Drew
Grant
Chamo Sabrina. Peço que fique com os meninos.
Pego minha carteira e as chaves. Desço correndo. Tivemos uma manhã tão
agradável. Estar perto dela é um presente. E como sentia saudades de seus
lábios doces e macios. “Espero encontrá-la bem, levarei meia hora para
chegar”.
Pego o celular e ligo para Adam. Ele não
atende. Ligo para Penny. Também nada. “Para que querem celular se não
atendem numa emergência!!”
— Droga! – largo o telefone em meu colo.
Aproveito que o semáforo da 79 com a DRF Dr e
mando uma mensagem para os dois.
“Onde vocês estão? Emm está
precisando de ajuda. Alguém invadiu a casa”
Pego o caminho mais rápido para o Brooklyn,
mesmo assim preciso atravessar toda a ilha de Manhattan. O trânsito não está
travado, mas estou pegando muito movimento e alguns pontos de lentidão.
O telefone toca. Atendo colocando no viva voz.
— O que está acontecendo? – É Adam.
— Não sei. Estou a caminho do apartamento. Ela
estava com os meninos numa vídeo-chamada, quando me chamou assustada dizendo
que tinha alguém no apartamento.
— Não era Derek.
— Não. Ele havia mandado uma mensagem para ela.
— Quem será?
— A bola de cristal quebrou. – Respondo com fúria.
— Tá. Entendi. Você tá onde?
— Na altura da 73 e você?
— Estou a caminho do Bronx, pegar Penny no Tribunal
de Justiça Neyson. Devemos chegar lá em meia hora.
— Espero que Derek esteja mais perto que a
gente. Vou desligar para prestar atenção. Te vejo lá.
— Ok. – Desligamos.
Derek
Crawford
A delegacia 78 fica somente a
8 minutos do apartamento das meninas. Só que esse tempo é relativo. Em 8
minutos você pode fazer muita coisa, inclusive matar alguém.
Mandei uma mensagem para Emm
dizendo que estaria resolvendo algo e em seguida iria para o apartamento. Pouco
tempo depois recebi sua ligação. Taylor entrou e está querendo invadir o seu
quarto.
— Precisamos ir imediatamente
para o apartamento de Emily. O cara está lá nesse exato momento. – Comunico a
meu contato no departamento de polícia de Nova York.
Então, entramos no carro e em
poucos minutos estávamos no local. Em frente ao prédio havia uma viatura.
— Por que não entraram?
— Não conseguimos. Ninguém
atende em nenhum dos apartamentos. Nem mesmo o da denúncia. – Somos informados
por um dos policiais da viatura
— E por que não arrombaram? –
Pergunto duramente - Ela está trancada no banheiro se protegendo do
perseguidor. – Comunico sem paciência abrindo a porta de entrada do prédio.
Subimos as escadas que nos
levam até o apartamento 20. A porta está fechada, porém não trancada. Elas
nunca deixam assim, sempre trancam. Sou o primeiro a entrar. Ouvimos os gritos
dele a ameaçando de morte. Ouvimos os dela implorando por sua vida. Saco minha
arma e vou para o quarto de Emily. A porta está derrubado ao chão. No pé da
cama, entre ela e o banheiro, que também está sem porta, vejo-o em cima dela,
suas mãos ao redor de seu pescoço, ela se debatendo no chão. Tentando se
desvencilhar.
— Solte-a agora. – Ele não
obedece – polícia, mandei solta-la. - Ele continua estrangulando Emily.
Em fração de segundos ela para
de se debater, puxo o gatilho. Acerto-lhe as costas pelo lado esquerdo. Ele
tomba sobre ela. Seu sangue se espalha pelo chão.
— Peçam socorro! Temos dois
feridos. – Grito para os policiais que se aproximam.
Com cuidado, eu o tiro de cima
de Emm.
“Graças a Deus! Tem pulso. Só
desmaiou” – Constato ao examinar Emily.
Ela está muito ferida. Ele a
castigou de verdade. As ambulâncias não demoram a chegar. Quando os paramédicos
entram no quarto, constatam que Taylor já estava morto
“Quando atiro é para matar” –
Pensei comigo, enquanto prestam os primeiros socorros a Emm. Ouço a voz de Drew
vindo da sala.
— É minha namorada quem está
lá dentro, deixem-me entrar.
— Podem deixar. – Libero seu
acesso à sala.
— O que aconteceu? – Ele me
pergunta
— Pelo estado que encontrei o
quarto, o negócio foi muito feio.
— Cadê Emm?
— Os paramédicos estão
cuidando dela para levá-la para o hospital.
— E o canalha? Não me diga que
escapou?
— Morto.
— Quem? – Aponto para mim. –
Você? Emm. – ele se apressa em direção à maca onde ela está.
— Ele a estava estrangulando
quando atirei nele. Ela desmaiou.
— Vou com ela. Penny e Adam
estão a caminho.
— Vá. Eu fico aqui. Terei que
dar explicações aos detetives da homicídios. – E ele parte com Emily.
Minutos depois chegam os
detetives encarregados pela investigação. Enquanto estou dando meu primeiro
depoimento, Penny chega com Adam.
— Me deixem entrar. Eu moro
aqui e a vítima é minha amiga e cliente.
— Qual delas? – pergunta o
policial na porta
— Como assim, qual delas? –
Perguntou Adam
— Temos duas vítimas. Uma
morta e a outra em estado grave indo para o hospital.
— Policial, deixe-os entrar.
— Quem morreu? – Penny pergunta
desesperada.
— Taylor. E Emm foi levada para
o hospital em estado grave. Ele bateu muito nela e morreu enquanto a
estrangulava.
— Drew foi com ela? – Aceno
com a cabeça. – Para que hospital? – Adam questiona
— Para o Metodista
Presbiteriano. – Um dos socorristas que ficaram informa.
— Vamos, baby. No caminho,
avisamos a Artie e Ash. Drew vai precisar da gente com ele. – Adam chama Penny
— Assim que me liberarem
encontro vocês lá. – E eles saem.
Retomo minha narrativa com os
detetives. Conto tudo desde o começo lá em Maui. As ameaças, o que conhecia da
história deles dois em Mystic City.
Quando termino de dar meu depoimento inicial, antes de sair peço
informações sobre onde fica o hospital. E me informa que estávamos a menos de 5
minutos a pé dele. Então, resolvo ir andando até lá.
Penny Davis
O caminho até o Metodista não
é longo. Mas hoje parece que estamos atravessando o país. Estava com a sensação
de que Maui era muito mais próximo.
— Preciso avisar a Nana e a
meus pais.
— Não seria melhor saber
notícias primeiro? – Nego com a cabeça pegando meu celular.
— Mãe? Mãe! – Estou chorando e
assustada
— Filha, o que ouve?
— Mãe. Emm...
— Penélope você está me
assustando. O que aconteceu com Emily?
— Emm... Mãe... – Não consigo
falar. Adam toma o celular de minha mão.
— Olá, Sam. – Colocando
— Adam, o que está acontecendo
por aí? Por que Penny está desse jeito?
— Taylor invadiu o apartamento
e Emm está no hospital.
— Meu Deus do céu! E como ela
está?
— Ainda não sabemos, mas
parece que o estado dela é grave. Estamos chegando agora. Converse com Nana. Peguem
o primeiro voo para cá e quando estiverem vindo me avisem, para ir buscá-los
— Certo meu filho. Vai nos
informando. Beijos.
— Vamos procurar Drew. – Digo a
ela que está abraçada a mim, chorando muito.
Procuramos um pouco pelos
corredores até o avistarmos.
— Drew, onde ela está? –
Pergunto
— Ela precisou de cirurgia.
Ele a machucou muito.
— E você? Como está?
— Eu prometi protegê-la e
falhei novamente. Falhei com ela assim como falhei com minha irmã.
— Você não falhou com ninguém.
– Adam o consola — Foi ela que o afastou. - Acusando
— Não fale do que você não
sabe. – Eu o repreendo, com muita raiva — Emily teve suas razões. Ela fez o que
fez pensando nos meninos.
— Agora chega de mistérios,
Davis. Conta logo que merda toda é essa. – Drew ordena
— Eu não posso contar. O que
ela me contou está protegido por contrato de confidencialidade entre cliente e
advogada.
— Porra nenhuma, Davis! Olha
onde ela está e o estado dela! Conta essa porra logo. – Ele está gritando.
— Drew. Estamos num hospital,
controle a voz, por favor. E entenda que eu não posso contar. Mas acredite,
acabou. Assim que ela sair da cirurgia, ela lhe contará tudo e vocês serão
felizes.
A cirurgia entra a noite. Ela
teve algumas costelas quebradas que causaram uma hemorragia interna. Também
teve a mandíbula deslocada. Quebrou o braço esquerdo e teve uma entorse no
direito. Por todo seu corpo surgiram manchas roxas. Dessa vez, o estrago foi
muito grande mesmo. Foi o pior de todos.
Drew Grant
Depois da cirurgia, ela é
levada para a UTI. Continua desacordada. Eu e Nana nos revezamos no hospital
para que, quando ela acordar, não esteja só. Geralmente, passo a noite e a manhã,
para que Nana não se canse muito.
Os meninos voltaram para o
Brooklyn, onde tem sido minha casa na última semana. Sim. Já faz uma semana e
ela continua desacordada. Os médicos não entendem o motivo desse estado, já que
ela não teve nada no cérebro. “Talvez seja uma forma que o corpo dela
encontrou para se recuperar”, é o que nos dizem.
Entramos na segunda semana, e
nenhuma mudança em seu quadro. Estou sentado ao seu lado segurando sua mão,
contando histórias sobre as artes dos gêmeos têm feito com Nana. Eles pintam o
sete com ela. Enquanto estou contando da vez em que foram até o playground do
parque em frente ao apartamento e a fizeram correr atrás dele por entre os
brinquedos, sinto sua mão apertando a minha. Olho para ela e seus olhos estão
abertos.
— Oi, anjo! – Falo amorosamente
— Que bom que você acordou! – E chamo a enfermeira.
— Oi! – Fala com dificuldade —
Onde estou? O que aconteceu?
— Você está no hospital. Não
lembra o que aconteceu?
— Estava falando com os
meninos. Um barulho. Alguém entrou em casa... – Sua respiração altera, fica
ofegante.
— Calma! Tudo já passou. Tudo
acabou.
— Taylor! – Existe desespero
em sua voz.
— Ele não vai nunca mais lhe
incomodar. Derek deu um jeito nele.
— Deu um jeito? Como?
— Taylor está morto. Derek o
matou.
— Deus!
— Vamos ver como está nossa
moça dorminhoca, sim? – A enfermeira chega para checar os sinais vitais dela.
Eu me afasto para que faça seu
trabalho. Aproveito e envio uma mensagem para todos, comunicando que ela
acabara de acordar. A enfermeira me faz um sinal positivo indicando que estava
tudo certo.
— Acho que agora posso viver
em paz com meus filhos.
— Só com seus filhos? E com o
pai deles?
— Não sei! – Ela faz uma cara
zombeteira. – Com esse, preciso pensar.
— Me perdoe!
— Lhe perdoar?! Por quê?
— Prometi lhe proteger e ele
lhe agrediu duas vezes.
— Você não podia fazer nada.
Das duas vezes eu o afastei de mim. Não se culpe.
— Não. Prometi que
independente de estarmos juntos ou não.
— Anjo, eu não o culpo. A
culpa é do desgraçado morto. Só dele. Agora acabou. Poderemos ficar juntos,
criar, cuidar e proteger nossos anjinhos como uma família. – Me aproximo dela e
beijo-lhe a testa. A vontade é de beijar-lhe a boca, mas não sei se devo ou
posso.
— Não quero cobrar, mas acho
que mereço uma explicação agora. Penny me disse...
— O que foi que Penny lhe disse?
Ela não quebrou nossa...
— Ela me disse que quando você
acordasse me contaria tudo.
— E você não vai deixar que eu
me recupere, né?
— Não. Olha onde esse segredo
a levou.
— Não foi o segredo. Mas você
merece e precisa saber. Na semana seguinte que você voltou de Maui recebi
aquela foto dele perto das crianças.
— Lembro dela.
— E depois uma mensagem
exigindo que eu me separasse de você e lhe desse a guarda deles. Caso
contrário, algo poderia acontecer com os meninos.
— Filho da puta.
— Bem, a melhor forma de
protegê-los era me afastando de você. Ainda tentei ficar com os meninos, mas
ele insistiu que você ficasse com eles.
— Você não devia ter feito
isso, muito menos escondido de mim.
— Ele nos viu juntos hoje.
— Anjo, tem quase duas semanas
que aquilo aconteceu.
— O quê?!
— Você esteve em coma por duas
semanas.
— Duas semanas! Ual! Bem, ele
nos viu juntos naquele dia, o que o fez ficar muito irritado e me agredido
daquele jeito. Mas agora acabou. Podemos esquecer tudo isso. Me desculpa.
— Desculpas, mas ainda não
acabou. – Derek entra no quarto
— Como assim, não acabou?
Taylor morreu. Você o matou. – Contesto
— Lembra que você, Emm, achou
estranhou as mensagens escritas corretamente? – ela acena com a cabeça.
— O celular não esteve no
apartamento naquele dia. Mas esteve bem perto de sua casa.
— Como assim? - Pergunto
— Alguém estava mandando
mensagens para Taylor daquele mesmo número informando seus passos e os de Drew.
— Você está me dizendo que
Taylor era um peão nesse jogo? Mas quem faria isso? – Pergunto novamente
— Não posso dizer ao certo. E
não vou fazer acusações sem prova. Mas acredito que as crianças ainda não
estejam seguras.
— Você está me dizendo que
mesmo depois de tudo o que vivi ainda não posso estar com meus filhos?! – ele
acena como resposta à pergunta dela
— Pro inferno com isso,
contratamos seguranças, vocês não ficarão mais um dia afastados. Nem que para
isso, eu tenha que ficar 24/7 com vocês. Assim que tiver alta, vai comigo para
minha casa. – Informo
— Drew, não acho seguro. Não
sabemos o grau de loucura dessa pessoa.
— Chega de ceder à chantagem,
a próxima mensagem a polícia ficará sabendo. E ponto final. Meus filhos não
sofrerão mais por causa disso. – Sou enfático
— Desculpa, Dê. Mas concordo
com Drew. Meus... nossos filhos já sofreram demais. Nem que tenhamos que ficar
trancados em casa. Mas eles e eu ficaremos juntos. – Ele se dá por vencido.
O pessoal chega para
visitá-la. Quando Nana entra, elas se abraçam e choram muito. Penny se junta às
duas. E tudo o que elas três conseguem dizer é:
— Acabou. Acabou!
***
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