite! – Ela disse
entregando as cinco pizzas a Drew. – Ora, ora, ora! Uma reunião entre amigos e
eu não fui chamada! Estou decepcionada, querido!
— Como você disse: reunião entre
amigos – Respondi, reforçando esse “amigos”, e Adam me puxava o braço.
— Penny, por favor.
— O que você está fazendo
aqui? – Drew perguntou de forma seca
— Queria lhe fazer uma
surpresa. Mas acho que eu é quem foi surpreendida. – Meu telefone toca. Vejo
quem é e mostro a Adam. Saímos da sala para a varanda.
***
Drew Davis
— Pois é. Eu lhe disse que
queria ficar só hoje.
— Mas você não está só,
querido! – ela fala enquanto caminha para o sofá
— Você tem razão. Mudei de
ideia. E chamei meus amigos para ficarem comigo.
— E eu não sou sua amiga?
— E você tem amigos? – Ash
perguntou
— Ashley, não se mete. – Artie
advertiu
— Não sou eu quem está se
metendo.
— Tenho, querida – soou mais
falso que nota de três dólares. – Acho que tenho mais do que você.
— E por que não aproveita a
noite dos amigos, e vai ficar com eles? Pelo visto, eles lhe suportam. – Ashley
continua enfrentando Becca.
— Você vai permitir que ela
fale assim comigo?
— Vem cá. – E a levo para a
cozinha. – Escuta. Só queria ter uma noite com eles, certo? Fazia muito tempo
que não nos reuníamos. Você não gosta deles e vice-versa. Será que poderia
entender isso e ir embora?
— Você quer que eu vá embora?
— Preferia que vocês se dessem
bem, mas não posso ter tudo. Hoje quero muito ficar com eles. É difícil de você
entender? – Procuro minha voz mais doce, embora estivesse fervendo de raiva por
ela ter aparecido sem ser convidada.
— Mas a culpa não é minha, meu
amor! Essa tal de Penny que fez minha caveira pro Adam e para sua cunhada, que
fez a de seu irmão. Ela colocou todos contra mim. – Fala com uma voz melosa,
mexendo nos botões de minha camisa.
— É, Penny é realmente uma
pessoa difícil. – Concordo com ela para ver se ela vai embora. – Mas Adam é
como um irmão para mim. E ele a ama. – Toco seus lábios com os meus – E gosto
de estar com ele.
— Só vou se prometer ficarmos
juntos amanhã. – Continua com a voz melosa.
— Passo em sua casa no final
da tarde. Preciso revisar um projeto para uma reunião na segunda logo cedo –
Informo logo antes dela reclamar. Falou em trabalho, ela fica quieta.
— Então estamos combinados. –
E se dirige até a porta. – Tchau Ash e Artie, manda beijos para seus filhotes e
diz para os dois lá fora que deixei um abraço bem apertado no Adam. – Ela se
despede provocando.
***
Penny Davis
Quando atravessamos a porta,
atendo a chamada de vídeo dela.
— Emm?! Aconteceu alguma
coisa?
— Não posso ter saudades de
minha amiga?
— E ainda somos?
— Penny, o que é isso? – Adam
reclama
— Oi, Adam. Saudades suas
também! Deixa para lá, eu mereço. Espero que ainda sejamos.
— O que houve? Esteve
chorando. – Percebo em seu rosto.
— Arrependimento.
— De...?
— Tanta coisa, mana! Mas o
mais importante é o de ter me afastado de vocês dois.
— E por que fez isso? – Adam
perguntou. – Não entendi essa sua reação.
— Os motivos mais óbvios foram
a distância e o trabalho. Mas teve outro ainda mais importante.
— E não vai nos dizer qual é,
né? – Pergunto
— Preciso e tenho que dizer.
Mas não quero que seja por telefone.
— Está pensando em vim para
cá?
— Na verdade, estava pensando
em vocês virem para Maui.
— Nós?! No Havaí? – Minha voz
oscila entre alegria e surpresa.
— Sim. No feriado. Pago a
passagem dos dois. E ficam aqui em casa.
— Mama! Mama! – Ouço uma voz
de bebê.
— O que foi isso?
— Ah! Isso... – ela está
escondendo algo, a expressão dela a denuncia – foi a TV. Então vocês virão?
— Não sei. Precisamos ver com
o trabalho.
— Venham. Tirem férias. 10
dias no Havaí, com tudo pago. Passagem, hospedagem com a melhor vista de Maui,
passeios. Tudo incluído. Mas por favor, Adam, por favor mesmo, não contem para
os outros.
— Por quê? – Adam pergunta
— Quando vierem para cá
entenderão.
— Quanto suspense! – Adam diz
— Te ligamos para dar a
resposta. Escuta. Estamos no Drew, quer falar com o pessoal?
— Quem tá aí? – Ela sai de
onde está e vai a uma espécie de varanda.
— Além de nós dois, Artie e
Ash, e o dono do apartamento. – Diz Adam
— E a mocreia da namorada
dele.
— Mana, estou com uma ligeira
impressão de que você não gosta dela.
— Ninguém gosta. – Respondo.
— Quero falar com Artie e Ash.
Deixa Drew com a namorada.
— Pelo visto ela já foi. – Diz
Adam que espiou pelo vidro. E entramos.
— Pessoal, nossa turma está
completa. – Digo enquanto viro o telefone.
— Oi, pessoal! Que bom ver
todos! – Ela os cumprimenta.
— Amiga, quanta saudades!
Quando você vem aqui?
— Não sei mesmo. Parece que
terei uma reunião aí em agosto, mas não é certeza. Se for realmente marcado,
aproveito a viagem e tiro uns dias de férias.
— Maravilhoso! Assim você
conhece os gêmeos. – Artie celebra
— Oi, Emm! – A voz de Drew soa
tão cheia de carinho, como eu não o ouço a muitos anos.
— Oi, An... Drew! Como você
está?
— Estou levando. E você?
— Bi bi bi – ouço novamente um
grito infantil
— Tá assistindo programa
infantil? – Questiono.
— Não, é um seriado que tem um
bebê. Gente foi muito bom falar com vocês. Mas preciso ir. Ah! Estou bem sim,
Drew. Morrendo de saudades de todos. Beijos.
— Tchau. – Todos se despedem
uníssono. – E ela desliga a ligação.
Saímos da casa de Drew, por
volta da meia noite. Aquelas vozes de crianças não saíram da minha cabeça. Nem
que me tirassem da sociedade, agora eu irei para Maui. Quero saber o que todos
estão nos escondendo esses anos todos.
***