domingo, 17 de maio de 2020

Livro 1: Calma Paixão - Prólogo

Olá, sou Emily. Nasci na pequena cidade de Mystic City, no Estado de Massachusetts. Muito cedo perdi meus pais em um trágico acidente de barco nos arredores de minha cidade. O rio Mystic é um dos grandes atrativos turísticos de lá, por isso meus pais abriram junto com um casal de amigos uma agência de ecoturismo. De vez em quando fazíamos passeios em família, principalmente numa data especial.


Era o 15º aniversário de casamento deles. Eu tinha 9 anos. Lembro como ontem, pediram que minha vó, mãe de minha mãe, ficasse comigo naquele dia, meu pai tinha planejado uma comemoração muito romântica e não tinha lugar para crianças, ele falou piscando o olho para ela. Eu entendi. Era um momento deles. Fora que amava ficar com minha vó, sempre me ensinava uma receita nova. Quando era mais nova, ela trabalhou com um grande chef de cozinha em Nova York. Sempre me contava história daquele tempo quando estávamos cozinhando.

Estávamos na cozinha, preparando um lanche para comermos enquanto assistíamos a um filme. Amamos comer e assistir filmes juntas. Os melhores são os de terror. Sim, minha amada vó, ama filme de terror. Bem, estamos fazendo uns sanduiches e suco, cantando, dançando e rindo, eu estava chorando de ri das doideiras de minha vó, quando tocaram a campainha. Ela foi atender e disse para eu continuar com os sanduiches. Quando ouço um grito vindo da porta da rua, corro para ver o que tinha acontecido e encontro minha vó sendo amparada por Ed, o xerife da cidade. Pode ver o desespero em seus olhos, ela chorava e gritava. Quando me viu parada entre o hall de entrada e a sala de visita, parece que o mundo congelou. O pavor, desespero, angústia deram lugar a uma tristeza, uma certa dúvida.

Ela se desvencilha dos braços de Ed, se ajoelha e abre os braços para que eu a abraçasse. Tive um pressentimento horrível naquela hora. Algo de muito ruim havia acontecido. E era com meus pais.

— Minha florzinha!! – ela me abraça e sussurra em meio às lágrimas.

— Vó, o que houve? – pergunto quase sem querer a resposta. No fundo, pela dor que ela sentia e a presença do xerife, eu já sabia o que podia ser.

— Venha, vamos nos sentar no sofá. Obrigada, Xerife, agora é comigo. Depois ligo para você.

— Vó, o que aconteceu? Meus pais estão bem? – indaguei como quem dissesse pode dizer estou preparada. Embora só tenha 9 anos, sou mais madura que minhas amigas da mesma idade que eu.

— Houve um acidente no rio. – Um gemido escapa de minha boca – O barco que seus pais estava naufragou, estão fazendo as buscas por sobreviventes.

Foram dias na espera de notícias. Minha tia July, irmã de meu pai, veio ajudar minha vó comigo. Ela ia todos os dias onde estavam sendo realizadas as buscas. Nunca acharam os corpos deles. Até hoje, 10 anos depois, a vovó ainda tem esperança deles aparecerem. Nunca deixei de esperar, mas deixei de alimentar essa esperança.

Agora serei eu a partir. Estou  no Aeroporto de Boston esperando por aquele voo que irá me levar para uma nova vida, um novo sonho e quem sabe um novo amor...


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