segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Livro 3 - Paixão Renovada - Capítulo 9


Emily Campbell

Ao ver a foto anexa àquela mensagem, meu corpo tremeu, respirar ficou doloroso. O ar parecia sumir de meus pulmões. Quanto mais inspirava, menos ar entrava. Fui ao chão. Não estava no escritório muito menos em casa. Estava na fábrica, rodeada por operários. Aos poucos minha visão foi ficando turva, as falas tornaram-se zunidos. E de repente, tudo desapareceu. Tudo ficou escuro.
Não sei quanto tempo fiquei desfalecida. A muito tempo não tinha isso. Quando abri meus olhos estava numa enfermaria.  Ao meu redor estavam Nola e Kaleo. Suas caras eram pura preocupação.
— Onde estou?
— Na enfermaria da fábrica. -. Kaleo respondeu
— O que aconteceu?
— Você viu algo em seu telefone e desmaiou. Não lembra?
— Não. Cadê meu telefone? – Nola está resistente em me dizer – Nola, onde está meu telefone? - Pergunto com bastante ênfase.
— Aqui está. – Kaleo me entrega.
— Vamos ver o que eu vi antes. – E começo a ver. De repente paro numa mensagem de um número desconhecido. – Esse número é de Nova York! – Abro novamente a mensagem – Não pode ser! Como?!?!
— O que foi, Emm? – Nola pergunta apreensiva com minha surpresa.
— Ele não pode... Preciso... Vou...
— Emm, você está ficando alterada novamente. Isso não é bom. – Nola adverte.
— Vou chamar a enfermeira. – Avisa Kaleo e sai ao mesmo tempo em que faço uma ligação.
— Tina, tudo bem? É Emily.
— Diga sumida! Como andam as coisas em Maui?
— Em Maui está tudo ótimo. O problema está em Nova York.
— O que aconteceu?
— Quando Taylor foi solto?
— Sua vó não lhe disse? Falei com ela. E me disse que não tínhamos com que nos preocupar porque você ainda estava morando em Maui.
— Quando foi isso?
— Tem mais ou menos um mês.
— Meu Deus! Como ele achou meus filhos?!
— Filhos? Você tem filhos? E como você sabe que ele encontrou seus filhos?
— Vou lhe mandar uma foto. – E lhe envio a foto que o desgraçado tirou com meus filhos ao fundo. – Assim.
— O que ele quer?
— Não sei. Só mandou a foto.
— Você está onde?
— Em Maui. Voltei a morar em Nova York, por isso meus filhos estão lá, estão com o pai. Precisei vim para cá a trabalho. Tina, o que eu faço?
— Por enquanto, só alerte seu marido que tenha cuidado com as crianças.
— Não sou casada. Mas falarei com a babá. E depois?
— Vou ver com Scott o que você poderá fazer. Converse com Penny também, ela poderá tomar alguma providência jurídica.
— Obrigada. Tchau – Desligo o telefone e começo a ligação para Sabrina.
— Quem é Taylor? – Nola me pergunta
— Alguém que deveria estar morto. Sabrina?
— Olá, Emily. Tudo bem?
— Não. Não está nada bem. Essa semana no parque algum desconhecido se aproximou dos meninos?
— Sim. Mas não era desconhecido. Ele disse que era um amigo seu de sua cidade natal. Como ficou sabendo? Ele falou com você? Por sinal muito simpático. Elogiou muito os bebês.
— Ele é tudo menos simpático e meu amigo. A partir de agora os meninos só saem de casa acompanhados de Drew, Adam ou Artie. Mais ninguém. Fui clara?
— O que está acontecendo? Nem com os avós ou Penny e Ash?
— Só se um desses três estiverem juntos. Isso é uma ordem.
— Emily você está me assustando. O que está acontecendo?
— Esse cara é muito perigoso e quer meu mal.
— Meu Deus! Eu não sabia...
— Tudo bem. Apenas faça o que estou dizendo. Vou tentar voltar o mais rápido possível.
— Certo. Se me perguntarem por que não estou levando os meninos para passear, o que digo?
— Diga que eu dei essa ordem. Falarei com... – O som de uma mensagem me interrompe, olho de quem é, o mesmo número – Drew. Preciso desligar.
— Não se preocupe.
— Isso não existe. Tchau. – Desligo o telefone e abro a mensagem.

“Ora. Ora. Ora. Se minha Mi não me traiu da maneira mais sórdida!
Não quis me dar um filho e para o playboy deu dois.
Não tem problema. Teremos os nossos. Ele que fique com esses sem graça.
Se quiser que os bastardos vivam, vai terminar tudo com o playboyzinho e voltar para mim. E sabe muito bem do que sou capaz.”

Meu Deus! O que vou fazer? Começo a chorar. Nola se aproxima, tira o telefone de minha mão e lê a mensagem.
— Isso é uma brincadeira de mal gosto, não é? – sacudi a cabeça entre soluços. – Ele não faria mal às crianças, faria? – Não consigo fazer outra coisa se não chorar – Precisamos resolver isso. Você não pode ceder a essa chantagem?
— E o que eu posso fazer?
— Vou chamar Rick.
— Não. Eu não quero ninguém envolvido.
— Pode não querer à vontade. Mas eu vou chamá-lo, quer queira quer não. – E ela pega o telefone e liga para ele. Meia hora depois estamos os três em meu escritório conversando.
— Quem é ele, por que ele quer que você se separe de Drew e por que ele machucaria seus filhos. – Derek me fuzila com perguntas
— É uma longa história.
— Temos tempo.
— Não. Eu não tenho tempo. Preciso resolver isso. É a vida de meus filhos.
— Converse comigo. Sabe se tem alguém que pode lhe ajudar agora, sou eu. – Então decido contar tudo a ele.
***


Drew Grant

Hoje é sábado e não falo com Emliy desde quarta-feira. Era para ela retornar esse fim de semana. Não consigo entender essa nova ordem que ela deu a Sabrina.
— Sabrina, por favor, me explica novamente. Por que Emm disse para você não ir passear com os meninos? – Pedi explicação assim que ela entrou em meu escritório.
— Ela não me deu nenhum motivo. Já disse ao senhor. Na quarta ela me ligou e disse que os meninos só sairiam de casa acompanhados só do senhor, de seu irmão ou do senhor Evans.
— E não disse mais nada?
— Perguntei se não poderíamos sair com seus pais. E ela reafirmou que só se um de vocês três estivessem com eles.
—O que aconteceu? Tem falado com ela?
— Todos os dias. Pelo menos três vezes, como desde que viemos para cá.
— Ela disse quando volta?
— Esse fim de semana. Não garantiu a data.
— A próxima ligação quero falar com ela, ouviu?
— Já disse a ela, senhor, mas ela disse que não quer falar com o senhor.
— Não importa. A próxima ligação, me chama, não importa o que ela diga.
— Sim, senhor. Mais alguma coisa? – A dispenso e volto a me concentrar na reforma da casa dela.
A manhã do sábado está calma, os meninos brincando na sala de TV com a babá. Meus pais fazendo suas coisas. De repente ouço uma confusão vindo da sala de TV. A voz de minha mãe parece alterada. “Deus! Ela está discutindo novamente com Sabrina”. Largo tudo e vou separar as duas.
— O que está acontecendo aqui?
— Essa insolente não quer deixar que eu e seu pai levemos nossos netos ao parque.
— Senhor Grant, expliquei a senhora Grant que já é tarde para levá-los ao parque.
— Isso é uma mentira, meu filho. Semana passada eu a vi levando os dois nesse mesmo horário.
— Mãe, a senhora sabe que Emily pediu que os meninos só saíssem comigo junto e agora eu não posso sair.
— Agora tá! Quem essa menina pensa que é?
— A mãe deles. E para trazê-los prometi que as ordens dela seriam cumpridas à risca.
— Mas isso é ...
— Acabou mãe. No final da tarde nós cinco iremos ao parque, tudo bem? – A contra gosto ela concordou.
— Sem saber o porquê fica difícil controlar minha mãe.
— Eu sei disso. – O telefone dela toca. – É ela, senhor.
— Me dê o telefone. – Ela me passa imediatamente. – Emily. Você pode me explicar o que está acontecendo?
— Drew?! Eu liguei para o celular de Sabrina?!
— Eu sei. Peguei da mão dela e atendi. Pode me explicar o porquê dessa história de prender os meninos em casa?
— Quando eu chegar aí nos falamos. Agora passa para Sabrina por favor.
— Não. Quero uma explicação agora.
— Droga, Drew. Passa a porra desse telefone logo para Sabrina. Minha conversa com você é pessoalmente.
— Só passo depois que conversamos. – Ela desliga o telefone. – Desligou.
— Ela vai brigar comigo. – telefone toca novamente – Emily... Ele tomou da minha mão... Quando? ... Tudo?... Farei isso... Vai ser complicado... Tudo bem.
— O que ela disse?
— Chega amanhã e pediu para que arruma-se as coisas dela e dos meninos.
— Por quê? Para quê?
— Voltará para o Brooklyn.
— Como é? Sabrina o que está acontecendo? Me diga logo.
— Sr. Drew. – Percebo a indecisão em seu rosto. - Eu não posso. Vai me complicar ainda mais.
— Não se preocupe com nada. Apenas me conte.
— Ela recebeu uma foto e ficou toda apavorada. Me disse que ia explicar ao senhor.
— Que foto?
— Essa. – E ela me mostra a foto de um homem em primeiro plano e mais afastado o carrinho dos bebês.
  Quem é esse... – Não reconheci a princípio – Mas esse é o...! O que ele está fazendo aí?
— Ele se apresentou como amigo dela. Mas ela me disse que ele não é amigo.
— Não. De amigo, ele não tem nada. – Comento com fúria nos olhos.
— Foi o que ela disse.
— E o que mais?
— Mas nada. Depois que ela me mandou a foto reafirmou a ordem e não disse mais nada. Sr. não posso perder esse emprego.
— Não se preocupe. Não comentarei nada com ela.
— Agradeço. Vou subir para começar a arrumar o que me pediu. – Assinto e fico brincando com os meninos.

***

Emily Campbell

Chego em Nova York no final da tarde do domingo. Pego um táxi e vou direto para a casa de Drew. Aluguei um apartamento até que a reforma da casa termine, mas não poderei ficar lá hoje. Só pegarei a chave amanhã de manhã. Iremos passar a noite no apartamento de Penny. Depois de me instalar irei conversar com Stephanny. Preciso alinhar alguns pontos com ela.
O carro para em frente ao prédio. Pago a corrida, pego minhas malas, respiro fundo e entro. O porteiro não me reconhece, ele então interfona e sou autorizada a subir. Molly abre a porta.
— Que história é essa de não me deixar passear com meus netos?
— Olá, Molly. A viagem foi tranquila e também estava com saudades.
—Tá. Tá. Exijo uma explicação.
— Realmente não lhe devo satisfações das decisões que tomo em relação aos meus filhos. Sabrina! – Chamo-a e não tenho retorno. – Onde eles estão?
— Saíram com Drew. Afinal estavam presos dentro de casa.
— Que bom que é uma prisão enorme. – Digo cinicamente. – Bem, espero que não demorem. Precisamos ir logo.
— Ir?! Para onde?
— Para nosso canto.
— Mas as obras ainda não acabaram! – Ela está sem entender
— Eu sei. Mas aluguei um espaço para mim e meus filhos.
— Você vai embora?
— Vamos.
— Meus netos ficam. – Ela diz autoritária.
— Não vou discutir com você. Com sua licença, vou aproveitar enquanto espero para ir descendo nossas coisas. – E subo para o quarto, não estou em condições de se quer conversar com ela sobre assuntos triviais. Imagine sobre esse!
Entro no quarto em que, embora tivesse comprado minha casa, considerava meu também. Os poucos dias que estive aqui fui muito feliz. Sonhei em ficar aqui, construir realmente nossa família. Entro no closet, vejo que Sabrina havia começado a arrumar minha mala. Não havia muitas coisas minhas e dos meninos. Afinal, não viemos para ficar. A empresa que contratei lá traria a maioria. Começo a finalizar minha mala, as lágrimas começam a correr por meu rosto. Escoro-me na parede onde fica o espelho de corpo inteiro e que dá acesso ao banheiro, deslizo por ela, agarro meus joelhos quando sento no chão e choro compulsivamente.
— O que foi que eu fiz para merecer isso, meu Deus?! Não já sofri o bastante? Não já perdi muito? Estava tão feliz em Maui. Estava feliz aqui. Fui feliz aqui. Por que preciso viver esse sofrimento?
— Que sofrimento está vivendo? – Dou um sobressalto quando ouço sua voz.
— Drew?! – Enxugo minhas lágrimas, ergo-me do chão, — Sofrimento?! Que sofrimento?
— Vamos parar com a encenação? Eu te ouvi muito bem. De que sofrimento você está falando? E por que está indo embora?
— Estamos indo porque precisamos de nosso canto. – Respiro fundo para dar-lhe a pior notícia que eu poderia. – Não pertencemos a esse lugar. Eu não pertenço a esse lugar.
— Que história é essa? Claro que pertence. Seu lugar é ao meu lado – Ele se aproxima para me abraçar. “Deus como queria me entregar a esse abraço”, mas o afasto. Ele estranha. — Anjo, o que está acontecendo?
— Isso – e aponto para nós dois. — Não vai dar certo. Você terá todo acesso às crianças, ficarão com você sempre que quiser. É só avisar que Sabrina os levará até você. Mas nós dois, terminamos aqui.
— Você só pode estar brincando. Que inferno, Emily! – Ele grita e joga as mãos para cima — O que foi que Taylor lhe falou?
— Taylor?! O que ele tem a ver com isso? Nada! Eu tomei essa decisão por mim. É o melhor para mim. Só isso.
— Sei que você não me acha burro, então não ficarei ofendido. Mas eu vi a foto que enviou para Sabrina.
— O que foi que Sabrina lhe contou?
— Ela não teve culpa. Peguei o celular dela e achei a foto e a obriguei a me contar o que aquele cara tinha feito.
— Ele não fez nada. Ele não disse nada. – Quero contar tudo, mas Derek me aconselhou a deixar todos de fora. Ele está providenciando tudo, junto com a polícia de Nova York e a de Mystic City. — Vou ver se Sabrina já arrumou as coisas dos meninos e vamos embora.
— Para onde vocês vão?
— Hoje para o apartamento de Penny. Amanhã para um que aluguei até a casa ficar pronta.
— Por favor, não faça isso. Seja lá o que for que ele tenha exigido, daremos um jeito.
— Drew, entenda. Tenho que fazer isso. Por mim. Por noss... – Pego minha sacola e vou até a escada, chamo Sabrina, ela já está lá embaixo com os meninos e as coisinhas deles. – Estou levando apenas o que trouxemos, eles vão precisar de brinquedos e roupas aqui para quando vierem ficar com você. – Digo buscando uma força que não sei de onde vem. — Obrigada por tudo.
E desço a escada. Beijo meus filhos na testa, eles estão agitados por me verem. Não tenho muito tempo para os festejos de boas vindas deles. Preciso sair dali com urgência, se não fraquejo. Tenho outra batalha para lutar no Brooklyn.
***

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