sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Livro 3 - Paixão Renovada - Capítulo 15

Gente, quanta emoção nesse final de livro! 

Torço para que nosso anjo Bennie não esteja sofrendo nas mãos desse maluco? Mas quem será ele? Ou será ela? O que Drew descobriu? Deus! Quanta pergunta. 

Não perca tempo! Leia logo o capítulo! 

Drew Campbell

 

— Me responda! Como você pode compactuar com isso? – falo mais alto que o de costume

— Do que você está falando, meu filho? – Meu pai entra no quarto – Com o que ela compactuou?

— Olha isso. – Passo o celular para ele

— De quem são esses números?

— Um deles é de Taylor, o que ele usava para chantagear Emily. – E me volto para ela novamente – Como? Por quê? Por quê, mãe?! – Estou aos gritos

— Você não fez isso? Fez?! – A voz de meu pai refletia decepção.

— Eu não fiz nada! – Ela tenta se defender

— Como não?! E essas mensagens? Vai dizer que eu estou lendo errado, mãe? Que você não mandou ou recebeu essas mensagens?

— Para de mentir, Molly. Por que você colocou esse homem em nossas vidas?

— Não fui eu quem o colocou em nossas vidas, foi ela.

— Mãe, ele não sabia onde nós morávamos, não sabia que Emily estava aqui muito menos dos meninos. A senhora disse a ele, a senhora colocou seus netos em perigos. Por sua causa, Emily quase morreu.

— Não. Não foi minha culpa. O que eu fiz foi pensando em meus netos e em você, meu filho.

— Pensando em mim?!?! – Grito novamente

— O que está acontecendo? – Artie entra no quarto – Ei, cara, por que está gritando com a mamãe?

— Leia isso. – Meu pai lhe passa o celular

— O que significa isso, mãe? – A voz dele é dura, porém calma

— Significa que ela entrou em contato com aquele maníaco e minha namorada, mãe de meus filhos quase morreu. Ainda diz que fez pensando em mim. – Já perdi completamente o controle. – PENSANDO EM MIM! Quero você fora da minha casa hoje. – Estou gritando

— Filho não faz isso. – Ela me segura

— HOJE, OUVIU D. MOLLY?

— Drew? Por que você está gritando com sua mãe? – Olho para a porta e vejo Emily, Ash, Penny e Lisa no corredor.

— Por nada. Vou procurar meu filho. – Volto me para ela pela última vez. – E espero que não tenha acontecido nada com ele. – E saio do quarto, sem olhar para traz e sem responder a Emily.

 

Emily Campbell

 

Não pude ficar na presença de Drew. A culpa era minha que meu filho havia sido sequestrado. Precisava fazer o que estavam querendo. Então, por mais que me doesse, teria que ir embora dali. Entro no quarto, pego uma mala, jogo-a sobre o balcão no closet e começo a colocar minhas roupas dentro dela.

— Emm, o que você está fazendo? – Lisa me pergunta

— Vou embora. Preciso ir.

— E fazer a vontade do chantagista? Fazer seus filhos sofrerem?

— É melhor vê-los sofrendo com o pai, do que não os ver de forma alguma.

— Você está de cabeça quente. Pare com isso, e venha aqui, vamos conversar um pouco. – E me leva para o sofá da varanda, onde sentamos.

— Lisa, levaram meu pequenino! O que vão fazer com ele?

— Nada. É só para assustar vocês.

— Ele é muito pequenininho! – me abraço a ela e choro.

Choro como nunca mais pensei que fosse chorar. De repente ouço gritos vindo de algum ponto da casa.

— O que está acontecendo? – Pergunto

— Fica aqui que vou ver. – Lisa se prontifica

— Não, eu vou. – E saio do quarto

Percebo que era Drew quem estava gritando. E vinha do quarto onde os pais estavam dormindo. Nunca presenciei Drew tão irritado. Então, me dirijo até o outro lado do apartamento. No caminho vejo que Artie está indo na mesma direção e atrás deles as meninas e Adam.

— Mana, como você está?

— O que está acontecendo? – Ash pergunta

— Meu filho sumiu e meu namorado está gritando com alguém, como acha que eu estou?

— Perdão. – Penny se desculpa.

Continuo andando em direção ao quarto. Elas falam algo. A conversa do outro lado parece que vai se acalmando quando Artie entra. De repente outro grito de Drew.

— PENSANDO EM MIM! – e continua falando algo em um volume um pouco mais baixo.

— Gente, o que aconteceu com Drew? – Adam pergunta

— Com quem ele está gritando desse jeito? – Ash estranha.

Chego na porta do quarto, ao meu lado, Penny e Ash. Percebo que ele está gritando com a mãe.

— Drew? Por que você está gritando com sua mãe?

— Por nada. Vou procurar meu filho. – Ele se vira para ela. – E espero que não tenha acontecido nada com ele. – E saiu do quarto, sem olhar para traz e nem me responder.

— O que aconteceu aqui? – Ela pergunta

— Espero que esteja satisfeita. Você jogou meu filho contra mim.

— Eu fiz o quê?

— Molly já chega. – Dave fala duramente com ela. – Emm não lhe fez nada. Você. A única culpada disso é você. Vou atrás de meu filho.

— Alguém pode me dizer o que está acontecendo aqui? Por favor?

— Meninas, levem-na para o quarto. – Artie pede

— PAREM! Meu filho desapareceu. Drew gritou com a mãe. QUEREM ME DIZER QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI? – Dessa vez sou eu quem grita.

— Ainda não temos certeza. Mas, assim que soubermos lhe diremos, tudo bem? – Ele tenta me acalmar.

— Venha, querida. Vamos esperar lá embaixo. Logo teremos notícias. – E as três me puxam para fora do quarto e Adam foi acompanhar Drew e Dave, Artie ficou com a mãe.

 

Drew Grant

 

Saio do quarto soltando fumaça. “Como ela pode fazer isso?! Como!!!” Não consigo entender. Desço para a sala, olho ao redor, ouço de longe a vozinha de Trixei brincando com Sabrina. Passo pela sala de TV e vejo as duas. O desespero me encontra, vou para o escritório. Sento em minha mesa, pego o celular, ligo para Rydan.

— Rydan, alguma notícia?

— Estamos checando as imagens do circuito interno.

— Preciso que você venha aqui em casa. Posso ter descoberto quem estar por trás das ameaças.

— Como assim?

— Venha até aqui.

— Estou indo. – Desligo o telefone.

— Cara, o que foi aquilo? – Adam entra no escritório com meu pai

— Ela estava entrando em contato com Taylor, A.

— Acho que toda aquela gritaria prejudicou minha audição. Parece que ouvi você dizendo que sua mãe estava em contato com Taylor.

— Ele disse isso mesmo.

— Como assim? Por quê? Como ela o descobriu?

— Isso caberá a polícia descobrir.

— Você não vai entregar sua mãe. – Meu pai me adverte

— Rydan já está subindo. – Informo

— Cara, é sua mãe.

— Que colocou meus filhos em perigo.

— Pera aí. Mas Taylor não está com Bennie. Derek o matou. Você mesmo viu o corpo.

— Mas ela colocou aquele crápula de volta em nossas vidas.

— Senhor, o detetive Rydan. – Gwen nos informa

— Traga-o até aqui, por favor!

— Senhores. O que tem para mim, Grant? – Pouco depois entra na sala

— Drew, você vai se arrepender. – Meu pai me adverte

— Minha mãe estava em contato com Taylor.

— Sua mãe? Como?

— Encontrei no celular dela algumas mensagens para ele e outro número desconhecido.

— Cadê o celular? – Tiro-o do meu bolso e o entrego — Reconhece esse número? – Nego com a cabeça – E sua mãe, onde ela está?

— No quarto.

— Pode chamá-la?

— Pai? – Meu pai acena com a cabeça e sai

— Bem, enquanto esperamos, posso lhe garantir que até agora, Ben ainda está no prédio.

— Como pode garantir isso?

— As imagens das portarias, não mostram ninguém saindo desde o momento em que a babá deu por falta dele. Estamos analisando as imagens para encontrá-los.

— Já tem ideia de quem seja? – Adam questiona.

— Não.

— Quer falar comigo? – Minha mãe pergunta ao entrar no escritório.

— Sim. Quero falar com a senhora sobre isso. – Ele mostra o celular a ela.

— Sim, eu estava em contato com esse tal de Taylor.

— A senhora não podia tê-lo trazido para nossas vidas.

— Drew, vou pedir que a deixe falar. – Rydan solicitou

— Sim, deixe que ela conte. – Meu pai o apoiou

— Como estava dizendo, entrei em contato com ele poucas vezes para informar onde ela morava, ou onde ela estava enquanto estivesse aqui conosco. Mas não fui eu quem achou ele.

— E quem foi? – ele a interroga

— Não sei. Recebi uma mensagem de um telefone desconhecido que me disse que sabia como afastar Emily de Drew e dos meninos.

— E nunca viu ou falou com essa pessoa? – Questiona novamente

— Não.  Sempre foi por mensagens.

— E qual era o acordo entre vocês?

— Eu informaria os passos de Drew e Emily a essa pessoa e a Taylor.

— Esse é o número?

 — Isso. Das vezes que perguntei quem era, desconversava e parava de se comunicar.

— E sobre o desaparecimento de seu neto?

— Não era para irem tão longe. Eu juro meu filho, não era essa a ideia principal. Pelo menos era o que eu acreditava. Juro, Dave. Não queria que nada acontecesse com nenhum dos três.

— Vamos nos acalmar. Primeiro, vou focar nossos esforços em encontrar Bennie e depois nos preocuparemos com essas mensagens, tudo bem? – Acenamos com a cabeça. – Então peço que não saia da cidade, até segunda ordem.

 

Emily Campbell

 

Desço a escada. Sento-me no sofá. As meninas estão comigo. Penny senta-se ao meu lado e me abraça.

— Calma, mana. Vamos encontrar nosso anjinho. – Não falo nada, apenas choro.

— Não seria melhor dar algum calmante para ela? – Lisa pergunta

— Onde está seu remédio, mana?

— Não vou tomar remédio nenhum.

— Vou pedir para Gwen fazer um chá para todos. – Ash sai em direção à cozinha.

A campainha toca: — Deixa que eu atendo. – Lisa se oferece. Não vejo quem entra.

Minha mente gira em torno de lembranças de meu anjinho correndo pela grama de nossa casa em Maui. Pulando ondas. Celebrando quando as águas jorravam pelo Nakalele blow whole, seu passeio favorito. As risadas que ele dava assistindo seu desenho favorito. As longas conversas com Trixie.

— Meu filhote era tão feliz em Maui! Por que voltamos para essa cidade?  Precisamos voltar para lá.

— Não fale bobagens. Vocês são felizes aqui também. – Penny me repreende

— Minha Trixie? Cadê minha Trixie? – Estou desesperada.

— Ela está com a babá. Se acalme. – Sou informada por Lisa.

— Artie! – Ash o chama – Aqui, Emm! Beba esse chá.

— Oi, amor!

— Cadê Drew?

— Está no escritório.

— Ele deveria estar aqui com ela.

— Ele está ajudando a polícia.

— O que aconteceu entre ele e sua mãe? – Pergunto

— Ele descobriu algo muito sério.

— O quê? – Pergunto novamente.

— No momento certo, ele irá lhe informar. Agora beba seu chá.

Vejo Molly e Dave voltando do escritório. Adam sai com Rydan. Levanto-me.

— Você vai onde? – Ash me pergunta. E saio andando sem falar com ninguém.

— Deixa ela. – Ouço Penny falar. – Provavelmente vai procurar Trixie ou Drew

Passo pela sala de TV, vejo minha princesinha brincando, alheia ao que está acontecendo com o irmão. Olho para Sabrina, que sussurra que ela está bem, aceno com a cabeça e continuo a minha caminhada. Paro na porta do escritório.

Ele está em pé, de costas para a porta, observando a cidade. Entro, coloco a caneca com o chá intocado sobre sua mesa, me aproximo dele.

— Drew? – Ele se vira para mim — Vão encontrar nosso anjinho, não vão?

— Vão sim, meu amor. Rydan disse que não saíram do prédio com ele. Venha cá. – Eu me aproximo dele e ele me abraça. — Logo teremos nosso bebê em nossos braços.

— Pode me dizer o que aconteceu lá em cima?

— Descobri algo muito sério, só isso.

— Tão sério a ponto de você a expulsar de casa?

— Sim.

— Ela tem alguma coisa a ver com o sumiço de Bennie, não é?

— Por que diz isso? – Afastando seu corpo do meu e me virando, nos deixando frente a frente.

— Por causa de uma conversa que tive com ela. Desconfiei, mas não acreditei que ela poderia fazer algo para machucar nenhum deles. O problema dela é comigo.

— Espero, realmente, que ela não tenha nada a ver com isso. Seria muita decepção. Venha, vamos nos sentar no sofá, você está tremendo muito.

E lá ficamos por muito tempo. Só nós dois, em nossa bolha de dor. Eu com medo e culpa, e ele, a dor da decepção com a mãe. Não falamos mais nada. Apenas ficamos nos apoiando, nesse momento, sem trocar uma palavra. Nada que fosse proferido iria aliviar nossas dores ou nossos medos.

Não sei quanto tempo ficamos ali, mas de repente começaram a nos chamar. Pulei do sofá imediatamente, e saí correndo, Drew veio atrás de mim. Quando chegamos na sala, lá estava meu bebê, no colo de um policial. Lindo, assustado. Corro e o arranco dos braços daquele homem. Então eu o abraço, o beijo. Sinto o abraço de Drew por trás de mim. Nossas pernas não aguentam, nos ajoelhamos com nosso menino. Que agora chora. Chora de susto.

— Ei, vocês dois, estão assustando o menino. – Artie chama nossa atenção, mas o ignoramos.

— Onde ele estava? – Adam pergunta

— Ele foi encontrado no hall dois andares abaixo da cobertura. Sozinho. Um vizinho alertou a portaria.

— Ele estava só? Quer dizer que ninguém o pegou? – Drew ergue a cabeça e falou com o policial

— Não. Ele foi retirado da brinquedoteca por uma mulher.

— Que mulher?

— Ainda não sabemos. Mas descobriremos.

— Vou dar banho nele. – Falo levantando-me e o carregando e me dirijo ao banheiro deles.

 

Drew Grant

 

“Quem será essa mulher?” Fico me perguntando enquanto observo Emm dar banho em Bennie. “Por que pegar uma criança e largá-la sozinha? O que seria de mim se algo acontecesse com ele? Ou com qualquer um dos três?”

— Emm.

— Oi, anjo!

— Vou contratar mais uma babá e uma equipe de segurança. Já deveríamos ter feito isso.   

— Infelizmente preciso concordar com a equipe de segurança, mas não precisa de outra babá. Sabrina dá conta.

— Se ela não estivesse só...

— Com um segurança, ela não estaria só, ela teria ido atrás de Trixie e o segurança ficaria de olho em Bennie.

— Sabrina fica sobrecarregada. Não irá custar muito outra babá.

— Vamos fazer assim...

— Desculpa interromper. – Sabrina entra no banheiro dos meninos – Mas gostaria de conversar com vocês.

— Algum problema, Sabrina? – Eu pergunto

— Queria me desculpar por não ter ficado de olho em Bennie hoje.

— Estávamos falando sobre isso agora. – Drew a informa

— Quero pedir desculpas. Não tive a intenção de deixar Bennie sozinho. Achei que estivéssemos seguros aqui no prédio.

— Não tem que se desculpar, Sabrina. Você não teve culpa nenhuma. – Ele a tranquilizou.

— Não sei...

— Eu estava de cabeça quente. Lógico que não teve culpa. Estava dizendo a Emily que vou contratar alguém para lhe ajudar com eles e seguranças. Assim ficaremos todos tranquilos.

— O senhor sabe que posso dar conta dos dois, não sabe?

— Claro que sei. Você tem feito um excelente trabalho com eles. Mas com essas pessoas nos ameaçando, será bom ter olhos a mais cuidando de todos.

— Se você puder indicar alguém de confiança, seria perfeito! - Solicito

— Se os senhores querem mesmo uma indicação, eu tenho uma amiga. Fez o curso comigo. Acabou de deixar uma família porque os pais acham que o menino já está grande demais para ter uma babá.

— Ligue para ela e peça que venha amanhã. E onde está Trixie?

— Com a senhorita Penny.

— Certo. Traga-a para tomar banho, nós cuidaremos deles. Você já pode ir. Hoje foi um dia cansativo para todos. – Eu a dispenso.

Quando termino de dar banho em Trixie, descemos. Gwen fez um delicioso jantar para toda a família. Molly não desceu. Durante o jantar, tentamos a todo custo fazer com que Drew mudasse de ideia a respeito da mãe. Mas ele foi irredutível. Afirmou que mesmo sendo isenta pela polícia do sumiço de Bennie, o que ela havia feito, tinha sido muito grave para tê-la perto de seus filhos e de mim.

Antes de irem embora, perguntei às meninas se elas sabiam o que havia acontecido, mas ninguém sabia. Eles se fecharam em uma bolha. Tudo o que dizem é que Drew descobriu algo muito sério, mas que quando tivessem certeza nos contariam. Esse segredo todo não me agrada. Mas não posso fazer nada. Não agora. Molly e Dave vão para a casa de Artie.

— Eles podem dormir conosco em seu quarto?

— Em nosso quarto, Emm. O quarto é nosso.

— Essa não é minha casa.

— Essa é nossa casa. Minha casa é sua casa.

— Eles podem?

— Não precisa nem perguntar. Hoje não me separo deles por nada.

Deixo-os com o pai no quarto enquanto vou buscar os pijaminhas deles, as escovinhas de dente e um livro para a leitura da noite. Quando volto estão, os três numa conversa animada. Fico parada na porta, observando os três.

— Vem, mamã! – Bennie me chama.

— Claro meu filho! – Sento na cama e participo da conversa.

Aos poucos o cansaço vai pegando os dois. Então os trocamos, levamos para escovar os dentes. Deitamos na cama os quatro, sendo os dois entre a gente. Leio a história, pedem pro pai ler. No meio da segunda leitura ele começam a dormir. Quando estão realmente dormindo, levanto-me e vou tomar banho.

— Emm, você pode chegar aqui, por favor? – Drew me chama até o closet quando saio do banheiro.

— O que foi, babe?

— O que foi que aconteceu com suas coisas?

— Eu as estava colocando na mala.

— Por quê?

— Você sabe.

— Não, Emily. Eu não sei. – Seu tom é sério, duro.

— Bennie foi sequestrado por minha causa. Não posso mais ficar com vocês. É egoísmo meu.

— Simplesmente, eu não acredito nisso. Será que toda vez que algum problema acontecer, você vai pensar em nos abandonar?

— Não foi um simples problema. Sequestraram nosso filho e a culpa é minha por estar aqui com você. Essa pessoa nunca vai nos deixar em paz.

— Pensei que você já tinha superado isso. Como se não bastasse a decepção com minha mãe...

— O que você quer dizer com isso?

— Nada. É melhor dar esse maldito dia por encerrado. Vou tomar banho para relaxar e tentar dormir.

Ele sai do closet sem dizer mais uma palavra. Volto para o quarto, deito na cama. O estresse foi tão grande que durmo quase imediatamente. Não percebo a hora que Drew deita. Ou se ele chegou a deitar. Acordo no meio da madrugada, assustada. Procuro os meninos... Não estão na cama...

— Eu os levei para o quarto deles. Você estava muito agitada. – Ele está sentado numa das poltronas do quarto, próximo a janela.

— Tive pesadelos.

— Percebi.

— Você não dormiu?

— Não consegui. – Levanto-me e vou até ele. Sento na poltrona ao seu lado.

— Vamos conversar? – Ele dar com os ombros — Drew, foi um dia muito tenso. Eu não estava pensando claramente.

— E será sempre assim, né, Emily? Qualquer ameaça, você deixará de pensar claramente e procurará a solução mais fácil: fugir

— Você acha que é fácil para mim deixar os meninos e você novamente? – Ele dá novamente com os ombros. — Acha que não sofri quando você me deixou a três anos atrás? Quando descobri que carregava um pedaço de você comigo e não poderia estar junto? Que precisaria ir para longe, que não teria nem a minha vó comigo? Foi muito fácil, estar vivendo novamente meu amor por você, ver minha família reunida e ter que me afastar? Para a segurança de nossos filhos? – Ele dar novamente com os ombros, sem olhar uma vez sequer para mim. – Droga, Drew, olhe para mim e pare de dar com a merda dos ombros. Você realmente acha que fugir de vocês é a solução mais fácil para mim?

— Não sei o que se passa em sua mente.

— Pois eu vou lhe dizer. O único momento em que tive paz, me senti segura e confiante de que tudo daria certo foi quando estive em seus braços. Abraçada por você em seu escritório. Foi o único momento que confiei que daria tudo certo. E percebi que meu maior erro não tinha sido voltar para cá dessa vez. Meu maior erro foi ter ido embora quando engravidei.

Saio da poltrona, me ajoelho no chão, em frente a ele, afasto suas pernas, me aproximo e o abraço. Ele me devolve o abraço. E sussurro em seu ouvido:

— Eu te amo! Você é meu anjo protetor! Nunca mais sairei de perto de você.

— Meu filho foi tirado de mim! A culpa foi minha! – E ele chora

Ver aquele homem chorando, como um bebê, se culpando mais uma vez porque algo de ruim aconteceu com alguém que ele ama muito doeu meu coração.

— Me perdoa, Emm! Me perdoa! Deveria ter cuidado mais de você e dos meninos.

— Shii! A culpa não é sua.

— Já devia ter contratado seguranças para cuidar de vocês. Mas farei isso na primeira hora amanhã. Isso nunca mais vai acontecer.

— Ei, você não é culpado de nada. Nenhum de nós previu que isso aconteceria. – Ele escorrega da poltrona e nos abraçamos e nos beijamos ali mesmo num canto do quarto.

A claridade em encontra deitada na cama. O dia nasceu lindo. O sol já estava alto quando despertei. Não lembro como vim parar na cama. Tento lembrar do dia anterior. “Ontem teria sido um bom dia para ter um lapso. Não lembraria de nenhuma dor que senti.” – Penso. Mas infelizmente, lembro de tudo. Exatamente tudo.

Então, um novo dia! Levanto-me, vou para o banheiro, ligo o chuveiro, tomo um banho completo, lavo meus cabelos. Mesmo preferindo deixar meus cabelos secarem ao natural, uso o secador. Faço uma maquiagem bem caprichada, mas natural. Visto o robe e vou para o closet. Escolho uma calça justa de malha branca, pego uma blusa um pouco mais justa preta e uma blusa xadrez no armário de Drew. Queria senti-lo perto de mim. Desço direto para a cozinha, me sirvo de uma xícara de café.

— Como a senhorita está hoje? – Gwen me pergunta

— Ficaremos todos bem. E os meninos? Sabrina os levou para a brinquedoteca? – Ela acena com a cabeça. — Por que não?

— Acho que ela está com medo. A senhorita sabe. Por causa de ontem. – Aceno com a cabeça.

— Então onde eles estão? – Ela aponta para a varanda. – Humm, vou dar um cheiro neles.

— Quer alguma coisa para comer? Temos bagels. – Pego um e saio pela porta que dá na piscina e vou ao encontro deles.

— Bom dia, meus anjinhos!

— MAMÃ! – Eles largam tudo e correm para mim.

— Estão brincando com Bina? – Eles acenam com a cabeça. – Bom dia, Sabrina!

— Bom dia, Emily. Petra chegará a qualquer momento para conversar com a senhora. – Aceno com a cabeça.

— Srta. Emily, Sr. Drew pediu para que fosse vê-lo no escritório. – Gwen me avisa.

— Drew não foi para a construtora? – Elas negam com a cabeça — Deixa ver o que ele quer. – E caminho pela varanda até a sala de TV, entro por ela e vou para o escritório.

— Não foi trabalhar hoje?

— Trabalharei de casa. Sabrina me disse que em breve a babá virá conversar conosco.

— Ela me disse. – Dou uma mordida no bagel.

— Acordou com fome hoje! – Aceno com a cabeça. – Já acertei com uma agência de segurança. Os seguranças chegarão antes do meio dia.

— Quantos?!

— Solicitei dois para cada um.

— Não acha muito? Quatro seguranças para duas crianças, com duas babás?

— Não são quatro, são oito.

— Meu amor, é muito! Para que tanto?

— Dois turnos de 12 horas cada um.

— Drew para que alguém a noite aqui em casa?

— Pegaram Bennie no prédio. Então até segunda ordem. Dois para cada um de nós.

— Drew, Estamos falando de quatro seguranças à noite em casa com nós dois aqui. Deixa seis ao todo. Quatro durante o dia e dois a noite.

— Não tinha pensado nisso. Vou conversar com o pessoal da agência.

— Com licença, avisaram que a amiga de Sabrina chegou.

— Assim que subir, pode trazê-la até aqui, Gwen, por favor. – Peço. —

Então você hoje não vai à construtora?

— Não. Por quê?

— Preciso ver onde trabalharei hoje.

— Podemos dividir o escritório, não?

— Pode ser. – Sento no sofá e ligo para o escritório.

Decidimos ficar com Petra como segunda babá. Ela começa imediatamente. Os seguranças chegam. Com os seguranças e outra babá, autorizo que levem os meninos para o parque a tarde. Eles precisam ficar ao ar livre. Voltar a trabalhar ao lado de Drew é um prazer. Mesmo sendo coisas diferentes. Ao longo do dia fomos conversando sobre nos dar momentos de tranquilidade. Então, decidimos colocar o pé na estrada e fazer uma surpresa a Nana. Informamos nos escritórios que entre hoje e sexta trabalharíamos remotamente. No final da tarde, saímos em dois carros. Nós quatro em um e dois seguranças e as babás no outro nos seguindo.

Está em Mystic City com a família, sem medo de encontrar Taylor foi a melhor experiência que poderia ter vivenciado em minha vida. Ver meus filhos correndo pelo quintal onde eu e Penny corremos durante toda nossa infância, não teve preço. Não fizemos nenhum grande passeio pela região. Apenas curtimos a cidade, o lago próximo de casa. Nana amou nos ver juntos, felizes. Mas ficou preocupada com os seguranças.

— Vó, também não gosto disso. Mas não arriscarei mais passar o susto que passei na terça. – Estava conversando com ela enquanto nos preparávamos para um piquenique.

— E já tem alguma notícia sobre ela?

— Não. Drew falou com Rydan antes de virmos para cá. Nenhuma novidade. A melhor pista é um número que estava sempre em contato com Taylor e comigo. Era esse número que dizia o que devíamos fazer.

— Tomara que isso acabe logo. – Concordo com a cabeça.

No domingo antes do pôr do sol pegamos a estrada novamente. Embora fosse muito melhor viajar a noite por causa das crianças, preferimos sair por volta das quatro da tarde, assim chegaríamos relativamente cedo na cidade, poderíamos nos preparar para a segunda-feira.

 

***


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