terça-feira, 11 de agosto de 2020

Livro 3 - Paixão Renovada - Capítulo 17

 Emily Campbell

 

Depois do susto de saber que foi Molly que contou toda minha história com Taylor para Rebecca, de saber que Drew sabia, não consegui ficar em casa. Então decido ir para o trabalho. Embora não tivesse cabeça para aquilo tudo. Mas durante toda minha vida, trabalho e estudo foram minha válvula de escape. Mas minhas más notícias não haviam terminado. Os problemas nas filiais e acusações do conselho estavam no auge. Duas linhas de produção haviam parado por causa dos operários insatisfeitos, a decisão do fechamento das creches nas filiais não fora bem recebida por eles. Uma terceira, além desse problema, ainda tinha insatisfação com a carga horária que aumentara por causa de um grande pedido, estavam a mais de dois meses fazendo horas extras e não estavam sendo remunerados. É claro que o conselho estava me culpando. E Stephanny estava tendendo para o lado dos conselheiros.

De minha parte fiz o que pude para resolver de longe as pendências. Conversei com o financeiro para a liberação antecipada dos valores das horas extras. Com muita relutância, interferência de todos os lados, consegui que liberasse imediatamente o referente a um mês, com a promessa de que no próximo pagamento receberiam o outro mês. Mas o problema das creches não seria resolvido. Estavam todos em minha cabeça.

“Meu Deus! Tudo acontecendo no mesmo dia! O mundo caiu sobre a minha cabeça”. Estou em pé em frente à janela olhando o rio East e ao longe a Ellis Island com a Senhora Liberdade ao fundo. “O que vou fazer? Não sei se conseguirei continuar trabalhando aqui. Fiz uma burrada muito grande quando sai da A4, fiz outra quando aceitei esse cargo. Profissionalmente, foram grandes oportunidades, mas também foram duas grandes besteiras. Nas duas, sai da minha área de expertise e fui fazer o que não me trazia prazer.” O interfone toca

— Sim?

— Emily. A srta Davis está aqui.

— Deixa-a entrar. Mana! Parece que você adivinhou!

— Drew me ligou e contou tudo. Adam confirmou a história dele.

— Então todos sabiam dessa traição de Drew?

— Só os rapazes e Dave.

— Só os rapazes? Só os rapazes, Penny! – Altero o tom de minha voz, indignada.

— Ei calma!

— Adam podia ter me contado, não acha?

— Lembra que ele não contou seu segredo para Drew? Não era lugar dele lhe contar.

— Desculpa! Estou com a cabeça cheia. – E volto para a Estátua da Liberdade – Ela representa liberdade e nos dá boas vindas. Hoje é o dia para me sentir realmente livre. Acabaram as ameaças, Taylor está morto, Rebecca na cadeia. Mas me sinto presa.

— Por que se sente assim? – Ela se aproxima de mim

— Realmente, eu não sei. Não me sentia assim, desde... desde...

— Mystic City com Taylor. – Aceno com a cabeça. – Está se sentindo presa a Drew?

— Amo Drew, não me entenda errado.

— Claro que não. Mas...?

— Mas estou presa a tudo isso.

— Tudo isso o quê?

— Nova York, Drew, esse emprego. Tudo!

— Está pensando em ir embora?

— Estou pensando em ser dona de minha vida.

— Como assim? – O interfone toca

— Sim...

— A senhora Fletcher na linha 2.

— Certo. Espera um pouco. Oi, Stephanny.

— Resolveu o problema das paralisações?

— Temporariamente, sim.

— Como assim, temporariamente?

— O que eles querem a empresa não dará.

— As creches. Isso está fora de cogitação. Aliás, estamos fechando a de Maui.

— Talvez assim eles aceitem a situação. Não tendo mais em lugar nenhum, não tem por que eles quererem, já que foi uma informação que vasou e não foi uma promessa dessa gestão.

— O que você está insinuando?

— Não estou insinuando nada. Estou apenas dizendo que ao contrário do que o conselho e você acreditam, nem eu nem minha equipe prometemos creches para lugar nenhum. As creches eram um projeto do meu coração para a empresa. Mas como a decisão foi não as instalar, acatei. Se vasou não foi do meu escritório nem do de Maui.

— Você mudou muito depois que assumiu esse cargo.

— É. Talvez não devesse tê-lo aceitado. Mas fiz por minha família. Porém não fui só eu quem mudou depois que eu assumi esse cargo. Sua confiança em minhas decisões também mudou.

— Não é que não confie em você...

— Sra. Fletcher, eu entendo sua posição. Não se preocupe. Enquanto for sua funcionária, farei o que a sra. e seu conselho determinarem. É para eu comunicar a Maui o fechamento da creche?

— Não precisamos nos tratar desse jeito.

— Sei que não é desculpa, mas hoje não está sendo um bom dia para mim, sabe. Descobri que os ataques que sofri foram arquitetados pela ex-namorada de meu namorado com a ajuda da mãe dele. Então, vamos direto ao ponto, eu preciso informar a Maui do fechamento ou não?

— Sinto muito em saber. Sim, essa seria sua função. Mas...

— Não se preocupe, informarei agora mesmo. Mais alguma coisa?

— Não. Era só isso. – Desligo o telefone.

— April, me liga com Maui por favor. – Viro-me para Penny – É disso que estou falando.

— Você não está satisfeita aqui. – Nego com a cabeça – E o que pretende fazer?

— Realmente não sei. Acho que, o primeiro passo é ir para minha casa, ter meu espaço. – Ela concorda – Falei com Lisa, a casa está quase pronta. Preciso mudar.

— E o que Drew acha disso? – April me chama no interfone novamente

— Cooper na linha 5.

— Obrigada, April. Veja para mim o que tem em minha agenda para hoje, por favor. Aloha, Cooper, como estão as coisas por aí?

— Aloha. As coisas estão caminhando. E por aí?

— Não tenho boas notícias para vocês.

— O que foi?

— O conselho e Stephanny decidiram cancelar as creches, incluindo a de Maui.

— Até que demorou para nos fecharem.

— Você já esperava isso?

— Emm, sua ideia de levar a todos e unir filhos de chefes com os de operários? É claro que não iam aceitar.

— A desculpa é o financeiro e a rentabilidade.

— Balelas, sabemos disso. Mas como já estava desconfiando, já vinha conversando com Kaleo e ele prevenindo os funcionários. A direção aqui não vai gostar nada disso. Temos duas novas crianças na creche, filhos de diretores.

— Tô sabendo. Mas fazer o quê? Acatar a decisão da dona.

— Você está desanimada. Algo mais?

— Não. As creches eram meus bebês. E foram abortados. Fazer o quê?

— Criar um novo bebê.

— Sabe de uma coisa? Você tem razão. Vou criar um novo bebê

— Sabe que estou dizendo outro projeto, não sabe?

— Claro que sei. Os gêmeos já me dão trabalho demais. Bom, desculpa a notícia. Vamos ganhar dinheiro para os outros. Aloha. – Desligo o telefone.

— Gostei do sorriso quando falou de um novo bebê.

— É, Cooper me deu uma boa ideia. Preciso de um novo projeto.

— Emm, você não tem mais nenhum compromisso hoje. – April me informa.

— Ótimo. Terminem o que ainda estiver pendente, e podem ir embora. Vamos sair daqui? – Penny concorda com a cabeça.

— Vamos. Para onde?

— Pro The Dead Rabbit. Vou ligar para as meninas. Noite das meninas!

— Faz tempo que não temos isso!

— Faz muito tempo mesmo! Eu ainda não era mãe. Ash, encontre a mim e a Penny no The Dead Rabbit... Na Water Street, número 30. Avisa a Lisa. Vamos. – Saímos do escritório.

— Srta. vamos para onde? – Dom me pergunta

— Faça como os outros. Pode ir para casa.

— Tenho ordens para...

— Ir para sua casa. Eu estou lhe dispensando por hoje, Dom. Não tem mais necessidade de você ficar na minha cola o dia inteiro. – Estou brigando com ele.

— Emm, menos. – Penny me chama a atenção.

— Desculpa, Dom. Não quis ser rude, mas sério, pode ir para casa. Amanhã, às sete no apartamento de Drew, tudo bem? – Ele acena com a cabeça. — Vamos, mana! Pessoas, até amanhã.

— Senhorita, pelo menos, deixe-me acompanhá-las até o bar onde vão. – Olho para Penny

— Não vai machucar ele nos acompanhar, vai?

— Certo, nos deixa lá e vai embora, combinado? – Ele acena com a cabeça.

Saímos andando pela South Street, até o Memorial dos Veteranos da Guerra do Vietnam, atravessamos para a rua Water e continuamos até chegar. Agradeço a Dom pela companhia e nos despedimos dele. Escolhemos uma mesa onde as quatro poderíamos nos sentar. O garçom vem até onde estamos e nos entrega o cardápio.

— Preciso ligar para Sabrina ou Petra. – Lembro.

— Então liga. Vou olhando o cardápio aqui.

— Ok. – Pego o celular e faço a ligação. – Petra, oi! Queria um favor ou seu ou de Sabrina.

— Pode falar, Emily.

— Vou me encontrar com minhas amigas e chegarei bem mais tarde hoje. Uma de vocês poderia ficar até Drew chegar e dar o jantar dos meninos?

— O sr. Drew já está em casa. Mas podemos sim ficar e dar o jantar aos meninos.

— Obrigada, Petra. Ah! Não precisa falar nada com Drew, ok?

— Sim, senhorita. Boa noite. – Desligo o telefone.

— Que tal pedirmos para começar o trio de whiskey irlandês deles?

— Vamos nessa! – Chamamos o garçom.

— Por favor, traga dois trios, para começarmos! – Ele acena com a cabeça e sai. — Antes de falar com Cooper, você estava dizendo que queria mudar logo para sua casa. – Aceno com a cabeça. – E Drew está ciente disso?

— Minha mudança para o apartamento dele sempre foi temporária, Penny. Não vou morar com ele.

— Sei, mas ele sabe dessa sua ansiedade em mudar? É isso que estou perguntando.

— Sabe. Ele sempre soube que não me sinto à vontade na casa dele. Só saí do seu apartamento por causa dos pais dele e dos meninos.

— Aqui está! Aproveitem.

— Faz o seguinte, traga uma rodada de Stella. E vai alternando as rodadas, combinado? – Faço o pedido.

— Tá a fim de nos embriagar? – Penny pergunta.

— Estou a fim de me sentir livre, posso? – Ela acena com a cabeça.

— Então, e esse bebê? O que será?

— Ainda não sei. Mas provavelmente será meu bebê e não para os outros.

— Isso é bom. Um projeto para você. À liberdade!

— À liberdade!

— Você nos trouxe a um...

— Pub! – Ergo a taça de whiskey – Garçom!

— Bom te ver de bom humor, Emm!

— Traz mais dois desse antes das cervejas, ok? – Ele acena com a cabeça.

— Chegaram a muito tempo?

— Não. Só estou leve. A cretina foi presa!

— Artie nos disse. Contou também o que a mãe deles fez.

— Não quero falar sobre isso. Vamos comemorar.

— Aqui estão. Aproveitem!

— À liberdade!

E nossas bebidas não pararam de chegar. Era terminando uma rodada começando outra. Já estávamos na quarta rodada de whisky quando vejo Drew entrando no pub. Ele com Ethan. “Com quem ele deixou meus filhos?!”

— Tá bom, - minha voz está meio arrastada – qual das três avisou a ele onde estávamos?

— A quem? – Ash pergunta virando para trás.

— Acho bom pedirmos algo para ela comer. – Lisa pondera.

— Não quero comer nada. – Esbravejo. — Penny, sua traidora!

— Não falei com ele hoje. – Penny se defende.

— Boa noite, senhora e senhoritas. – Ele nos cumprimenta.

— Ethan, não já acabou seu turno? – Eu pergunto.

— Pedi para que ele me acompanhasse. – Ele me responde — Não acha que já bebeu demais.

— Sinceramente, depois de tudo o que eu vivi nesses últimos meses, acho... Melhor, tenho certeza que não. Ash, suas taças ainda estão cheias, vai beber?

— Pode beber. – Ela me responde.

— Melhor não. Vamos...

— Drew, vem cá comigo, por favor! – Penny o tira de perto de mim, conversa com ele, que vai embora. Porém deixa Ethan conosco.

— Ele só pode estar brincando. Ei, Ethan! Vem cá. – Ele se aproxima.

— Pois não, senhorita!

— É o seguinte, não preciso mais de guarda-costas. Meus algozes ou está morto ou preso. Pode ir para casa. Estou com minhas amigas.

 — Emm, Ethan fica para levá-la para casa. Só isso. Foi esse o acordo que fiz com Drew.

— Mas eu vou com você para o Brooklyn. Vamos dormir juntas.

— Infelizmente, não vai rolar nós duas hoje. Adam vai para lá.

— Inferno! Lisa, minha amiga! Posso me mudar quando?

— Só falta concluir o escritório, um quarto de visita e parte da área de recreação.

— O térreo e o primeiro andar estão prontos?

— Estão.

— Então posso me mudar antes do fim de semana?

— Poder pode. Mas preferiria acabar tudo primeiro.

— Hummm! Não! Farei minha mudança amanhã no final da tarde.

— Amanhã estará de ressaca e não se lembrará disso. – Penny me lembra.

— Lembrarei sim, minha cara. Lembrarei!

— Vamos comer algo? Garçom! – Ash chama. – O que sai mais rápido? Não importa, chegue na cozinha e peça o que demorar menos a ficar pronto. Precisamos alimentar essa jovem.

— Verificarei.

— Obrigada! O que está acontecendo com ela, Penny?

— Realmente não sei. Estava muito pensativa e filosófica hoje em seu escritório.

— Será que a história deles acabou?

— Não! Ela o ama. Mas acho que ela está repensando as escolhas dela.

— Vocês não beberam seus whiskies.

— E nem você vai mais beber. – Penny me alerta. – Você poderia providenciar uma garrafa de água e um copo com bastante gelo? – Uma garçonete acena com a cabeça. -. Obrigada.

— Não vou parar ainda está cedo.

— Emm, já é tarde e todas nós trabalharemos amanhã. – Lisa comenta.

— Aqui está seu pedido, senhora! – A garçonete entrega a água

— Vamos beba um pouco. – O outro garçom coloca um prato na mesa. — E coma também.  – Ash me oferece o copo e o garfo.

— Não quero água nem comida.

— Deixe disso. Anda beba e coma. – Penny ordena. E eu obedeço.

Depois de beber e comer quase tudo, ainda quero festejar.

— Garçom, mais uma rodada.

— Emm, não. A conta, por favor. – Ash pede a conta ao garçom.

— Eu não quero ir embora. – Falo pausadamente

— Mas nós queremos que vá. – Penny me diz. — Mana, sei que tem sido difícil para você. Mas não precisa comemorar tudo de uma vez.

— P, Eu não quero voltar para o apartamento de Drew.

— Eu sei. Mas não quer acordar com os meninos?

— Meus filhos! Eles são lindos! Mas a cara do pai! Traidores!

— Não são não. Eles são um lembrete de Deus de que vocês são um do outro. Vou levá-la até o carro com Ethan. – E saímos andando.

— E a conta?

— As meninas pagam. Vamos. – Concordo com a cabeça. E nos dirigimos até o carro.

— Ethan, vamos deixar Penny na casa dela primeiro, certo?

— O senhor Drew já havia me pedido isso.

— Ele pensa em tudo. Só não pensou em me falar que a mãe dele ajudou para quase me matarem.

— Não fale bobagens.

Então, pegamos a DRF e a ponte do Brooklyn e seguimos até o apartamento de Penny. Ethan a espera entrar e seguimos de volta para Manhattan.

A claridade do novo dia me desperta. Olho para um lado e para o outro. Não lembro de nada.

— Como eu cheguei aqui? – Coloco as mãos em minhas têmporas. – Aiii – Gemo de dor.

— Carregada.

— Não grita!

— Desculpa. – Ele sai da poltrona e se senta ao meu lado. — Que bom que se divertiu ontem com as meninas, mas não podia esperar o fim de semana? Como vai trabalhar assim? – Sua voz é doce e gentil.

— Tomo algum analgésico, logo passa. – Ele sorri – Se não passar disfarço.

— Tudo bem. Não esquece de beber água. Muita água. Precisa se reidratar. – Aceno com a cabeça.

— Drew, ontem quando foi até o pub, deixou os meninos com quem?

— Sabrina e Petra. Dormiram aqui.

— Não devia ter feito isso.

— Elas viram que eu estava preocupado com você e se ofereceram.

— E você em vez de recusar e ficar com os meninos, foi atrás de mim. - Levanto-me da cama e vou em direção ao banheiro.

Começo a me arrumar para descer e tomar café. Encontro as duas dando o café dos meninos.

— Bom dia, garotas! Quero agradecer a vocês por ontem a noite. Mas não precisava dormir aqui.

— Emily, nós estamos acostumadas a dormir na casa das crianças. Vocês são os primeiros a não fazer isso. – Sabrina comenta.

— Mas nosso acordo é de não dormir em casa. Petra, pedi que não disse a Drew, não pedi?

— Mas não fui eu quem disse.

— Fui eu, senhorita.

— Dom. Esqueci de dizer para você não fazer isso.

— Eu o faria de qualquer forma, tenho minhas ordens. – Olho para ele com desagrado.

— Bom, se não posso confiar em você uma ordem, acho que isso não dará certo. Mas conversamos depois. – Pego uma caneca de café. – Meninas, as malas dos meninos estão prontas?

— O sr. Drew disse para não fazermos.

— Isso não vai dar certo mesmo! Quero que tirem a manhã de hoje para arrumar as roupas e alguns brinquedos deles para nossa mudança. Vamos para o Brooklyn hoje a tarde. E não quero chegar aqui mais tarde e saber que não cumpriram novamente um pedido meu. Estamos entendidas?

— Sim, senhorita.

— Quando Drew descer, diga-lhe que estou na área da piscina e quero falar com ele.

Vou até a piscina. Fico olhando para o horizonte e pensando. “Isso não está dando certo mesmo. Ele está passando por cima de mim como pessoa. Por mais que o ame, não vou me anular por causa desse sentimento novamente. Já sofri demais, preciso me impor. E a primeira coisa é sair daqui.”

— Disseram que queria falar comigo.

— Sim. Senta aqui. – E aponto para o sofá na área coberta – Eu venho passando por muita coisa desde que meus pais morreram. Você sabe disso. – Ele acena com a cabeça – Então, e a pior delas foi meu relacionamento com Taylor. Não me trouxe nada de bom. Muito pelo contrário. Só fez minar a mim como pessoa.

— Emm, onde quer chegar?

— Já chegarei. Como eu passei, você também passou. Perder sua irmã quando deveriam estar com ela, deve ter sido a pior dor do mundo para você e Artie. Entendo sua preocupação com nossa segurança. Em nos querer perto de você, principalmente depois de tudo que vivemos esses últimos meses.

— Mas...

— Não sei como falar.

— Vou ser direto. Você está terminando.

— Não! Não é isso. Mas estou me sentindo presa.

— Presa?! Como assim?

— Não é só você. É como estava falando com Penny ontem. É o trabalho, é nosso relacionamento, é esse apartamento. É tudo.

— E?

— Preciso tomar as rédeas de minha vida nas minhas mãos novamente.

— E o que pretende fazer?

— Não posso fazer muitas mudanças agora, mas acho que preciso fazer algo.

— Emily, você pode me dizer logo?

— Estou indo morar em minha casa com os meninos a partir de hoje.

— Mas ainda não entregamos a obra.

— Eu sei. Mas Lisa disse que as áreas principais da casa estão prontas. Os meninos não vão sentir.

— E eu? Como ficarei?

— Drew, você sempre soube que isso era temporário. Não estou feliz.

— Arf! – Ele respira fundo – Sentirei falta de vocês aqui. Mas entendo.

— Obrigada. Eu amo você. Ontem, hoje e sempre! – deslizo até ele e o beijo no rosto.

— Também te amo, ontem, hoje e sempre! – E me beija a boca.

Enquanto eu e Sabrina organizamos nossas coisas nos quartos, Petra aproveitava o final de tarde com os meninos no jardim da casa. Eles estavam, apesar das roupas de frio, se sentindo livres, cavando o chão frio. Correram muito. Da janela do meu quarto pude ver a alegria deles. Estavam gritando, sorrindo. Antes de Lisa e sua equipe encerrar o dia, converso com ela sobre um dos cômodos do porão.

— Tem um cômodo lá embaixo que não determinamos sua função ainda, não foi?

— Isso. Aquele à esquerda de quem desce as escadas. Por quê? Pensou em algo?

— Pensei sim. Drew retirou a escada que dava para a área externa, mas acho que vou pedir para ele reavaliar essa ideia. E quero transformar aquele espaço em um escritório. O que acha?

— É um bom espaço. Mas para que a escada?

— Para clientes e funcionários terem acesso.

— Funcionários? Pensei que estava falando do seu escritório em casa.

— Estou com uma ideia aqui. Vou elaborar mais. Talvez veja com ele a possibilidade de refazer o porão todo.

— Bom, veja isso e conversamos. Já vou indo. Espero que esteja tudo a seu agrado.

— Nem expressei minha admiração pelo que vocês fizeram. A casa ficou maravilhosa! Os quartos dos meninos estão perfeitos. Um pedacinho de Maui em Nova York mesmo. Muito obrigada, amei tudo.

— Ficamos felizes que gostaram. Tchau

Precisava passar no mercado para fazer compras. Então deixei os meninos com as babás e os seguranças e fui andando com Dom no mercado próximo. Devo ter demorado cerca de uma hora no mercado. Comprei o básico para fazer o café da manhã e o jantar para todos nós. Dom me ajudou com as sacolas. Quando cheguei em casa, Drew estava lá.

— Oi linda! Sentindo-se melhor?

— Por incrível que pareça, estou. Ver os meninos no jardim correndo foi reconfortante. – Dou-lhe um beijo.

— Vejo que foi ao mercado.

— Onde coloco, senhorita?

— Pode colocar sobre os balcões na cozinha. Venha, vamos conversar enquanto preparo o jantar para todos. Amo isso no Brooklyn, tem de um tudo perto de onde moramos, sempre. Petra achou uns dois playgrounds a mais ou menos 10 minutos daqui, além de uns outros um pouco mais distantes.

— Seu medo ao escolher essa casa, era eles não terem onde brincar.

— Era. Estou feliz com a casa.

— Ela ficou muito bonita mesmo. Lisa se supera cada projeto.

— Depois do jantar mostro o quarto dos meninos. Quero conversar com você sobre algumas coisas. – Vamos conversando enquanto cozinho.

— O quê?

— Algumas novas obras.

— Outras?!?!

— É. Mas antes quero falar sobre trabalho.

— O que tem?

— Estou pensando em sair.

— Pedir demissão?

— É. Não estou satisfeita com o que tenho feito na Fletcher. Mas preciso pensar em como vou ficar financeiramente, já que não terei renda por algum tempo.

— Peraí! Você não está pensando em procurar outro escritório antes?

— Não. Estou pensando em abrir o meu.

— Que maravilha, Emm! Faça seus estudos, e no que decidir conte comigo. Eu a ajudarei no que for preciso.

— Obrigada! Vai ficar um pouco apertado, mesmo com a renda da agência e dos investimentos.

— Daremos um jeito. Mas o ideal seria não ter despesas com a casa.

— Não comece. Não vou voltar para Manhattan.

— Não iria sugerir isso. Talvez eu possa assumir os salários das babás e as despesas daqui.

— Não! Posso tomar conta de mim e de minha família.

— Emm, se a guarda fosse sua, decidida em um tribunal, eu não teria que pagar uma pensão aos meninos? – Concordo com a cabeça – Então? Considere o valor como o da pensão. E seria temporário. Enquanto você se organiza.

— Drew!

— Só quero que seja feliz. – Largo tudo e o beijo. – E quanto às obras? Por que você não pensou nisso antes?

— Porque as necessidades mudaram, desde que comprei a casa. E sei que irá mudar ainda mais.

— Concordo. Então no que está pensando.

— Aquele cômodo lá embaixo, o que está sem função.

— O que é que tem ele?

— Quero transformá-lo em meu escritório, com recepção e duas salas.

— Bom para isso precisaríamos rever algumas coisas.

— Sei que precisaria de uma entrada externa.

— Teríamos que recolocar a escada. – Concordo com a cabeça.

E continuamos conversando. Jantamos. Dispensamos as meninas. Há a troca dos seguranças. Ficamos na sala da família vendo os meninos brincarem um pouco até o horário deles dormirem. Então subimos. Ele ficou encantado com a decoração dos quartos deles. E assim recomeço minha vida em minha casa nova, com meus filhos e o namorado mais lindo, que me apoia em tudo.

Dentre as providencias que tinham urgência, a primeira que tomei foi a compra de um carro para mim, e um outro para ficar à disposição dos meninos. Para mim comprei um chevrolet Spark, cinza grafite e o segundo carro foi uma SUV Tahoe preta. Foi um gasto necessário.

O Natal foi especial. A princípio eu e Drew discordamos onde e com quem passaríamos a data. Ele queria reunir nossas famílias em seu apartamento. Eu não queria rever a mãe dele de forma alguma. Mas acabei cedendo. Fizemos uma grande festa na casa dele. Vieram Nana e os pais de Penny, os pais de Ash, esse ano, até os pais e irmãos de Adam vieram. Nossas casas estavam cheias. Não sobrou cômodos. Depois da ceia, é hora de acender as luzes de Natal, estamos todos ao redor da grande árvore que instalamos na entrada do apartamento.

— Agora vamos ligar as lá de fora. – Drew e Adam sugerem.

— Vocês estão loucos?! Olha o frio lá fora. – Penny reclama.

— Não vou levar meus filhos para esse frio. – Eu também reclamo.

— Os meninos estão devidamente agasalhados. – Ash fala.

— Deixem de serem medrosas, nem tá tão frio assim. – Artie comenta.

Olho para Penny, que dá com os ombros: — Ok! Vamos. – Dizemos, nos agasalhamos e saímos, todos das famílias.

— Vão para aquele lado. – Artie comanda.

— Está nevando! – Penny reclama.

— Adam, que mulher para reclamar! – Artie fala – Como você aguenta?

— Com muito amor! – Ele responde — E com muita paciência.

— Adam! – Ela grita.

— Shishi! Faça o que Artie pediu. É o melhor lugar para ver.

Então assumimos nossa posição. Eu estava de mãos dadas com meus filhos, Artie vem e os tira de mim, Drew e Adam estão onde um grande painel fora colocado. Discretamente, eu e Penny somos colocadas na frente de todos por Artie e Ash. Olhamos para eles e nos olhamos.

— Preparados? Em 3, 2, 1.

As luzes são acesas. Mas o painel não. Tempo o suficiente para que os dois se coloquem em frente a ele, ajoelhados em um joelho só. Novamente olho para Penny, que está com as mãos na boca e olhando para mim, só então percebo que estamos na mesma posição. Olhamos para os dois.

— Não podia ser de forma diferente. – Adam começa.

— Juntas vocês cresceram – A vez é de Drew.

— Juntas estudaram.

— Juntas moraram, e graças a Deus não moram mais. – risos de todos.

— As conheci primeiro e me apaixonei, de formas diferentes, pelas duas.

— Amei você à primeira vista.

— Você me conquistou aos poucos. Hoje...

— E sempre...

— Não nos vemos mais sem vocês em nossas vidas – Disseram juntos.

O painel se ilumina: ACEITAM CASAR CONOSCO? E os dois abrem as caixinhas da Tiffany. Cada uma com um anel lindo.

— SIM!!! SIM!! – Penny grita e corre até Adam. Ele coloca o anel no dedo dela, a abraça e os dois se beijam.

Eu não consigo falar nada. Choro e sacudo a cabeça, não consigo sair do lugar. Ash me empurra, então caminho até Drew, sento-me em seu joelho e o abraço, enfio minha cabeça em seu ombro.

— Anjo, isso é um sim?

— Sim, claro que aceito me casar. – Levanto a cabeça – Mas só com você. Não com Adam. – E todos riem e ele coloca o anel em minha mão.

— Anjo, podemos levantar? O joelho está congelando. – Dou risada e levantamos e todos entramos.

Todos se aproximam de nós quatro e nos parabenizam.

— Mamãe chora não! – Trixie me conforta.

— É de felicidade meu anjo. É de felicidade.

— Emily, podemos conversar? – Molly me chama.

— Mãe, por favor.

— Você também. Quero falar com os dois.

— Pode falar, Sra. Grant. – Permito

— Entendo que esteja magoada comigo...

— Magoada, não. Por sua causa fiquei sem meus filhos, fui internada, fiquei em coma, quase morri. Mágoa é pouco.

— Eu sei. E juro a você que me arrependo muito de tudo que aconteceu com minha ajuda. E espero que um dia possamos conviver em paz.

— Irei conviver com você estritamente o necessário, por causa de Drew e de meus filhos. Pode ter certeza de que eu nunca os afastarei de você. Mas quanto a mim, o quanto mais longe estiver e se mantiver de mim, melhor. – E me retiro.

Quanto ao trabalho, deu meu aviso de duas semanas. Ou seja, no início do ano estaria deixando a Fletcher Co para montar a minha própria empresa. Quanto a essa, Penny entrou como sócia silenciosa. Enquanto estruturava a empresa com Penny, correndo atrás da parte burocrática, a A4 fazia a reforma para meu escritório. Em fevereiro, foi inaugurada a Campbell Management, dedicada ao gerenciamento de riscos financeiros. Estava navegando por praias conhecidas e que me deixavam cheias de prazer.

 

***

Nenhum comentário:

Postar um comentário