segunda-feira, 25 de maio de 2020

Livro 1: Calma Paixão - Capitulo V: O primeiro dia de trabalho

Acordo antes do despertador tocar e fico fazendo hora na cama. Imaginando como seria trabalhar naquilo que estudei e gosto de fazer. Estava tão ansiosa por começar que ontem antes de dormir já estava com minha roupa escolhida. Semana passada, sai com Penny para comprar roupas de trabalho. Comprei alguns terninhos femininos, alguns conjuntos de saia e blazer, mais alguns vestidos tubinhos, algumas tantas blusas, calças, sapatos e acessórios. E para começar escolhi um conjunto azul marinho de saia, na altura do joelho, e blazer, uma blusa branca com detalhes combinando com o conjunto, um scarpin na mesma cor do conjunto. Separei um par de brinco e pulseiras douradas para usar.

Quando o despertador tocou, me levantei entrei no banheiro e tomei meu banho. Prendi meu cabelo, que é castanho claro cacheados, num coque baixo. Fiz uma maquiagem discreta, dando um ar de natural. Não queria chamar a atenção pela que vestia e sim pelo meu conteúdo. Fui para a cozinha, o café já estava pronto, então preparei torradas para comermos com geleia. Quando Penny entrou na cozinha, nos sentamos na bancada para comermos juntas antes de sairmos para trabalhar.

— E aí? Muito nervosa?
— Que nada!! Muito natural! – E levanto a mão forçando uma tremedeira – Que nervosa nada!! – E caímos na risada.
— Relaxa! Você é competente no que faz. Sempre foi.
— Sério, agora. Estou um pouco, mas acho que é normal. Afinal é meu primeiro emprego real.
— Qualquer coisa, me liga. Posso não entender nada de administração ou construção, mas lhe faço relaxar em dois tempos.
— Como sempre fez! Você é realmente uma grande amiga.
— É melhor irmos. Você não quer chegar atrasada no primeiro dia.
— Na verdade, estou uma hora adiantada. Quero chegar cedo para me familiarizar com o escritório e as rotinas.
— NERRRRRD!!! fala forçando o R
— Não.
— Você sempre foi NEERRRD!!
— Deixa de ser chata. Sou nerd nada. Apenas aplicada e dedicada em tudo que faço. Sempre me serviu de terapia.
— Nisso eu lhe invejo, queria ser só um pouquinho mais dedicada. Mas já sou muito boa no que faço do jeito que sou.
— É a melhor advogada que conheço. Vamos?
— Deixa eu colocar a louça na máquina e saímos.

Uma hora depois estou entrando no prédio onde fica a A4+ Projects. Ele deve ter uns 50 andares. Um dos muitos de arranha-céus da cidade. Sua fachada é toda de vidro espelhado que refletem a luz do sol, criando um jogo de luzes de tirar o folego. O andar térreo era todo de vidro, assim de fora víamos seu interior. O lobby muito bem decorado, com sofás e poltronas modernas nas cores branca e com leves toques dourados, dando um ar sofisticado ao ambiente. Era muito amplo. Fui até a recepção do prédio e me identifiquei.

— Bom dia! Sou Emily Campbell, e vim ver o Sr. Evans na A4+.
— Bom dia, Srta Campbell, o Sr. Evans nos deixou informados que iria começar hoje. Este é seu cartão de acesso temporário, em breve receberá o definitivo. Os elevadores são por ali e pode descer no 35º andar.
— Muito obrigada. Tenha um bom dia...?
— Smith. Spencer Smith.
— Bom dia, Spencer. E pode me chamar de Emily.
— Obrigada, Srta. Tenha um bom dia também.

Olho para ele como quem diz: “Entendo. Mas você me chamará de Emily, eventualmente.” E me dirijo aos elevadores. O escritório ocupa dois andares do prédio. No 35º fica o setor administrativo, com os escritórios da administração e dos sócios e duas salas de reuniões pequenas, e no 36º, a parte operacional, onde estão os engenheiros e arquitetos e seus assistentes em suas pranchetas gigantescas. Também tem um setor destinado aos decoradores, porque um bom projeto de arquitetura e engenharia não existe sem um bom projeto de decoração.

Entrando na empresa, temos uma grande mesa com as recepcionistas, são três. Todas muito bem vestidas, com um conjunto de calça social e blazer preto com a logo da empresa bordado, num tom amarelo. Faço minha identificação e uma das meninas, Hillary, me acompanha até a minha sala. A maioria dos funcionários ainda não haviam chegado, tirando o pessoal da copa e as recepcionistas, parecia uma empresa fantasma. Agradeço a Hillary por me acompanhar. Sento-me em minha mesa, coloco alguns objetos pessoais sobre ela, ligo o computador e me direciono até a janela para observar a cidade que começa a se agitar para mais um dia de trabalho. É impressionante como Nova York nunca para de me impressionar. De cada ponto que a observo, me descubro cada vez mais apaixonada por ela. Um bater na porta me tira dos meus devaneios.

— Bom dia, Srta. Campbell, sou Lisa Miller, líder da equipe de decoração do escritório.
— Bom dia, pode me chamar de Emm ou Emily. Mas esqueça essa “senhorita”, por favor.
— Então seremos Emm e Lisa.
— Combinadas.
— Vamos discutir a decoração de seu escritório?
— Não imaginei que seria meu primeiro compromisso – dou uma pequena risada – Não havia pensado em nada.
— Me fale um pouco de você. Do que gosta, do que te inspira. De onde vem? Sei que não é da região, quem sabe trazer um pouco de casa para aqui.
— Sou de Mystic City, Massachusetts. Mas não quero nada que me lembre lá. O que me inspira? Isso aqui. – E aponto para a janela. – Essa cidade linda e maravilhosa, que muito bem me acolheu.
— Humm! Sim. Nova York é uma cidade incrível mesmo. Podemos dizer que um estilo urbano chique lhe agrada.
— Podemos. Sim. Esse seria meu estilo.
— Cores?
— Sóbrias. Nada espalhafatoso. Até porque não é chique. – E dou risada.
— Acho que já tenho algo em mente. Vou criar alguns modelos e mais tarde venho lhe mostrar.
— Por favor, Lisa. Não vá atrasar seus projetos por minha causa. Eu me viro com o que tenho aqui. Já está muito bonito.
— Primeiro, essa sala não tem personalidade, não diz: “Olá, eu sou Emily Campbell, Gerente Geral da A4+ Project”. E em segundo, você é – ela enfatiza esse “é” - minha cliente, tenho que lhe dar atenção e prioridade.
— Não digo mais nada. Até mais.
— Até. Bom dia, Gabriel. Sua chefe é um doce. – Ao cruzar com um jovem rapaz, um pouco mais novo que eu.
— Bom dia, Lisa. Que sorte a minha, porque o último! Com licença, srta. Campbell. Sou Gabriel Mendes, serei seu assistente.
— Bom dia, Sr. Mendes. Espero que possamos nos entender. Sei que sem o sr., não serei ninguém aqui.
— Pode me chamar de Gabriel. Todos aqui me chamam assim.
— Bem, se for para lhe chamar pelo primeiro nome, você também me chamará pelo meu nome, Emily.
— Como desejar, Emily.
— Ótimo. Primeiro quero lhe dizer que eu, e friso o eu, chegarei, tentarei chegar sempre, por volta de uma hora antes do horário e provavelmente, sairei depois do horário. Mas, de forma alguma, você é obrigado a chegar antes ou sair depois. Só peço que deixe minha agenda do dia seguinte à disposição.
— Tudo bem. Tem sempre uma cópia dela em seu computador e outra no Ipad, são carregados automaticamente quando faço alguma alteração.
— Perfeito. Vamos começar? O que temos para hoje?

A manhã passou com Gabriel me atualizando das rotinas administrativas da empresa, metodologia de trabalho e outras informações importante sobre o escritório e passo minhas intenções, reuniões com as equipes, com os líderes me separados. Já passava da uma da tarde quando Adam entra em minha sala. Não o tinha visto pela manhã, como estava absorvida com tudo que Gabriel me passava e as decisões a serem tomadas, não tinha percebido nem que não o tinha visto ou a qualquer um dos sócios, e que já era tão tarde.

— Nossa! Que pessoa trabalhadora! Nunca vi tanto papel em cima de uma mesa. Nem na dos engenheiros nem dos arquitetos muito menos na de Gabriel.
— Adam! Bom dia!
— Boa tarde, você quer dizer, né? Já passa da uma.
— Gente! Nem percebi. Gabriel estava me atualizando de tudo. Vá almoçar, depois continuamos. – Falo para Gabriel
— Você ainda não comeu nada?!
— Desde o café da manhã. Agora estou ficando com fome.
— Ótimo! O pessoal estão nos esperando no Gianni’s.
— Pessoal?!
— Sim, seus chefes. Queremos lhe oferecer um almoço de boas-vindas.
— Então vamos. – Pego minha bolsa e nos dirigimos ao restaurante.

A caminhada até lá é curta, mal trocamos uma palavra no percurso.

— Então, qual a primeira impressão?
— Estão realmente precisando de alguém que organize tudo por lá. Quem fazia isso antes?
— Tínhamos um contador/administrador que gerenciava tudo.
— Ou não. – Faço uma cara de desaprovação.
— É, ou não. Mas ele tentava.
— Se você está dizendo...
— Ali estão eles! – E aponta a mesa onde tem dois homens de tirar o folego e uma mulher tão linda quanto. Vamos até a mesa e nos juntamos a eles.
— Pessoal, essa é Emiliy, nossa salvadora.
— Não tem essa de salvadora coisa nenhuma. A empresa não está perdida nem falida. – Repreendi seu comentário.
— Amiga, estamos, sim, precisando de uma salvadora. Não entendemos nada de administrar. E pelo que percebi, a empresa está entrando num buraco. Oi, sou Ashley, arquiteta líder de equipe e sócia da empresa.
— Não que o antigo “administrador” de vocês fosse péssimo. – Fiz o sinal de aspas com os dedos” – Podia ter boa intenção, mas não entendia nada.
— Boa tarde. Sou Adrian e serei seu garçom hoje. – Adrian se apresenta como de costume.
— Impressionante como você sempre nos atente e continua a se apresentar formalmente, Adrian. – Comentou Arthur, o outro líder de equipe de arquitetura.
— Artie, deixa o rapaz trabalhar em paz. Você já que o Gianni exige essa postura.
— O que é, Drew? Que se apresentar como o Sr. Certinho? – ironizou Arthur
— Crianças comportem-se. Pode nos trazer aquela garrafa do champanhe de sempre, temos o que comemorar hoje. – Pediu Adam
— Eu ainda volto para o escritório. – Lembrei a ele.
— Além de bonita, é responsável! Já gostei dela. – Elogiou Drew. – A propósito sou Andrew, mas me chame de Drew, o outro engenheiro líder de equipe e louco suficiente para ser sócio desse povo. – Se apresenta estendendo a mão para me cumprimentar.
— Maravilha! Agora Drew ligou o modo paquerador! – Ironizou Adam
— Pronto! Mais um a pegar no meu pé. Se saia, Adam! Só fiz elogiar a garota.
— Vocês não tomam jeito! Tudo ficando velho e continuam agindo como garotos da fraternidade. – Repreendeu Ash
— Tranquilo, Ash. Emily está vacinada contra vacilões. – Alerta Adam e rimos juntos.
— Deixe-me ver se peguei o nome de cada um de vocês e cargos. Adam e Drew engenheiros. Ashley, arquiteta, Arthur é o segundo arquiteto, certos?
— Quase. Esqueceu dos palhaços da equipe. – Completou Adam. – A equipe de palhaço é formada por Arthur e Drew. Não se engane com essas capas de homens responsável e sério, porque ninguém perdeu para eles acharem.
— Então temos Ashley e Arthur, arquitetos, Adam e Drew, engenheiros e Arthur, Drew e Adam, palhaços. É isso?
— Ehhhh! Temos uma comediante!! – Comemorou Arthur
— Toma, Adam! Quis bancar o esperto! – Retrucou Drew, quando Adrian, o garçon, chegou com nosso champanhe.
— Salvo pelo gongo. – Disse Ashley
— Pois é! Esqueci dessa faceta de nossa gerente geral. Vamos brindar a essa aquisição maravilhosa à equipe da A4+ Projects.
— Seja bem vinda à loucura! – Brindou Ashley.
— Bem vinda! – Disseram os rapazes juntos.

Terminamos o almoço e retomamos ao escritório, brincando no caminho. Descobri que Ashley e Arthur eram casados e que Drew era irmão de Arthur e solteiro. Não era difícil perceber que esses dois eram irmãos. Além das provocações que faziam um ao outro, eram muito parecidos fisicamente. Ambos tinham o cabelo castanho claro, rosto bem masculino, sendo que Arthur tinha no rosto uma barba por fazer, Drew não. Os olhos de Drew são azuis, tão claros e muito penetrantes e o de Artie eram castanho-escuros. Os dois tinham a pele levemente bronzeada. Todos três homens sócios tinham os corpos muito bem definidos, musculosos. Onde entravam, chamavam atenção, pela beleza e pelo tamanho de cada um deles, todos girando em torno dos 1, 80cm. Meus chefes eram muito divertidos além de lindos. Ashely era uma mulher com mais ou menos 1,70 cm, estava de salto alto, o que lhe conferia uma altura um pouco superior, seus cabelos eram ruivos, com os olhos castanhos claros. Tinha o corpo como o meu, nada fora do lugar, mas não éramos magras.

Entro no escritório e Gabriel já estava lá, a postos para continuarmos nossa reunião. Agendamos compromissos e reuniões com clientes em potencial para a semana seguinte. Decidi que teria uma reunião com as equipes uma vez por semana para ficar a par de tudo que estava acontecendo dentro do escritório e nas obras, para fazer o controle de possíveis contratempos e avaliação dos riscos. Afinal, eu e minha equipe erámos a linha de frente do escritório. Por volta das 5:00, Lisa entra na sala com um monte projetos desenhados.

— Vamos discutir seu escritório?
— Temos opção?
— Claro... que não. Vamos dar vida a isso aqui. – E circula a mão sobre a cabeça mostrando o ambiente.
— Ok. O que temos?

E passamos a ver os desenhos, ela explicado as ideias que teve, o porquê de cada um deles. Escolhemos o que mais teve a ver comigo. Um projeto que apresentou uma visão que me lembrou muito Nova York. A palheta de cor circulava entre tons de preto, branco e cinza, com detalhes em laranja, amarelo e vermelho, essas últimas, segundo ela, por lembrar o pôr do sol, já que da minha sala tinha uma visão privilegiada dele sobre o rio Hudson. Os móveis seriam de metal, com um design industrial, que dava um ar moderno ao ambiente. Eu traria mais objetos pessoais para a decoração.

Terminamos nossa reunião, chamei Gabriel para dispensá-lo. Eu ficaria por mais uma hora, mais ou menos, para concluir o estudo de risco de um grande projeto que a equipe de Ash e Artie está pensando em aceitar e envolverá todas as equipes, que comecei pouco antes de Lisa chegar.

Antes de retomar o trabalho, fui até a janela para observar novamente a cidade. Que agora começa a se iluminar. O sol estava se pondo, deixando o céu em tons de laranja, amarelo e vermelho. Lembrei do projeto, Lisa tinha razão, o pôr do sol visto daqui é de tirar o folego. Minha sala ficaria muito bonita. Retorno à minha mesa e começo avaliar os riscos que correremos com esse projeto de um condomínio a beira mar.

Fiquei tão envolvida com o trabalho que passei mais de uma hora além do previsto. Quando meu telefone tocou. Era Penny preocupada com a minha demora. Avisei que estava terminando algo e que iria para casa logo em seguida. Ao terminar, desliguei meu computador, organizei minha mesa, que estava uma bagunça generalizada. No dia seguinte, continuaria o projeto. Pego minha bolsa e minha pasta, onde tem alguns prospectos do projeto e o tablete com alguns contratos, projetos e minha agenda, e saio da sala em direção aos elevadores.

— Então, como foi o primeiro dia? – Tomo um susto quando ouço a voz de Drew.
— Ui! Que susto! Pensei que estava sozinha.
— Precisei corrigir alguns pontos de um projeto que o cliente solicitou e levou mais tempo que pensei. E você?
— Estava criando analisando o possível contrato do condomínio à beira mar. Passei da hora também.
— Desculpa se pareci um pouco assanhado no almoço. Gosto de descontrair o ambiente.
— Não se preocupe. Não fiquei ofendida. Muito pelo contrário. – Entramos no elevador.
— Que bom. A Ash sempre acha que estou cantando todas as mulheres que conheço.
— E não está?
— Não sempre. Na faculdade era muito atirado. Hoje estou mais calmo. Quero qualidade, já tive a quantidade.
— Entendo. – Chegamos ao térreo e me despeço. – Bom, até amanhã.
— Você está indo para onde e vai como?
— Estou indo para o Brooklyn e vou pegar o metrô.
— Metrô, a uma hora dessas, sabe que já passa das 9:00? Para o Brooklyn? Sozinha? De jeito algum. Eu te levo.
— Não há necessidade. E não quero dar trabalho
— Não é trabalho algum. Uma hora dessas, o trânsito é tranquilo. Chegamos num instante.
— Mesmo assim, não é preciso. O metrô é tranquilo.
— Senhorita, segurança em primeiro lugar. E o metrô não é tão tranquilo assim.
— Posso pegar um taxi.
— Está com medo de mim?
— Medo? De você? Você não é o bicho papão, é?
— Para você, jamais.
— Fico feliz. Mas não quero dar trabalho.
— Já disse que não é trabalho. Você vai comigo e estamos conversados. - Ouvi muito esse “e estamos conversados.” e isso disparou o gatilho de defesa.
— Agradeço. Mas prefiro ir de taxi. – Disse num tom um pouco mais rude.
— Ok. Mas só queria ajudar.
— Se esperar comigo, já ajudará. – Mudei o tom, quando percebi que ele havia sentido meu desagrado anterior. - Desculpa o jeito que falei.
— Não, tudo bem. Fico com você até o taxi chegar. Mas você pretende sair sempre nesse horário? – Ele me questionou enquanto eu ligava para a empresa de taxi para pedir o que me levaria até em casa.
— Realmente, não tão tarde, espero. Mas terá dias que sairei sim nesse horário, possivelmente. – Faço um sinal para ele esperar - Alô, gostaria de pedir um taxi para o Brooklyn. – Passo o endereço do prédio.
— Então precisamos providenciar um transporte seguro para você voltar para casa.
— Não tem por que se preocupar. Sempre pego taxi com essa empresa.
— Mas os motoristas sempre mudam. Pode vir um que não seja de confiança.
— Você é liga muito com a segurança!
— Faz parte do trabalho.
— Mas eu não sou seu trabalho.
— Não, mas faz parte da equipe. Então me preocupo. E sei que não é da cidade, o que me deixa um pouco mais preocupado.
— Eu agradeço, mas já moro em Nova York a quase 6 anos. Não sou tão novata aqui, não acha?
— Nessa me pegou. Mas uma mulher bonita como você, sempre chama a atenção dos bons e maus moços.
— Muito gentil! Meu taxi chegou. Obrigada pela companhia.
— Calma! Vou com você até o carro. – E caminhamos até o carro. Ele abre a porta e entro.
— Muito obrigada pela gentileza e boa noite.
— Boa noite e até amanhã.

Dentro do taxi, passo o endereço ao motorista e passo a mexe em meu Ipad, verificando algumas anotações sobre o projeto e seus pontos positivos e negativos. Quando começamos a atravessar a ponte do Brooklyn, desligo o aparelho e passo a observar o percurso.

“Será que Drew é tão atencioso com as outras mulheres da empresa? Ou será que Ashley está certa sobre o cunhado e ele continua o mulherengo da faculdade e aquela era apenas uma de suas cantadas? Ei! por que estou me preocupando com isso?!?!” Meu celular toca, me tirando dos meus pensamentos.

— Alô!
— Já chegou?
— Quem está falando?
— Emily, é Drew. Você já chegou? – Nossa! Ele está mesmo preocupado?!?!
— Acabei de passar pela ponte do Brooklyn. Como conseguiu meu número?
— Com o Adam. Assim que chegar me ligue dizendo que chegou bem. Estou preocupado. Salve meu número.
— Senhor, sim, senhor! – Respondo em um tom militar.
— Emily, não estou brincando. Fico preocupado mesmo.
— Certo. Se é para deixar você tranquilo, te ligo. Mas... – Não termino a frase, pois ele desligou o telefone. – Mas que abuso! Desligou na minha cara. Pois agora só terá notícias minha amanhã. – Mas salvo o número dele no celular. Afinal, trabalhamos juntos. Isso me lembra que preciso de um número para o trabalho e ter nos meus contatos os telefones de todos os funcionários da empresa.

Quando chego em casa, mesmo que quisesse ligar para Drew para dizer que cheguei bem, não poderia. Penny me bombardeou com um monte de perguntas sobre meu primeiro dia. Depois de um relato completo enquanto me alimento, deixo minhas coisas na sala, vou em direção ao banheiro, tomo um banho e desabo na cama.

***

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