Emily
Campbell
Ao ver a foto anexa àquela mensagem, meu corpo
tremeu, respirar ficou doloroso. O ar parecia sumir de meus pulmões. Quanto
mais inspirava, menos ar entrava. Fui ao chão. Não estava no escritório muito
menos em casa. Estava na fábrica, rodeada por operários. Aos poucos minha visão
foi ficando turva, as falas tornaram-se zunidos. E de repente, tudo
desapareceu. Tudo ficou escuro.
Não sei quanto tempo fiquei desfalecida. A
muito tempo não tinha isso. Quando abri meus olhos estava numa enfermaria. Ao meu redor estavam Nola e Kaleo. Suas caras
eram pura preocupação.
—
Onde estou?
—
Na enfermaria da fábrica. -. Kaleo respondeu
—
O que aconteceu?
—
Você viu algo em seu telefone e desmaiou. Não lembra?
—
Não. Cadê meu telefone? – Nola está resistente em me dizer – Nola, onde está
meu telefone? - Pergunto com bastante ênfase.
—
Aqui está. – Kaleo me entrega.
—
Vamos ver o que eu vi antes. – E começo a ver. De repente paro numa mensagem de
um número desconhecido. – Esse número é de Nova York! – Abro novamente a
mensagem – Não pode ser! Como?!?!
—
O que foi, Emm? – Nola pergunta apreensiva com minha surpresa.
—
Ele não pode... Preciso... Vou...
—
Emm, você está ficando alterada novamente. Isso não é bom. – Nola adverte.
—
Vou chamar a enfermeira. – Avisa Kaleo e sai ao mesmo tempo em que faço uma
ligação.
—
Tina, tudo bem? É Emily.
—
Diga sumida! Como andam as coisas em Maui?
—
Em Maui está tudo ótimo. O problema está em Nova York.
—
O que aconteceu?
—
Quando Taylor foi solto?
—
Sua vó não lhe disse? Falei com ela. E me disse que não tínhamos com que nos
preocupar porque você ainda estava morando em Maui.
—
Quando foi isso?
—
Tem mais ou menos um mês.
—
Meu Deus! Como ele achou meus filhos?!
—
Filhos? Você tem filhos? E como você sabe que ele encontrou seus filhos?
—
Vou lhe mandar uma foto. – E lhe envio a foto que o desgraçado tirou com meus
filhos ao fundo. – Assim.
—
O que ele quer?
—
Não sei. Só mandou a foto.
—
Você está onde?
—
Em Maui. Voltei a morar em Nova York, por isso meus filhos estão lá, estão com
o pai. Precisei vim para cá a trabalho. Tina, o que eu faço?
—
Por enquanto, só alerte seu marido que tenha cuidado com as crianças.
—
Não sou casada. Mas falarei com a babá. E depois?
—
Vou ver com Scott o que você poderá fazer. Converse com Penny também, ela
poderá tomar alguma providência jurídica.
—
Obrigada. Tchau – Desligo o telefone e começo a ligação para Sabrina.
—
Quem é Taylor? – Nola me pergunta
—
Alguém que deveria estar morto. Sabrina?
—
Olá, Emily. Tudo bem?
—
Não. Não está nada bem. Essa semana no parque algum desconhecido se aproximou
dos meninos?
—
Sim. Mas não era desconhecido. Ele disse que era um amigo seu de sua cidade
natal. Como ficou sabendo? Ele falou com você? Por sinal muito simpático.
Elogiou muito os bebês.
—
Ele é tudo menos simpático e meu amigo. A partir de agora os meninos só saem de
casa acompanhados de Drew, Adam ou Artie. Mais ninguém. Fui clara?
—
O que está acontecendo? Nem com os avós ou Penny e Ash?
—
Só se um desses três estiverem juntos. Isso é uma ordem.
—
Emily você está me assustando. O que está acontecendo?
—
Esse cara é muito perigoso e quer meu mal.
—
Meu Deus! Eu não sabia...
—
Tudo bem. Apenas faça o que estou dizendo. Vou tentar voltar o mais rápido
possível.
—
Certo. Se me perguntarem por que não estou levando os meninos para passear, o
que digo?
—
Diga que eu dei essa ordem. Falarei com... – O som de uma mensagem me
interrompe, olho de quem é, o mesmo número – Drew. Preciso desligar.
—
Não se preocupe.
—
Isso não existe. Tchau. – Desligo o telefone e abro a mensagem.
“Ora. Ora. Ora. Se minha Mi
não me traiu da maneira mais sórdida!
Não quis me dar um filho e
para o playboy deu dois.
Não tem problema. Teremos os
nossos. Ele que fique com esses sem graça.
Se quiser que os bastardos
vivam, vai terminar tudo com o playboyzinho e voltar para mim. E sabe muito bem
do que sou capaz.”
Meu Deus! O que vou fazer? Começo a chorar.
Nola se aproxima, tira o telefone de minha mão e lê a mensagem.
— Isso é uma brincadeira de mal gosto, não é? –
sacudi a cabeça entre soluços. – Ele não faria mal às crianças, faria? – Não consigo
fazer outra coisa se não chorar – Precisamos resolver isso. Você não pode ceder
a essa chantagem?
— E o que eu posso fazer?
— Vou chamar Rick.
— Não. Eu não quero ninguém envolvido.
— Pode não querer à vontade. Mas eu vou
chamá-lo, quer queira quer não. – E ela pega o telefone e liga para ele. Meia
hora depois estamos os três em meu escritório conversando.
— Quem é ele, por que ele quer que você se
separe de Drew e por que ele machucaria seus filhos. – Derek me fuzila com
perguntas
— É uma longa história.
— Temos tempo.
— Não. Eu não tenho tempo. Preciso resolver
isso. É a vida de meus filhos.
— Converse comigo. Sabe se tem alguém que pode
lhe ajudar agora, sou eu. – Então decido contar tudo a ele.
***
Drew
Grant
Hoje é sábado e não falo com Emliy desde
quarta-feira. Era para ela retornar esse fim de semana. Não consigo entender
essa nova ordem que ela deu a Sabrina.
— Sabrina, por favor, me explica novamente. Por
que Emm disse para você não ir passear com os meninos? – Pedi explicação assim
que ela entrou em meu escritório.
— Ela não me deu nenhum motivo. Já disse ao
senhor. Na quarta ela me ligou e disse que os meninos só sairiam de casa
acompanhados só do senhor, de seu irmão ou do senhor Evans.
— E não disse mais nada?
— Perguntei se não poderíamos sair com seus
pais. E ela reafirmou que só se um de vocês três estivessem com eles.
—O que aconteceu? Tem falado com ela?
— Todos os dias. Pelo menos três vezes, como
desde que viemos para cá.
— Ela disse quando volta?
— Esse fim de semana. Não garantiu a data.
— A próxima ligação quero falar com ela, ouviu?
— Já disse a ela, senhor, mas ela disse que não
quer falar com o senhor.
— Não importa. A próxima ligação, me chama, não
importa o que ela diga.
— Sim, senhor. Mais alguma coisa? – A dispenso
e volto a me concentrar na reforma da casa dela.
A manhã do sábado está calma, os meninos
brincando na sala de TV com a babá. Meus pais fazendo suas coisas. De repente
ouço uma confusão vindo da sala de TV. A voz de minha mãe parece alterada. “Deus!
Ela está discutindo novamente com Sabrina”. Largo tudo e vou separar as
duas.
— O que está acontecendo aqui?
— Essa insolente não quer deixar que eu e seu
pai levemos nossos netos ao parque.
— Senhor Grant, expliquei a senhora Grant que
já é tarde para levá-los ao parque.
— Isso é uma mentira, meu filho. Semana passada
eu a vi levando os dois nesse mesmo horário.
— Mãe, a senhora sabe que Emily pediu que os
meninos só saíssem comigo junto e agora eu não posso sair.
— Agora tá! Quem essa menina pensa que é?
— A mãe deles. E para trazê-los prometi que as
ordens dela seriam cumpridas à risca.
— Mas isso é ...
— Acabou mãe. No final da tarde nós cinco
iremos ao parque, tudo bem? – A contra gosto ela concordou.
— Sem saber o porquê fica difícil controlar
minha mãe.
— Eu sei disso. – O telefone dela toca. – É
ela, senhor.
— Me dê o telefone. – Ela me passa
imediatamente. – Emily. Você pode me explicar o que está acontecendo?
— Drew?! Eu liguei para o celular de Sabrina?!
— Eu sei. Peguei da mão dela e atendi. Pode me
explicar o porquê dessa história de prender os meninos em casa?
— Quando eu chegar aí nos falamos. Agora passa
para Sabrina por favor.
— Não. Quero uma explicação agora.
— Droga, Drew. Passa a porra desse telefone
logo para Sabrina. Minha conversa com você é pessoalmente.
— Só passo depois que conversamos. – Ela
desliga o telefone. – Desligou.
— Ela vai brigar comigo. – telefone toca
novamente – Emily... Ele tomou da minha mão... Quando? ... Tudo?... Farei
isso... Vai ser complicado... Tudo bem.
— O que ela disse?
— Chega amanhã e pediu para que arruma-se as
coisas dela e dos meninos.
— Por quê? Para quê?
— Voltará para o Brooklyn.
— Como é? Sabrina o que está acontecendo? Me
diga logo.
— Sr. Drew. – Percebo a indecisão em seu rosto.
- Eu não posso. Vai me complicar ainda mais.
— Não se preocupe com nada. Apenas me conte.
— Ela recebeu uma foto e ficou toda apavorada.
Me disse que ia explicar ao senhor.
— Que foto?
— Essa. – E ela me mostra a foto de um homem em
primeiro plano e mais afastado o carrinho dos bebês.
— Quem é
esse... – Não reconheci a princípio – Mas esse é o...! O que ele está fazendo
aí?
— Ele se apresentou como amigo dela. Mas ela me
disse que ele não é amigo.
— Não. De amigo, ele não tem nada. – Comento
com fúria nos olhos.
— Foi o que ela disse.
— E o que mais?
— Mas nada. Depois que ela me mandou a foto
reafirmou a ordem e não disse mais nada. Sr. não posso perder esse emprego.
— Não se preocupe. Não comentarei nada com ela.
— Agradeço. Vou subir para começar a arrumar o
que me pediu. – Assinto e fico brincando com os meninos.
***
Emily Campbell
Chego em Nova York no final da tarde do
domingo. Pego um táxi e vou direto para a casa de Drew. Aluguei um apartamento
até que a reforma da casa termine, mas não poderei ficar lá hoje. Só pegarei a
chave amanhã de manhã. Iremos passar a noite no apartamento de Penny. Depois de
me instalar irei conversar com Stephanny. Preciso alinhar alguns pontos com
ela.
O carro para em frente ao prédio. Pago a
corrida, pego minhas malas, respiro fundo e entro. O porteiro não me reconhece,
ele então interfona e sou autorizada a subir. Molly abre a porta.
— Que história é essa de não me deixar passear
com meus netos?
— Olá, Molly. A viagem foi tranquila e também
estava com saudades.
—Tá. Tá. Exijo uma explicação.
— Realmente não lhe devo satisfações das
decisões que tomo em relação aos meus filhos. Sabrina! – Chamo-a e não tenho
retorno. – Onde eles estão?
— Saíram com Drew. Afinal estavam presos dentro
de casa.
— Que bom que é uma prisão enorme. – Digo
cinicamente. – Bem, espero que não demorem. Precisamos ir logo.
— Ir?! Para onde?
— Para nosso canto.
— Mas as obras ainda não acabaram! – Ela está
sem entender
— Eu sei. Mas aluguei um espaço para mim e meus
filhos.
— Você vai embora?
— Vamos.
— Meus netos ficam. – Ela diz autoritária.
— Não vou discutir com você. Com sua licença,
vou aproveitar enquanto espero para ir descendo nossas coisas. – E subo para o
quarto, não estou em condições de se quer conversar com ela sobre assuntos
triviais. Imagine sobre esse!
Entro no quarto em que, embora tivesse comprado
minha casa, considerava meu também. Os poucos dias que estive aqui fui muito
feliz. Sonhei em ficar aqui, construir realmente nossa família. Entro no
closet, vejo que Sabrina havia começado a arrumar minha mala. Não havia muitas
coisas minhas e dos meninos. Afinal, não viemos para ficar. A empresa que
contratei lá traria a maioria. Começo a finalizar minha mala, as lágrimas
começam a correr por meu rosto. Escoro-me na parede onde fica o espelho de
corpo inteiro e que dá acesso ao banheiro, deslizo por ela, agarro meus joelhos
quando sento no chão e choro compulsivamente.
— O que foi que eu fiz para merecer isso, meu
Deus?! Não já sofri o bastante? Não já perdi muito? Estava tão feliz em Maui.
Estava feliz aqui. Fui feliz aqui. Por que preciso viver esse sofrimento?
— Que sofrimento está vivendo? – Dou um
sobressalto quando ouço sua voz.
— Drew?! – Enxugo minhas lágrimas, ergo-me do
chão, — Sofrimento?! Que sofrimento?
— Vamos parar com a encenação? Eu te ouvi muito
bem. De que sofrimento você está falando? E por que está indo embora?
— Estamos indo porque precisamos de nosso
canto. – Respiro fundo para dar-lhe a pior notícia que eu poderia. – Não
pertencemos a esse lugar. Eu não pertenço a esse lugar.
— Que história é essa? Claro que pertence. Seu
lugar é ao meu lado – Ele se aproxima para me abraçar. “Deus como queria me
entregar a esse abraço”, mas o afasto. Ele estranha. — Anjo, o que está
acontecendo?
— Isso – e aponto para nós dois. — Não vai dar
certo. Você terá todo acesso às crianças, ficarão com você sempre que quiser. É
só avisar que Sabrina os levará até você. Mas nós dois, terminamos aqui.
— Você só pode estar brincando. Que inferno,
Emily! – Ele grita e joga as mãos para cima — O que foi que Taylor lhe falou?
— Taylor?! O que ele tem a ver com isso? Nada!
Eu tomei essa decisão por mim. É o melhor para mim. Só isso.
— Sei que você não me acha burro, então não
ficarei ofendido. Mas eu vi a foto que enviou para Sabrina.
— O que foi que Sabrina lhe contou?
— Ela não teve culpa. Peguei o celular dela e
achei a foto e a obriguei a me contar o que aquele cara tinha feito.
— Ele não fez nada. Ele não disse nada. – Quero
contar tudo, mas Derek me aconselhou a deixar todos de fora. Ele está
providenciando tudo, junto com a polícia de Nova York e a de Mystic City. — Vou
ver se Sabrina já arrumou as coisas dos meninos e vamos embora.
— Para onde vocês vão?
— Hoje para o apartamento de Penny. Amanhã para
um que aluguei até a casa ficar pronta.
— Por favor, não faça isso. Seja lá o que for
que ele tenha exigido, daremos um jeito.
— Drew, entenda. Tenho que fazer isso. Por mim.
Por noss... – Pego minha sacola e vou até a escada, chamo Sabrina, ela já está
lá embaixo com os meninos e as coisinhas deles. – Estou levando apenas o que
trouxemos, eles vão precisar de brinquedos e roupas aqui para quando vierem
ficar com você. – Digo buscando uma força que não sei de onde vem. — Obrigada
por tudo.
E desço a escada. Beijo meus filhos na testa,
eles estão agitados por me verem. Não tenho muito tempo para os festejos de
boas vindas deles. Preciso sair dali com urgência, se não fraquejo. Tenho outra
batalha para lutar no Brooklyn.
***
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