terça-feira, 4 de agosto de 2020

Livro 3 - Paixão Renovada - Capítulo 11


SURPRESA! Como não postei nada semana passada, resolvi presentá-los com um capítulo emocionante. Só lembrando que nosso livro trata sobre relacionamento abusivo e violênica doméstica. As passagens que aqui escrevo não passam de mera ficção e de forma alguma compactuo com as agressões sofridas pelas mulheres. Nós merecemos e exigimos RESPEITO. Essa é minha posição: Sou terminantemente contra qualquer tipo de agressão às mulheres.

Tenho passado a semana no quarto. Nem para trabalhar saio dele. No dia em que Drew levou os meninos, recebi diversas mensagens de Taylor enquanto ele estava aqui, me alertando que se ele demorasse ou não levasse os meninos haveria consequências e que eu não iria gostar.
Rick é muito presente. Fica muito comigo. Suas investigações de onde Taylor possa estar não deram em nada. Estamos em um beco sem saída. O celular só é ligado no momento em que manda mensagem e nunca fica ligado tempo suficiente para determinar a localização e como é um celular descartável, não tem como identificar o dono.
Sabrina todos os dias me manda fotos deles. Eles estão sentindo minha falta. Passaram a semana com febre. Não conseguem dormir de dia e a noite, o sono é muito agitado. Só imagino o que Molly tem falado de mim. “Viu! Que mãe é essa que abandona os filhos?!”, é o mínimo que devem ouvir dela. Como queria poder abraçar meus bebês. Dizer que estou ali.
— Dê, preciso ir lá! Meus filhos estão precisando de mim!
— Emily, se você for pode ser muito pior!
— O que pode ser pior que meus filhos estarem doentes e eu não poder cuidar deles?! – Estou gritando.
— Você perdê-los de vez.
— Derek!!! – Grito com ele.
— Desculpa minha amiga, mas é verdade.

Drew continua a me mandar presentes. Alguns físicos. Outros não. Completaríamos dois meses juntos essa semana, ele me mandou um lindo vaso com uma flor de lotus, e um bilhete escrito a mão:
“Anjo, descobri que essa flor representa o que sinto e o que quero.  Amor e proteção. Espero que um dia você permita que eu cumpra minha promessa.
Te amo hoje e sempre.
Eternamente seu anjo.
Drew”

Lágrimas vem aos meus olhos. Vontade de ligar e agradecer. Não faria nenhum mal, ao menos ouviria sua voz. Pego o telefone. Largo-o. Pego novamente. Largo outra vez.
— Liga logo. – Ouço a voz de Penny, que está na soleira da porta de meu quarto escorada. – Quer ligar, liga. Não tem mal nenhum. Taylor não vai ficar sabendo.
Penny tem sido mais que uma grande amiga. Só sai quando não tem jeito, ou para alguma audiência ou quando tem alguma reunião no escritório. Adam também tem sido um grande amigo.
— E vou dizer o quê?
— Agradecer por tudo o que tem lhe enviado. Pergunta pelos meninos. Ao menos ouvir sua voz vai lhe acalmar o coração.
Ela tem razão. Tomo coragem e ligo.
— Meu anjo! – Ele atende. Posso perceber a surpresa em sua voz.
— Oi, como está?
— Melhor agora, que você me ligou.
— Queria agradecer tudo o que tem me enviado. Amei a flor. Não sabia o significado.
— A dona da floricultura me explicou.
— Ela é linda. – Um silêncio imperou por alguns segundos. Queria dizer tanta coisa. Mas não podia.
— Como você está? Quando vem ver os meninos?
— Como eles estão? Já estão dormindo direito? Pararam de ter febre?
— Estão se adaptando. Não tiveram mais febre. O médico disse que essa mudança poderia causar alguns distúrbios na rotina deles.
— Oh, meu Deus! – Lágrimas chegam aos meus olhos.
— Anjo, por que está fazendo isso conosco? Os meninos estão sofrendo. Eu estou. Você também. Ninguém está feliz.
— Mas estão seguros. E é isso que importa.
— Ficaríamos seguros todos juntos.
— Não. Não ficaríamos. Dessa forma, estamos.
— Por que isso? Claro que não estamos bem dessa forma, Emm!
— Drew. Espero um dia poder explicar. Mas tomei a decisão pensando em todos. – Respiro fundo. – Bem, liguei para agradecer por tudo. Preciso ir.
— Não espere! Fale mais comigo.
— Não posso. Preciso trabalhar.
— Precisamos falar sobre sua casa.
— Algum problema?
— Não. Não quer ir ver como anda a obra? Vou aí lhe buscar.
— Não precisa. Quando puder passo lá, ainda essa semana. Tem previsão de entrega?
— Estamos quase finalizando as obras. Mais duas ou três semanas e você poderá decidir a decoração.
— Ótimo. Pois então. Preciso realmente desligar.
— Tudo bem. Foi o melhor presente que você poderia me dar. Te amamos.
— Agradeço eu pelos presentes. Também amo vocês. – Desligo rapidamente quando percebo o que disse.
— Então? Como está?
— Falar com ele sempre acalma meu coração. Mas fiz besteira.
— O final da ligação? – Balanço a cabeça. – Ele sabe que você o ama. Por isso não desistiu.
— Penny, quando é que vou me livrar disso?
— Em breve amiga. Em breve. Vamos ter fé.
Mais uma semana longe deles, mas não recebi nenhuma mensagem. O que será que aconteceu? Já tem mais de uma semana que os meninos foram morar com Drew. Taylor não entrou em contato comigo. Nana tem me ligado todos os dias. Está preocupada. Não consegue entender como eu fui de não querer que Drew soubesse, de forma alguma, dos filhos para entregar a guarda para ele em de dois meses. Estamos quase no meio de novembro. O dia de Ação de Graças está chegando e não passarei com eles. O primeiro em dois anos. Como vou viver sem meus anjinhos?! Agora sei pelo que Drew passou com nossa separação. Sobrevivi porque os tinha em meu ventre. Agora estou só.
Muitas vezes, sento enfrente ao computador, e não consigo produzir nada. Hoje é um dia desses. Então resolvo sair de casa. “Para onde vou? – ‘Não quer ir ver como anda a obra?’ A voz dele vem a minha cabeça. Então resolvo aparecer por lá. Tomo um banho me arrumo. Visto uma calça jeans clara, justa, uma blusa de malha branca e um cardigan longo preto e nos pés uma bota de cano curto. Estamos em pleno outono, e o frio está chegando. Chamo um carro e desço.
Em poucos minutos chego. Ela está muito diferente de quando a comprei. Conseguiram mudar a fachada e a varanda coberta tem janelas do chão ao teto, mudaram o revestimento externo. Então desço do carro e para minha surpresa, a primeira pessoa que vejo: Drew. Lindo como sempre. Concentrado conversado com o empreiteiro. Ele não percebe minha chegada. Trocaram a cerca viva e os portões, que por sinal são muito bonitos. Sabia que podia confiar na equipe.
— Em que posso ajudar? – O funcionário que não me conhecia pergunta. Drew olha para trás.
— Emm! Que bom que você veio. Lou essa é a dona da casa, Emily Campbell.
— Muito prazer, Sra. Campbell.
— Srta. – Eu o corrijo – Prazer é meu. Tudo bom, Drew? – Minha voz é doce, quase melosa, mas estou parecendo uma gelatina por dentro.
— Melhor agora. – A voz dele também é doce, melosa.
— Não estava conseguindo trabalhar. Resolvi ver como andam as coisas por aqui.
— Venha. Mostro o lugar.
— Gostei da cerca e do portão novos.
— A ideia é quando concluirmos o paisagismo, colocar plantas para fazer a cerca viva novamente.
— Mas gosto dela como está.
— Podemos deixar assim. Mas com a cerca viva, vocês terão mais privacidade e segurança.
— Isso você tem razão. A cerca viva fica. – Sorrio
— A cerca viva fica. – Ele repete sorrindo também. Amo esse sorriso, me acalma. — Vamos? – Concordo com a cabeça.
— Essa varanda ficou muito clara, com essas janelas.
— Ficou. Conversei com Ash e Lisa uma forma de colocar as janelas de forma a manter a privacidade, então elas sugeriram essas que são decorativas. Além da questão da...
— Segurança. – Falamos juntos. — Sempre preocupado com a segurança. – Comento.
— Se me preocupava com os clientes comuns, imagine se não vou me preocupar com meus bens mais preciosos.
— E por falar neles, como estão?
— Sentindo sua falta. – Ele se aproxima de mim – E eu também.
— E como está lá dentro? Conseguiu resolver meu plano aberto? – E me encaminho para a porta de entrada.
— Quase. Achamos melhor deixar uma parede no caminho. Venha. – Ele abre a porta e entramos.
— Uau! Como está claro e aberto! Da para ver quase tudo. Resolveram o problema do amianto?
— Não tem nem mais sinal de amianto, mofo, ou roedores.
— Me desculpe. -  Pisco freneticamente - Achei que tinha falado roedores e mofo.
— É! Encontramos também.
— Você não me disse.
— Me deu carta branca para a obra, lembra? Disse que não queria esses aborrecimentos.
— Verdade. – Maneio a cabeça. – Vamos ver a cozinha? Essa parede não pode sair? – E toco na parede à minha esquerda.
— Atrás dela será a sala da família. Achamos que seria bom um pouco de privacidade.
— Entendo.
— Quer que tire?
— Não sei. Deixe. O ruim é que quando estiver na cozinha talvez não consiga ver os meninos, entende? Você viu minha casa em Maui, eu os via no jardim se estivesse na cozinha.
— Você entende que aqui você não tem como fazer isso, não? – Meneio a cabeça.
— Nossa! Amei as janelas da cozinha! Lindas! – Viro e olho para onde será a sala da família. – É, dependendo da decoração, acho que dá para ver os meninos brincando ali.
— Será toda rodeada de balcões, armários até o teto. Dessa parede sairá uma península de quatro lugares. Vamos ver a sala de jantar/família. – Aceno a cabeça – Entendeu o lance da privacidade?
— Entendi. Não vi lareira nem aqui nem na da frente.
— Colocaremos essa semana duas a gás. Uma aqui – E aponta o espaço entre duas janelas laterais no meio do cômodo — e a outra ficará na parede da escada. – Meneio com a cabeça. — Então? Gostando?
— Sim. Imaginando quando Ash e Lisa derem o toque delas.
— Vai ficar muito linda, sim. Seremos felizes aqui.
— Seremos? – Ele balança a cabeça. — Não sei... – Fico sem saber o que falar.
— Já lhe disse que não vou desistir da gente, anjo.
— E o primeiro andar? Como está? – Ele está investindo e eu tentando me desvencilhar
— Ok. Vamos subir. – Subimos o primeiro lance de escada – Aqui pensei em ser o quarto de Trixie. – E aponta para a porta a nossa esquerda. Entramos.
— Essas janelas são muito bonitas mesmo. – E me aproximo dela – Não tem passagem para a varanda?
— Só pelo master. Para a segurança deles. Se colocar uma porta, ela pode abrir sem que vejamos.
— Então o quarto ao lado é o master?
— Isso, mas vamos ver o de Bennie. – E entramos no quarto a nossa frente.
— Eles ficaram com um bom tamanho. E o banheiro?
— Desse lado.
— É, não é tão grande, mas o suficiente para eles dois. Não vi lá embaixo?
— Tem um banheiro no sótão, nesse andar e no de cima. – Maneio a cabeça. – Vamos para o nos... o seu quarto.
— Vamos. – Entramos — Uau! Ficou muito grande!
— Ali fica o closet e sua suíte. Vá ver.
Vou até o comôdo e retorno falando:
— Drew! Quando receber o acabamento vai ficar maravilhoso! – Ele balança a cabeça.
— Vem ver aqui. – E me puxa pela mão e me leva para a varanda. — Que tal para ver o pôr do sol?
— Perfeita! – Olho para ele e ele olha para mim. Lembramos, com certeza, de nossos pores do sol que vivenciamos em Maui. Ele se aproxima, toca meu rosto. Deito minha cabeça em sua mão e me entrego a seu toque.
— Tô com saudades. – Segura meu queixo e me beija. Deixo que me beije.
— Drew, por favor! – Falo com nossos lábios ainda selados. — Não faça isso. – E me afasto.
— Não entendo. Você me ama. Por que temos que estar separados?
— Por que sim. Podemos ver o porão?
— Podemos. – Ele toma minha mão e me leva escadas abaixo. — Mas não mexemos muito nele.
— Essa parede aqui, não vejo sentindo nela. – Aponto para a parede do que antigamente era uma área de recreação com aparelhos de ginástica. — Olhe ali. – Aponto para onde ela termina. — Tem um vão minúsculo. Não cabe nada. Tem como tirar?
— Deveria ter vindo antes, não acha?
— É, mas não me lembrava dela, tem como?
— Vou ver. Se não tiver, colocamos uns portais. Aí ficaria mais aberta.
— Ali é a lavanderia? – Aponto para um cômodo fechado à nossa frente e ele balança a cabeça. — Por que esse porão é tão dividido?!?
— Olha, aqui está o outro banheiro. É pequeno, mas completo. Esse cômodo pode vir a ser um depósito.
— E a escada que dava para o jardim?
— Tirei.
— Mas estava no projeto inicial?
— Não era seguro. Alguém poderia entrar por ali.
— Não. Tudo bem. – Olho para o relógio — É melhor eu ir. Já tomei seu tempo demais.
— Não tomou meu tempo. Eu hoje ganhei minha manhã. Vamos almoçar juntos?
— Acho melhor não.
— Então lhe deixo em casa. E não vou receber não. Vamos. – E pega minha mão e me leva até o carro.
Meia hora depois estávamos estacionando em frente ao prédio.
— Obrigada, pelo tour e pela carona. – Solto meu cinto
— Não precisa agradecer. Já disse ganhei minha manhã. – Ele solta o cinto dele também, segura novamente meu queixo e me beija.
— Drew, não! – Me afasto. — Pedi para não fazer isso.
Abro a porta e saio do carro. Ele sai em seguida.
— Emily, por favor! Espere.
— Drew. Estou lhe pedindo, não faça isso. Não torne mais difícil do que já é.
— Eu já lhe disse, só vou parar quando você voltar para mim.
— Vai me perseguir que nem aquele outro?!? – Precisei falar isso. Talvez assim ele pararia.
— Emily, não me compare a ele. – Seu rosto enrijece e sua voz é dura.
— Você está insistindo como ele fazia. Pare!
— Não é como ele fazia, e você sabe disso. Eu me preocupo com você. Eu me importo com você. E com nossos filhos!
— Vá embora, por favor. – E entro no prédio. Fecho a porta e me escoro nela. Começo a chorar.
Atrás de mim, eu o ouço batendo na porta. Pedindo para que o deixe entrar. Escuto vozes vindo de fora. “Com quem ele está conversando? É uma voz feminina. Levanto-me e começo a subir as escadas.
— Ei, espera!
— Penny era você com Drew?

— Era. Estava com ele? Desistiu dessa loucura? – Vamos conversando enquanto subimos para o apartamento.
— Não. Fui ver a obra e ele estava lá.
— Sei. E como está?
— Vai ficar muito linda mesmo. Os meninos terão muito espaço... – Calo-me
— Eles vão voltar para você. Vamos resolver isso.
Ela liga para um restaurante pedindo nosso almoço. Comemos e conversamos. Conto a ela tudo o que aconteceu na casa. Os planos que Drew tá fazendo para nossa vida lá. Falo dos beijos. Ela me diz que tem certeza que terminaremos juntos. Digo que só com a morte de Taylor. Depois do almoço, ela volta para o escritório, terá uma reunião com um importante cliente.
Sento para trabalhar. Faço uma vídeo conferência com alguns gerentes regionais sobre produtividade e prospecção de clientes. Vejo alguns prospectos para novos produtos. Analiso uma campanha publicitária. Recebo algumas ligações. Faço algumas outras. Sabrina me manda um vídeo dos meninos brincando. Estão tão lindos! Cresceram! Recebo uma outra mensagem.

“Amei te ver e te beijar hoje. Não vou desistir. Mas lhe darei espaço. Lembre-se não sou igual a ele.”
“Desculpa! Sei que você não tem nada daquele imbecil. Muito pelo contrário. Não devia ter lhe dito aquilo” – Respondo
“Não precisa se desculpar.”
“Sabrina me enviou um vídeo dos meninos. Estão tão grandes!
Quer falar com eles? Faço uma chamada de vídeo.
Seria maravilhoso. Mas acho melhor não.
Mal apertei o botão enviar, recebo a ligação.
— Mamãe!! Mamãe!
— Minha anjinha! – Meus olhos se enchem de lágrimas. — Meu amorzinho!
— Mamãe!! Mamãe!
— Meu anjo! Amor da minha vida! – Começo a chorar. Enxugo as lágrimas — Estão se divertindo com o papai?
E eles me respondem do jeitinho deles. Ouço um barulho vindo da sala. “Deve ser Derek” Penso comigo. E continuo conversando com os meninos. Mas Derek ainda não veio falar comigo, tá demorando. É de estranhar. Ouço outro barulho. Uma mensagem de Derek chega. “Meu Deus! Quem será? Penny me disse que não voltaria hoje. Ia sair com Adam e dormiria na casa dele.”
— Drew! – Minha voz sai assustada.
— O que foi, anjo? Que cara é essa?
— Tem alguém no apartamento.
— Não é Derek?
— Ele acabou de me enviar uma mensagem.
— Penny?
— Tá com Adam.
— Tá onde?
— No quarto.
—Tranque a porta e ligue para a polícia. Estou indo para aí. – Balanço a cabeça e desligo. Corro para a porta do quarto. Apuro os ouvidos. Tem alguém sim, na cozinha. Tranco a porta do quarto. Ligo para a polícia.
— Alô. Alguém invadiu meu apartamento.
— Tem certeza, senhora?
— Tenho sim. Estou trancada em meu quarto. Manda alguém, por favor!
— Qual é o endereço?
— Rua 23 leste, 331, apartamento 20. – Ouço passos – rápido.
Desligo e ligo para Derek.
— Onde você está?
— Na 78º Delegacia. O que foi?
— Tem alguém aqui. – Pow! Pow! Murros na porta – Dê, ele está aqui.
— Estou indo.
— Abra essa porra, agora! – Taylor grita do outro lado
— Vem logo para cá. - Entro no banheiro e tranco a porta.
— Estou indo! – Me escondo na banheira
Todos os meus medos escondidos em meu subconsciente durante esses anos todos, vieram à tona. Meu corpo começou a sentir as dores que ele me infringiu durante os anos que ficamos juntos. Meu passado em Mystic City começou a passar em minha mente. Um filme de terror. Pow!... Pow!... Pow!... Ele continua tentando entrar. “Deus, por favor, me ajuda! Impeça que ele entre.”
— Abra logo essa porta sua vagabunda! Achou que não ia descobrir que você estava me enganando?
— Vá embora, Taylor! Chamei a polícia!
— Só saio daqui com você. Vivos ou mortos, piranha! Traidora!
— Deus por favor! – olho no balcão da pia, levanto-me e procuro algo para me defender caso ele entre. — A quem você está enganando, Emily! Ele vai entrar.
E as pancadas continuam na porta, até que ela cede. Dou um grito dentro do banheiro de susto.
— Acha que essa portinha vai me impedir? Vou derrubar como derrubei a outra.
E quanto mais ele demora de entrar no banheiro, mais raivoso ele fica. “Quando ele entrar, com essa fúria toda, ele vai me matar”. Estou aos prantos. Desesperada. A cada murro, um grito e um soluço. “Meus filhos, mamãe ama vocês”. Não os verei crescer! Não os levarei para a escola! Não participarei de nada da vida deles. O choro só faz aumentar com meus pensamentos.
De repente... a porta cai... Vejo-a despencando... lentamente... atingindo o balcão da pia... um braço... uma perna... a cabeça... Aquela cara! Ele me alcança na banheira... Me segura pelos cabelos... me arrasta para fora da banheira... tropeço... ele não larga meu cabelo, faz pior... ele enrola-os em sua mão... e me puxa... sou levada quase arrastada até o quarto. Ele segura meu braço com a outra mão... me coloca em pé... solta meu cabelo... sinto sua mão em meu rosto... Ele está gritando... não ouço nada... outro tapa...
— Vou lhe matar, sua puta! Vou matar você. – E me bate novamente...
Cai em cima da cama... Ele vem para cima de mim... fica de joelhos na cama... e me soquei alternando as mãos... tento me defender... não consigo... ele sai de cima de mim... me puxa pelas pernas... protejo minha cabeça com as mãos e os braços... bato no chão... ele me arrasta... me solta... começa a me chutar... ele grita... eu imploro... ele chuta... chuta... ele não para de me chutar... tudo está ficando escuro... ouço um barulho... um estrondo... seco... tudo fica escuro...

***

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