segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Livro 3 - Paixão Renovada - Capítulo 16

 

Penúltimo capítulo no ar... Oh, triteza! 

O que será que está acontecendo com nossos guerreiros? Será que Emm conseguiu a tão sonhada paz?

Deixem seus comentários.

Emily Campbell

 

O telefone desperta às cinco e meia da manhã. Reluto um pouco a acordar. É segunda-feira, hoje retorno ao escritório. Não vou dizer que volto a trabalhar porque trabalhei em casa esse tempo todo. Olho para o outro lado da cama, Drew ainda dorme. Apesar da vontade de ficar ao seu lado mais tempo, de continuar envolta em seus braços, levanto-me com todo cuidado para não acordá-lo. Vou ao banheiro, tomo meu banho, faço minha maquiagem, prendo o cabelo em um coque banana. Atravesso o quarto até o closet, pego um vestido verde escuro justo até a altura dos joelhos, de decote quadrado, sem mangas, um trench-coat bege de lã, meia calça preta e um sapato de salto alto fino verde escuro. Pego minha bolsa e a pasta. Estou pronta para mais um dia.

Levo exatamente uma hora me arrumando. Vou ao quarto dos meninos, que já estão acordados. Troco as roupinhas deles. Visto-os com conjuntinhos de bermuda e blusa de malha e desço com os dois para nos alimentarmos. Coloco-os em suas cadeirinhas e vou preparar o café deles. Sirvo um prato com algumas frutas, panqueca e suco para os meninos, faço o mesmo para mim e Drew, só que acrescento o café. Quando ele desce, já está tudo servido na bancada. Sentamos e conversamos um pouco, fazemos planos para a semana. Quando terminamos o café, nossos seguranças se apresentam. O turno deles começa às oito assim como o de Gwen, Sabrina e Petra.

— Ainda não havia pensado nisso, mas vou precisar comprar um carro antes de nós mudarmos.

— Sim, irá precisar. Mas por enquanto, use meu Honda. Tracy irá dirigindo.

— Acho isso muito estranho. Não sei se me acostumarei.

— Meu anjo, acho bom nos acostumarmos. Eles não sairão do nosso lado.

— Sabrina e Petra, tem um carro a disposição de vocês para levá-las ao parque com os meninos, os rapazes irão dirigindo. Não saiam de perto das crianças por nada. Eu disse por nada, entenderam?

— Não se preocupe, Sr. Drew. – Sabrina tenta nos tranquilizar.

— Pode ir tranquila, Sra. Grant. Não tiraremos os olhos deles quatro. – Martin, um dos seguranças designados às crianças, me informa.

— É Srta. Campbell ou Emily. Não sou a Sra. Grant. Meninas, qualquer coisa...

— Entraremos em contato. – as duas respondem.

— Amores, seja bonzinhos com as meninas e os rapazes, certo? – Eles acenam com a cabeça – Mamãe ama vocês. -  abaixo-me e nos abraçamos.

— E o papai não ganha nada? – Eles me soltam e correm para o pai. – Papai os ama também.

— Até mais tarde. – E caminho em direção à porta.

— Ei! Não está esquecendo nada? – Drew me pergunta

— Pensei que fossemos descer juntos.

— Não. Vou sair um pouco mais tarde hoje. Preciso resolver umas coisas antes.

— Então, te amo – Volto, dou-lhe um beijo casto nós lábios – Vamos nos falando durante o dia. Tchau.

 

Drew Grant

 

Quando acordei, Emm já não estava mais no quarto. Então me levantei, fui ao banheiro, tomei banho, escovei os dentes, rebaixei a barba, que cresceu um pouco mais durante o fim de semana. Gosto de deixá-la com um ar de por fazer. Visto uma calça chino mostarda, uma blusa de malha cinza clara, um colete cinza  e um peacoat de sarja beje por cima, nos pés um brogue marrom escuro. Quando estou terminando de me arrumar, meu telefone toca.

— Bom dia, Drew!

— Bom dia, Rydan! Aconteceu algo?

— Acho que encontramos a mulher que pegou Ben e estava ameaçando Emily.

— Sério?!

— Sim. Pode ir à delegacia agora pela manhã?

— Vou logo depois do café.

— Encontro você lá. Até breve.

— Até lá. – Desligo o telefone.

Opto por não falar nada com Emily até ter certeza que é a pessoa certa. Termino de me vestir e desço para tomar café. Ela já está com as crianças e o café pronto, posto na bancada.

— Olha que maravilha! Meus amores juntos! – vou até ela e a beijo nos lábios. Ouço um sorrisinho. — Vocês querem beijinhos também, então encherei vocês. – E dou vários beijos neles, alternando entre Trixie e Ben.

— Vamos tomar nosso café?

— Mamãe tá com ciúmes. – Sentamos e ficamos conversando trivialidades.

Depois que tomamos café, Emily se despede de todos, digo-lhe que preciso resolver alguma coisa em casa antes de sair. Na verdade, não quero arriscar que ela me veja pegando o caminho para o Brooklyn. Tenho certeza de que ficaria desconfiada. Porém preciso acertar alguns detalhes com os seguranças das crianças, então os chamo até o escritório.

— Martin e Noah, quero revisar com vocês alguns pontos sobre a segurança dos meninos, principalmente, fora do apartamento. – Eles acenam com a cabeça. — Em momento algum quero que as babás fiquem a sós com eles. Pelo menos, um de vocês deverá estar com elas. Os meninos são muito unidos, então elas deverão estar sempre juntas.

— Sim, senhor. – Os dois respondem ao mesmo tempo.

— E, o mais importante de tudo, nenhum adulto se aproxima deles, para nada, exceto as pessoas indicadas por nós. De todas as recomendações, essa é a mais importante. Nenhum adulto é nenhum adulto. Não fala, não mexe, não tira foto, não filma. Nada.

— E como devemos agir se alguém se aproximar? – Noah pergunta.

— Só não sejam violentos. Se perceberem alguém tirando foto ou filmando perto deles, com gentileza solicitem para verem as imagens e que apaguem ameaçando com um processo por uso de imagens. Mas acho que uma explicação simples do tipo os pais das crianças não permitem fotos ou filmagens deles, deva ser suficiente.

— Mas alguma coisa? – Martin pergunta.

— E qualquer ocorrência me telefonem imediatamente. Qualquer mudança de planos. Quero um relatório, a cada três horas. Nada muito complexo, uma ligação me informando como estão as coisas.

— Sim, senhor. – Os dois respondem.

— Vocês cuidarão dos meus bens mais preciosos. – Eles acenam – Tudo bem podem ir. Peçam para Ethan vir aqui. – Eles saem e Ethan entra.

— O senhor me chamou?

Ethan era o líder da equipe que nos foi designada. Ele estava organizando tudo relativo à segurança do apartamento, dos carros, aparelhos telefônicos de todos da casa. Ele seria meus olhos e ouvidos.

— Tudo acertado? – Pergunto

— Os GPSs dos carros foram instalados no fim de semana, como o senhor solicitou, assim como as câmeras no apartamento, na construtora e no escritório da Srta. Campbell na Fletcher. Os telefones de sua família e amigos estão sendo rastreados. Os novos aparelhos do sr. e da srta. deverão chegar até quarta-feira. Por enquanto, estão como os demais, apenas sendo rastreados.

— Perfeito. Vou verificar mais algumas coisas do trabalho e em quinze minutos sairemos para a 78ª delegacia do Broolkyn. Parece que temos novidades.

— Estou sabendo. Nós demos a dica para o detetive Rydan.

— Como assim?

— Recuperamos algumas imagens antigas do circuito interno do edifício. E a pessoa que pegou o pequeno Benjamim já havia estado aqui antes.

— Aqui em casa?

— Não posso afirmar. Pois o hall da cobertura é o único que não tem câmera nem o elevador que dá acesso ao andar.

— Precisamos mudar isso.

— Já foi mudado, senhor.

— Ótimo. Vocês são bem eficientes, mesmo. Já o encontro na garagem.

Refaço alguns cálculos de um projeto para uma reunião hoje, mando alguns e-mails, me despeço dos meninos, lembro que é para nos ligar caso aconteça algo e me dirijo até o elevador. Ethan já me espera no carro. Então nos dirigimos ao Brooklyn. O trânsito já está agitado quando saímos, então demoramos um pouco mais que o de costume. Para diminuir o tempo, Ethan vai por Long Island, passando por Williamsburg, até chegar à Bergen Street, onde se localiza a 78. Ethan estaciona o carro e entramos no prédio. Na recepção pergunto por Rydan e um policial nos indica onde ele está.

— Bom dia, novamente, Rydan.

— Que bom que chegou, Grant.

— E as novidades?

— Então! Seu pessoal de segurança nos ajudou muito esse fim de semana.

— Deveria tê-los contratado logo depois que soube das ameaças.

— Teria sido uma boa ajuda. Com as indicações deles, sobre a pessoa que pegou Benjamin. Ela já havia entrado no prédio algumas vezes.

— Ethan me disse. Descobriu quem é essa pessoa?

— Fomos um pouco mais fundo nas buscas e achamos um vídeo em que ela entra no prédio acompanhada de um senhor a mais ou menos uns três ou quatro meses e se dirige aos elevadores. E pega o da cobertura.

— Ela esteve na cobertura?

— Aí que o você poderá nos ajudar. O elevador que dá acesso a cobertura, para em outros andares?

— Só nos andares das áreas comuns.

— Então eles podem ter ido realmente ao seu apartamento. Gostaríamos que visse as filmagens.

— Claro. Sou o maior interessado. – Ele vira a tela do computador dele e abre o vídeo em questão. — Não acredito! Como ela teve coragem!!

— O senhor conhece essa mulher? – Ethan me pergunta

— Infelizmente, a coloquei em nossas vidas. – Lamento.

— Quem é ela, Grant?

— O nome dela é Rebecca Gianni. Minha ex-namorada. Terminei com ela por causa de Emily e dos meninos.

— Nada pior do que uma mulher trocada. Escreva os contatos e endereços dela.

— Não entendo por que ela faria isso. Nunca escondi dela.

— Vou pedir uma ordem de busca e que a tragam para a delegacia para averiguações. Qualquer novidade, entramos em contato.

— Obrigada, Rydan. O que devo fazer agora?

— Fique no aguardo. Agora é só com a polícia mesmo. Então nos despedimos e vamos para a construtora.

 

Emily Campbell

 

Por mais que eu saiba que seja necessário, não sei se me acostumarei ter alguém em minhas costas o tempo todo. Dom parece ser um cara atento e disciplinado. Os que estão responsáveis pelos meninos também. Chegamos na empresa e sou recebida com alegria por todos. Com certeza ficaram sabendo pelo que passei. Antes de entrar em minha sala, encontro meus assistentes, April West, Henry Owens e Charlotte Elis. April ficou no lugar que seria de Nola, decidi promovê-la, pois estava com o antigo CEO a muito tempo. Entro na sala sendo seguida por ela.

— É muito bom tê-la de volta, Srta. Campbell.

— É sério, April, por favor, Emily! – Ela acena com a cabeça. — Então o que temos para hoje?

— A primeira coisa, uma vídeo-conferência com o conselho. Parece que vão cancelar a creche da sede e de algumas filiais.

— E não disseram por quê? – Ela nega. — Inferno. O que mais?

— A filial do meio oeste está com dificuldades na produção. Temos que resolver aquele problema com alguns produtos que serão importados para a Europa. A legislação europeia é distinta da nossa para algumas matérias primas.

— Diga a sim agora, aprovaram aumento de salário e férias remuneradas para todos. – Ela nega com a cabeça. — Eu bem que precisava de uma boa notícia.

— Mas e sobre esse guarda-roupa aí fora?

— Aff! Para minha segurança. Drew está paranoico.

— E não era para estar? Seu filho foi sequestrado no prédio onde moram.

— Não lembra. As pernas tremem. Vamos começar? Providencie para mim os relatórios necessários para a reunião com o conselho. E...

— Seu café. Henry já está providenciando e Charlotte já lhe trará os relatórios.

— Faz para mim uma ligação para a filial do meio oeste e depois quero uma conferência com as filiais europeias envolvidas no problema das matérias primas. – Ela acena com a cabeça e sai.

Estou revendo os números da filial do meio oeste, vendo os dados de produção, as informações sobre os fornecedores, quando Charlotte me informa que o conselho está reunido. Passamos a manhã discutindo o sexo dos anjos como sempre. Sabia que minha vida seria dificultada pelo conselho, mas não tanto. Não chegamos a um acordo sobre as creches nem em outros pontos.

— Bem, quero que vocês me informem como vou alavancar as empresas se vocês recusam tudo o que eu proponho?

— Não estamos recusando tudo. Só estamos precisando ponderar um pouco mais sobre os tópicos que você nos apresentou.

— O que tem mais a ser ponderado sobre a manutenção das creches? Custo? Já provei que a relação custo-benefício é excelente.

— No entanto, temos prédios que não comportam. Além de estarmos falando de duas grandes salas.

— Que história é essa? Não. Onde temos fábrica, a administração fica no mesmo prédio, então uma grande sala é mais que o suficiente. E onde só tem a administração, como no caso da sede, uma sala média resolve. Aqui nós temos pelo menos, duas salas que serviram.

— Você está sugerindo misturar os filhos dos gerentes com o dos demais? – Questionou uma conselheira esnobe. — Meus filhos sempre ficaram com os filhos de pessoal do chão de fábrica lá em Maui, e nunca tive problemas.

— Não. Meu voto é contra essa loucura.

— Isso é ridículo!

— Vamos manter a compostura?

— Manter a compostura?!?! Quem? Eu? – Eles acenam com a cabeça. — Fui promovida por não ter medo de falar o que penso. Tenho dados que suportam que a criação das creches, com as crianças unidas, faz muito bem para a saúde da empresa. Estudos de especialistas em recursos humanos e gestão financeira. O que está acontecendo aqui é preconceito. – April me faz um sinal. – Senhores e Senhoras, dito isso, informo que passarei por cima da decisão de vocês caso tal decisão venha a prejudicar o crescimento da Fletcher Co.

— Você não pode passar por cima da gente.

— Então observem. Tenham um bom dia. – Faço sinal para Henry cortar a ligação. — Estou de saco cheio desse povo retrógrado que não entende de nada. Preciso falar com Stephanny ainda hoje. Providenciem.

— O Sr. Grant mandou diversas mensagens e ligou duas vezes para você. – Charlotte me informa.

— Será que aconteceu alguma coisa? Assim que chegarmos em minha sala faça a ligação para ele. Henry, providencie um estudo de impacto para da instalação da creche aqui da sede, o mais rápido possível.

— Sim, senhora.

— Morreu. A senhora morreu.

— Desculpe. Sim, Emily.

— Charlotte, por favor, providencie alguma coisa para eu comer. Não sei o que é que acontece que quando acabo de falar com o conselho fico faminta.

— É bom saber que está se alimentando! – Drew está em minha sala.

— Já disse para parar de fazer isso.

— Sua assistente me permitiu entrar. E diga a ela que vamos almoçar juntos.

— Anjo, infelizmente, terei que dispensar esse convite. Não tenho como sair da empresa. Contudo, podemos almoçar aqui. – Ele acena com a cabeça.

— Charlortte, almoço para dois. – Interfono para ela – Então o que é de tão urgente que mandou diversas mensagens, ligou e não pode esperar meu retorno. Por sua fisionomia não é coisa ruim. – Sentamos no sofá de minha sala.

— Não quis lhe falar de manhã porque não sabia o que poderia ser. Mas Rydan me ligou de manhã cedo.

— Ai, meu Deus! O que foi?

— Calma. O pessoal da nossa segurança encontrou vídeos da mulher entrando diversas vezes no prédio.

— Estudando para ver o melhor momento.

— Não. Como frequentadora de um dos apartamentos.

— Já sabem qual?

— Já. O meu.

— Como assim o seu? É uma de suas funcionárias? – Ele nega com a cabeça — Alguém que fazia manutenção – Ele nega novamente com a cabeça — Que merda, Grant. Fala logo!

— Era Becca.

— Desculpa. Acho que ouvi você falando que era Becca, sua ex-namorada.

— Engraçado como vocês acham que ouvem errado o que eu digo. Foi Rebecca quem pegou Ben na quinta-feira.

— Vocês?! A quem mais você disse?

— Essa história? – Balanço minha cabeça. — A ninguém. É outra história.

— Que história?

— Depois eu conto. Como foi sua manhã?

— Péssima. Acabei de ameaçar o conselho e corro o risco de perder o emprego.

— Emily, estou com Stephanny na linha 2.

— Já vou pegar. Um instante – falo com Drew que me pergunta se quero que ele saia com um gesto – Não precisa. Steph!... Que bom ouvir sua voz também... Já?! Foram mais rápidos que eu... Eles estão emperrando meu trabalho aqui... Eu sei, que você os tem para ajudar nas decisões. Mas nada que eu sugiro é bom para eles. Tudo é um obstáculo. Não posso fazer meu trabalho se eles não deixarem... Steph, você me contratou para quê e por quê?... Então? Só quero fazer aquilo para qual eu fui contratada... Vou tentar. Mas já estou lhe informando que eu vou manter a creche aqui da sede. Se nossos estudos sugerirem que será bom para nós, eu farei, mesmo sem a concordância do conselho... Não, não é por causa dos meus filhos, por isso pedi um estudo, se tivermos um número de funcionários que compense, não vejo o motivo para não fazer... Esperava outra atitude sua. Mas tudo bem, enviarei o estudo assim que estiver pronto. – Desligo o telefone – Isso é um inferno.

— O relatório que pediu sobre a situação europeia. – April entra e deixa em minha mesa.

— Obrigada. – Volto-me para Drew. — Então, não bastou tentar matar Trixie sem respirar, ela precisou sequestrar meu filho. O que foi que eu fiz a essa mulher?

— Tirou a mim dela. – Ele sorri — Pelo visto temos uma queda por lunáticos – sorri novamente.

— Não tem graça. – Estou irritada com a situação da empresa e ele fazer graça da situação de nossos filhos.

— Eu sei. Mas essa situação já está praticamente resolvida.

— Com licença. O almoço. – Agradecemos, libero todos, incluindo Dom e Ethan para almoçarem também e começamos a comer.

— Obrigada pelo almoço. Mas você precisa trabalhar e eu tenho uma reunião na outra ponta de Manhattan. Tudo ficará bem, em casa e aqui.

A situação na Europa está muito complicada. Para resolvermos teríamos que praticamente refazer o produto. Um dos principais componentes dele é proibido em alguns países de lá. Passo a tarde debruçada estudando opções de modificação e o que estaria em risco e as vantagens na alteração desses materiais, em reunião com os desenvolvedores.

 

Cinco horas da tarde. Horário de irmos embora, porém, não estou nem na metade do que preciso fazer para resolver a situação na Europa. Steph é contra qualquer modificação nos originais, principalmente alteração no componente principal. Mas se não alterarmos perderemos milhões em venda, fora o processo por quebra de contrato. Estou em reunião com dois membros do jurídico.

— Avaliamos a situação. O prejuízo é muito grande se não modificarmos.

— Vocês estão falando da quebra do contrato por nossa parte, mas não podemos evitar esse processo se eles soubessem que o produto não poderia ser comercializado nos países deles?

— Essa é uma possibilidade, podemos insinuar que agiram de má fé conosco. Porém precisaríamos provar que eles sabiam da composição do produto e que tinha componentes proibidos em seus países. – Explica um dos advogados.

— Eles sabiam? Temos como comprovar isso? Nossos contratos tem as especificações dos produtos, certo? – Eles negam. — Não acredito que estejamos desprotegidos nesse sentido?

— Erro de principiante.

— Principiante, não. Amador. Todos os contratos que fiz em minha vida, seja na Fletcher – Maui, fosse na A4+, ou mesmo na agência da minha família, foram elaborados nos mínimos detalhes.

— Quem assinou esse contrato sem analisar isso?

— Nosso gerente europeu. Agora quem tem que escapar da explosão sou eu.

— Sugiro tentar um acordo, uma troca do produto por um similar, ou a criação de um equivalente para atender o mercado europeu.

— Ou eu lido com um monte de cliente frustrado ou com a chefe irredutível. Bela retomada. Queridos, já passamos do nosso horário. Vamos encerrar por hoje. Vou dormi sobre as opções e números. Boa noite.

— Boa noite, Emily.

— É bom tê-la de volta.

— Obrigada.

Arrumo minhas coisas pego o que precisarei para trabalhar em casa, libero April. Chamo Dom e voltamos para casa. As luzes da cidade já estavam todas acesas. O inverno já dava seus primeiros sinais. A temperatura já havia caído bastante, principalmente no início da noite. Em casa, chego a tempo de colocar as crianças na cama. Drew havia dado o jantar. Nossa rotina precisaria de alguns ajustes para que eu sempre estivesse presente no jantar deles. Depois que eles dormem é nossa vez de jantar. Gwen havia deixado tudo pronto, então seria só esquentar e servir. Depois que jantamos, ele se serve de uma cerveja e para mim, uma taça de vinho. Mesmo com a temperatura um pouco baixa, pegamos um cobertor e nós deitamos em uma das espreguiçadeira da piscina e ficamos curtindo o frio e o céu de Nova York. Parecia que tínhamos um pacto, nesses momentos, em que entravámos em nossa bolha, apenas o contato com o outro era suficiente para nos assegurar que tudo estaria bem.

Já tem duas semanas que retornei à minha rotina. No trabalho estou lutando como posso para convencer ou a Steph a alterar a composição do produto ou para convencer os europeus a aceitarem um produto similar no lugar. Uma disputa de braço de ferro, onde ninguém quer ceder. Acho que precisaremos realmente entrar em uma disputa judicial.

— Steph. Eu sei que se mudarmos os componentes que corremos o risco de mudar a utilidade do produto. Mas se não mudarmos, perderemos milhões de dólares.

— Não vou me render a esse terrorismo. Os componentes não são os vilões dessa história. Eles sabiam de que eram feitos cada produto. Agiram de má fé.

— Não temos como provar isso. E não podemos assumir esse prejuízo.

— E não iremos. Ou eles cedem ou iremos ao tribunal.

— O problema está aí. Se formos para os tribunais pagaremos uma multa exorbitante.

— Não se provarmos que eles agiram de má fé.

— Jesus, Stephanny. Estamos rodando em círculos aqui. Não temos nada que suporte essa teoria. Nossos contratos não descriminam os componentes dos produtos negociados.

— Você está insistindo em algo que já foi determinado.

— Então vou começar a nos preparar para o processo que iremos receber por quebra de contrato.

— Convença-os a receber outros produtos no lugar.

— Fácil. Não faço outra coisa a duas semanas, Steph.

— Não estou entendo, Emily! Está reclamando?

— Não, Stephany, não estou reclamando. Apenas estou constatando um fato. Eles estão a duas semanas irredutíveis. Já ofereci diversos benefícios e nada.

— O que isso quer dizer?

— Que ou nós trocamos o componente e fazemos uma adaptação ou seremos processados por quebra de contrato. É isso que você nem o conselho querem entender. Estamos no final do prazo e não temos como trocar o componente a tempo. Então, seremos processados.

— Você está sendo pessimista. Vamos marcar uma reunião com eles. Eu os convencerei.

— A empresa é sua. Você quem sabe. Vou pedir para April fazer isso. Mas quero deixar bastante claro que fiz minha parte. Advertir dos riscos que estamos correndo.

E assim ela fez. Marcamos a reunião. Mais uma em que rodamos, rodamos e não chegamos a um acordo. Ou seja, estamos sendo processados por quebra de contrato. E a indenização é de algumas centenas de milhares de dólares. E como havia pressentido, explodiu em meu colo.

 

Drew Grant

 

O trabalho está uma loucura. Estamos correndo para tentar adiantar algumas obras antes de pararmos para as festas de fim de ano. Passamos a dar folga remunerada a todos da empresa entre o dia 23 de dezembro e 2 de janeiro. O que deixa nossos colaboradores muito satisfeitos com a empresa e quando retornam dão o maior gás nas produções.

Tem duas semanas que descobrimos quem estava por trás das ameaças e do sequestro de Bennie, mas não a encontraram ainda. Parece que está na Europa a trabalho. Contudo nos garantiram que assim que ela colocar os pés em solo americano, será conduzida para averiguações. Apesar das imagens, as provas são circunstanciais. Os advogados dela ainda não forneceram um álibi para a hora do sequestro. Ela viajou naquela noite e não retornou mais. Também não tem mandado mensagem. Quanto a participação de minha mãe nesses casos, só quando descobrirem quem foi o mentor de tudo isso.

Mesmo estando sem nenhuma ameaça ou perspectiva de ataque ou agressões, continuo com a segurança. Além dos guarda-costas conosco o dia todo, dos circuitos de imagem no meu apartamento e em nossos escritórios, mandei instalar na futura casa de Emm também. Todos os cômodos que têm acesso ao exterior da casa estão sobre vigilância. Não abrirei mão de nossa segurança nunca mais.

A obra da casa de Emily está acabando e não estou seguro de deixá-los mudar para lá. Mas sei que ela não quer criar os meninos num apartamento, ela cresceu em uma casa, livre para correr.

— Vou passar na casa hoje na hora do almoço. – Ela me informa enquanto prepara o café dos meninos.

— Sabe que por mim, vocês ficavam aqui, não sabe?

— Sei. E você sabe que quero trazer um pouco do que tínhamos em Maui. – Aceno com a cabeça. – Então, é a melhor solução.

— Para você. Mas tudo bem. Quando for seus fins de semana irei para o Brooklyn, e quando for os meus você virá para cá mesmo. – E solto um sorriso.

— Você não tem jeito. Quem lhe disse que eu virei para cá? Dois dias inteiros de folga, sem ter obrigação com nada? Acha que dispensarei isso? – Diz em um tom divertido.

— Você não conseguirá ficar longe dos meninos um dia se quer. – E me aproximo dela e sussurro em seu ouvido – Nem de mim.

— E durante a semana? – Ela me pergunta

— Provavelmente, iremos ficar indo e vindo entre o Brooklyn e o Upper East.

— Vá sonhando que ficarei vindo para cá depois do trabalho. O Brooklyn é mais perto do Distrito Financeiro do que aqui.

Terminamos o café. Damos as instruções às babás e aos seguranças e saímos. Dessa vez vamos num carro só. No caminho, recebo uma mensagem.

— Dom, mudanças de planos. Vamos primeiro para o escritório da Srta. Campbell, depois Ethan assume o carro.

— Aconteceu alguma coisa? – Ela me pergunta

— Precisarei ir a outro lugar. – Explico evasivo, ela não aceita a resposta. – Não quero que se preocupe. Terei que ir à sua casa, aconteceu algo durante a decoração.

— O quê?

— Não sei. Ash não disse.

— Então vou com você.

— Não precisa. Você está sob vigilância no trabalho. Não deve arriscar.

— Não estou preocupada com isso. Dom vamos direto para o Brooklyn.

— Vá para o trabalho, anjo.

— Drew, vai me dizer a verdade? – Olho para ela – Sei que está mentindo. Conta logo.

— Quando foi que aprendeu a me ler?

— Sempre soube.

— Ok. Era Rydan. Rebecca está sob custódia.

— E você não ia me contar?

— Depois. Precisava ter certeza antes.

— Para de fazer de mim uma bonequinha de porcelana. Isso me irrita.

— Desculpa, mas você é minha bonequinha de porcelana e minha função é não deixá-la quebrar. – E seguimos para a 78ª delegacia.

Quando chegamos procuramos por Rydan e um policial nos informa que ele está na sala de interrogatório com Rebecca. Então ficamos esperando. Emm liga para o escritório, informa que fora convocada de urgência na delegacia, uma mentirinha à toa. Estamos esperando a mais de uma hora, quando Rydan sai da sala e vem ao nosso encontro.

— Bom dia!

— Então ela confessou? – Pergunto.

— Não. O advogado dela a aconselhou não falar nada.

— Posso falar com ela? – Emily pergunta.

— Claro que não! – Respondo.

— Oi?! Perguntei a Rydan. Então, posso?

— Para quê? – Questiono.

— Ela sequestrou meu filho, colocou meu torturador de volta em minha vida, quase morri por causa disso. Quero saber o porquê.

— Ela não vai falar nada. Pelo menos com o advogado dela presente. – Rydan explica.

— Então espero ele ir embora. – Falou determinada.

— Não acho que deva. – Comento.

— Talvez, seja uma boa ideia. Podemos segurá-la por 72 horas. Mas o advogado vai tentar um Habeas Corpus e deve conseguir. Então, teremos pouco tempo. Podemos gravar? – Ela acena com a cabeça. – Vou preparar tudo.

Minutos depois ele volta: — Está tudo pronto. Vamos. O advogado dela acabou de sair. – E vamos para a sala de interrogatório.

— A senhorita tem visita. – Emily entra, eu estou na sala ao lado por trás do espelho.

— Pode nos deixar a sós?

— Não tenho nada a falar com essa pessoa. – Rebecca fala.

— Mas eu tenho com você. – Rydan sai da sala e logo entra onde estou. – Então. Gostaria de saber o que foi que eu lhe fiz. Recebi você em minha casa, com toda a atenção, nunca lhe fez nada.

— Você é muito cínica! Nunca me fez nada?

— O que foi que eu lhe fiz?

— Você se acha a inocente. Enganou a todos, menos a mim. Provocou o namoradinho de infância e o acusou de abuso. Roubou os filhos de Drew, e colocou a culpa nele. De inocente você não tem nada.

— Eu provoquei?! Você não conhece minha história. Você não sabe o que sofri nas mãos daquele monstro.

— Ora! Você não sofreu coisa alguma, sua cretina! Aproveitou que ele era um tolo apaixonado, o enganou e depois o matou.

— Não me aproveitei dele, ele era um monstro abusador, tentou me matar diversas vezes. E se morreu não foi por minhas mãos, foi por um policial.

— Que era seu amante. Tão conveniente? Drew sabe que enquanto você estava separada de seus filhos vocês voltaram a ficar juntos? Que foi por isso que ele matou Taylor? – Ela me olha enquanto Rebecca vai dizendo essas atrocidades, queria poder lhe dizer que não acreditava em nada daquilo.

— Nós não estávamos juntos, sua mentirosa! Por que você o trouxe para nossas vidas?

— Porque seu lugar era ao lado dele.

— Ele quase me matou!

— Pena que não conseguiu! Assim, Drew seria meu novamente. Já que ameaçando seus filhos você não o deixou em paz. – Minha vontade é ir até lá e tirar Emm de lá.

— Você não só ameaçou, você o sequestrou! – Ela grita

— Eu não sequestrei aquele menino insuportável! Apenas o levei para um passeio dentro do prédio.

— Deixe-me ir lá. – Peço a Rydan.

— Não. Agora eu entro e tiro a história de sua mãe a limpo. – E sai da sala.

— Você é tão monstruosa quanto Taylor. Você teve dois anos para conquistar Drew, mas você é incompetente. Não foi capaz de conquistá-lo e achou que eu o separei de você. Espero que apodreça na prisão!

— Emily, é melhor você ir. – Ele fala algo no ouvido dela – Vamos lá. Você sabe que tudo foi gravado e que acabou de confessar tentativa de sequestro, conspiração para assassinato, formação de quadrilha. É melhor pararmos por aqui. Você já está bastante encrencada com o que disse para a Srta. Campbell.

— E você ganhou seu dia! Acha mesmo que eu ficarei presa?! Tenho dinheiro, meu querido!

— Minha função é providenciar provas suficiente para sua condenação. Mas antes quero saber de mais uma coisa. Já que está disposta a falar mesmo sem seu advogado, o que pode me dizer sobre sra. Grant. Qual a participação dela em tudo isso?

— Aquela velha idiota? Se acha tão esperta! A mulher maravilha! Mãe de três, arquiteta, empresária. A poderosa! Besta! Bastou dizer meia dúzia de palavras para abri o jogo.

— Como assim?

— Encontrei a besta um dia num café, me fiz de coitada e ela abriu o verbo sobre a situação toda daquela outra. Depois forcei um encontro e deixei um telefone com ela e ela passou dar informações sobre os dois a mim.

— Ela sabia que era você?

— Para quem passava as informações? – Ele acena com a cabeça – Não. Não tô lhe dizendo que é uma idiota metida a esperta!

— Entendo. – Ele olha para o espelho. Emily está me encarando.

— Sua mãe!? – Ela parece não acreditar – Sua mãe?! E você estava sabendo? – Aceno com a cabeça – Desde quando?

— Do sequestro de Ben.

— Eu lhe perguntei se ela estava envolvida naquele dia, e você negou.

— Eu não neguei. Apenas não confirmei porque não queria lhe falar tendo apenas uma suspeita.

— Você a protegeu!

— Emily, eu a expulsei de casa, lembra?

— Você a protegeu. Ela me colocou em risco, elas colocaram meu filho em risco!

— Nosso filho!

— Pro inferno, Grant! – Ela sai batendo a porta. Saio atrás dela.

— Dom, vamos. – Ela está pegando o telefone – Sabrina, arrumem as malas dos meninos. Estamos de mudança.

— Emily, espere! – Ela faz outra ligação

— Lisa, como está a decoração?... Ótimo. Estamos nos mudando agora... Isso mesmo, agora. Vou pegar os meninos e estamos indo para casa.

— Emily, você está sendo precipitada. – Seguro o braço dela.

— Pode ficar com o carro que eu vou de taxi com Dom. April, cancele por favor todos os meus compromissos de hoje, estou de mudança. – Ela para um taxi. – Vem ou não, Dom? – Ele olha para mim, aceno com a cabeça e ele entra no carro.

— Ethan, vamos. Para casa. – Falo.

Seguimos para Manhattan. No caminho, ligo para Sabrina e desfaço a ordem de Emily. Chegamos no apartamento, ela está no quarto, arrumando as malas delas.

— Emm, você pode parar?

— Você escondeu isso de mim.

— Emm, ela é minha mãe. Não podia acusá-la. Mas fui eu quem deu o celular para Rydan para ele ser analisado, na mesma hora eu a expulsei de casa. Eu fique ao seu lado o tempo todo. Para com isso! – E a abraço. Ela me esmurra.

— Eu quase morri. – Continua me esmurrando.

— E eu não sobreviveria se tivesse acontecido algo. – E a abraço ainda mais forte – Eu amo você.

— Eu quase morri! – ela me abraça e chora. Desesperadamente

— Acabou! Acabou! Estamos livres!

E realmente acabou. Estávamos livres das ameaças.

 

***

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