SURPRESA! Como não postei nada semana passada, resolvi presentá-los com um capítulo emocionante. Só lembrando que nosso livro trata sobre relacionamento abusivo e violênica doméstica. As passagens que aqui escrevo não passam de mera ficção e de forma alguma compactuo com as agressões sofridas pelas mulheres. Nós merecemos e exigimos RESPEITO. Essa é minha posição: Sou terminantemente contra qualquer tipo de agressão às mulheres.
Tenho
passado a semana no quarto. Nem para trabalhar saio dele. No dia em que Drew
levou os meninos, recebi diversas mensagens de Taylor enquanto ele estava aqui,
me alertando que se ele demorasse ou não levasse os meninos haveria
consequências e que eu não iria gostar.
Rick é muito
presente. Fica muito comigo. Suas investigações de onde Taylor possa estar não
deram em nada. Estamos em um beco sem saída. O celular só é ligado no momento
em que manda mensagem e nunca fica ligado tempo suficiente para determinar a
localização e como é um celular descartável, não tem como identificar o dono.
Sabrina
todos os dias me manda fotos deles. Eles estão sentindo minha falta. Passaram a
semana com febre. Não conseguem dormir de dia e a noite, o sono é muito
agitado. Só imagino o que Molly tem falado de mim. “Viu! Que mãe é essa que
abandona os filhos?!”, é o mínimo que devem ouvir dela. Como queria poder
abraçar meus bebês. Dizer que estou ali.
— Dê,
preciso ir lá! Meus filhos estão precisando de mim!
— Emily,
se você for pode ser muito pior!
— O que
pode ser pior que meus filhos estarem doentes e eu não poder cuidar deles?! –
Estou gritando.
— Você
perdê-los de vez.
—
Derek!!! – Grito com ele.
— Desculpa
minha amiga, mas é verdade.
Drew
continua a me mandar presentes. Alguns físicos. Outros não. Completaríamos dois
meses juntos essa semana, ele me mandou um lindo vaso com uma flor de lotus, e
um bilhete escrito a mão:
“Anjo,
descobri que essa flor representa o que sinto e o que quero. Amor e proteção. Espero que um dia você
permita que eu cumpra minha promessa.
Te amo hoje e
sempre.
Eternamente
seu anjo.
Drew”
Lágrimas vem aos meus olhos. Vontade de
ligar e agradecer. Não faria nenhum mal, ao menos ouviria sua voz. Pego o
telefone. Largo-o. Pego novamente. Largo outra vez.
— Liga logo. – Ouço a voz de Penny, que
está na soleira da porta de meu quarto escorada. – Quer ligar, liga. Não tem
mal nenhum. Taylor não vai ficar sabendo.
Penny tem sido mais que uma grande
amiga. Só sai quando não tem jeito, ou para alguma audiência ou quando tem alguma
reunião no escritório. Adam também tem sido um grande amigo.
— E vou dizer o quê?
— Agradecer por tudo o que tem lhe
enviado. Pergunta pelos meninos. Ao menos ouvir sua voz vai lhe acalmar o
coração.
Ela tem razão. Tomo coragem e ligo.
— Meu anjo! – Ele atende. Posso perceber
a surpresa em sua voz.
— Oi, como está?
— Melhor agora, que você me ligou.
— Queria agradecer tudo o que tem me
enviado. Amei a flor. Não sabia o significado.
— A dona da floricultura me explicou.
— Ela é linda. – Um silêncio imperou por
alguns segundos. Queria dizer tanta coisa. Mas não podia.
— Como você está? Quando vem ver os
meninos?
— Como eles estão? Já estão dormindo
direito? Pararam de ter febre?
— Estão se adaptando. Não tiveram mais
febre. O médico disse que essa mudança poderia causar alguns distúrbios na
rotina deles.
— Oh, meu Deus! – Lágrimas chegam aos
meus olhos.
— Anjo, por que está fazendo isso
conosco? Os meninos estão sofrendo. Eu estou. Você também. Ninguém está feliz.
— Mas estão seguros. E é isso que
importa.
— Ficaríamos seguros todos juntos.
— Não. Não ficaríamos. Dessa forma,
estamos.
— Por que isso? Claro que não estamos
bem dessa forma, Emm!
— Drew. Espero um dia poder explicar.
Mas tomei a decisão pensando em todos. – Respiro fundo. – Bem, liguei para
agradecer por tudo. Preciso ir.
— Não espere! Fale mais comigo.
— Não posso. Preciso trabalhar.
— Precisamos falar sobre sua casa.
— Algum problema?
— Não. Não quer ir ver como anda a obra?
Vou aí lhe buscar.
— Não precisa. Quando puder passo lá,
ainda essa semana. Tem previsão de entrega?
— Estamos quase finalizando as obras.
Mais duas ou três semanas e você poderá decidir a decoração.
— Ótimo. Pois então. Preciso realmente
desligar.
— Tudo bem. Foi o melhor presente que
você poderia me dar. Te amamos.
— Agradeço eu pelos presentes. Também
amo vocês. – Desligo rapidamente quando percebo o que disse.
— Então? Como está?
— Falar com ele sempre acalma meu
coração. Mas fiz besteira.
— O final da ligação? – Balanço a
cabeça. – Ele sabe que você o ama. Por isso não desistiu.
— Penny, quando é que vou me livrar
disso?
— Em breve amiga. Em breve. Vamos ter
fé.
Mais uma semana longe deles, mas não
recebi nenhuma mensagem. O que será que aconteceu? Já tem mais de uma semana
que os meninos foram morar com Drew. Taylor não entrou em contato comigo. Nana
tem me ligado todos os dias. Está preocupada. Não consegue entender como eu fui
de não querer que Drew soubesse, de forma alguma, dos filhos para entregar a
guarda para ele em de dois meses. Estamos quase no meio de novembro. O dia de
Ação de Graças está chegando e não passarei com eles. O primeiro em dois anos.
Como vou viver sem meus anjinhos?! Agora sei pelo que Drew passou com nossa
separação. Sobrevivi porque os tinha em meu ventre. Agora estou só.
Muitas vezes, sento enfrente ao
computador, e não consigo produzir nada. Hoje é um dia desses. Então resolvo
sair de casa. “Para onde vou? – ‘Não quer ir ver como anda a obra?’ A
voz dele vem a minha cabeça. Então resolvo aparecer por lá. Tomo um banho me arrumo.
Visto uma calça jeans clara, justa, uma blusa de malha branca e um cardigan
longo preto e nos pés uma bota de cano curto. Estamos em pleno outono, e o frio
está chegando. Chamo um carro e desço.
Em poucos minutos chego. Ela está muito
diferente de quando a comprei. Conseguiram mudar a fachada e a varanda coberta
tem janelas do chão ao teto, mudaram o revestimento externo. Então desço do
carro e para minha surpresa, a primeira pessoa que vejo: Drew. Lindo como
sempre. Concentrado conversado com o empreiteiro. Ele não percebe minha
chegada. Trocaram a cerca viva e os portões, que por sinal são muito bonitos.
Sabia que podia confiar na equipe.
— Em que posso ajudar? – O funcionário
que não me conhecia pergunta. Drew olha para trás.
— Emm! Que bom que você veio. Lou essa é
a dona da casa, Emily Campbell.
— Muito prazer, Sra. Campbell.
— Srta. – Eu o corrijo – Prazer é meu.
Tudo bom, Drew? – Minha voz é doce, quase melosa, mas estou parecendo uma
gelatina por dentro.
— Melhor agora. – A voz dele também é doce,
melosa.
— Não estava conseguindo trabalhar.
Resolvi ver como andam as coisas por aqui.
— Venha. Mostro o lugar.
— Gostei da cerca e do portão novos.
— A ideia é quando concluirmos o paisagismo,
colocar plantas para fazer a cerca viva novamente.
— Mas gosto dela como está.
— Podemos deixar assim. Mas com a cerca
viva, vocês terão mais privacidade e segurança.
— Isso você tem razão. A cerca viva
fica. – Sorrio
— A cerca viva fica. – Ele repete
sorrindo também. Amo esse sorriso, me acalma. — Vamos? – Concordo com a cabeça.
— Essa varanda ficou muito clara, com
essas janelas.
— Ficou. Conversei com Ash e Lisa uma
forma de colocar as janelas de forma a manter a privacidade, então elas
sugeriram essas que são decorativas. Além da questão da...
— Segurança. – Falamos juntos. — Sempre
preocupado com a segurança. – Comento.
— Se me preocupava com os clientes
comuns, imagine se não vou me preocupar com meus bens mais preciosos.
— E por falar neles, como estão?
— Sentindo sua falta. – Ele se aproxima
de mim – E eu também.
— E como está lá dentro? Conseguiu
resolver meu plano aberto? – E me encaminho para a porta de entrada.
— Quase. Achamos melhor deixar uma
parede no caminho. Venha. – Ele abre a porta e entramos.
— Uau! Como está claro e aberto! Da para
ver quase tudo. Resolveram o problema do amianto?
— Não tem nem mais sinal de amianto,
mofo, ou roedores.
— Me desculpe. - Pisco freneticamente - Achei que tinha falado
roedores e mofo.
— É! Encontramos também.
— Você não me disse.
— Me deu carta branca para a obra,
lembra? Disse que não queria esses aborrecimentos.
— Verdade. – Maneio a cabeça. – Vamos
ver a cozinha? Essa parede não pode sair? – E toco na parede à minha esquerda.
— Atrás dela será a sala da família.
Achamos que seria bom um pouco de privacidade.
— Entendo.
— Quer que tire?
— Não sei. Deixe. O ruim é que quando
estiver na cozinha talvez não consiga ver os meninos, entende? Você viu minha
casa em Maui, eu os via no jardim se estivesse na cozinha.
— Você entende que aqui você não tem
como fazer isso, não? – Meneio a cabeça.
— Nossa! Amei as janelas da cozinha!
Lindas! – Viro e olho para onde será a sala da família. – É, dependendo da
decoração, acho que dá para ver os meninos brincando ali.
— Será toda rodeada de balcões, armários
até o teto. Dessa parede sairá uma península de quatro lugares. Vamos ver a
sala de jantar/família. – Aceno a cabeça – Entendeu o lance da privacidade?
— Entendi. Não vi lareira nem aqui nem
na da frente.
— Colocaremos essa semana duas a gás.
Uma aqui – E aponta o espaço entre duas janelas laterais no meio do cômodo — e
a outra ficará na parede da escada. – Meneio com a cabeça. — Então? Gostando?
— Sim. Imaginando quando Ash e Lisa
derem o toque delas.
— Vai ficar muito linda, sim. Seremos
felizes aqui.
— Seremos? – Ele balança a cabeça. — Não
sei... – Fico sem saber o que falar.
— Já lhe disse que não vou desistir da
gente, anjo.
— E o primeiro andar? Como está? – Ele
está investindo e eu tentando me desvencilhar
— Ok. Vamos subir. – Subimos o primeiro
lance de escada – Aqui pensei em ser o quarto de Trixie. – E aponta para a
porta a nossa esquerda. Entramos.
— Essas janelas são muito bonitas mesmo.
– E me aproximo dela – Não tem passagem para a varanda?
— Só pelo master. Para a segurança
deles. Se colocar uma porta, ela pode abrir sem que vejamos.
— Então o quarto ao lado é o master?
— Isso, mas vamos ver o de Bennie. – E
entramos no quarto a nossa frente.
— Eles ficaram com um bom tamanho. E o
banheiro?
— Desse lado.
— É, não é tão grande, mas o suficiente
para eles dois. Não vi lá embaixo?
— Tem um banheiro no sótão, nesse andar
e no de cima. – Maneio a cabeça. – Vamos para o nos... o seu quarto.
— Vamos. – Entramos — Uau! Ficou muito grande!
— Ali fica o closet e sua suíte. Vá ver.
Vou até o comôdo e retorno falando:
— Drew! Quando receber o acabamento vai
ficar maravilhoso! – Ele balança a cabeça.
— Vem ver aqui. – E me puxa pela mão e
me leva para a varanda. — Que tal para ver o pôr do sol?
— Perfeita! – Olho para ele e ele olha
para mim. Lembramos, com certeza, de nossos pores do sol que vivenciamos em
Maui. Ele se aproxima, toca meu rosto. Deito minha cabeça em sua mão e me
entrego a seu toque.
— Tô com saudades. – Segura meu queixo e
me beija. Deixo que me beije.
— Drew, por favor! – Falo com nossos
lábios ainda selados. — Não faça isso. – E me afasto.
— Não entendo. Você me ama. Por que
temos que estar separados?
— Por que sim. Podemos ver o porão?
— Podemos. – Ele toma minha mão e me
leva escadas abaixo. — Mas não mexemos muito nele.
— Essa parede aqui, não vejo sentindo
nela. – Aponto para a parede do que antigamente era uma área de recreação com
aparelhos de ginástica. — Olhe ali. – Aponto para onde ela termina. — Tem um
vão minúsculo. Não cabe nada. Tem como tirar?
— Deveria ter vindo antes, não acha?
— É, mas não me lembrava dela, tem como?
— Vou ver. Se não tiver, colocamos uns
portais. Aí ficaria mais aberta.
— Ali é a lavanderia? – Aponto para um
cômodo fechado à nossa frente e ele balança a cabeça. — Por que esse porão é
tão dividido?!?
— Olha, aqui está o outro banheiro. É
pequeno, mas completo. Esse cômodo pode vir a ser um depósito.
— E a escada que dava para o jardim?
— Tirei.
— Mas estava no projeto inicial?
— Não era seguro. Alguém poderia entrar
por ali.
— Não. Tudo bem. – Olho para o relógio —
É melhor eu ir. Já tomei seu tempo demais.
— Não tomou meu tempo. Eu hoje ganhei
minha manhã. Vamos almoçar juntos?
— Acho melhor não.
— Então lhe deixo em casa. E não vou
receber não. Vamos. – E pega minha mão e me leva até o carro.
Meia hora depois estávamos estacionando
em frente ao prédio.
— Obrigada, pelo tour e pela carona. –
Solto meu cinto
— Não precisa agradecer. Já disse ganhei
minha manhã. – Ele solta o cinto dele também, segura novamente meu queixo e me
beija.
— Drew, não! – Me afasto. — Pedi para
não fazer isso.
Abro a porta e saio do carro. Ele sai em
seguida.
— Emily, por favor! Espere.
— Drew. Estou lhe pedindo, não faça
isso. Não torne mais difícil do que já é.
— Eu já lhe disse, só vou parar quando
você voltar para mim.
— Vai me perseguir que nem aquele
outro?!? – Precisei falar isso. Talvez assim ele pararia.
— Emily, não me compare a ele. – Seu rosto
enrijece e sua voz é dura.
— Você está insistindo como ele fazia.
Pare!
— Não é como ele fazia, e você sabe
disso. Eu me preocupo com você. Eu me importo com você. E com nossos filhos!
— Vá embora, por favor. – E entro no
prédio. Fecho a porta e me escoro nela. Começo a chorar.
Atrás de mim, eu o ouço batendo na
porta. Pedindo para que o deixe entrar. Escuto vozes vindo de fora. “Com
quem ele está conversando? É uma voz feminina.” Levanto-me e começo
a subir as escadas.
— Ei, espera!
— Penny era você com Drew?
—
Era. Estava com ele? Desistiu dessa loucura? – Vamos conversando enquanto
subimos para o apartamento.
—
Não. Fui ver a obra e ele estava lá.
—
Sei. E como está?
—
Vai ficar muito linda mesmo. Os meninos terão muito espaço... – Calo-me
—
Eles vão voltar para você. Vamos resolver isso.
Ela liga
para um restaurante pedindo nosso almoço. Comemos e conversamos. Conto a ela
tudo o que aconteceu na casa. Os planos que Drew tá fazendo para nossa vida lá.
Falo dos beijos. Ela me diz que tem certeza que terminaremos juntos. Digo que
só com a morte de Taylor. Depois do almoço, ela volta para o escritório, terá
uma reunião com um importante cliente.
Sento
para trabalhar. Faço uma vídeo conferência com alguns gerentes regionais sobre
produtividade e prospecção de clientes. Vejo alguns prospectos para novos
produtos. Analiso uma campanha publicitária. Recebo algumas ligações. Faço
algumas outras. Sabrina me manda um vídeo dos meninos brincando. Estão tão
lindos! Cresceram! Recebo uma outra mensagem.
“Amei
te ver e te beijar hoje. Não vou desistir. Mas lhe darei espaço. Lembre-se não
sou igual a ele.”
“Desculpa!
Sei que você não tem nada daquele imbecil. Muito pelo contrário. Não devia ter
lhe dito aquilo” –
Respondo
“Não
precisa se desculpar.”
“Sabrina
me enviou um vídeo dos meninos. Estão tão grandes!
Quer
falar com eles? Faço uma chamada de vídeo.
Seria
maravilhoso. Mas acho melhor não.
Mal apertei o botão enviar,
recebo a ligação.
— Mamãe!! Mamãe!
— Minha anjinha! – Meus
olhos se enchem de lágrimas. — Meu amorzinho!
— Mamãe!! Mamãe!
— Meu anjo! Amor da minha
vida! – Começo a chorar. Enxugo as lágrimas — Estão se divertindo com o papai?
E eles
me respondem do jeitinho deles. Ouço um barulho vindo da sala. “Deve ser
Derek” Penso comigo. E continuo conversando com os meninos. Mas Derek ainda
não veio falar comigo, tá demorando. É de estranhar. Ouço outro barulho. Uma
mensagem de Derek chega. “Meu Deus! Quem será? Penny me disse que não
voltaria hoje. Ia sair com Adam e dormiria na casa dele.”
— Drew!
– Minha voz sai assustada.
— O que
foi, anjo? Que cara é essa?
— Tem
alguém no apartamento.
— Não é
Derek?
— Ele
acabou de me enviar uma mensagem.
— Penny?
— Tá com
Adam.
— Tá
onde?
— No
quarto.
—Tranque
a porta e ligue para a polícia. Estou indo para aí. – Balanço a cabeça e
desligo. Corro para a porta do quarto. Apuro os ouvidos. Tem alguém sim, na
cozinha. Tranco a porta do quarto. Ligo para a polícia.
— Alô.
Alguém invadiu meu apartamento.
— Tem
certeza, senhora?
— Tenho
sim. Estou trancada em meu quarto. Manda alguém, por favor!
— Qual é
o endereço?
— Rua 23
leste, 331, apartamento 20. – Ouço passos – rápido.
Desligo
e ligo para Derek.
— Onde
você está?
— Na 78º
Delegacia. O que foi?
— Tem
alguém aqui. – Pow! Pow! Murros na porta – Dê, ele está aqui.
— Estou
indo.
— Abra
essa porra, agora! – Taylor grita do outro lado
— Vem
logo para cá. - Entro no banheiro e tranco a porta.
— Estou
indo! – Me escondo na banheira
Todos os
meus medos escondidos em meu subconsciente durante esses anos todos, vieram à
tona. Meu corpo começou a sentir as dores que ele me infringiu durante os anos
que ficamos juntos. Meu passado em Mystic City começou a passar em minha mente.
Um filme de terror. Pow!... Pow!... Pow!... Ele continua tentando
entrar. “Deus, por favor, me ajuda! Impeça que ele entre.”
— Abra
logo essa porta sua vagabunda! Achou que não ia descobrir que você estava me
enganando?
— Vá
embora, Taylor! Chamei a polícia!
— Só
saio daqui com você. Vivos ou mortos, piranha! Traidora!
— Deus
por favor! – olho no balcão da pia, levanto-me e procuro algo para me defender
caso ele entre. — A quem você está enganando, Emily! Ele vai entrar.
E as
pancadas continuam na porta, até que ela cede. Dou um grito dentro do banheiro
de susto.
— Acha
que essa portinha vai me impedir? Vou derrubar como derrubei a outra.
E quanto
mais ele demora de entrar no banheiro, mais raivoso ele fica. “Quando ele
entrar, com essa fúria toda, ele vai me matar”. Estou aos prantos.
Desesperada. A cada murro, um grito e um soluço. “Meus filhos, mamãe ama
vocês”. Não os verei crescer! Não os levarei para a escola! Não
participarei de nada da vida deles. O choro só faz aumentar com meus
pensamentos.
De
repente... a porta cai... Vejo-a despencando... lentamente... atingindo o
balcão da pia... um braço... uma perna... a cabeça... Aquela cara! Ele me
alcança na banheira... Me segura pelos cabelos... me arrasta para fora da
banheira... tropeço... ele não larga meu cabelo, faz pior... ele enrola-os em
sua mão... e me puxa... sou levada quase arrastada até o quarto. Ele segura meu
braço com a outra mão... me coloca em pé... solta meu cabelo... sinto sua mão
em meu rosto... Ele está gritando... não ouço nada... outro tapa...
— Vou
lhe matar, sua puta! Vou matar você. – E me bate novamente...
Cai em
cima da cama... Ele vem para cima de mim... fica de joelhos na cama... e me
soquei alternando as mãos... tento me defender... não consigo... ele sai de
cima de mim... me puxa pelas pernas... protejo minha cabeça com as mãos e os
braços... bato no chão... ele me arrasta... me solta... começa a me chutar...
ele grita... eu imploro... ele chuta... chuta... ele não para de me chutar...
tudo está ficando escuro... ouço um barulho... um estrondo... seco... tudo fica
escuro...
***
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